Ceará enfrenta sexto ano seguido de chuvas abaixo da média.
Governo do Estado do Ceará reconheceu situação de emergência em Fortaleza e outros 40 municípios cearenses devido à baixa quantidade de chuva e a elevadas temperaturas, "comprometendo o armazenamento de água, causando sérios problemas ao abastecimento, inclusive para o consumo humano e animal, desde o ano de 2012, reduzindo o padrão de qualidade de vida da população".
O decreto de emergência foi publicado no Diário Oficial do Estado do Ceará desta segunda-feira (18). Uma das justificativas com o decreto é "combater e minimizar os efeitos das situações de anormalidade".
O decreto inclui "áreas comprovadamente afetadas pela seca", incluídas no Formulário de Informações do Desastre (FIDE) registrado no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres pelos Municípios relacionados. (Confira a lista de cidades abaixo.)
Com o decreto, há a solicitação de apoio do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil no Ceará, para prestar apoio aos municípios afetados, sob coordenação da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil.
Cidades do Ceará em situação de emergência:
1. Alcântaras
2. Amontada
3. Apuiarés
4. Aquiraz
5. Ararendá
6. Assaré
7. Aurora
8. Baixio
9. Brejo Santo
10. Caririaçu
11. Catarina
12. Cedro
13. Chaval
14. Eusébio
15. Forquilha
16. Fortaleza
17. Horizonte
18. Ibaretama
19. Icapuí
20. Irauçuba
21. Ipaporanga
22. Itaitinga
23. Itapajé
24. Jaguaribara
25. Jaguaruana
26. Madalena
27. Maracanaú
28. Maranguape
29. Missão Velha
30. Nova Olinda
31. Pacajus
32. Parambu
33. Paramoti
34. Porteiras
35. Salitre
36. Santana do Acaraú
37. São Gonçalo do Amarante
38. São João do Jaguaribe
39. Umari
40. Uruoca
41. Várzea Alegre
AUTOR: G1
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terça-feira, 19 de dezembro de 2017
quinta-feira, 30 de novembro de 2017
NO CEARÁ, O MAIOR AÇUDE DO PAÍS, CASTANHÃO ATINGE VOLUME MORTO
Onde havia água, a imensidão azul sem fim ficou um risco no chão e poeira. Situação atual assusta pescadores do Castanhão. (Foto: Gioras Xerez/G1 Ceará)
A agonia de pescadores chama atenção de quem passa pelo município de Nova Jaguaribara, cidade distante 219 km de Fortaleza. A população que um dia viveu da abundância de peixes e um comércio próspero, hoje buscas alternativas para tirar o sustento diário. A cidade fica ao lado do maior açude do Brasil, o Castanhão.
A agonia de pescadores chama atenção de quem passa pelo município de Nova Jaguaribara, cidade distante 219 km de Fortaleza. A população que um dia viveu da abundância de peixes e um comércio próspero, hoje buscas alternativas para tirar o sustento diário. A cidade fica ao lado do maior açude do Brasil, o Castanhão.
O reservatório está pela primeira vez no volume morto, com 3,15% de capacidade de armazenamento. E a seca traz prejuízos. Pescadores afirmaram ao G1 que atualmente lucram cerca de 10% do que recebiam há seis anos.
A fartura e o prato cheio são relembrados pelo pescador e comerciante José Ubiratan da Silva, de 42 anos. José conta com entusiasmo como o Castanhão o ajudou a construir uma boa casa na Vila Marizeira, em Nova Jaguaribara. “Tudo que tenho hoje, o que vocês estão vendo aqui, uma boa casa para o padrão daqui, foi construído graças à pescaria no Castanhão”, conta, satisfeito e orgulhoso.
"Dá uma frustração na gente, sabe? Tirar para você uns R$ 4 mil e agora pegar R$ 300 ou R$ 500 por mês deixa você sem esperanças. Temos que seguir em frente e trabalhar com o que Deus nos reserva e proporciona."
O Castanhão foi criado em 2002 inundando a cidade de Jaguaribara. Os moradores do antigo município se deslocaram para uma região próxima, fundando a cidade de Nova Jaguaribara. Com a seca e redução no volume do açude, as ruínas da antiga Jaguaribara estão expostas desde 2013. O reservatório recebeu carga máxima pela primeira vez em 2004 e nunca havia atingido o volume morto.
Mesmo com a crise, a possibilidade de racionamento está descartada. "A capitação continua ocorrendo normalmente, mas com algumas preocupações.
Uma das alternativas de José Ubiratan é a construção de um criadouro de peixes no quintal de casa e conseguir ter fartura mesmo em tempos de seca. Apesar das dificuldades, ele planeja a meta para o próximo. "Meu objetivo é fazer um tanque para criar peixes: tilápia. Armazenar um tanque com duas mil tilápias com 30 mil litros de água", diz entusiasmado.
Para conseguir renda e realização o sonho, Ubiratan não pode mais contar exclusivamente com a pesca e tem que recorrer a trabalhos extras. “Acordo às 4h. Vou para o açude. Deixo as redes e retorno por volta das 7h. Verifico se há peixes. Quando tenho sorte pego alguma coisa e retorno. Se não existem peixes, eu deixo a rede lá, todo o material. Vou para cidade, tento a sorte com outra coisa, com algum serviço geral. Aí retorno para o açude no fim da tarde. Se for um dia iluminado, pego sete quilos de peixe”.
Sobre o futuro do açude Ubiratan é prático. Na opinião dele, se não chover ou se as autoridades não buscarem uma alternativa, haverá um êxodo de moradores para outras regiões. "Sonhar para chover. Torcer para chover. Não existe alternativa. Pedir para os governantes buscarem uma solução. Se secar tudo de vez não tem como sobreviver aqui, pois sem peixes, não existe comércio e aqui tudo está fraco, tudo está morrendo", conta olhando para um saco com algumas tilápias congeladas retiradas da geladeira.
'Peixes nos pés' Cenário desolador. Açude que proporcionava lucro e emprego para municípios hoje espera boas chuvas para não morrer. (Foto: Gioras Xerez/G1 Ceará)
Outro que lamenta a longa estiagem e com a falta de água no Castanhão é o pescador Otacílio Júlio Silva, de 76 anos. Natural de Jaguaribe, cidade próxima de Jaguaribara, lembra com entusiasmo a época em que os peixes caíam nos pés dos pescadores. "Os peixes caíam nos nossos pés. Nos bons tempos do Rio Jaguaribe, sem brincadeira, eles [peixes] pulavam para dentro do barco da gente. Lembro como fosse hoje meu pai pegando os peixes e antes de colocá-los no samburá [cesta para colocar os peixes] ele os beijava", lembra.
Seu Otacílio como é conhecido na Vila Marizeira diz que no Castanhão não era diferente. Muita abundância e fartura. “Eu trabalhava para um senhor da cidade de Russas aqui pertinho. Ele tinha dois barcos. Todo dia eram 15 e 20 quilos de peixes por ai. Às vezes 30 quilos! Aqui todo pescador ou comerciante tinha dinheiro no bolso. Uma movimentação de gente de todo canto do Ceará”, relata.
Os bons tempos também são lembrados pelo pescador e comerciante Francisco Alves de 55 anos. Ele conta que nos tempos áureos do Castanhão ele costumava retirar das águas do açude 100 quilos de tilápia por semana. Hoje conta desapontado que não retira 10 quilos.
Sem a pescaria Seu Francisco afirma que ele busca outras alternativas de trabalho. A mais procurada é de serviços gerais. “Sem a pescaria, não só eu como outros pescadores mudaram de ramo. Eu por exemplo vou trabalhar como serviços gerais. Vou esfregar chão e limpar banheiros da gente fina daqui da cidade. É buscar alternativas. Se for contar só com açude estamos perdidos. Vamos passar fome”.
