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terça-feira, 17 de dezembro de 2019

NO CEARÁ, GAECO DEFLAGROU 15 OPERAÇÕES CONTRA O CRIME ORGANIZADO NESTE ANO

FOTO: JOSÉ LEOMAR

O Estado, através dos mais variados órgãos, intensificou o combate às facções criminosas em 2019. O Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público do Ceará (MPCE), foi um dos responsáveis pela reação dada aos atos violentos. 

Entre as ações do Grupo neste ano, estão 15 operações deflagradas e 54 pedidos de transferência de líderes das facções, que foram acatados pela Justiça.

O Gaeco investiga organizações criminosas violentas e não-violentas (como quadrilhas que cometem crimes contra a administração pública). Mas o ano que está próximo do fim demandou mais esforços em uma frente. 

"No ano de 2019, em face dos ataques no Ceará, nós focamos o nosso trabalho nas facções criminosas. Cerca de 70% do nosso trabalho foi contra as facções", revela o coordenador do Grupo, promotor de Justiça Rinaldo Janja. 

"Foi um ano extremamente desafiador. Enfrentamos ataques no início de janeiro, em fevereiro e também tivemos ataques em setembro", corrobora o promotor Adriano Saraiva.

Em janeiro deste ano, as facções Comando Vermelho (CV), Guardiões do Estado (GDE) e Primeiro Comando da Capital (PCC) ordenaram mais de 200 ataques a instituições públicas e privadas e obrigaram que o Estado se reorganizasse. 

Uma das respostas urgentes à onda violenta foi a transferência das lideranças das facções, que teve o apoio do Gaeco. 

"O objetivo é o isolamento desses líderes. Quando você isola os líderes das facções criminosas, você quebra um pouco a estrutura dessas organizações", analisa Saraiva. 

Nas investigações, o Gaeco adotou outras estratégias para combater os grupos criminosos. 

O promotor Rinaldo Janja destaca a importância da integração entre os órgãos de Segurança Pública e Justiça, no Ceará, potencializada neste ano, tanto para as apurações como para os cumprimentos de mandados: 

"O segredo é integrar todas as Forças de Segurança Pública, Ministério Público, Poder Judiciário. Hoje, você vê o avanço que nós tivemos no combate às organizações criminosas, com a Vara de Delitos de Organizações Criminosas, com a atuação de juízes e servidores especializados".

Adriano Saraiva cita uma tática que diminuiu a força de muitos grupos criminosos com atuação no Ceará. "A questão de atuar no poderio financeiro dessas organizações criminosas. 

Conseguimos fazer uma série de bloqueios de contas, que eram movimentadas e que fomentavam a compra de armas e de drogas. Não só contas, mas também imóveis, automóveis".

Operações

Dentre as 15 operações deflagradas neste ano, o promotor Rinaldo Janja destacou os três desdobramentos da 'Saratoga' - que iniciou investigando um braço do PCC que atua em Fortaleza, mas chegou a outros membros da facção e até a quadrilhas independentes que tinham alguma relação com a primeira, liderada por Francisco Márcio Teixeira Perdigão, o assaltante de bancos, sequestrador e traficante 'Márcio Perdigão'. 

"É uma Operação muito grande contra uma facção criminosa, que remonta ao ano de 2015. Investigamos cerca de 300 alvos", explicou Rinaldo Janja.
Já o promotor Adriano Saraiva ressaltou a Operação Maçãs Podres, deflagrada em 30 de agosto deste ano. "Foi uma Operação também voltada ao combate às facções criminosas, mas com atuação de agentes públicos, policiais militares que se associavam a traficantes, davam proteção, faziam a prisão de traficantes rivais e a apreensão desses produtos que eram revendidos e divididos entre os policiais militares e esses traficantes (aliados)".

O promotor Rinaldo Janja acredita que o Estado conseguiu ceifar as 'cabeças' do crime organizado. "Aqui no Estado do Ceará, conseguimos chegar aos 'cabeças' (chefes) da facção local, a GDE. As lideranças atuais, todas, estão neutralizadas, no sistema penitenciário federal", cita.

Ao ser questionado sobre as lideranças do CV e do PCC, o promotor destaca que ainda há trabalho a ser feito. "Nós detectamos, sabemos quem são essas pessoas e algumas delas foram para o sistema federal também. Mas os 'cabeças' não estão no Ceará".

Segundo o Gaeco, as investigações contra o crime organizado, realizadas junto de outros órgãos, como a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) e Polícia Federal (PF) tenham colaborado com a redução de índices como homicídios e roubos, no Ceará, em 2019. "A partir do momento que você controla a atuação dessas facções criminosas, é uma consequência natural a diminuição de homicídios e roubos. No esquema da facção, além do tráfico de entorpecentes, está o roubo, para fazer dinheiro, e o homicídio, porque determinadas lideranças mandam executar desafetos", explica o membro do Gaeco Adriano Saraiva.

Perspectivas

Para 2020, o Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas pretende evoluir na área tecnológica, para otimizar a Inteligência e continuar a combater as facções criminosas. Uma aposta do Ministério Público do Ceará é o Núcleo de Inteligência e Apoio Técnico (Niat), que começou a atividade em outubro deste ano, para centralizar as informações de investigações criminais e disparar para os demais setores do MPCE.

"A guerra de hoje é por informação. Nós, hoje, temos como uma vertente no combate às organizações criminosas a informação, feita através da Inteligência. A comunidade de Inteligência do Ceará, hoje, está integrada e monitora as células criminosas que estão surgindo", aponta Janja. "A gente tem um trabalho de Inteligência de excelência. Foi criado o Niat, que é um órgão especializado nessa investigação de inteligência. E a gente está sempre atento. Porque você isola uma liderança, vem outra que substitui", relaciona Saraiva.

AUTOR: DN

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

EM FORTALEZA (CE), BANDIDOS DESAFIAM A POLÍCIA E FAZEM FESTA PARA COMEMORAR ANIVERSÁRIO DA FACÇÃO PCC

Vídeos postados nas redes sociais e aplicativos de celular mostra a ousadia e liberdade com que agem as facções criminosas na periferia de Fortaleza. No fim de semana passado, bandidos organizaram festas em diversas favelas e comunidades da Capital para “comemorarem” o aniversário da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). 

A festa teve direito até a bolo, exibição de armas de grosso calibre e contou com a presença até mesmo de crianças de várias idade, inclusive, de colo.

Um desses vídeos que viralizaram no aplicativo WhatsApp mostra a comemoração de um braço da facção na Favela Vertical, localizada na Avenida Cônego de Castro, no bairro Parque São José.

Bandidos organizaram a festa na noite de sábado e reuniram dezenas de moradores, que são vistos na gravação entoando músicas exaltando o crime e o PCC, sem que sejam incomodados pela Polícia.

Em outros bairros da Capital também ocorreram manifestações de criminosos pelo “aniversário” da facção. Já na cidade de Aracati, no litoral Leste do estado (a 140Km de Fortaleza), a Polícia Civil acabou com uma “festa” de membros da facção e vários integrantes do bando acabaram presos, além de várias armas de fogo apreendidas.

De acordo com a Polícia de Aracati, ao menos, 20 pessoas foram detidas no local e encaminhadas à Delegacia Regional, onde foram autuadas em flagrante por porte ilegal de armas e outros crimes.

AUTOR: FERNANDO RIBEIRO

domingo, 1 de setembro de 2019

EM ARACATI (CE), FESTA DE ANIVERSÁRIO DO PCC É DESCOBERTA, ARMAS E DROGAS SÃO APREENDIDAS

Bolo também foi apreendido durante a operação (Foto: via WhatsApp O POVO )

Preparativos para uma festa de aniversário com tema em homenagem à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) foi descoberta pela Polícia Civil, por meio da Delegacia de Aracati, neste sábado, 31. 

O evento aconteceria em Aracati, litoral leste do Ceará.

O bolo tinha os dizeres "Parabéns, Família PCC". O simbolo e os números que fazem referência a organização criminosa também estava presente na organização da festa. Pelo menos 20 pessoas foram encaminhadas à delegacia.
Foto: via WhatsApp TIANGUÁ AGORA

A Polícia apreendeu, além de arma longa, tabletes de maconha, celulares, facas e revólveres. Os copos e as plaquinhas todas foram confeccionadas com o tema da facção criminosa. O caso está na delegacia de Aracati.

