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domingo, 7 de dezembro de 2014

JÁ COMEÇA A FALTAR ÁGUA EM CIDADES DA REGIÃO SERRANA DO CEARÁ

A barragem Tijuquinha, em Baturité, de onde era captada a água para abastecer a população local, a exemplo de outros reservatórios espalhados pelo Estado, já atingiu o chamado volume morto FOTOS: ALEX PIMENTEL

Riachos, cascatas e temperatura amena. Esses três predicados naturais estão se tornando cada vez mais escassos nas regiões serranas do Ceará. Além do Sertão, a falta de água já é acentuada no Maciço de Baturité. As chapadas da Ibiapaba, do Apodi e do Araripe também estão sofrendo. Além do desconforto para quem mora nessas regiões, precisando cavar poços ou sair à procura de água, a economia também está sendo afetada.

Clima serrano, somente nas madrugadas, com a queda da temperatura; mesmo assim, ainda bem longe dos 17°C com que se acostumaram os moradores e apreciavam os visitantes.

No Maciço de Baturité, todos os municípios da macrorregião estão sofrendo com a estiagem prolongada. A situação mais grave é notada em Pacoti. O Município enfrenta racionamento de água há mais de 15 dias. A população reclama da falta de informação e de medidas para solucionar o problema.

O abastecimento nas torneiras é inconstante. A esse respeito, o secretário municipal de Infraestrutura, Francisco Moésio, informou que a responsabilidade é da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece). "Nossas comunidades rurais estão sendo abastecidas por poços profundos mantidos pela Prefeitura", acrescentou.

Além dos moradores, os comerciantes da região também amargam os efeitos da estiagem prolongada. Antônio Marcos da Silva é proprietário do Balneário Brejo, um espaço recreativo popular situado a cerca de 15 Km do Centro de Baturité. Ele recebia de 800 a mil visitantes a cada fim de semana, mas, quando a seca começou, há cerca de três anos, o movimento passou a cair, vertiginosamente. Hoje, ele amarga prejuízos, mas tem esperança de a chuva retornar e da água voltar a correr no riacho do brejo, atraindo novamente a clientela.

Nos outros balneários a situação é a mesma. Apenas o Remanso Hotel de Serra, em Guaramiranga, mantém estrutura receptiva para os clientes. As piscinas estão cheias. Eles possuem poço profundo.

Quem também está preocupado com a seca prolongada no Maciço de Baturité é o secretário de Cultura e Turismo de Mulungu, Pedro Paulo Moreira. Segundo ele, a cidade tem no turismo de aventura, nas trilhas e banhos de cascatas uma das suas principais fontes econômicas. Hoje, as cachoeiras Redonda, do Macaco e do Perigo, mais procuradas no Município, estão secas. Perderam a visita de turistas e até da população local. Não bastasse isso, há preocupação quanto ao Carnaval. Mulungu divide com Pacoti a melhor festa popular da região, mas, se as chuvas não começarem a cair, a festividade estará comprometida.

O Governo Federal não disponibilizará verba para as cidades onde houve decretação de estado de emergência. A preocupação de todos os gestores municipais da região é a mesma. Na maior cidade da região, Baturité, a população já recebe água do reservatório de Aracoiaba desde outubro, por meio de uma adutora. A barragem Tijuquinha, de onde a água era captada para os moradores, já atingiu seu volume morto. Conforme um dos representantes da Câmara Municipal, Ozanam Moreira, mesmo assim a população continua sofrendo. São comuns as panes nos motores de bombeamento da adutora e, às vezes, a água deixa de chegar às torneiras das casas por até 15 dias. "Alívio na região, apenas nos condomínios fechados. Além de ótima estrutura, possuem poços profundos", ressalta Ozanam.

Zona Norte

Na Serra do Jordão, em Sobral, o abastecimento tem sido feito por carros pipas e foi denunciado pelo vereador Adaldécio Linhares que a água fornecida é de péssima qualidade. O vereador ainda chegou a dizer que os carros que fazem os transportes são velhos e enferrujados. Outro ponto citado pelo representante dos moradores da Serra do Jordão está relacionado à quantidade de água. Dos 7 mil litros que são retirados no reservatório, devido o vazamento ocasionado nos tanques dos carros-pipa, somente chegam à comunidade aproximadamente 4 mil litros e com muita ferrugem.

A Câmara de Vereadores de Sobral não aceitou o pedido do vereador Gilmar Bastos, que solicitava ao Ministério Público Estadual que apure as denúncias do parlamentar sobre a qualidade e quantidade da água que é fornecida para a população da Serra do Jordão.