O agricultor José Mendes Pedrosa de 62 anos lamenta o período de seca vivido no Açude Castanhão. "Onde havia água, aquela imensidão azul sem fim ficou só poeira. Tudo marrom e escuro. Tudo seco. Sem vida. A terra rachada torna ainda mais difícil não só a criação de peixes como os de rebanhos. Não temos água e os campos estão secos", disse.
Comércio A crise do Castanhão também afeta diretamente o comércio no Centro de Nova Jaguaribara. (Foto: Gioras Xerez/G1 Ceará)
A crise do Castanhão também afeta diretamente o comércio de Nova Jaguaribara, que amarga o prejuízo dos clientes que deixaram a cidade. A gerente de supermercado Rosângela Jales diz que há sete anos havia muito emprego na cidade. Ela conta que vieram para Nova Jaguaribara centenas de criadores. Muitos dos estados da Paraíba, Maranhão, Piauí e Pernambuco.
"Os empresários de peixes construíram criadores de tilápia. Tinham muitos empregados, coisa de por baixo dez ou 15 funcionários [pescadores] por setor de criação. Era bom para gente, visto que as cestas básicas eles compravam aqui. Com a crise, a seca, tudo acabou, eles foram embora e só deixaram dívidas."
A gerente afirma que atualmente os comerciantes locais "dançam conforme a música" para não fechar as portas. Segredo, segundo a comerciante, é diminuir os preços e não explorar o consumidor. "Nosso lema é vender tudo com preços que praticamente não nos proporcionam lucros. Se fomos pensar em lucros, vamos quebrar".
Volume morto Com a seca muitos criadores deixaram Nova Jaguaribara. Açude Castanhão vive seu pior momento desde a sua criação. (Foto: Gioras Xerez/G1 Ceará)
Com 3,15% de capacidade de armazenamento, o mais baixo nível já registrado, o açude Castanhão, responsável pelo abastecimento de Fortaleza e Região Metropolitana, entra no chamado volume morto, de acordo com nota emitida de Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs), responsável pela administração do reservatório.
Segundo o órgão, em 13 de novembro o Castanhão "atingiu cota de 68,73, que corresponde ao volume de 228 milhões de m³, abaixo da cota 71, que corresponde ao início de seu volume morto". Por conta da estiagem, há seis anos o Castanhão não recebe quantidade suficiente de água para recompor o reservatório.
O volume morto – também chamado de reserva técnica – é a água que fica abaixo do nível de captação dos reservatórios, não programada para ser usada no cotidiano e funciona como reserva para casos emergenciais.
O açude tem capacidade para 308,71 hm3 de água, o suficiente para abastecer uma cidade como Fortaleza por três anos. O Ceará sofre com chuvas abaixo da média por seis anos seguidos, ocasionando a mais grave estiagem registrada no estado nos últimos 100 anos.
Pelos cálculos da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do estado (Cogerh),a quantidade de água atualmente armazenada deve ser suficiente para manter os usos do açude, que já estão reduzidos, até por volta de janeiro de 2018.
A fartura e o prato cheio são relembrados pelo pescador e comerciante José Ubiratan da Silva, de 42 anos. José conta com entusiasmo como o Castanhão o ajudou a construir uma boa casa na Vila Marizeira, em Nova Jaguaribara. “Tudo que tenho hoje, o que vocês estão vendo aqui, uma boa casa para o padrão daqui, foi construído graças à pescaria no Castanhão”, conta, satisfeito e orgulhoso.
José Ubiratan relata que no auge do Castanhão, em um mês, faturava até R$ 4 mil com a pesca. "Era uma abundância sem fim. Muito cará, pescada, traíra, pirambeba e tilápia. Até camarão! Eu lucrava algo em torno de R$ 3 mil e R$ 4 mil por mês. Muito peixe, muita alegria. Vinha gente de longe comprar peixe aqui. Gente da Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco", conta.
Com a seca que já dura seis anos e é a mais grave estiagem do Nordeste, Ubiratan tenta driblar a crise ainda com a pescaria no açude e na pecuária em alguns momentos. Com tristeza ele diz que atualmente agradece a Deus por conseguir R$ 500 por mês. Segundo ele, esse valor é poucas vezes conquistado nos últimos três anos de seca. "A pescaria virou até um pesadelo."
Com a seca que já dura seis anos e é a mais grave estiagem do Nordeste, Ubiratan tenta driblar a crise ainda com a pescaria no açude e na pecuária em alguns momentos. Com tristeza ele diz que atualmente agradece a Deus por conseguir R$ 500 por mês. Segundo ele, esse valor é poucas vezes conquistado nos últimos três anos de seca. "A pescaria virou até um pesadelo."
"Dá uma frustração na gente, sabe? Tirar para você uns R$ 4 mil e agora pegar R$ 300 ou R$ 500 por mês deixa você sem esperanças. Temos que seguir em frente e trabalhar com o que Deus nos reserva e proporciona."
O Castanhão foi criado em 2002 inundando a cidade de Jaguaribara. Os moradores do antigo município se deslocaram para uma região próxima, fundando a cidade de Nova Jaguaribara. Com a seca e redução no volume do açude, as ruínas da antiga Jaguaribara estão expostas desde 2013. O reservatório recebeu carga máxima pela primeira vez em 2004 e nunca havia atingido o volume morto.
Mesmo com a crise, a possibilidade de racionamento está descartada. "A capitação continua ocorrendo normalmente, mas com algumas preocupações.
O volume [de água do Castanhão] tem decrescido diariamente em um milhão de metros cúbicos e isso é preocupante", diz o técnico do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs) Fernando Pimentel.
Antes a fartura. Hoje o pescador Ubiratan mostra o pouco de peixe que guarda na geladeira de casa. (Foto: Gioras Xerez/G1 Ceará)
Em busca de soluções
Em busca de soluções
Uma das alternativas de José Ubiratan é a construção de um criadouro de peixes no quintal de casa e conseguir ter fartura mesmo em tempos de seca. Apesar das dificuldades, ele planeja a meta para o próximo. "Meu objetivo é fazer um tanque para criar peixes: tilápia. Armazenar um tanque com duas mil tilápias com 30 mil litros de água", diz entusiasmado.
Para conseguir renda e realização o sonho, Ubiratan não pode mais contar exclusivamente com a pesca e tem que recorrer a trabalhos extras. “Acordo às 4h. Vou para o açude. Deixo as redes e retorno por volta das 7h. Verifico se há peixes. Quando tenho sorte pego alguma coisa e retorno. Se não existem peixes, eu deixo a rede lá, todo o material. Vou para cidade, tento a sorte com outra coisa, com algum serviço geral. Aí retorno para o açude no fim da tarde. Se for um dia iluminado, pego sete quilos de peixe”.
Sobre o futuro do açude Ubiratan é prático. Na opinião dele, se não chover ou se as autoridades não buscarem uma alternativa, haverá um êxodo de moradores para outras regiões. "Sonhar para chover. Torcer para chover. Não existe alternativa. Pedir para os governantes buscarem uma solução. Se secar tudo de vez não tem como sobreviver aqui, pois sem peixes, não existe comércio e aqui tudo está fraco, tudo está morrendo", conta olhando para um saco com algumas tilápias congeladas retiradas da geladeira.