AUTOR: O POVO

sábado, 31 de agosto de 2019

CRIMINOSO DO PCC, AFIRMA QUE RIVAIS E POLICIAIS ATUARAM JUNTOS PARA MATÁ-LO, EM INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS, OUÇA OS ÁUDIOS

Operação Saratoga(Foto: Divulgação/ MPCE)

João Neto, considerado um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC) do Bom Jardim, em Fortaleza, e que atualmente está em um presídio federal em Catanduvas (Santa Catarina), afirmou, durante uma conversa telefônica interceptada, que rivais e policiais atuaram juntos para matá-lo. 


O documento obtido pelo O POVO Online é a denúncia do Ministério Público do Estado do Ceará, da operação Saratoga, que foi articulada entre 2015 e 2016 e tem relação com a operação Maçãs Podres, que está em sua segunda fase.

Na interceptação telefônica, que foi realizada pela Coordenadoria da Inteligência (Coin), da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), João diz que está comprando um fuzil para ele e outro para o Penca, que também é um dos denunciados.

"Eu vou dar trinta tiros de fuzil no Garoto, eu vou partir ele em cinquenta pedaços. Meu negócio ai e só com o Garoto. Eu não tenho maldade com nenhum de você, o Garoto tava preso e todo dia eu ia deixar merenda dele na Capturas. 


Um pilantra ai que eu não vou dizer o nome me chamou pra casa dele e eu fui recebido a bala e vim pra dentro da cadeia. Como eu tava dentro da cadeia eu mandei matar mesmo porque era um pilantra safado. Botar dentro do carro e matar, sentar-lhe o sarrafo. 

Os caras não gostaram mas esses caras que são meus inimigos tudo frouxos. Sabe por que? Porque uma vez tentaram matar ai, foram dois carros, cada carro tinha um polícia no meio. Na hora que puxei minha pistola correu tudim, deixaram só eu baleado no chão e acertaram só minhas pernas. Quando eu vou pra buscar eu pego mesmo".

João diz que gastou muito com o advogado e deu uma "quebrada", mas que está se recuperando. O Pop, que é a pessoa que conversa com João, pergunta se ele tem falado com a Nice e esta diz que não. João diz que só tem dois "cabras homens" "aí", Raul e Gangão.

Pop pergunta do "Pombão", "ele mandou matar". João pergunta quem é que está lá embaixo e Pop diz que não tem quase ninguém lá, tem só o Bodim e uns e outros lá. João pergunta por que é que mataram o Tiago, o "Olho de Bila", Pop diz que é porque cresceram os olhos nele. Pop diz que quem matou o Thiago foi Leócio, o "Olho de Bila". Pop diz que é porque cresceram o olhos nele. João pergunta por Tilim e Pop diz que não sabe mais.

Ouça áudios de policiais e traficantes presos suspeitos de formar quadrilha em Fortaleza:

Alvos da Operação “Maçãs podres”, policiais militares e supostos traficantes foram presos por suspeita de formar quadrilha com atuação no bairro Bom Jardim, em Fortaleza. Deflagrada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), a ação prendeu 11 pessoas na manhã desta sexta-feira, 30. O POVO Online teve acesso a áudios obtidos por meio das investigações.

Áudio 01 – Diálogo entre policial militar e traficante

Policial adverte traficante para não conversar com outro suspeito porque este estava com celular grampeado.

Áudio 02 – Diálogo entre traficante e policial militar

Traficante diz para policial militar que o dono de uma pizzaria teria dois revólveres. Eles combinam como vão se apossar das armas, com ajuda de outros policiais, para vendê-las e dividir o dinheiro entre eles.

Áudio 03 – Diálogo entre policial militar e traficante

Policial militar conversa com traficante sobre como vão abordar o dono da pizzaria para pegar as armas e extorquir o comerciante.

Áudio 04 – Diálogo entre policial militar e traficante

Policial militar continua conversa com traficante sobre a forma de se apoderar das armas do dono da pizzaria e o plano para extorqui-lo.

Áudio 05 – diálogo entre dois policiais militares

Dois policiais militares conversam sobre a estratégia de abordar um homem e uma mulher, que seriam traficantes e donos de uma sorveteria, e extorquir dinheiro. O alvo da ação dos policiais tinha mandado de prisão em aberto.

Áudio 06 – Diálogo entre policial militar e traficante

Policial oferece a traficante 2,5 quilo de crack (“amarela”) que havia acabado de apreender. Traficante diz que precisa pegar uma amostra (“foto”) para decidir se compraria a droga.

Áudio 07 – diálogo entre policial militar e traficante

Policial pergunta a traficante se ele tem comprador para crack (“amarela”). PM oferece a droga por R$ 8 mil cada quilo. Policial diz que tem a amostra (“foto”). Traficante pergunta se PM tem maconha (“preto”), mas este diz que não e pede para que traficante consiga comprador para o crack.

AUTOR: O POVO

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

EM IBIAPINA (CE), VÁRIOS INTEGRANTES DE UMA FAMÍLIA SÃO DETIDOS DURANTE OPERAÇÃO DA PM

Ontem por volta de 10h, a Polícia Militar de Ibiapina desencadeou uma grande operação na cidade.

Foram presos dez (10) membros de uma única família da cidade de Santana do Acaraú. "Família (ROSENO)".

Esta família é acusada de vários delitos naquela cidade e em Sobral. Já foram presos por trafico de drogas, difamação, injuria e furtos.

Esta quadrilha formada da uma única família fazem parte de uma facção naquela cidade, conhecida como (CV) comando vermelho e que, eles informaram que foram postos prá sair da cidade natal pelo (PCC), que ja matou um dos Rosenos e feriu outro a bala.
Aqui em Ibiapina foram presos por associação criminosa, ameaça e trafico. Os três menores ficaram à disposição do concelho tutelar local. O restante foram encaminhados ao presidio local.

Ouça entrevista concedida pelo SubTenente Quirino:

EQUIPE:

POLÍCIA MILITAR DE IBIAPINA
POLÍCIA MILITAR DE UBAJARA
POLÍCIA CIVIL DE IBIAPINA
GUARDA MUNICIPAL DE IBIAPINA
CONSELHO TUTELAR DE IBIAPINA.

AUTOR: TIANGUÁ AGORA

quarta-feira, 25 de julho de 2018

EM FORTALEZA (CE), COTAM PRENDE BANDIDOS E EVITA CHACINA QUE IRIA ACONTECER NO BAIRRO VILA VELHA, NESTA MADRUGADA

As armas do bando foram apreendidas durante o cerco nas ruas do bairro Vila Velha
Os três suspeitos revelaram que são do PCC e que haviam saído de Caucaia para matar

Uma rápida ação policial realizada na madrugada desta quarta-feira, (25), pela Polícia Militar evitou que o Ceará registrasse uma nova matança de pessoas, o que representaria a oitava chacina do ano no estado. 

Uma patrulha do Comando Tático Motorizado (Cotam), do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque), capturou três bandidos que portavam armas de grosso calibre e estavam prontos para cometer a chacina nas ruas do bairro Vila Velha, na zona Oeste da cidade.

Os policiais faziam um patrulhamento na Área Integrada de Segurança Oito (AIS-8) e ao entrar nas ruas e becos do bairro Vila Velha se depararam com três bandidos fortemente armados. O cerco foi realizado incontinenti. Houve troca de tiros, mas os suspeitos acabaram se rendendo ao perceber que não haveria possibilidade de fuga.

Detidos, eles revelaram que pertencem à facção PCC e que saíram de Caucaia para Fortaleza com a missão de assassinar desafetos de outro grupo rival no bairro Vila Velha. 

A Polícia suspeita que o trio estivesse em busca de vingar a morte do bandido Raimundo Cláudio Andrade Deodato Júnior, o “Gaza”, líder da quadrilha dos “Gafanhotos”, assassinado na noite de sábado último (21). “Gaza” comandava o grupo ligado à facção Guardiões do Estado (GDE), aliada ao PCC na guerra contra o Comando Vermelho (CV).

Armamento

Com os três bandidos presos, os policiais do Comando Tático Motorizado apreenderam uma espingarda de calibre 12 (escopeta), um revólver calibre 38 e uma pistola de calibre 380. Além de confessarem o plano de executar a morte de desafetos, os bandidos agora deverão ser investigados por assassinatos, tráfico de drogas e associação criminosa.