Para o vereador Hermenegildo Souza Neto, "é melhor deixar do jeito que está do que parar de vez o fornecimento para aquela comunidade, caso o Ministério Público encontre alguma irregularidade que impossibilite a continuidade do serviço de abastecimento por carros-pipas".

Em São Benedito, na Serra da Ibiapaba, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Osmar Gomes, conta que a situação para os produtores está difícil, principalmente para os que moram nas zonas mais distantes da cidade. "Muitos poços profundos de 80 metros estão completamente secos, além disso, a tensão da energia não é bastante para aguentar os motores para puxar água dos que ainda não secaram. A Zona do Carrascos é hoje uma das nossas piores realidades: temos lagoas secas ou secando. Já a maior atração turística da região, a Bica do Ipu está seca há mais de dois meses.

AUTOR: DN

quarta-feira, 12 de março de 2014

PLANTIOS REDUZIDOS NO SERTÃO CENTRAL, VALE DO JAGUARIBE E INHAMUNS NO CEARÁ

Somente agora, muitos agricultores iniciam os cultivos, mas em áreas menores FOTO: HONÓRIO BARBOSA

Iguatu Chuvas localizadas e veranico ocorrido na segunda quinzena de fevereiro e nos três primeiros dias de março afetaram no sertão do Ceará o cultivo das tradicionais culturas de sequeiro (milho, feijão, mandioca e arroz). A situação é considerada preocupante e as regiões Sertão Central, Vale do Jaguaribe e Inhamuns são as mais castigadas com baixo índice de pluviometria e de reduzido plantio em torno de 10% das áreas agricultáveis.
Em Barro, a maior precipitação ocorreu no distrito de Brejinho, onde pequenos reservatórios aumentaram o volume hídrico FOTO: DIÓGENES FEITOSA

Partes das regiões do Cariri e do Centro-Sul são as mais favoráveis no Estado. Nas demais, o plantio de culturas de sequeiro (aquele que depende exclusivamente das chuvas) é localizado e na média inferior a 15%. "A situação é preocupante", disse o diretor técnico da Ematerce, Walmir Severo. "O plantio tem sido localizado e em alguns municípios os agricultores ainda preparam o solo", apontou.

No próximo dia 15, a Ematerce vai fechar o relatório parcial com informações de todo o Estado sobre a produção agrícola. "A nossa maior preocupação é com a recarga de água nos reservatórios", disse Walmir Severo. "Todos estão rezando para que ocorra pancada de água que possibilite elevar o nível dos açudes".

As áreas mais críticas são o Sertão Central, Vale do Jaguaribe, Inhamuns e Sertões de Crateús. Em Quixeramobim, por exemplo, o plantio ainda não chegou a 5%, de acordo com levantamento do escritório local da Ematerce. "As chuvas são irregulares e reduzidas", disse José Tarcísio do Rego, gerente local do escritório da Ematerce. De janeiro até ontem, havia chovido apenas 115mm em todo o município.

Outros municípios do Sertão Central - Milhã, Solonópole, Piquet Carneiro, Senador Pompeu - e a área conhecida por Sertões de Canindé estão muito afetadas pela irregularidade das chuvas. "Agora que os agricultores estão iniciando o plantio em algumas áreas", disse Sebastião Tavares Leite, gerente local da Ematerce.

Em Jaguaribara e Jaguaretama o quadro é desolador. "Praticamente não houve plantio", observou o gerente local da Ematerce, Sebastião Guedes Nunes. "Em Jaguaribe, o cultivo é inferior a 10%". Os agricultores ainda esperam pelas chuvas. No período de 20 de fevereiro a 5 de março não houve registro de pluviometria na região. No município de Tauá, nos Inhamuns, estima-se uma área de cultivo em torno de 40%. "O plantio está sendo retomado, depois da estiagem das duas últimas semanas de fevereiro. As chuvas têm sido poucas e localizadas", disse José Veríssimo de Souza Filho, gerente do escritório da Ematerce.

Na região de Crateús, o quadro tornou-se favorável nos últimos quatro dias, depois que fortes chuvas banharam as áreas agricultáveis. A área mais beneficiada é o conhecido pé de serra, onde 90% do plantio já foram concluídos. No sertão, a situação é adversa. A escassez de água preocupa os criadores, principal atividade econômica.