'Peixes nos pés' Cenário desolador. Açude que proporcionava lucro e emprego para municípios hoje espera boas chuvas para não morrer. (Foto: Gioras Xerez/G1 Ceará)
Outro que lamenta a longa estiagem e com a falta de água no Castanhão é o pescador Otacílio Júlio Silva, de 76 anos. Natural de Jaguaribe, cidade próxima de Jaguaribara, lembra com entusiasmo a época em que os peixes caíam nos pés dos pescadores. "Os peixes caíam nos nossos pés. Nos bons tempos do Rio Jaguaribe, sem brincadeira, eles [peixes] pulavam para dentro do barco da gente. Lembro como fosse hoje meu pai pegando os peixes e antes de colocá-los no samburá [cesta para colocar os peixes] ele os beijava", lembra.
Seu Otacílio como é conhecido na Vila Marizeira diz que no Castanhão não era diferente. Muita abundância e fartura. “Eu trabalhava para um senhor da cidade de Russas aqui pertinho. Ele tinha dois barcos. Todo dia eram 15 e 20 quilos de peixes por ai. Às vezes 30 quilos! Aqui todo pescador ou comerciante tinha dinheiro no bolso. Uma movimentação de gente de todo canto do Ceará”, relata.
Os bons tempos também são lembrados pelo pescador e comerciante Francisco Alves de 55 anos. Ele conta que nos tempos áureos do Castanhão ele costumava retirar das águas do açude 100 quilos de tilápia por semana. Hoje conta desapontado que não retira 10 quilos.
“O trabalho não faltava. Eu levava sempre alguém comigo porque uma pessoa não dava conta. Era muito peixe, fartura de tudo. Tirávamos 100 quilos de peixe por semana e íamos vender aqui nas feiras da cidade e em municípios vizinhos. Hoje o peixe do açude praticamente é só para a nossa alimentação. O que sobra quando aparece nós vendemos para a feira daqui mesmo”.
Sem a pescaria Seu Francisco afirma que ele busca outras alternativas de trabalho. A mais procurada é de serviços gerais. “Sem a pescaria, não só eu como outros pescadores mudaram de ramo. Eu por exemplo vou trabalhar como serviços gerais. Vou esfregar chão e limpar banheiros da gente fina daqui da cidade. É buscar alternativas. Se for contar só com açude estamos perdidos. Vamos passar fome”.
O agricultor José Mendes Pedrosa de 62 anos lamenta o período de seca vivido no Açude Castanhão. "Onde havia água, aquela imensidão azul sem fim ficou só poeira. Tudo marrom e escuro. Tudo seco. Sem vida. A terra rachada torna ainda mais difícil não só a criação de peixes como os de rebanhos. Não temos água e os campos estão secos", disse.
Comércio A crise do Castanhão também afeta diretamente o comércio no Centro de Nova Jaguaribara. (Foto: Gioras Xerez/G1 Ceará)
A crise do Castanhão também afeta diretamente o comércio de Nova Jaguaribara, que amarga o prejuízo dos clientes que deixaram a cidade. A gerente de supermercado Rosângela Jales diz que há sete anos havia muito emprego na cidade. Ela conta que vieram para Nova Jaguaribara centenas de criadores. Muitos dos estados da Paraíba, Maranhão, Piauí e Pernambuco.
"Os empresários de peixes construíram criadores de tilápia. Tinham muitos empregados, coisa de por baixo dez ou 15 funcionários [pescadores] por setor de criação. Era bom para gente, visto que as cestas básicas eles compravam aqui. Com a crise, a seca, tudo acabou, eles foram embora e só deixaram dívidas."
A gerente afirma que atualmente os comerciantes locais "dançam conforme a música" para não fechar as portas. Segredo, segundo a comerciante, é diminuir os preços e não explorar o consumidor. "Nosso lema é vender tudo com preços que praticamente não nos proporcionam lucros. Se fomos pensar em lucros, vamos quebrar".
Volume morto Com a seca muitos criadores deixaram Nova Jaguaribara. Açude Castanhão vive seu pior momento desde a sua criação. (Foto: Gioras Xerez/G1 Ceará)
Com 3,15% de capacidade de armazenamento, o mais baixo nível já registrado, o açude Castanhão, responsável pelo abastecimento de Fortaleza e Região Metropolitana, entra no chamado volume morto, de acordo com nota emitida de Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs), responsável pela administração do reservatório.
Segundo o órgão, em 13 de novembro o Castanhão "atingiu cota de 68,73, que corresponde ao volume de 228 milhões de m³, abaixo da cota 71, que corresponde ao início de seu volume morto". Por conta da estiagem, há seis anos o Castanhão não recebe quantidade suficiente de água para recompor o reservatório.
O volume morto – também chamado de reserva técnica – é a água que fica abaixo do nível de captação dos reservatórios, não programada para ser usada no cotidiano e funciona como reserva para casos emergenciais.
O açude tem capacidade para 308,71 hm3 de água, o suficiente para abastecer uma cidade como Fortaleza por três anos. O Ceará sofre com chuvas abaixo da média por seis anos seguidos, ocasionando a mais grave estiagem registrada no estado nos últimos 100 anos.
Pelos cálculos da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do estado (Cogerh),a quantidade de água atualmente armazenada deve ser suficiente para manter os usos do açude, que já estão reduzidos, até por volta de janeiro de 2018.
Após essa data a situação será reavaliada considerando os prognósticos do período chuvoso do Ceará, que começa em fevereiro e se estende até maio.
A população que um dia viveu da abundância de peixes e um comércio próspero, hoje buscas alternativas para tirar o sustento diário. (Foto: Gioras Xerez/G1 Ceará)
AUTOR: G1
AUTOR: G1
quarta-feira, 22 de novembro de 2017
CEARÁ TEM QUASE 25% DE ÁREA EM SECA INTENSA
Foto: Matheus Dantas/O POVO
Ou seja, quase um quarto do território do Ceará está com estiagem intensa. Em agosto, antes dos meses com menos chuvas, a situação atingia 5,28% do território.
O dado é do Monitor das Secas do Nordeste e foi publicado ontem pela Agência Nacional de Águas (ANA) com informações da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac).
De acordo com a Funceme, a classificação de seca excepcional é feita em áreas onde ocorrem perdas de cultura e escassez de água nos reservatórios, córregos e poços, criando situações de emergência. Embora o aumento tenha sido significativo nos últimos meses, a área de seca excepcional em 2017 ainda é menor que a do ano passado.
O dado é do Monitor das Secas do Nordeste e foi publicado ontem pela Agência Nacional de Águas (ANA) com informações da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac).
De acordo com a Funceme, a classificação de seca excepcional é feita em áreas onde ocorrem perdas de cultura e escassez de água nos reservatórios, córregos e poços, criando situações de emergência. Embora o aumento tenha sido significativo nos últimos meses, a área de seca excepcional em 2017 ainda é menor que a do ano passado.
Em 2016, neste mesmo período, ela correspondia a mais da metade do Estado (55,49%), segundo a Funceme.
O levantamento, que é feito mensalmente, aponta ainda que as consequências dessa seca são de curto e longo prazos, com efeitos presentes tanto em um período de três meses quanto de dois anos. No Ceará, a mancha de estiagem mais intensa era de 10,75% em setembro. Em um mês, o aumento foi de 128%. A área onde pode ser observado aumento dessa faixa está principalmente saindo do sudoeste do Ceará partindo para o centro e, também, em direção ao sudeste.
É onde estão as regiões do Cariri, Sertão Central e dos Inhamuns. Os municípios mais afetados são Campos Sales, Assaré, Farias Brito, Crato, Milagres, Várzea Alegre, Missão Velha, Juazeiro do Norte e Iguatu.