AUTOR: FERNANDO RIBEIRO

sábado, 21 de julho de 2018

NO CEARÁ, ORDEM PARA ESQUARTEJAR E DECAPITAR INIMIGOS PARTIU DA CÚPULA DO PCC

Nas ruas de Fortaleza, corpos esquartejados são "desovados" até em carrinhos de reciclagem

Dezenas de corpos humanos esquartejados ou decapitados foram encontrados em matagais, terrenos baldios, ruas e até avenidas de Fortaleza e da Região Metropolitana nos últimos meses. As mutilações se tornaram uma marca dos crimes de morte ordenados por traficantes. A explicação para tamanha crueldade vem das autoridades do Ministério Público de São Paulo. No ano passado, a cúpula de uma das facções ordenou que os inimigos fossem assim mortos.

“Picotar é o de praxe. Se não der certo, arranca só a cabeça”. Segundo o MP-SP a ordem para tal crueldade foi dada pela cúpula da facção criminosa paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) precisamente no dia 7 de outubro de 2017, durante uma conferência por celular da qual participaram apenas os chefes da organização criminosa. Ainda de acordo como o MP, constam crimes de tal ordem praticados em “sessões de julgamento” realizados em todo o país pelo PCC e seus grupos aliados em outros estados como Ceará, Roraima, Amapá e Mato Grosso, por exemplo.

No Ceará, o PCC se aliou à facção local Guardiões do Estado (GDE), para os enfrentamentos na guerra armada contra seu principal inimigo, o Comando Vermelho (CV). Assim, a ordem de “picotar” (esquartejar) os inimigos se estendeu para as duas facções aliadas. 

Em contrapartida, o CV também adotou a mesma medida e o resultado disso tem sido as decapitações e esquartejamentos constantes na Grande Fortaleza. O caso mais recente aconteceu há apenas três dias, quando os cadáveres de dois jovens foram deixados “picotados” nas margens de um açude no bairro Limoeiro, em Pacajus.

Os esquartejamentos e decapitações são também filmados pelos assassinos e os vídeos dos atos macabros expostos ao público nas redes sociais e aplicativos de celular, como forma de demonstração de força dos grupos criminosos. Também são uma forma que os “faccionários” encontram para desafiar o estado.

Casos

Em Fortaleza, dezenas de corpos em tal estado de mutilação foram recolhidas na rua pelas equipes da Perícia Forense do Ceará (Pefoce) nos últimos meses. Entre a semana passada e esta, foram, ao menos, quatro casos. No último dia 11, o corpo da jovem Cristina Juvenal do nascimento, 19 anos, foi deixado esquartejado, dentro de um saco plástico envolto em uma rede de dormir no cruzamento das ruas Alberto de Alencar e Estevão de Campos, na Barra do Ceará (zona Oeste da Capital).

Na última segunda-feira (16) o corpo da dona de casa Maria do Socorro Nascimento dos Santos, 41 anos, foi encontrado e resgatado pelos bombeiros ocultado em uma cacimba no interior de um depósito localizado na Avenida Bernardo Manoel, no bairro Mondubim (zona Sul da Capital). Estava decapitado, esquartejado e colocado em sacos plásticos. Neste caso, o crime não teve ligação com a guerra das facções. Foi praticado por um homem que mantinha um relacionamento com a vítima.

Já na manhã de terça-feira (17), os corpos de dois jovens foram encontrados em Pacajus. No mesmo dia, um vídeo foi postado nas redes sociais mostrando o momento em que bandidos de uma facção matam as vítimas. Os dois jovens foram esquartejados ainda vivos. Eles teriam sido sequestrados em Fortaleza, no bairro Maraponga, e levados para a periferia de Pacajus, onde foram eliminados.

Cadáveres no mangue

Um dos casos de maior repercussão em Fortaleza aconteceu no mês de março passado, quando os corpos de três jovens foram localizados no mangue do Rio Ceará, no trecho que corta o bairro Vila Velha, na zona Oeste da Capital. A Polícia identificou as vítimas como sendo Nara Aline Mota de Lima, Darciele Anselmo de Alencar e Ingrid Teixeira Pereira. Depois de seqüestradas na Barra do Ceará por bandidos de uma facção, as três jovens foram levadas para o mangue onde passaram por uma sessão de torturas.

Depois, mortas a tiros e seus corpos despedaçados a golpes de facão e atirados no rio. Durante cerca de uma semana, bombeiros, policiais e voluntários se revezaram nas buscas aos corpos, que somente foram encontrados na manhã do dia 2 de março, uma semana após o seqüestro.

Mais recentemente, outras mulheres jovens morreram da mesma forma. A adolescente Ana Cecília Pites Martins, 15 anos, conhecida como “Princesinha”, foi sequestrada, morta e decapitada após aparecer em um vídeo em aplicativos junta com comparsas, consumindo drogas, exibindo armas e desafiando uma facção rival no Distrito de Jurema, em Caucaia. Dois dias depois, o corpo em pedaços de “Princesinha” foi deixado pelos criminosos em um matagal na Travessa Thomaz Cavalcante, no bairro Autran Nunes.

No mês passado, os corpos de duas jovens foram encontrados esquartejados e decapitados nas margens da Estrada do Garrote, na zona rural do Município de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

AUTOR: FERNANDO RIBEIRO

sábado, 3 de março de 2018

NO CEARÁ, FORAGIDOS 4 LARANJAS DONOS DE MANSÕES E CARROS DE LUXO USADOS PELO PCC

Foram identificados quatro dos seis proprietários dos imóveis e carros de luxo usados por Fabiano Alves de Souza, o Paca, e Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC) mortos no último dia 15. José Cavalcante Cidrão, o irmão dele Francisco Cavalcante Cidrão, Samara Pinheiro de Carvalho e Magda Enoe de Freitas estão foragidos da Polícia. 

Os nomes foram repassados em coletiva de imprensa da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) na noite desta sexta-feira, 2.
Avaliado em mais de R$ 2 milhões, um imóvel luxuoso, no Alphaville Porto das Dunas, em Aquiraz, era residência de Gegê. Lá ele se identificava falsamente como João Paulo Martinelli.

Paca residia no também luxuoso Alphaville Eusébio. O imóvel, de R$ 1,8 milhão, foi comprado após apartamento no Cocó, de valor similar. Paca desgostou-se do apartamento, por ter sido proibido de usar cortinas na varanda: era regra do condomínio.
Mansão no Alphaville Porto das Dunas utilizada por Gegê do Mangue (Foto: Divulgação/SSPDS) 

Próximo à Lagoa do Uruaú, em Beberibe, a Polícia Civil encontrou ainda outra residência de "Paca", que usava o nome Carlos Fabiano Duarte. A mansão custou aproximadamente R$ 1,1 milhão. 

Quatro veículos de luxo, avaliados em torno de R$ 2,5 milhões, também estão com a Polícia, apreendidos a partir de mandados judiciais.

A preço de hoje, as duas BMW X6M (uma preta e uma branca, ano 2017/2018) e a Range Rover Sport 3.0 (preta, ano 2017), todos de altíssimo padrão, estão avaliadas em mais de R$ 1,6 milhão.

A ostentação da dupla morta pôde ser exemplificada desde os trabalhos periciais, que revelaram achar um cordão de ouro de R$ 400 mil e um relógio de R$ 40 mil, junto aos corpos das vítimas.

O Boy

No dia 13 de fevereiro, Claudiney Rodrigues de Souza, o “Cláudio Boy”, também apontado como um dos chefes do grupo criminoso, visitou Paca e Gegê na propriedade do Porto das Dunas. 
Imagens colhidas pelas Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) mostram o momento que o homem chega ao local. 

“Cláudio Boy”, era procurado pela Interpol e pela Polícia Federal e foi capturado no aeroporto de São Paulo, no dia 19 de fevereiro – três dias após as mortes. Não há, porém, indícios do envolvimento de Cláudio nas execuções, segundo a Polícia.

