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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

CHUVAS ESCASSAS DE FEVEREIRO CAUSAM PERDA TOTAL DE PLANTIO NO CEARÁ

Agricultor aponta para o céu à espera de chuvas fortes, que contrariem as previsões até aqui corretas divulgadas pela Funceme (Foto: Honório Barbosa)

No dizer dos produtores rurais, o Ceará enfrenta duas secas neste ano: uma referente à perda do plantio, que já é total, e a outra da escassez de água para o consumo humano e animal. Na verdade, o Estado caminha para o quinto ano seguido de chuvas abaixo da média. A estiagem castiga o sertão, arranca lágrimas de agricultores idosos, deixa a terra árida, as folhas de milho, feijão e capim murchas, mata a lavoura e invade de desespero o coração do sertanejo.

"Está tudo perdido, não há mais o que se fazer", diz o agricultor, Manoel Benigno Uchoa, 75 anos, morador do sítio Croatá, na zona rural deste município, na região Centro-Sul do Ceará. Nos últimos 40 dias, ele mantém a rotina de caminhar diariamente de casa para o roçado de milho e feijão para fazer o serviço de roço e combater o ataque de lagartas. "Este mês de fevereiro foi ingrato. Não caiu uma gota d´água. Nunca vi uma coisa assim. Antes a seca era só de um ano, dois e a chuva voltava".

Segundo dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), o mês de fevereiro termina com o registro de chuva bem abaixo da média - 43,2%. Para o período eram esperados 118.6mm, mas choveu somente 67.4 São dados parciais, pois este ano é bissexto e o mês termina hoje, mas a estatística reflete toda a tendência da escassez de chuva que castigou o sertão cearense no primeiro mês da quadra invernosa (fevereiro a maio).

Para o próximo trimestre, as previsões não são nada animadoras. O fenômeno El Niño permanece influenciando a quadra invernosa no Semiárido, afastando a ocorrência das chuvas. A temperatura superficial das águas do Oceano Atlântico também está desfavorável. "Deveria estar mais aquecida, no Atlântico Sul", observa o meteorologista da Funceme, Raul Fritz.

A análise de vários modelos e dos dados meteorológicos levou a Funceme a ampliar de 65% para 70% a chance das chuvas ficarem escassas nos próximos três meses. "O cenário é desfavorável", disse Fritz. "Infelizmente, estamos caminhando para o quinto período de seca". O El Niño permanece intenso e só deve refluir a partir de maio, mas já não é mais período de chuvas no sertão cearense.

"Podem ocorrer eventos isolados de chuva ou quem sabe outro sistema passar a atuar e trazer precipitações, pois as condicionantes do Atlântico mudam com mais rapidez, mas isso é pouco provável", sentencia Fritz. Afinal, a Funceme não previu a ocorrência de intensas chuvas na segunda quinzena de janeiro passado, mas elas vieram com tudo.

Grãos murcharam

A área de dois hectares de milho e feijão cultivada no fim de janeiro por Manoel Benigno é um retrato de milhares de roças no sertão cearense. Os grãos murcharam e se perderam. "Está tudo perdido", disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Iguatu, Evanilson Saraiva. "Em algumas áreas, o feijão ainda se sustenta mais três, quatro dias, mas se não chover logo, não há o que se fazer".

A preocupação a partir de agora não é mais com a lavoura das culturas de subsistência. Depois de cinco anos de safra perdida, os agricultores estão desmotivados, sem esperança e sem coragem de fazer um novo cultivo se houver retomada das precipitações. Tiveram prejuízo no primeiro roçado. "O temor é com a falta de água para os bichos, para a gente mesmo", disse o produtor, André Ferreira, da localidade de Gadelha. A maioria dos pequenos e médios açudes permanece sem água. "Aqui ninguém pensa mais em agricultura, está tudo acabado, é mais barato comprar feijão, arroz e milho do que plantar, a nossa luta é para conseguir água".

AUTOR: DN

domingo, 22 de dezembro de 2013

NO CEARÁ, 343 AGRICULTORES ESTÃO APTOS PARA RECEBER O GARANTIA-SAFRA

Com o benefício, agricultores poderão manter os bons frutos da colheita (Foto: Reprodução/TV Diário)

O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), gestor do benefício, confirmou, nesta sexta-feira (20), que 343 mil agricultores do Ceará estão aptos para receber o benefício. Com esse número, o estado supera mais uma vez a meta de agricultores familiares inscritos no Garantia-Safra 2013/2014.

Somente com o Garantia-Safra, R$ 291,55 milhões estarão a disposição dos agricultores familiares caso seja confirmado mais um ano de estiagem. Para a safra 2013-2014, o Governo do Estado vai investir R$ 26,395 milhões aproximadamente para que os agricultores familiares recebam o benefício.

“Foi fundamental essa articulação junto ao MDA para que essas vagas fossem viabilizadas para o Ceará”, destacou o secretário do Desenvolvimento Agrário, Nelson Martins.

Nelson Martins afirma ainda que não têm faltado recursos para o investimento em ações de convivência com a estiagem. “Temos conseguido o apoio do Governo Federal e dos municípios para desenvolver essas ações e o Comitê da Seca tem encaminhado da forma mais célere possível as demandas que chegam”.

Benefício
O Garantia-Safra é um seguro pago pelo Governo Federal em caso de perda igual ou superior a 50%. Para 2014, o benefício será de R$ 850, dividido em até cinco parcelas. Cada agricultor pagou R$ 12,75, para receber o benefício. Cada município contribui com R$ 38,25, por agricultor. O Ceará vai investir R$ 76,50 por agricultor cadastrado e a União vai contribuir com o valor de R$ 255.

Dos 178 municípios que aderiram ao fundo Garantia Safra, apenas 21 cumpriram com os dois pré requisitos para a liberação do benefício para os agricultores. Os 21 municípios que cumpriram com os requisitos, ou seja, pagaram os valores referentes a contribuição do município, que é de R$ 28,50 por agricultor e enviaram o laudo de perdas de safra de competência da prefeitura ou da empresa de assistência técnica de extensão rural do Ceará (Ematerce) são: 

Apuiarés, Ararendá, Arneiroz, Barbalha, General Sampaio, Iracema, Irauçuba, Missão Velha, Quixeré, São Luís do Curú, Tamboril, Umirim, Aracoiaba, Ibaretama, Icó, Milhã, Mombaça, Senador Pompeu, Umari, Viçosa do Ceará e Brejo Santo.

Os municípios que ainda não enviaram o laudo de perdas de pelo menos 50% da safra ou não quitaram o pagamento de todas as parcelas do fundo tem até 9 de agosto para regularizar sua situação e os agricultores começarem a receber as parcelas referentes ao benefício.

102 municípios concluiram a elaboração do laudo de perdas , 56 municípios são dispensados de elaborar esses laudos, faltando portanto 20 municípios enviarem seus laudos. Já com relação ao pagamento das parcelas, 51 municípios já quitaram até o dia 26 de julho e faltam 127 quitarem o pagamento das parcelas.

É importante que todos os municípios que aderiram ao fundo garantia safra regularizem a sua situação para que os agricultores comecem a receber as parcelas referentes ao benefício da safra 2012/2013 em setembro.

AUTOR: G1/CE

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