Na região Norte, onde a estiagem é mais branda, houve uma expansão da área de seca moderada.
“No caso do Ceará, a situação da porção Centro-Sul nada mais é do que o impacto desta grande seca e fruto do 6º ano de chuvas abaixo da média. Portanto, ao chegar ao segundo semestre, a severidade da seca aumenta porque são meses de maior evaporação”, explica, via assessoria de imprensa, Francisco Teixeira, secretário de Recursos Hídricos. Chuvas e açudes
Os dados preliminares da Funceme indicam que a pré-estação chuvosa pode superar a média histórica. Com pouco mais de dois terços de novembro corridos, choveu no Ceará 5,4 milímetros (mm), valor próximo aos 5,8 mm da série histórica.
“Se as chuvas da pré-estação vierem a ocorrer em torno da normal climatológica de dezembro, espera-se uma redução para uma situação menos crítica no Sul do Estado, principalmente no Cariri cearense”, afirma Raul Fritz, supervisor da unidade de Tempo e Clima da Funceme.
Atualmente, os reservatórios do Ceará têm 8,2% da capacidade. Maior açude do Estado e principal abastecedor da Região Metropolitana, o Castanhão está com 3,3% do volume.
Números
10,7% do território cearense se encontrava em seca excepcional no fim de setembro
AUTOR: O POVO
Na região Norte, onde a estiagem é mais branda, houve uma expansão da área de seca moderada.
“No caso do Ceará, a situação da porção Centro-Sul nada mais é do que o impacto desta grande seca e fruto do 6º ano de chuvas abaixo da média. Portanto, ao chegar ao segundo semestre, a severidade da seca aumenta porque são meses de maior evaporação”, explica, via assessoria de imprensa, Francisco Teixeira, secretário de Recursos Hídricos. Chuvas e açudes
Os dados preliminares da Funceme indicam que a pré-estação chuvosa pode superar a média histórica. Com pouco mais de dois terços de novembro corridos, choveu no Ceará 5,4 milímetros (mm), valor próximo aos 5,8 mm da série histórica.
“Se as chuvas da pré-estação vierem a ocorrer em torno da normal climatológica de dezembro, espera-se uma redução para uma situação menos crítica no Sul do Estado, principalmente no Cariri cearense”, afirma Raul Fritz, supervisor da unidade de Tempo e Clima da Funceme.
Atualmente, os reservatórios do Ceará têm 8,2% da capacidade. Maior açude do Estado e principal abastecedor da Região Metropolitana, o Castanhão está com 3,3% do volume.
Números
10,7% do território cearense se encontrava em seca excepcional no fim de setembro
AUTOR: O POVO
sábado, 9 de setembro de 2017
FUNCEME ALERTA: 100% DO TERRITÓRIO CEARENSE CORRE RISCO DE DESERTIFICAÇÃO
Ceará sofre com seca prologanda, o que agrava a situação da desertificação (Foto: José dos Santos/Arquivo pessoal)
Com 100% do território suscetível à desertificação, o Ceará é o único estado da federação que pode se tornar completamente infértil se não houver um trabalho de recuperação das áreas em situação mais crítica.
A desertificação é definida pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação como sendo a degradação de terras, nas zonas áridas, semiáridas e subúmidas secas. O fenômeno é resultante de diversos fatores, entre eles as variações climáticas e atividades humanas.
Mapeamento atualizado do território cearense realizado em 2016 constatou que 17.042 km², equivalentes a 11,45% do estado, estão fortemente degradados e suscetíveis à desertificação, segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Para Margareth Carvalho, gerente do Núcleo de Recursos e Meio Ambiente da Funceme, a recuperação dessas áreas é, em tese, possível. "Para isso, precisamos de políticas públicas que tratem de manejo e conservação do solo", acredita.
Os cinco anos de seca contribuíram, fortemente, para o agravamento da situação. “Em 2013, contabilizamos mais de 30 mil açudes pequenos, de até meio hectare. Três anos depois, em 2016, o número desses açudes caiu para menos de 18 mil”, relata Margareth Carvalho. Segundo ela, o reservatório cria um ambiente mais úmido que contém o solo, diminuindo o processo de erosão e permitindo agricultura de subsistência.
Outro fator que agrava a qualidade do solo é a queimada, quando o agricultor põe fogo na mata para realizar plantio ou fazer pastagem. O processo, além de destruir a vegetação, retira a camada orgânica do solo, deixando-o mais pobre em nutrientes.
No período de ventos fortes no Ceará, de julho a novembro, o fogo pode ser alastrar facilmente destruindo grandes áreas da caatinga. Por essa razão, a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) suspendeu, até o fim de dezembro, as queimadas controladas no Ceará a fim de proteger a cobertura florestal da caatinga. Em laranja estão as áreas fortemente degradas e em processo de desertificação. As demais áreas do estado são suscetíveis à desertificação. (Foto: Funceme/Divulgação)
Segundo o Programa de Ação Estadual de Combate à Desertificação (PAE), foram classificadas como áreas suscetíveis à desertificação, as que possuem degradação da cobertura vegetal, assoreamento dos rios, pastoreio excessivo, perda da biodiversidade, perda da capacidade produtiva do solo, baixa relação entre capacidade produtiva dos recursos naturais e a sua capacidade de recuperação. As áreas apontadas como mais suscetíveis à desertificação no Ceará são Sertões dos Inhamuns, Sertões de Irauçuba, Centro Norte e os Sertões do Médio Jaguaribe.
Em 2009, estudo do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), identifica 15 municípios do Ceará com maior propensão à desertificação: Canindé, Morada Nova, Catarina, São João do Jaguaribe, Ibicuitinga, Itatira, Umari, Deputado Irapuan Pinheiro, Acopiara, Madalena, Quixadá, Ocara, Palhano, Ibaretama e Paramoti.
Brasil Prática de queimadas, comum no interior do Ceará, agrava ainda mais o problema da desertificação (Foto: Ellyo Teixeira / G1)
No Brasil as Áreas Susceptíveis à Desertificação (ASD) possuem uma extensão de 1.340.863 km² e contam com uma população de 34 milhões de pessoas, onde 50% delas estão abaixo da linha da pobreza.
São, ao todo, 1.494 municípios em 11 estados da Federação. Mapeamento realizado pela Funceme identificou que 70,5 mil km² dessa área já estão na categoria de Fortemente Degradado, onde já está comprometida a produção agrícola, e a produtividade dos recursos naturais é muito baixa, com profundo reflexo sobre a capacidade de suporte para a vida humana e animal.
Vários fatores contribuem para a desertificação e, segundo especialistas, o processo ocorre, principalmente em áreas com grande índice de pobreza. Os fatores apontam para uma correlação negativa entre os índices de propensão à desertificação e o Índice de Desenvolvimento Municipal (IDM) - e seus subíndices.
Entre as principais causas para a desertificação de uma área estão:
Uso intensivo da terra até a exaustão, sem preocupar-se em repor os elementos assimilados pelas plantas: não há um tempo do pousio adequado;
Sobrepastoreio: uso da terra com uma população animal acima de sua capacidade de suporte o que provoca ainda, a compactação do solo;
Desmatamento: deixando o solo totalmente desprotegido e favorecendo a erosão;
Queimadas que destroem a microfauna e as matérias orgânicas do solo;
Extrativismo de madeira para a produção de lenha feito de modo predatório;
Manejo e utilização com lavouras com a utilização de implementos agrícolas inadequados e plantação realizadas morro abaixo;
Irrigação: provocando a salinização e alcalinização do solo, por capilaridade, agravado pelos balanços hídricos negativos na maior parte do ano;
Mineração, por se tratar de atividade predatória, devasta todo o ambiente em volta;
Densidade populacional: cerca de 28hab./km² (uma das mais elevadas, tomando-se por base outras regiões semiáridas).