AUTOR: O POVO

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

EM AQUIRAZ (CE), CLIMA É DE TERROR NA RESERVA INDÍGENA ONDE LÍDERES DO PCC FORAM MORTOS

REPÓRTERES do O POVO, acompanhados por um guia, estiveram no local onde os corpos foram encontrados TATIANA FORTES

A descrição é precisa, detalhada e cheia de conjecturas. Os moradores da reserva indígena em Aquiraz sabem contar o passo a passo do crime que surpreendeu, assustou e ficará na memória. Eles viram o helicóptero sobrevoando o local, um dos índios encontrou os corpos e outros aguardaram cerca de sete horas antes que a Perícia Forense os resgatasse. A localidade, pacata e destino de turismo comunitário, virou cenário da guerra que aflige o País e o Ceará.

O POVO foi até o terreno onde tudo ocorreu, distante cerca de 30 minutos a pé da entrada da reserva. Há marcas de aterrissagem da aeronave, pedaços de tecidos queimados, um óculos -aparentemente de ouro - grudado a um pedaço de pano brilhoso.

“O loiro grandão (identificado como Rogério Jeremias de Simone - o Gegê do Mangue) tinha dois tiros na cabeça, um deles dentro do ouvido. E outros dois tiros no braço. O moreno (Fabiano Alves de Souza) tinha dois tiros na cabeça, sendo um no canto do olho, mais um na coxa direita e outro no braço”, contou um dos moradores que ajudou a preservar o local do crime.

“Não deixamos ninguém encostar, e onde tinha as cápsulas, eu mesmo marquei com o facão, para ninguém pisar”, frisa. Quando a Polícia chegou, o colar de ouro com um pingente em forma de cifrão, cravejado de diamantes, ainda estava lá. Assim como os relógios.

Tudo vale quase meio milhão de reais. “Deus me livre querer pegar um negócio desses”, destaca. Até uma fogueira foi improvisada para a espera pelo rabecão no escuro.

No local, ainda era possível sentir o cheiro do combustível usado para tentar incendiar os corpos. As informações dão conta de que a aeronave sobrevoou rasante, se afastou e, 10 minutos depois, retornou. Dessa vez pousando. “Eles passaram uns 40 minutos e depois o helicóptero passou, voando para o lado oposto”, conta outra moradora.
Como era dia e sempre há caçadores nos arredores, os estampidos dos disparos não causaram estranheza. Ainda conforme os moradores da localidade, também não é raro ver helicópteros pela área. “Ninguém quer falar porque ficou o clima de medo. Sabe-se lá quem são esses camaradas. Aqui é visitado por muita gente, e se de repente tem um indivíduo no meio que quer saber o que você falou, para lhe calar?”, pondera outro morador, receoso.

Um dos índios que acionou o Comando de Policiamento de Aquiraz na sexta-feira,16, disse que foi questionado sobre o conhecimento acerca de grupos criminosos na região. Ontem à tarde, quatro policiais estiveram na reserva. Eles reforçaram a teoria de que os criminosos não seriam do município. “Os traficantes daqui se sustentam com o assalto às casas de veraneio. Não teriam toda essa logística”, afirma um dos agentes, sem se identificar.

Os integrantes da reserva temem que sejam identificados apenas por causa do crime. E sabem que a história do local terá sempre o episódio em suas entranhas. Afinal, o crime que mobilizou as forças de segurança do Brasil e trouxe inúmeras indagações sobre o poder das organizações criminosas foi descoberto enquanto um jovem índio colhia murici. “Ele só tinha apanhado dois litros quando viu a cabeça de um dos mortos”, conta um dos índios.

HELICÓPTERO

DRIBLE NOS RADARES?

BAIXA ALTITUDE

Uma das formas de o helicóptero utilizado pelos executores driblar os radares é se o sobrevoo tiver sido a menos de 500 pés (cerca de 150 metros). Nesta altura, segundo um piloto ouvido pelo O POVO, é considerado “um voo crítico, mas possível, para não ser mesmo identificado”

TRANSPONDER

Dentro das regras da aviação civil, o piloto do helicóptero deve informar à torre de controle o plano de voo, com pontos de decolagem e pouso. Além disso, a aeronave estaria rastreável através do transponder - se não tiver sido desligado. O aparelho dá o posicionamento da aeronave e funciona como uma identidade aérea.

AUTONOMIA DE VOO

Um helicóptero tem no máximo quatro horas de autonomia de voo, o que excluiria a possibilidade de a aeronave ter percorrido uma longa distância - vinda de outro Estado - sem parada para reabastecimento.

DETALHES

CENÁRIO DO CRIME

JOIAS VALIOSAS

Além do colar de ouro com um pingente em força de cifrão, uns óculos também de ouro ainda estavam no local, parcialmente queimado.

Junto a ele, um tecido brilhoso e colorido.

TERRENOS

Próximo ao terreno onde os corpos foram encontrados, havia outro espaço aberto, descampado. Os índios acham que o helicóptero não pousou lá porque ficava a 50 metros de uma das casas da reserva.

TIROS

Os moradores da reserva afirmaram que ouviram cerca de seis tiros.

Mas foram encontradas 11 cápsulas, segundo eles.

CORPOS

Conforme os índios, o trajeto entre os rastros de pouso da aeronave e onde os corpos foram achados exibia duas linhas de sangue. Uma mais reta e outra curvada, como se os assassinos já soubessem onde era melhor colocar os corpos.

AUTOR: O POVO

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

EM FORTALEZA (CE), BANDIDOS PRESOS MEMBROS DO PCC FOGEM DE PENITENCIÁRIA DURANTE O FERIADO DE NATAL

A fuga teria ocorrido na madrugada de segunda-feira (25) através de um túnel

Ao menos, 12 detentos fugiram da Casa de Privação Provisória da Liberdade Professor Jucá Neto, a CPPL 3, em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza, no último fim de semana prolongado por conta do Natal. Até agora, nenhum deles foi recapturado.

A fuga teria acontecido na madrugada de segunda-feira (25) depois que os bandidos conseguiram escavar mais um túnel em uma das Vivências da unidade e ultrapassar o alambrado. A Secretaria Da Justiça e da Cidadania (Sejus), responsável pela administração e disciplina dos estabelecimentos prisionais do Ceará, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso.

A CPPL 3 está destinada a abrigar os presos que se dizem membros ou simpatizantes do PCC no Ceará. Ali já ocorreram diversas fugas nos últimos meses, inclusive, tentativas de resgates que terminaram em intensos tiroteios entre bandidos e os agentes penitenciários e policiais, estes últimos responsáveis pela guarda externa das unidades do complexo.

Neste período do ano, as tentativas de fuga aumentam não apenas nos presídios e penitenciárias, mas também nas cadeias públicas do interior.

Transferência

A Secretaria da Justiça ainda não se pronunciou acerca da transferência do bandido cearense Antônio Jussivan Alves dos Santos, o “Alemão”, de Fortaleza para a Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Catanduvas, no Paraná (PR). A remoção ocorreu na semana passada em uma operação policial cercada de sigilo.

Apontado como um dos líderes do PCC no Ceará, “Alemão” tem uma pena de 36 anos de prisão para cumprir. Ele foi processado na Justiça Federal acusado de ter comandado o furto milionário de aproximadamente 264,8 milhões dos cofres do Banco central, em Fortaleza, em agosto de 2005.

A transferência vinha sido mantida em sigilo por conta das ameaças do PCC de iniciar uma série de atentados contra prédios e agentes públicos da Segurança e da Justiça.

AUTOR: FERNANDO RIBEIRO

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

NO CEARÁ, ATENTADO CONTRA AGENTES DE SEGURANÇA MOSTRA A OUSADIA E O PODER BÉLICO DO CRIME ORGANIZADO

O atentado sofrido, no último domingo (15), por dois servidores do Sistema Penitenciário do Ceará revela até que ponto o crime organizado vem agindo no estado, com ações audaciosas e violentas que desafiam o poder público e amedrontam a população. 

Portando armas de guerra – como fuzil e submetralhadora – um grupo criminoso atentou contra a vida da ex-coordenadora do Sistema, Socorro Matias, e seu esposo que também é agente prisional. As cenas do ataque foram gravadas em câmeras instaladas nas proximidades da residência dos “alvos”, no bairro João XXIII, em Fortaleza, e logo se espalharam através dos aplicativos de celulares e nas redes sociais.