Mesmo nas regiões mais favoráveis para o cultivo agrícola, Centro-Sul e Cariri, o veranico (período de estiagem) ocorrido entre 16 de fevereiro e 3 de março contribuiu para atrasar o cultivo dos grãos. "Os produtores voltaram ao campo e estão plantando", disse o gerente regional da Ematerce, em Iguatu, Joaquim Virgolino Oliveira Neto. "A maioria estava desestimulada".

Na região Centro-Sul, estima-se que 40% das áreas agricultáveis já foram cultivadas. "Até o fim desta semana teremos um quadro mais próximo da realidade, pois os técnicos estão em campo fazendo o levantamento das áreas de cultivo", disse o gerente local da Ematerce, Erivaldo Barbosa. "Neste ano, em relação ao ano passado, as chuvas têm sido mais favoráveis".

Municípios localizados no Sul do Ceará já têm o plantio concluído. "Na maior parte do Cariri está chovendo bem e não tivemos veranico", disse o gerente local da Ematerce, em Milagres, José Maria Rangel de Macedo. "No nosso município, o plantio de milho, feijão e mandioca já foram concluídos". Nos últimos dias, o quadro de pluviometria deixou os agricultores animados em Missão Velha e Brejo Santo.

No município de Várzea Alegre, na região Centro-Sul, a área disponível para o plantio também já foi concluída. "O cultivo já foi feito em 100% porque as chuvas foram favoráveis e o solo está com umidade elevada", disse o gerente local da Ematerce, Pedro Alves Bezerra. "Temos de ponderar que as áreas disponíveis hoje para a agricultura é bem inferior em comparação com uma década".

Os pequenos produtores reclamam das dificuldades e da incerteza do inverno. "Os agricultores estão com o pé atrás, temendo uma nova seca", disse Virgolino Neto. Os grandes produtores queixam-se da falta de mão de obra no campo. Os últimos relatórios de produção de safra do IBGE abordam as dificuldades de contratação de trabalhadores no campo para o serviço no setor agropecuário.

Chuvas de 125mm no Cariri

ver forte no Interior do Ceará desde o fim de semana e ontem. Em alguns municípios os registros de pluviometria superaram os 100 milímetros. A maior precipitação de ontem foi registrada no distrito de Brejinho, zona rural do município de Barro, onde choveu 125,2 mm.

A intensidade das chuvas elevaram o nível de água acumulado em pequenos reservatórios e, em alguns casos, pequenos barreiros chegaram a sangrar. O açude de Brejinho, que possui maior capacidade de acúmulo, também recebeu boa recarga de água, porém, as chuvas ainda não foram suficientes para que o açude transbordasse.

Ontem, dezenas de estudantes que residem na comunidade, mas que estudam na região de Santo Antônio, deixaram de ir à escola porque o ônibus que realiza o transporte não conseguiu atravessar um bueiro, localizado nas proximidades do Areias. Segundo os moradores, durante os períodos de chuvas mais intensas, há risco de tráfego no local para veículos de maior porte.

"É perigoso. Para carro pequeno não há problemas. No entanto, ônibus não tem acesso porque a estrada acaba sendo muito estreita", disse a professora Cícera Sizinha da Cruz, que reside na localidade.

Em Juazeiro do Norte, as chuvas começaram por volta das 2 horas da madrugada de ontem acompanhada por fortes rajadas de ventos e muitos trovões. Com a intensidade das chuvas, ruas e avenidas voltaram a ficar alagadas. Em bairros mais afastados do Centro da cidade, como o Novo Juazeiro e Betolândia, por exemplo, moradores amanheceram com água no Interior de algumas residências e muita lama por sobre a pista de rolamento da avenida. Houve atraso no transporte coletivo, o que acabou irritando dezenas de usuários. No Centro da cidade semáforos voltaram a apresentar defeitos, ocasionando lentidão no trânsito.

Os municípios de Aurora e Missão Velha também receberam fortes precipitações durante a madrugada e início da manhã de ontem. Foram registrados 101,6 mm e 94,2 mm, respectivamente. Em Aurora, as chuvas foram mais fortes na região de Ingazeira. Açudes e pequenos reservatórios ampliaram suas capacidades hídricas e já expectativa quanto a sangria em alguns reservatórios. O mesmo também acontece em algumas áreas do interior do município de Missão Velha onde, inclusive, o volume de precipitações já garante a queda de água em uma das mais antigas cachoeiras da região, localizada no sítio Cachoeira, a cerca de 3 Km de distancia da sede do município.