Consequências
Entre os efeitos da desertificação sobre a fertilidade do solo, estão a baixa qualidade e disponibilidade dos recursos hídricos, que compromete a produtividade das culturas; a quantidade de terra arável; a produção de alimentos para subsistência e comercialização; agravamento de problemas sociais como desemprego, baixo nível de renda e êxodo rural, ocasionando a condição de pobreza.
Também são consequências da desertificação:
Queda na produção, determinada pela perda da matéria orgânica e nutrientes da camada superficial do solo e diminuição da água útil;
Perda da biodiversidade, uma vez que só plantas e animais mais rústicos e resistentes sobrevivem em condições tão desfavoráveis;
Agravamento dos problemas sociais pela perda da renda da aquicultura;
Migração, resultando em um maior número de favelas, aliada à incapacidade das cidades de prestar serviços básicos a esta população;
Perda de solos por erosão, que destrói as estruturas (areias, argilas, óxidos e húmus) que compõem o solo, contribuindo para o processo de desertificação;
Assoreamento: fenômeno já bem observável em nossos reservatórios, intensificado pela remoção da vegetação das margens dos reservatórios;
Aumento das secas edáficas. Como o solo é um sistema poroso que armazena água, na medida em que se diminui sua espessura (devido a erosão) ele armazena menos água.
AUTOR: G1
Com 100% do território suscetível à desertificação, o Ceará é o único estado da federação que pode se tornar completamente infértil se não houver um trabalho de recuperação das áreas em situação mais crítica.
A desertificação é definida pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação como sendo a degradação de terras, nas zonas áridas, semiáridas e subúmidas secas. O fenômeno é resultante de diversos fatores, entre eles as variações climáticas e atividades humanas.
Mapeamento atualizado do território cearense realizado em 2016 constatou que 17.042 km², equivalentes a 11,45% do estado, estão fortemente degradados e suscetíveis à desertificação, segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Para Margareth Carvalho, gerente do Núcleo de Recursos e Meio Ambiente da Funceme, a recuperação dessas áreas é, em tese, possível. "Para isso, precisamos de políticas públicas que tratem de manejo e conservação do solo", acredita.
Os cinco anos de seca contribuíram, fortemente, para o agravamento da situação. “Em 2013, contabilizamos mais de 30 mil açudes pequenos, de até meio hectare. Três anos depois, em 2016, o número desses açudes caiu para menos de 18 mil”, relata Margareth Carvalho. Segundo ela, o reservatório cria um ambiente mais úmido que contém o solo, diminuindo o processo de erosão e permitindo agricultura de subsistência.
Outro fator que agrava a qualidade do solo é a queimada, quando o agricultor põe fogo na mata para realizar plantio ou fazer pastagem. O processo, além de destruir a vegetação, retira a camada orgânica do solo, deixando-o mais pobre em nutrientes.
No período de ventos fortes no Ceará, de julho a novembro, o fogo pode ser alastrar facilmente destruindo grandes áreas da caatinga. Por essa razão, a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) suspendeu, até o fim de dezembro, as queimadas controladas no Ceará a fim de proteger a cobertura florestal da caatinga. Em laranja estão as áreas fortemente degradas e em processo de desertificação. As demais áreas do estado são suscetíveis à desertificação. (Foto: Funceme/Divulgação)
Segundo o Programa de Ação Estadual de Combate à Desertificação (PAE), foram classificadas como áreas suscetíveis à desertificação, as que possuem degradação da cobertura vegetal, assoreamento dos rios, pastoreio excessivo, perda da biodiversidade, perda da capacidade produtiva do solo, baixa relação entre capacidade produtiva dos recursos naturais e a sua capacidade de recuperação. As áreas apontadas como mais suscetíveis à desertificação no Ceará são Sertões dos Inhamuns, Sertões de Irauçuba, Centro Norte e os Sertões do Médio Jaguaribe.
Em 2009, estudo do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), identifica 15 municípios do Ceará com maior propensão à desertificação: Canindé, Morada Nova, Catarina, São João do Jaguaribe, Ibicuitinga, Itatira, Umari, Deputado Irapuan Pinheiro, Acopiara, Madalena, Quixadá, Ocara, Palhano, Ibaretama e Paramoti.
Brasil Prática de queimadas, comum no interior do Ceará, agrava ainda mais o problema da desertificação (Foto: Ellyo Teixeira / G1)
No Brasil as Áreas Susceptíveis à Desertificação (ASD) possuem uma extensão de 1.340.863 km² e contam com uma população de 34 milhões de pessoas, onde 50% delas estão abaixo da linha da pobreza.
São, ao todo, 1.494 municípios em 11 estados da Federação. Mapeamento realizado pela Funceme identificou que 70,5 mil km² dessa área já estão na categoria de Fortemente Degradado, onde já está comprometida a produção agrícola, e a produtividade dos recursos naturais é muito baixa, com profundo reflexo sobre a capacidade de suporte para a vida humana e animal.
Vários fatores contribuem para a desertificação e, segundo especialistas, o processo ocorre, principalmente em áreas com grande índice de pobreza. Os fatores apontam para uma correlação negativa entre os índices de propensão à desertificação e o Índice de Desenvolvimento Municipal (IDM) - e seus subíndices.
Entre as principais causas para a desertificação de uma área estão:
Uso intensivo da terra até a exaustão, sem preocupar-se em repor os elementos assimilados pelas plantas: não há um tempo do pousio adequado;
Sobrepastoreio: uso da terra com uma população animal acima de sua capacidade de suporte o que provoca ainda, a compactação do solo;
Desmatamento: deixando o solo totalmente desprotegido e favorecendo a erosão;
Queimadas que destroem a microfauna e as matérias orgânicas do solo;
Extrativismo de madeira para a produção de lenha feito de modo predatório;
Manejo e utilização com lavouras com a utilização de implementos agrícolas inadequados e plantação realizadas morro abaixo;
Irrigação: provocando a salinização e alcalinização do solo, por capilaridade, agravado pelos balanços hídricos negativos na maior parte do ano;
Mineração, por se tratar de atividade predatória, devasta todo o ambiente em volta;
Densidade populacional: cerca de 28hab./km² (uma das mais elevadas, tomando-se por base outras regiões semiáridas).
Consequências
Entre os efeitos da desertificação sobre a fertilidade do solo, estão a baixa qualidade e disponibilidade dos recursos hídricos, que compromete a produtividade das culturas; a quantidade de terra arável; a produção de alimentos para subsistência e comercialização; agravamento de problemas sociais como desemprego, baixo nível de renda e êxodo rural, ocasionando a condição de pobreza.
Também são consequências da desertificação:
Queda na produção, determinada pela perda da matéria orgânica e nutrientes da camada superficial do solo e diminuição da água útil;
Perda da biodiversidade, uma vez que só plantas e animais mais rústicos e resistentes sobrevivem em condições tão desfavoráveis;
Agravamento dos problemas sociais pela perda da renda da aquicultura;
Migração, resultando em um maior número de favelas, aliada à incapacidade das cidades de prestar serviços básicos a esta população;
Perda de solos por erosão, que destrói as estruturas (areias, argilas, óxidos e húmus) que compõem o solo, contribuindo para o processo de desertificação;
Assoreamento: fenômeno já bem observável em nossos reservatórios, intensificado pela remoção da vegetação das margens dos reservatórios;
Aumento das secas edáficas. Como o solo é um sistema poroso que armazena água, na medida em que se diminui sua espessura (devido a erosão) ele armazena menos água.