Facções criminosas agem dentro e fora dos presídios cearenses de forma ostensiva e violenta. Não escondem seu poderio de fogo nem poupam munição na hora de mostrar até onde vão quando é hora de matar. Três dias depois, veio a providência do estado, com o anúncio de que armas de fogo (pistola) serão cedidas aos agentes penitenciários para sua proteção pessoal. 

Esses trabalhadores atuam numa área de altíssimo risco, pois são os responsáveis por impor a disciplina em presídios loteados por facções e onde estão bandidos de altíssima periculosidade, como traficantes de drogas, assassinos e assaltantes de bancos e carros-fortes. Formam a “nata” da marginalidade e não aceitam regras. Assim, os agentes são constantemente ameaçados. 

A providência tomada pelo estado vem em boa hora. É preciso que estes servidores tenham o mínimo de proteção estatal.

FACÇÕES SITIAM A CIDADE

Assim como no episódio envolvendo os agentes penitenciários, a população também está refém da bandidagem. Isso vem acontecendo em todas as áreas da região periférica de Fortaleza onde as facções implantaram terror. Bairros e comunidades como a Rosalina (Parque Dois irmãos), Palmeiras (Jangurussu), Goiabeiras (Barra do Ceará), Cais do Porto (Mucuripe), Floresta (Álvaro Weyne), Ancuri (Grande Messejana) e tantos outros hoje estão dominadas pelos grupos armados que se dizem ligados ou subordinados às ordens das facções Comando Vermelho (CV), Guardiões do Estado (GDE), Família do Norte (FDN) ou Primeiro Comando da Capital (PCC). 

 Nas Goiabeiras, há cinco dias os moradores estão acusados dentro de casa temendo os confrontos armados entre bandidos. O “olho do furacão” fica no entorno da Areninha do bairro, onde na sexta-feira passada (15), um adolescente de 14 anos foi morto por membros de um dos grupos criminosos. São situações que desafiam o poder de Polícia do estado e deixam a população refém.

ARSENAL TIRADO DAS RUAS

Saiu mais uma estatística da Segurança Pública do Ceará. Aumentou o número de armas de fogo apreendidas pelas forças policiais neste ano em comparação a 2016. O aumento é da ordem de 27 por cento, segundo as estatísticas da SSPDS divulgadas na última sexta-feira (15). Segundo o órgão, entre janeiro e dezembro deste ano, foram confiscadas pela Polícia, nada menos, que 6.209 armas, enquanto no período igual de 2016, foram apreendidas 4.885. Isso mostra que a Polícia vem agindo de forma sistemática no combate ao crime, mas revela também o poderio bélico que está nas ruas e, em sua maioria, nas mãos de criminosos. 

A Polícia Militar tem feito um trabalho fundamental neste campo, especialmente as patrulhas das chamadas “forças especiais”: Força Tática (FT), Batalhão de Choque (BPChoque), Batalhão Raio (BPRaio), Batalhão de Divisas (BPDIV), Batalhão de Policiamento Turístico (BPTur), de Policiamento do Meio Ambiente (BPMA) e Batalhão do Policiamento Rodoviário Estadual (BPRE).

DELEGACIAS PRECÁRIAS

Um relatório minucioso, preparado nos últimos meses, mostra a grave situação em que se encontra a Polícia Judiciária do Ceará. Promotores de Justiça saíram de seus gabinetes e foram visitar as delegacias de Polícia Civil da Capital, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e do Interior. O que viram e presenciaram não foi nada de bom. Das 166 delegacias da PC no Ceará, apenas 14 delas possuem um efetivo condizente com a carga de trabalho a ser tocada. Nas demais, a defasagem de efetivo é gritante. A falta de delegados, inspetores e escrivães impede que as unidades possam oferecer um serviço de qualidade para a população. 

Na Capital, a falta de pessoal faz com que das 35 distritais, apenas nove funcionem em regime de plantão 24 horas, No Interior, a situação é ainda pior. Das 20 Regionais, só 11 não fecham as portas à noite e nos fins de semana e feriados. O recente anúncio do governo de convocar 630 aprovados no concurso de 2014 não atende, nem de longe, a necessidade de reposição de efetivo. E para 2018 a situação vai se agravar com um batalhão de delegados que irão se aposentar após garantir melhoria salarial com a elevação da categoria ao quadro das carreiras jurídicas. Aguardem.

RECORDE TRÁGICO

A gestão de Camilo Santana (PT) à frente do Palácio da Abolição já se constitui como recordista no número de mortes de agentes da Segurança Pública. Falta ainda um ano de administração, mas no período de 1º de janeiro de 2015 até a presente data, já foram mortos no estado, nada menos, que 78 servidores, entre policiais civis, policiais militares, bombeiros militares, policiais rodoviários federais, agentes penitenciários e guardas municipais. 

Somente neste ano, são 21 PMs, um inspetor da Polícia Civil, um bombeiro militar e seis guardas municipais. Isso sem contar as dezenas de agentes que todos os dias são assaltados e feridos por bandidos. A mais recente vítima fatal desta violência foi o sargento PM Izaías dos Santos Lima, que tombou após ser baleado no atendimento à uma ocorrência na cidade de Milhã (a 300 Km de Fortaleza). Ele e sua patrulha tentaram impedir o resgate de presos da Cadeia Pública. Izaías foi baleado pelos criminosos e não resistiu.

CRIME DE INTOLERÂNCIA

Mais um crime de intolerância foi registrado pela Polícia em Fortaleza, mas, por não ter sido filmado, não teve a mesma repercussão do Caso Dandara. O fato ocorreu no último fim de semana, quando um homossexual foi espancado, arrastado pelas ruas e morto a tiros na comunidade Jardim Jatobá, no Grande Bom Jardim. O travesti conhecido por “Canoa”, cuja identidade verdadeira era José Claudionor Ribeiro pereira, 29 anos, foi executado sumariamente. 

 Até agora, a Polícia não revelou nomes de suspeitos do crime. Coincidentemente ou não, os dois casos citados ocorreram no chamado “Território da Paz”. Mas de paz, o Grande Bom Jardim não tem nada. Os índices de violência ali são altíssimos. Recentemente, o governo implantou no bairro uma Unidade Integrada de Segurança (Uniseg). A população torce para que isso, ao menos, diminua os crimes.

E TEM MAIS:

* Até o fim da semana, o Ceará pode alcançar o número de 5 mil casos de homicídios. Nesta quarta-feira, o estado já registra 4.968 casos. Assim, já foi batido o recorde histórico da violência no estado. Foi em 2014, quando foram registrados 4.439 homicídios, até então a pior marca da violência local.

* Uma operação realizada pelas polícias Civil e Militar na cidade de Jaguaribe (a 300 Km de Fortaleza) nesta terça-feira, resultou na prisão de várias pessoas acusadas ou suspeitas de envolvimento com crimes diversos, principalmente tráfico de drogas e assassinatos naquele Município.

* De “vento em popa” a operação “Centro Seguro” na Malha Central de Fortaleza. O reforço no policiamento à pé e motorizado tem surtido efeito positivo. Quem caminha pelo Centro presencia dezenas de policiais militares fazendo a vigilância. Bom também para os comerciantes e empresários.

* Guardas municipais de Fortaleza estão em pleno treinamento para atuarem no Plano Municipal de Proteção Urbana. O PMPU entra em faze experimental já neste mês, na Barra do Ceará e Jangurussu. Os guardas usarão pistolas e carabinas de calibre 12 (escopetas) no trabalho ostensivo.

* A cúpula da Segurança Pública ainda não definiu quem vai substituir o delegado Raphael Vilarinho no comando da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF). Ele decidiu solicitar exoneração do cargo, diante dos pedidos de sua família. A DRF lida diretamente no combate aos assaltos a bancos e carros-fortes.
* Deve chegar a Fortaleza nos próximos dias o primeiro de dois helicópteros alemães comprados pelo estado para reforçar a frota de aeronaves da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer). Custou, cada um, cerca de R$ 41 milhões. O segundo chega somente em 2018.

E A PERGUNTA DO DIA: Secretário André Costa será mesmo candidato nas eleições de 2018???