AUTOR: DN

sábado, 9 de novembro de 2013

CULTIVO DE MAÇÃ E PERA NA SERRA DA IBIAPABA TEM ÊXITO

Ernesto Emori, da Agropecuária Sem Fronteiras, em Tianguá, destaca as vantagens de produzir no Estado, colhendo frutas de cor e sabor mais acentuados fotos: Jéssyca Rodrigues

Tianguá. O projeto experimental de cultivo de frutas de clima temperado no Ceará tem obtido seu maior sucesso na Serra da Ibiapaba. 

O plantio de maçãs e peras em São Benedito e Tianguá têm alcançados os melhores resultados, sendo a Agropecuária Sem Fronteira a mais produtiva e com planos de expandir no
próximo ano.

Iniciado em 2010, o projeto piloto de pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Semiárido consiste na plantação de frutas temperadas como maçã, pera e cáqui em diversas propriedades pelo Ceará. 

De acordo com o presidente da União dos Agronegócios do Vale do Jaguaribe (Univale), João Teixeira, atualmente há fazendas em Tianguá, Russas, Limoeiro, Chapada do Apodi, Icapuí e Guaramiranga que participam do experimento.

"Essas fazendas são de empresários privados que toparam fazer esse projeto piloto com o apoio da Embrapa Semiárido, Banco do Nordeste, Sebrae e Adece. No início, eram oito empreendedores, hoje ficam seis", destaca.

Ele conta que os empresários se candidataram para a criação de áreas de meio hectare em cada unidade experimental para testes. "É uma coisa bem atípica produzir frutas temperadas no clima do Nordeste. O maior sucesso vem sendo Tianguá", diz.
Na TecFlores, em São Benedito, foram plantadas seis variedades de peras, com sucesso de colheita em quatro. No total, 413 plantas estão em fase de testes

Pioneiro

É na plantação do agroempreendedor, Ernesto Emori, que se produziu maçã pela primeira vez no Estado. A Agropecuária Sem Fronteiras cedeu parte das terras para o cultivo de seis variedades da fruta, em que três tipos delas têm se destacado: Princesa, Julieta e Eva.

Natural de São Paulo, Ernesto já está há dez anos na Chapada da Ibiapaba, onde começou plantando cenoura, cebola e batata inglesa. "De três anos para hoje, estamos plantando abacate, acerola, maçã e pera. No primeiro ano produziu pouquinho, aumentou no segundo e já foi bem relevante este ano".

A primeira colheita aconteceu 14 meses após a plantação das mudas. A maçã se desenvolve melhor em áreas de clima temperado, como o da Serra da Ibiapaba, onde a temperatura varia entre 18 e 35 graus. Apesar de não chover constantemente em Tianguá, as árvores foram cultivadas com irrigação.
O clima temperado da serra na Zona Norte favorece o cultivo no ano inteiro, por meio da agricultura irrigada. Embrapa e empresários fazem parceria no agronegócio

Uma vantagem da produção de maçã no Ceará é que a colheita pode ser feita no período de entressafra das regiões Sul e Sudeste. "As maçãs estão bem frescas, crocantes, doces e têm cor por causa do sol. Tem tudo para dar certo. Até o aroma é mais intenso", afirma Ernesto. A ausência de outros cultivos de maçã também trouxe vantagens para Ernesto, que não teve problemas com pragas ou doenças.
A experiência se repete em São Benedito, município vizinho a Tianguá. Na Escola Técnica de Flores (TecFlores), 0,1 hectare foi reservado para o plantio das frutas, de acordo com a coordenadora e agrônoma Patrícia Moreira Alves de Oliveira. Inicialmente, foram plantadas 13 variedades de pera e seis de maçã, sendo que apenas quatro das variedades de peras se adaptaram, enquanto metade das de maçã alcançaram boa produtividade.

"Estamos no terceiro ano de implantação e, atualmente temos em teste 413 plantas de peras e 214 de maçãs. O sabor dos frutos é muito doce e o frescor é incomparável", destaca Patricia. Ela ressalta que a vantagem do fruto fresco produzido na serra durante o período da entressafra do Sul é não precisar ficar em câmara fria, o que pode provocar perdas de cor e sabor, tornando-se mais atrativo.

Mais informações

Agropecuária Sem Fronteiras
Sitio Poço de Areia, S/N,
Zona Rural de Tianguá
Embrapa Semiárido
Telefone: (87) 3866.3600

AUTOR: DN

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