AUTOR: G1
quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
AÇUDES DO CEARÁ TÊM ACENTUADO RISCO DE ESGOTAMENTO ATÉ O FIM DO ANO
Reservatórios do Ceará têm hoje 6,3% de volume. Na foto, o açude Cedro, em Quixadá, neste mês
Prolongamento de estiagem, com acentuado risco de esgotamento, entre novembro deste ano e janeiro de 2018, da água armazenada em reservatórios, que hoje somam 6,3% de volume. Esse é o prognóstico meteorológico para o Ceará, de acordo com o Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). O documento que resume as condições atuais, divulgado nesta semana, exibe cenário em que a probabilidade de chuvas abaixo da média chega a 40%, na média, a 35% , acima, a 25%.
A justificativa já é conhecida: o afastamento do fenômeno La Niña. E a possibilidade de esvaziamento de açudes e barragens abrange também os estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. “Neste mesmo cenário, projeta-se impacto severo nas condições para agricultura e pecuária durante o período chuvoso principal”, descreve o texto feito em conjunto pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A previsão contou com a apresentação do quadro de reserva hídrica de médios e grandes açudes nordestinos pela Agência Nacional das Águas (ANA).
O sul do Ceará deve ser a região mais afetada. Duas variáveis positivas, entretanto, também fizeram parte da análise. Uma delas considera fenômenos em posição intermediária entre padrões precursores de seca e de chuvas abundantes. A segunda, mais relevante para o Estado, foi o aumento da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) no Atlântico Sul, paralelo à diminuição no Atlântico Norte.
A conclusão é a de que, se este padrão se mantiver, haverá mais chances de a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) contribuir para chuvas no norte nordestino no fim do período chuvoso.
Para amenizar os efeitos de um possível sexto ano de seca, é aguardada a transposição do rio São Francisco. Arrastando-se há anos, em 2016 a promessa do Governo Federal era de que a obra traria água ao Ceará até setembro deste ano.
“O padrão (descrito no documento) já não se manteve tão bem ao longo desta semana”, comentou o meteorologista da Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme), Raul Fritz. Mas ele ponderou que “uma semana não pode representar uma variação permanente”.
A atual instabilidade oceânica tem sido pesquisada pelo mundo. A dinâmica de circulação das águas, a temperatura e o acúmulo da energia do sol são alguns fatores ainda incompreendidos. Conforme Fritz, alguns cientistas consideram que o oceano absorve o aquecimento atmosférico.
Fritz explicou que os órgãos de meteorologia usam modelos e analisam regiões diferenciadas, por isso alguns resultados podem ser diferentes — de acordo com a Funceme, a probabilidade de chuvas na média histórica seria de 60%. “Mas nós pedimos pra aguardarem o segundo prognóstico. Principalmente com a evolução da temperatura da água do mar do Atlântico, que acontece até fevereiro. Ela vai ser determinante e tem variado muito”, ressaltou.
AUTOR: O POVO
Prolongamento de estiagem, com acentuado risco de esgotamento, entre novembro deste ano e janeiro de 2018, da água armazenada em reservatórios, que hoje somam 6,3% de volume. Esse é o prognóstico meteorológico para o Ceará, de acordo com o Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). O documento que resume as condições atuais, divulgado nesta semana, exibe cenário em que a probabilidade de chuvas abaixo da média chega a 40%, na média, a 35% , acima, a 25%.
A justificativa já é conhecida: o afastamento do fenômeno La Niña. E a possibilidade de esvaziamento de açudes e barragens abrange também os estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. “Neste mesmo cenário, projeta-se impacto severo nas condições para agricultura e pecuária durante o período chuvoso principal”, descreve o texto feito em conjunto pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A previsão contou com a apresentação do quadro de reserva hídrica de médios e grandes açudes nordestinos pela Agência Nacional das Águas (ANA).
O sul do Ceará deve ser a região mais afetada. Duas variáveis positivas, entretanto, também fizeram parte da análise. Uma delas considera fenômenos em posição intermediária entre padrões precursores de seca e de chuvas abundantes. A segunda, mais relevante para o Estado, foi o aumento da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) no Atlântico Sul, paralelo à diminuição no Atlântico Norte.
A conclusão é a de que, se este padrão se mantiver, haverá mais chances de a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) contribuir para chuvas no norte nordestino no fim do período chuvoso.
Para amenizar os efeitos de um possível sexto ano de seca, é aguardada a transposição do rio São Francisco. Arrastando-se há anos, em 2016 a promessa do Governo Federal era de que a obra traria água ao Ceará até setembro deste ano.
“O padrão (descrito no documento) já não se manteve tão bem ao longo desta semana”, comentou o meteorologista da Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme), Raul Fritz. Mas ele ponderou que “uma semana não pode representar uma variação permanente”.
A atual instabilidade oceânica tem sido pesquisada pelo mundo. A dinâmica de circulação das águas, a temperatura e o acúmulo da energia do sol são alguns fatores ainda incompreendidos. Conforme Fritz, alguns cientistas consideram que o oceano absorve o aquecimento atmosférico.
Fritz explicou que os órgãos de meteorologia usam modelos e analisam regiões diferenciadas, por isso alguns resultados podem ser diferentes — de acordo com a Funceme, a probabilidade de chuvas na média histórica seria de 60%. “Mas nós pedimos pra aguardarem o segundo prognóstico. Principalmente com a evolução da temperatura da água do mar do Atlântico, que acontece até fevereiro. Ela vai ser determinante e tem variado muito”, ressaltou.
O POVO tentou, ontem à tarde, contato com o Cemaden, com o Inpe e com a Secretaria dos Recursos Hídricos do Ceará. As ligações não foram atendidas.
AUTOR: O POVO
sábado, 3 de dezembro de 2016
EM QUIXADÁ (CE): AÇUDE CEDRO ENFRENTA CONSEQUÊNCIAS DA SECA
Rachaduras cobrem a maior parte do território que antes estava submerso no Cedro/JOSÉ AUGUSTO TORRES FILHO /ESPECIAL PARA O POVO
A primeira grande obra hidráulica moderna da América do Sul perdeu a função. Ao menos até o próximo inverno — se ele for bom —, já não há água para o açude Cedro, em Quixadá (no Sertão Central), armazenar. Após cinco anos consecutivos de estiagem no Ceará, o recurso que sobrou está misturado à lama e representa 0,2% da capacidade do equipamento. Rachaduras cobrem a maior parte do que antes estava submerso. Da base ao topo, a barragem pode ser vista em seus 20 metros de profundidade e mais de 400 metros de extensão.
Mesmo quando cheio, as águas do reservatório não são usadas para abastecimento da população, atendida pelo açude Pedras Brancas. Entre moradores da região e técnicos em gestão hídrica há consenso: isso garantiu que ainda houvesse água até este ano. “Já era previsto que iria esvaziar. Tanto que foi liberada a pesca para tirar os peixes que já iriam morrer (sem água)”, explica José Cláudio, secretário do Comitê de Bacias do Banabuiú.
De acordo com Edelson Santos, 29, presidente da Associação de Moradores do Açude do Cedro, a medida amenizou, mas os problemas enfrentados pela população permanecem. “Ainda tem muita morte de peixe, de tartaruga… O açude está assoreado”, aponta. Segundo ele, quem vivia do turismo ou da pesca está fazendo “malabarismo para sobreviver”. “Ele seco até é um atrativo, mas os turistas vêm e vão embora. Não ficam, não consomem, não tem banho”, resume.