AUTOR: FERNANDO RIBEIRO

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

A PF REVELA QUE FACÇÕES CRIMINOSAS PCC E CV FIRMARAM PACTO PARA ATAQUES A AUTORIDADES NO CEARÁ E MAIS 4 ESTADOS

"Vida Loka", do PCC; e "Fernandinho Beira-Mar", do CV, estariam à frente do pacto entre as duas facções

Dados obtidos por setores da Inteligência da Polícia Federal e da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), apontam para uma possível aliança entre as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) para realizar ataques contra policiais e autoridades nos próximos dias.

Ceará, São Paulo, Rondônia, Paraná e Roraima seriam o foco das ações, mas criminosos em 24 Estados estariam de prontidão para iniciar os ataques a partir deste mês de setembro.

As motivações seriam uma resposta às medidas que restringiram visitas íntimas a lideranças das duas facções em presídios federais e ao avanço das operações da PF contra o PCC e o CV.

O relatório menciona uma aliança feita entre os traficantes Luiz Fernando da Costa, o "Fernandinho Beira Mar", um dos líderes do CV; e Abel Pacheco de Andade, conhecido como “Vida Loka”, da liderança do PCC. Os dois estão presos na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, considerada de segurança máxima.

Arsenal à disposição

O relatório da PF indica a existência de um amplo arsenal à disposição do PCC. Em São Paulo, seriam pelo menos 100 fuzis e 14 pistolas. Em Fortaleza, a facção teria acesso a duas metralhadoras .50 (Ponto 50), capazes de derrubar aeronaves em pleno voo.

Os principais alvos dos ataques seriam agentes penitenciários federais, juízes, delegados da Polícia Federal e promotores de Justiça de São Paulo, que investigam o crime organizado no Estado.

AUTOR: UOL

terça-feira, 4 de julho de 2017

EM SP, MUSA DE FACÇÃO É PRESA

Luana Don foi presa em Ilhabela, SP (Foto: Reprodução)

'Pombo correio' do tráfico

Policiais da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos do Rio prenderam na manhã desta terça em Ilhabela, litoral paulista, a jornalista e advogada Luana de Almeida Domingos, 32, conhecida como Luana Don. 

A prisão contou com apoio da Polícia Civil de SP. Segundo investigações das polícias, ela passava informações dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), atuando como "pombo-correio". 

Ela estava em uma organização chamada “sintonia dos gravatas”, responsável por transmitir as ordens da cúpula da organização criminosa em SP para atuação do grupo no Rio de Janeiro. Luana foi trazida para São Paulo no início da tarde.

AUTOR: G1/SP

segunda-feira, 12 de junho de 2017

NO CEARÁ, UM DOS BANDIDOS MAIS PERIGOSOS, FOGE DA CPPL 3, ELE É MEMBRO DO PCC

José Delano Diógenes foi preso em um shopping, em Mossoró (RN), em junho de 2014

Um dos bandidos considerados mais perigosos do Ceará conseguiu fugir, neste fim de semana, de uma das unidades do Complexo Penitenciário de Itaitinga. 

O pistoleiro, assaltante e traficante de drogas José Delano Diógenes, o “Delaninho Diógenes”, tido como chefe de uma quadrilha responsável pela morte de policiais no Vale do Jaguaribe, escapou da CPPL 3 juntamente com outros sete membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
O bandido escapou por um túnel na tarde de sábado passado e agora volta a ser procurado

Delano Diógenes havia sido capturado, pela última vez, em junho de 2014, na cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, durante uma operação conjunta das polícias potiguar e cearense. Estava num shopping Center acompanhado de amigos, quando foi surpreendido e não teve chance de fugir.

Segundo a Polícia, ele está entre os oito detentos da Casa de Privação Provisória da Liberdade Professor Jucá Neto, a CPLL 3, que escaparam daquela unidade na tarde do último sábado. O grupo usou o mesmo túnel por onde, uma semana antes, outros 10 presos fugiram.

Bandido

Delano Diógenes, segundo as autoridades, é o chefe da quadrilha que teria praticado em torno de 50 assassinatos no Ceará e noutros estados nordestinos, como Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco; além de Goiás e Pará, na Região Norte. É primo de outro bandido tão periculoso quanto ele e que assumiu o comando da quadrilha enquanto Delano estava atrás das grades. Trata-se de William Huaína Diógenes Cintra, capturado em fevereiro de 2015 juntamente com um terceiro pistoleiro, identificado como Francisco Ozivaldo da Silva Sousa.

Apontado como de altíssima periculosidade, Delano Diógenes responde a vários assassinatos e é um dos suspeitos de ter tramado e executado o assassinato do pistoleiro Idelfonso Maia Cunha, o “Mainha”, fato ocorrido no dia 4 de janeiro de 2011, na cidade de Maranguape.

AUTOR: FERNANDO RIBEIRO

quinta-feira, 18 de maio de 2017

EM FORTALEZA (CE), PRESOS INTEGRANTES DO PCC FOGEM EM MEIO A TIROTEIO NA CPPL 3

A CPPL 3 concentra hoje os presidiários membros da facção criminosa PCC

Um tiroteio foi registrado no começo da manhã desta quinta-feira (18) no Complexo Penitenciário de Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Bandidos fortemente armados atacaram a Casa de Privação Provisória da Liberdade Professor Jucá Neto, a CPPL 3, nas margens da BR-116.

A Polícia Militar já confirmou que ocorreu o confronto, quando bandidos teriam atirado contra as guaritas de vigilância localizadas em volta da unidade prisional. Os policiais militares e agentes penitenciários reagiram, se estabelecendo um tiroteio no local. Contudo, não há, ainda, informações de feridos ou mortos, mas teriam ocorrido fugas.

Segundo o Comando do Batalhão de Choque (BPChoque) um reforço já foi enviado para o local e a situação já estaria sendo controlada. A quantidade de presos que teriam escapado ainda é incerta e somente após uma recontagem dos detentos poderá ser esclarecido quantos conseguiram se evadir daquela unidade.

Esta foi a segunda fuga ocorrida ali em menos de um mês. Na madrugada do dia 30 de abril, ao menos, 44 presos conseguiram escapar através de buracos feitos na cerca de arame que forma uma espécie de alambrado em volta do presídio.

Isolados

A CPPL 3 está ocupada por presos que seriam pertencentes à facção criminosa paulista Primeiro Comando da Capital (PCC). Eles foram isolados naquela unidade do Sistema Penitenciário ainda no fim do ano passado, conforme a Justiça, para que não entrassem em confronto com membros de outras facções, como o Comando Vermelho e a Guardiões do Estado (GDE).

Entre os bandidos do PCC recolhidos atualmente na CPPL 3 estão criminosos de altíssima periculosidade envolvidos em crimes como seqüestro, ataques a bancos e carros-fortes e traficantes de drogas.

A Secretaria da Justiça e da Cidadania ainda não se pronunciou oficialmente à Imprensa sobre o episódio ocorrido nesta manhã de quinta-feira.

AUTOR: FERNANDO RIBEIRO

quarta-feira, 10 de maio de 2017

EM FORTALEZA (CE), LÍDER DO SEQUESTRO DE DOM ALOÍSIO É PRESO JUNTO COM QUADRILHA

"Carioca" foi preso na madrugada de hoje com parte do bando que iria resgatar presos do PCC na CPPL 3

Uma operação de Inteligência do Batalhão de Choque resultou na prisão do bandido e seus comparsas, que preparavam o ataque ao presídio onde está a facção

Uma operação de Inteligência realizada na madrugada desta terça-feira na zona Oeste de Fortaleza, resultou na prisão de parte de uma quadrilha ligada à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). O bando se preparava para atacar a Casa de Privação Provisória da Liberdade Professor Jucá Neto, a CPPL 3, em Itaitinga (Região Metropolitana de Fortaleza) e resgatar os líderes locais do grupo criminoso. O bandido que iria comandar o resgate é o cearense Antônio Carlos de Sousa, o “Carioca”, que em marços de 1994 liderou uma rebelião no Instituto Penal Paulo Sarasate (IPPS) e seqüestrou 12 reféns, entre eles, o então cardeal arcebispo de Fortaleza, Dom Aloísio Lorscheider.
O cerco aos criminosos do PCC foi realizado pelo Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) após a informação de Inteligência ser confirmada. Duas casas situadas no bairro Quintino Cunha foram cercadas. Houve confronto e parte do bando fugiu. Outros cinco foram capturados com parte das armas da facção, entre eles o bandido “Carioca”.