A alternativa encontrada pelo comerciante Robério dos Santos, 52, para manter o restaurante que gerencia foi comprar pescados do Castanhão. Ele explica que o nível do reservatório se manteve até março, mas a situação piorou nos meses seguintes. A esperança do comerciante é a próxima quadra chuvosa. “Pode ser que seja um inverno bom”.
Desde setembro, o nível do Cedro se mantém em 0,2% da capacidade total. O cenário é o pior registrado pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) desde 2004, desde quando os dados estão disponíveis. O pior registro até então tinha sido em janeiro de 2009, quando o açude tinha 2,6% da capacidade total.
História
Criado no período Imperial, por dom Pedro II, o projeto do Cedro foi a medida tomada em resposta à seca entre os anos de 1877 e 1879. A obra, iniciada em 1890, viu a República ser implantada no Brasil antes de ser concluída, em 1906. Eduardo Segundo, coordenador estadual do Departamento Nacional das Obras Contra as Secas (Dnocs) no Ceará, destaca o pioneirismo do equipamento nas obras de convivência e combate à seca.Contudo, ele aponta que o projeto perdeu parte das funções ao longo dos séculos com o crescimento da população. “Construíram muito grande, tanto que poucas vezes sangrou”, explica. (Igor Cavalcante)
Mobilização
O governador Camilo Santana (PT) realiza, na manhã de hoje, encontro sobre a convivência com a seca e a transposição de águas do rio São Francisco. A obra é aguardada pelo Ceará desde a primeira metade do século XIX. O prazo de conclusão foi adiado para setembro do próximo ano.
AUTOR: O POVO
A primeira grande obra hidráulica moderna da América do Sul perdeu a função. Ao menos até o próximo inverno — se ele for bom —, já não há água para o açude Cedro, em Quixadá (no Sertão Central), armazenar. Após cinco anos consecutivos de estiagem no Ceará, o recurso que sobrou está misturado à lama e representa 0,2% da capacidade do equipamento. Rachaduras cobrem a maior parte do que antes estava submerso. Da base ao topo, a barragem pode ser vista em seus 20 metros de profundidade e mais de 400 metros de extensão.
Mesmo quando cheio, as águas do reservatório não são usadas para abastecimento da população, atendida pelo açude Pedras Brancas. Entre moradores da região e técnicos em gestão hídrica há consenso: isso garantiu que ainda houvesse água até este ano. “Já era previsto que iria esvaziar. Tanto que foi liberada a pesca para tirar os peixes que já iriam morrer (sem água)”, explica José Cláudio, secretário do Comitê de Bacias do Banabuiú.
De acordo com Edelson Santos, 29, presidente da Associação de Moradores do Açude do Cedro, a medida amenizou, mas os problemas enfrentados pela população permanecem. “Ainda tem muita morte de peixe, de tartaruga… O açude está assoreado”, aponta. Segundo ele, quem vivia do turismo ou da pesca está fazendo “malabarismo para sobreviver”. “Ele seco até é um atrativo, mas os turistas vêm e vão embora. Não ficam, não consomem, não tem banho”, resume.
A alternativa encontrada pelo comerciante Robério dos Santos, 52, para manter o restaurante que gerencia foi comprar pescados do Castanhão. Ele explica que o nível do reservatório se manteve até março, mas a situação piorou nos meses seguintes. A esperança do comerciante é a próxima quadra chuvosa. “Pode ser que seja um inverno bom”.
Desde setembro, o nível do Cedro se mantém em 0,2% da capacidade total. O cenário é o pior registrado pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) desde 2004, desde quando os dados estão disponíveis. O pior registro até então tinha sido em janeiro de 2009, quando o açude tinha 2,6% da capacidade total.
História
Criado no período Imperial, por dom Pedro II, o projeto do Cedro foi a medida tomada em resposta à seca entre os anos de 1877 e 1879. A obra, iniciada em 1890, viu a República ser implantada no Brasil antes de ser concluída, em 1906. Eduardo Segundo, coordenador estadual do Departamento Nacional das Obras Contra as Secas (Dnocs) no Ceará, destaca o pioneirismo do equipamento nas obras de convivência e combate à seca.Contudo, ele aponta que o projeto perdeu parte das funções ao longo dos séculos com o crescimento da população. “Construíram muito grande, tanto que poucas vezes sangrou”, explica. (Igor Cavalcante)
Mobilização
O governador Camilo Santana (PT) realiza, na manhã de hoje, encontro sobre a convivência com a seca e a transposição de águas do rio São Francisco. A obra é aguardada pelo Ceará desde a primeira metade do século XIX. O prazo de conclusão foi adiado para setembro do próximo ano.
AUTOR: O POVO
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
TIANGUAENSES RECEBEM COM ALEGRIA A PRIMEIRA CHUVA DESSE PERÍODO INVERNOSO; VEJA VÍDEOS
Na tarde desta quarta-feira, 16/11, o município de Tianguá, foi presenteado com a primeira chuva desse inverno que se aproxima.
Os Tianguaenses receberam com muita felicidade a chuva e fizeram questão de registrar e postar nas redes sociais.
A chuva durou aproximadamente duas horas e meia e reacendeu a esperança de um bom inverno para Serra da Ibiapaba.
Que Deus abençoe e essa seja a primeira de muitas chuvas que ainda estão por vir.
VEJA VÍDEOS:
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AUTOR: IBIAPABA 24 HORAS
Os Tianguaenses receberam com muita felicidade a chuva e fizeram questão de registrar e postar nas redes sociais.
A chuva durou aproximadamente duas horas e meia e reacendeu a esperança de um bom inverno para Serra da Ibiapaba.
Que Deus abençoe e essa seja a primeira de muitas chuvas que ainda estão por vir.
VEJA VÍDEOS:
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AUTOR: IBIAPABA 24 HORAS
domingo, 13 de novembro de 2016
AÇUDES DO CEARÁ: UMA BACIA ZERADA, DUAS ABAIXO DE 2% E AS OUTRAS SECANDO
Os açudes Carnaubal (foto) e Batalhão, que abasteciam a sede do município de Crateús, estão secos (Foto: Juniel Vieira)
Os açudes no Ceará estão secando. A cada semana as reservas de água baixam por causa do consumo crescente e da evaporação. A seca que castiga o Estado desde 2012 está mais intensa e o risco de um colapso no abastecimento é iminente. Nesta semana, a Bacia Hidrográfica do Baixo Jaguaribe zerou e outras duas, Curu e Sertões de Crateús acumulam menos de 2% de suas capacidades.
Os números demonstram uma certeza: se não houver chuvas fortes, enxurradas na próxima quadra chuvosa (fevereiro a maio) suficientes para ocorrer recarga dos reservatórios, a situação, que é crítica, vai se agravar ainda mais. O próprio governador do Estado já começa a falar em colapso hídrico na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e em cidades do Interior cearense.
Se haverá chuvas intensas ou não em 2017 é uma dúvida, mas outra certeza que temos é que as águas tão esperadas do Rio São Francisco não chegarão para socorrer grande parte do Ceará no primeiro semestre do próximo ano. O Eixo Norte permanece paralisado desde junho passado e não há data definida para a retomada da obra, que é necessária para a transferência de água para os Estados do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Em média, os 153 açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) acumulam apenas 7,7% de seu volume total. O monitoramento da Cogerh mostra que são 132 reservatórios com volume inferior a 30%. Na categoria de seco já são 38 e em volume morto, 42. Esse é o pior quadro desde quando a Companhia começou a fazer monitoramento das bacias hidrográficas, em meados da década de 1990.