Informações exclusivas revelam que o ataque ao presídio estava sendo preparado para acontecer nas próximas horas. Tão logo a informação foi confirmada, a Polícia Militar cercou o presídio com equipes do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), enquanto patrulhas do Comando Tático Motorizado (Cotam), sob o comando do subtenente Feijó, faziam o cerco no bairro Quintino Cunha. Um fuzil e outras armas, além de muita munição, foram apreendidos na operação.

PCC ordenou

Fontes da PM revelaram que “Carioca” voltou ao ceará com a missão dada pelo comando maior do PCC de libertar todos os líderes locais da facção, que estão aprisionados na CPPL 3. 

O bandido teria saído, há duas semanas, na penitenciária federal de segurança máxima de Venceslau Brás, em São Paulo, onde está preso o chefe da organização, o traficante Marcos William Herbas Camacho, o “Marcola”. “Carioca” teria recebido diretamente de “Marcola” a ordem para voltar ao Ceará com a tarefa de comandar o ataque ao presídio e resgatar os líderes locais da quadrilha.

Neste momento, a Polícia Militar realiza uma varredura em vários locais de Fortaleza na tentativa de localizar o restante do bando e apreender as armas que foram trazidas de São Paulo para a invasão ao presídio, operação criminosa que estava planejada para acontecer nas próximas horas.

AUTOR: cearanews7

quarta-feira, 3 de maio de 2017

CEARÁ É O ESTADO NORDESTINO COM MAIS DETENTOS "BATIZADOS" PELO PCC

Bandidos do PCC costumam praticar motins com reféns nas cadeias brasileiras

O Ceará é o terceiro estado brasileiro com maior número de bandidos “batizados” como integrantes da organização criminosa paulista Primeiro Comando da Capital, o PCC. Atualmente, são cerca de 2,4 mil delinquentes que recebem ordens do alto comando da facção para a prática de crimes diversos, que vão desde ataques a bancos e a carros-fortes, a sequestros e também resgates de comparsas que estão nos presídios, além dos constantes ataques a forças policiais e queima de coletivos.

O levantamento foi feito pelo jornal Folha de São Paulo em reportagem especial que está publicada na edição de segunda-feira (1º). Em números exatos, o estado tem 2.403 criminosos que foram “batizados” pela facção e estão agora à serviço da quadrilha dentro e fora das cadeias.

Segundo a reportagem, em primeiro lugar no ranking com número de membros do bando está São Paulo, com 8,5 mil integrantes. Ali surgiu a facção criminosa. Em seguida, aparece o estado do Paraná, com 2.426 participantes. Logo depois, surge o Ceará, com 2.403 membros.

No Ceará, hoje o PCC está aliado a outra facção criminosa, a Guardiões do Estado (GDE), enquanto seu grupo rival, o Comando Vermelho (CV), está junto com a organização criminosa Família do Norte (FDN), conforme levantamento feito pelo jornal paulista.

Força e poder

Com centenas de presos reclusos nas cadeias cearenses, mas subordinados aos ditames do comando do PCC, em São Paulo, a facção ganhou força diante das autoridades locais e foi a primeira a ser “beneficiada” com as transferências ordenadas pela Secretaria da Justiça e da Cidadania (Sejus) após as chacinas ocorridas em outros presídios do País. Temendo que aqui acontecesse o que ocorreu em Roraima e no Rio Grande do Norte (matanças nas cadeias), o governo do Ceará deu de “presente” para o PCC uma unidade no Complexo Penal de Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

Fuga

E a unidade escolhida para abrigar exclusivamente detentos do PCC foi a Casa de Privação Provisória da Liberdade Professor Jucá Neto, a CPPL 3. E foi de lá que, no último fim de semana, fugiram 44 detentos, dos quais 13 já teriam sido recapturados, de acordo com as autoridades.

Na verdade, o que ocorreu no fim de semana foi uma tentativa fracassada de resgate seguida de muito tiroteio, ainda na noite do último sábado (29). Horas depois, já na madrugada de domingo (30), finalmente, ocorreu a fuga dos 44 membros do PCC através das grades que circundam a unidade.

AUTOR: Fernando Ribeiro

domingo, 30 de abril de 2017

A OUSADIA DO IMPÉRIO PCC

O maior assalto da história do Paraguai é uma amostra dos métodos que a facção criminosa pretende usar para abastecer seus cofres, dominar o tráfico de drogas e consolidar o poder na América do Sul.

O roubo de US$ 11,7 milhões da transportadora de valores Prosegur na madrugada da segunda-feira 24, em Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil, é considerado o maior assalto da história do Paraguai. E foi uma ação de brasileiros. “Temos indícios suficientes para atribuir o crime ao PCC”, disse à ISTOÉ Denise Duarte, fiscal do Ministério Público e responsável pelas investigações naquele país. O Primeiro Comando da Capital, facção criminosa nascida em São Paulo, avança com ímpeto irrefreável por todo o território nacional e países vizinhos.

Ataques a bancos, carros fortes e transportadoras de valores têm crescido nos últimos dois anos para abastecer o caixa da organização. “O emprego dos explosivos, a maneira como foi planejado o assalto e o apoio logístico é muito parecido com o que ocorre no Brasil”, afirma Lincoln Gakiya, promotor de Justiça que investiga a facção. O assalto cinematográfico, contudo, envolve um aspecto adicional: a organização atua para consolidar sua presença em uma região importante da América Latina para o tráfico de drogas.

O crime foi planejado com um mês de antecedência e se desenrolou como um filme de ação. Os criminosos haviam alugado uma casa no bairro San José, a dois quilômetros da sede da Prosegur. Na noite do domingo 23, mascarados queimaram veículos e caminhões com o intuito de dificultar a aproximação de policiais da sede da companhia. Seis bombas foram lançadas contra paredes blindadas e tiros de fuzis foram disparados nas ruas. Entre os armamentos, foi encontrada uma metralhadora calibre .50, que nem as polícias brasileiras e paraguaias costumam utilizar. Quando a troca de tiros começou, muitos homens fugiram rumo à fronteira do Brasil pela rodovia Supercarretera. Depois, na região do Lago Itaipu, os assaltantes usaram dois barcos para chegar ao Paraná. Isso porque, segundo policiais militares, essa é uma rota com menos fiscalização do que o caminho pela Ponte da Amizade.

Resgate de Marcola

As investigações identificaram dois suspeitos integrantes do PCC. Um deles é Dyego Santos Silva, morto durante confronto com a polícia. Conhecido como Coringa, ele pertencia à alta cúpula da facção e seria o responsável por ações realizadas fora dos presídios. “Para estar na região da fronteira, ele teria de contar com a anuência da cúpula e de Gegê do Mangue, um dos maiores nomes da hierarquia que está foragido nos países vizinhos”, diz Marcos Antonio Brites, agente da Polícia Federal do Brasil no Paraguai. Outro suspeito, José Roberto, é fugitivo da Penitenciária Estadual de Piraquara do Paraná. Foragido desde janeiro, ele também integra o PCC e foi condenado a 31 anos e quatro meses de prisão por tráfico de drogas, associação criminosa e uso de documento falso. Durante a troca de tiros com policiais federais brasileiros em Foz do Iguaçu, ele foi preso novamente. As autoridades acreditam que ambos faziam parte do grupo que também planejava resgatar o líder do PCC Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e outros 12 integrantes da facção. A estratégia seria a mesma utilizada nos roubos a bancos: os acessos aos presídios seriam cercados e vigiados por homens armados e os portões derrubados por explosivos.

“Para sustentar os planos de expansão nacional e internacional, a facção precisa de uma forma de fomento. Como tem aumentado o número de integrantes, é necessário mais dinheiro para o planejamento das ações”, diz Gakiya. Em ações como essas, uma parte do lucro é destinada ao cofre da organização, outra parcela abastece o narcotráfico e o restante é usado para a aquisição de armamentos. Uma das consequências da prática do roubo às instituições financeiras se proliferar é que a necessidade de lavar dinheiro também aumente. “Isso pode ampliar negócios nacionais e internacionais e então, de fato, o PCC se tornaria uma organização mafiosa”, afirma. Desde junho do ano passado, os ataques do PCC no Paraguai se intensificaram. Com o assassinato do traficante Jorge Rafaat Toumani, que era conhecido como “rei da fronteira”, o grupo brasileiro pretendia garantir sua hegemonia na região, ocupando o mercado que pertencia a ele e dominando as rotas do tráfico de drogas do Paraguai.

Para ampliar presença em territórios internacionais, o PCC deverá repetir a estratégia que vem utilizando com sucesso no Brasil com os assaltos a bancos. Só na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, ocorreram cinco explosões em apenas uma semana. Duas na sexta-feira 21. “Os criminosos de São Paulo repassam a expertise para os cariocas, há um intercâmbio entre facções cariocas e paulistas”, diz Fabiano Gonçalves, promotor do Ministério Público Estadual e coordenador de uma operação que identifica e prende quem executa e esse tipo de ataque. Com essas ações, o PCC se fortalece e reforça sua imagem e seu orçamento. “O grupo tem o domínio geográfico, financeiro e bélico de determinadas regiões”, diz Gakiya. “Isso pode transformá-lo em um grande cartel de drogas com hegemonia internacional.”

Os tentáculos da facção na América Latina

> Argentina
O PCC importa armamentos argentinos como fuzis, metralhadoras e explosivos

> Bolívia
Desde 2008, bolivianos enviam drogas e armas para o Brasil, que seriam usadas em assaltos a bancos

> Colômbia
Há evidências de contatos diretos de integrantes do PCC com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia)

> Paraguai
O PCC disputa território com quadrilhas locais

> Peru
A facção planeja ampliar os negócios no país e, assim, dominar todas as rotas do Narcosul

>Venezuela
Em parceria com narcotraficantes da Colômbia, o grupo já controla algumas rotas de exportação venezuelanas

O maior roubo da história do Paraguai

O Crime

Na segunda-feira 24, por volta da 1h30, dezenas de homens com fuzis, metralhadoras e granadas explodem a sede da transportadora de valores Prosegur, em Ciudad del Leste

O valor

Com a explosão do caixa-forte, os criminosos levam cerca de US$ 11,7 milhões

A estratégia

Os homens fecharam três acessos à sede da empresa com caminhões, deixando apenas uma saída livre para a rota de fuga. Foram incendiados 15 veículos para dispersar a polícia

Os “soldados”

Cada membro do grupo tinha funções específicas, como impedir a aproximação de policiais, explodir a sala do cofre e cuidar da segurança dos outros integrantes

A reação das autoridades

A polícia paraguaia afirma que não conseguiu chegar ao local por conta dos explosivos e do caos na região

Rota de fuga

Os assaltantes usavam máscaras e falavam português. Depois do roubo, fugiram em direção à fronteira em uma lancha para então entrar na selva

O confronto

Em território brasileiro, a Polícia Federal troca tiros com suspeitos em Itapulândia, no Paraná e contabiliza 12 pessoas

O arsenal

Foram apreendidos cinco veículos, um carro de polícia, um fuzil, uma pistola, um barco, sete quilos de explosivos e munição de grosso calibre.

AUTOR: massapeceara.com

quarta-feira, 26 de abril de 2017

MP DE SÃO PAULO SUSPEITA DE 'GEGÊ DO MANGUE' CONTROLA O TRÁFICO DE DROGAS NO PARAGUAI


Gegê do Mangue é um dos mais procurados no site da Polícia Civil de São Paulo (Foto: Reprodução/ Polícia Civil de São Paulo)

O Ministério Público (MP) de São Paulo suspeita que Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, considerado o número 3 do Primeiro Comando da Capital (PCC), esteja controlando o tráfico de drogas no Paraguai.

“A última informação recebida pela Polícia Federal (PF) é da suspeita de que Gegê esteja no Paraguai desde que ele fugiu”, disse nesta terça-feira (25) o promotor Rogério Leão Zagallo ao G1. “O PCC está abrindo seus tentáculos para países da América Latina e ele teria ido para lá controlar o tráfico de drogas para a facção”.

Na segunda-feira (24), criminosos armados invadiram a Prosegur, transportadora de valores em Ciudad del Este, no Paraguai, perto da fronteira com o Brasil. Lá, roubaram cerca de R$ 120 milhões. Na perseguição, um policial paraguaio foi morto e três suspeitos do crime morreram em troca de tiros.

De acordo com o jornal ABC Color, o Ministério do Interior paraguaio informou que há indícios de que o roubo tenha sido cometido por criminosos brasileiros do PCC, que surgiu em São Paulo. Até a publicação desta matéria, ao menos 14 suspeitos do mega-assalto foram presos, segundo a PF.

Zagallo afirmou que ainda não tem confirmação se Gegê participou do roubo no Paraguai. “Até porque ele mexe mais com tráfico de drogas. Assalto não era muito a dele”, disse o promotor. “Mas tenho interesse em saber se ele teria algum envolvimento com o crime”.

Gegê e Marcola

Segundo o Bom Dia Brasil, a Polícia Federal investiga se Gegê teria coordenado o assalto a empresa de valores, treinando criminosos para usar fuzis, metralhadoras .50 e explosivos.

Além disso, a PF apura se o fugitivo estaria planejando dar fuga a Marcos Camacho, o Marcola, que está preso no presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes, no interior de São Paulo. Marcola é apontado como chefe do PCC.

Segundo autoridades, o plano foi descoberto na semana passada. Equipes das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), batalhão de elite da Polícia Militar (PM) de São Paulo foram enviadas a Presidente Prudente e região e estão reforçando a segurança o presidio, onde a tentativa de fuga teria sido decidida porque Marcola poderia ser transferido para um presídio federal.

Tráfico de drogas e assaltos são alguns dos crimes praticados pelo PCC para obter dinheiro para a facção que age dentro e fora dos presídios paulistas.

Ainda de acordo com o Bom Dia Brasil, um dos suspeitos identificados de ser mentor do mega-assalto no Paraguai é Luciano Castro de Oliveira, o Zequinha. Ele foi condenado a mais de 50 anos de prisão e é foragido da Justiça. Considerado o número um da lista dos criminosos mais procurados do site da Polícia Civil de São Paulo, ele é investigado por participar de outros roubos a transportadores no estado.

Gegê, de 40 anos, aparece na segunda posição dessa lista de procurados. Ele havia sido condenado à revelia, em 3 de abril, a 47 anos, 7 meses e 15 dias de prisão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e formação de quadrilha armada. Foi acusado de ordenar de dentro da cadeia a execução de dois criminosos desafetos da facção.

Solto em 1º de fevereiro por decisão judicial para que respondesse ao processo pelos assassinatos em liberdade, Gegê faltou aos dois julgamentos do caso. Quando não compareceu ao primeiro júri popular, em 20 de fevereiro, a Justiça decretou a prisão preventiva dele.

A Promotoria informou que também pediu a PF a inclusão do nome dele na relação dos criminosos foragidos que estão na Interpol. “Pedi para incluir o Gegê também na difusão vermelha da Interpol”, falou Zagallo.

AUTOR: G1

quarta-feira, 8 de março de 2017

EM FORTALEZA (CE), POLÍCIA CIVIL PRENDE 7 SUPOSTOS INTEGRANTES DO PCC

Sete pessoas supostamente ligadas à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) foram presas na tarde desta terça-feira (07), no bairro Cidade 200, em Fortaleza. Os suspeitos foram presos após denúncias anônimas. Entres eles, há um adolescente.

Conforme a polícia, o bando é acusado de matar um homem não identificado na comunidade do “Pau Fininho”, na última sexta-feira (03). A vítima seria membro do Comando Vermelho (CV). Ainda segundo a polícia, a quadrilha se preparava para executar outros integrantes do CV ainda esta semana.

Durante a chegada da polícia no local, o bando tentou fugir por um terreno baldio. Houve troca de tiros, porém ninguém ficou ferido.
Com eles, a polícia apreendeu uma espingarda calibre 12, duas pistolas, 100g de maconha, 135g de cocaína, munições, uma balança de precisão e aparelhos celulares.

Os envolvidos foram identificados como: Sebastião Vitor Alves, Adriano de Souza Lima, Jackson Miranda Lima, Breno Oliveira Muniz, Flairton Oliveira, Gleidson Almeida Barbosa e um menor de idade.

Todos os maiores já possuíam antecedentes criminais e responderão por formação de quadrilha e tráfico de drogas.

AUTOR: Cnews

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