Nesta semana, a Bacia do Baixo Jaguaribe secou. O Açude Santo Antônio, no município de Russas, apresenta volume zero. Outras duas bacias hidrográficas estão caminhando para o mesmo quadro. A do Curu apresenta volume médio de 1,74% e a dos Sertões de Crateús está com 1,89%. Crítica também é do Banabuiú que reúne apenas um volume médio de 2%.
A Bacia do Curu dispõe de 13 açudes e seis estão secos. O reservatório de Pentecoste apresenta baixo volume, 0,29% e o de Tejuçuoca, 0,89%. Estão secando rapidamente. Os municípios de Umirim, Caridade, Canindé, Tejuçuoca, Itapajé e General Sampaio enfrentam problema grave de abastecimento.
Baixo Jaguaribe
A região do Baixo Jaguaribe enfrenta um quadro de escassez de água que se agrava a cada semana. O abastecimento depende do Açude Castanhão, o maior do Ceará, que acumula apenas 5,5%. O reservatório libera cerca de 6m³/s para atender a demanda dos centros urbanos que captam no leito do Jaguaribe.
Segundo a Cogerh, a água liberada pelo Castanhão chega até a localidade de Sucurujuba, em Quixeré, a cerca de 100Km do reservatório. Inicialmente, o recurso hídrico percorre o leito do rio e atende os consumidores da cidade de Jaguaribara, depois São João do Jaguaribe, Tabuleiro do Norte, Limoeiro do Norte e, por último, Quixeré.
De acordo com o gerente regional da Cogerh, Hermilson Barros, o nível da água no leito do Rio Jaguaribe está reduzido, atende Limoeiro do Norte com dificuldades e Quixeré com déficit. "O nível baixou muito com a vazão reduzida do Castanhão", observou. Esse volume representa um quarto da quantidade liberada anteriormente.
A prioridade do uso da água é para o abastecimento humano, segundo definição entre os integrantes da Bacia do Baixo Jaguaribe em reunião de alocação para o segundo semestre de 2016. O Perímetro Irrigado Jaguaribe-Apodi obtém 1,4m3/s e o Tabuleiro de Russas, 1,3m3/s. Não há previsão de liberação de água para cultivo de arroz e para os criatórios de camarão. "Se houver captação de água no rio para essas atividades é irregular", disse Barros. "A situação está difícil, mas, em parceria com a Secretaria de Recursos Hídricos, a Cogerh está fiscalizando o trecho para evitar barramentos e usos indevidos". Nos últimos meses, aumentaram as denúncias de captação irregular de água no velho rio das onças.
Orós-Castanhão
Desde setembro passado que o Açude Orós libera água para o Castanhão. A vazão deveria ser de 16m3/s, mas problemas operacionais (válvula travada) impedem a liberação definida. Com cerca de 10m3/s ofertados, a água que chega ao Castanhão é em menor quantidade em relação ao que sai para atender a demanda do Baixo Jaguaribe e principalmente da RMF.
Mesmo com a liberação de água do Orós para o Castanhão, o maior açude do Ceará, perde volume a cada dia. Inicialmente, os técnicos da Cogerh esperavam que houvesse uma estabilização, mas vem ocorrendo perda da reserva hídrica. "É uma operação nova, que ainda não atende ao que foi planejado", observou Barros. Os moradores da cidade de Limoeiro do Norte reduziram desperdício de água em torno de 12%, após campanha de conscientização realizada pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE). A captação de água é feita na Barragem de Pedrinhas, no leito do Rio Jaguaribe, mas, mediante a redução do volume, há dificuldades e o órgão investiu cerca de R$ 120 mil para facilitar o acesso para uma galeria, instalação de um reservatório rebaixado, de quatro bombas e de um flutuante.
Os açudes no Ceará estão secando. A cada semana as reservas de água baixam por causa do consumo crescente e da evaporação. A seca que castiga o Estado desde 2012 está mais intensa e o risco de um colapso no abastecimento é iminente. Nesta semana, a Bacia Hidrográfica do Baixo Jaguaribe zerou e outras duas, Curu e Sertões de Crateús acumulam menos de 2% de suas capacidades.
Os números demonstram uma certeza: se não houver chuvas fortes, enxurradas na próxima quadra chuvosa (fevereiro a maio) suficientes para ocorrer recarga dos reservatórios, a situação, que é crítica, vai se agravar ainda mais. O próprio governador do Estado já começa a falar em colapso hídrico na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e em cidades do Interior cearense.
Se haverá chuvas intensas ou não em 2017 é uma dúvida, mas outra certeza que temos é que as águas tão esperadas do Rio São Francisco não chegarão para socorrer grande parte do Ceará no primeiro semestre do próximo ano. O Eixo Norte permanece paralisado desde junho passado e não há data definida para a retomada da obra, que é necessária para a transferência de água para os Estados do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Em média, os 153 açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) acumulam apenas 7,7% de seu volume total. O monitoramento da Cogerh mostra que são 132 reservatórios com volume inferior a 30%. Na categoria de seco já são 38 e em volume morto, 42. Esse é o pior quadro desde quando a Companhia começou a fazer monitoramento das bacias hidrográficas, em meados da década de 1990.
Nesta semana, a Bacia do Baixo Jaguaribe secou. O Açude Santo Antônio, no município de Russas, apresenta volume zero. Outras duas bacias hidrográficas estão caminhando para o mesmo quadro. A do Curu apresenta volume médio de 1,74% e a dos Sertões de Crateús está com 1,89%. Crítica também é do Banabuiú que reúne apenas um volume médio de 2%.
A Bacia do Curu dispõe de 13 açudes e seis estão secos. O reservatório de Pentecoste apresenta baixo volume, 0,29% e o de Tejuçuoca, 0,89%. Estão secando rapidamente. Os municípios de Umirim, Caridade, Canindé, Tejuçuoca, Itapajé e General Sampaio enfrentam problema grave de abastecimento.
Baixo Jaguaribe
A região do Baixo Jaguaribe enfrenta um quadro de escassez de água que se agrava a cada semana. O abastecimento depende do Açude Castanhão, o maior do Ceará, que acumula apenas 5,5%. O reservatório libera cerca de 6m³/s para atender a demanda dos centros urbanos que captam no leito do Jaguaribe.
Segundo a Cogerh, a água liberada pelo Castanhão chega até a localidade de Sucurujuba, em Quixeré, a cerca de 100Km do reservatório. Inicialmente, o recurso hídrico percorre o leito do rio e atende os consumidores da cidade de Jaguaribara, depois São João do Jaguaribe, Tabuleiro do Norte, Limoeiro do Norte e, por último, Quixeré.
De acordo com o gerente regional da Cogerh, Hermilson Barros, o nível da água no leito do Rio Jaguaribe está reduzido, atende Limoeiro do Norte com dificuldades e Quixeré com déficit. "O nível baixou muito com a vazão reduzida do Castanhão", observou. Esse volume representa um quarto da quantidade liberada anteriormente.
A prioridade do uso da água é para o abastecimento humano, segundo definição entre os integrantes da Bacia do Baixo Jaguaribe em reunião de alocação para o segundo semestre de 2016. O Perímetro Irrigado Jaguaribe-Apodi obtém 1,4m3/s e o Tabuleiro de Russas, 1,3m3/s. Não há previsão de liberação de água para cultivo de arroz e para os criatórios de camarão. "Se houver captação de água no rio para essas atividades é irregular", disse Barros. "A situação está difícil, mas, em parceria com a Secretaria de Recursos Hídricos, a Cogerh está fiscalizando o trecho para evitar barramentos e usos indevidos". Nos últimos meses, aumentaram as denúncias de captação irregular de água no velho rio das onças.
Orós-Castanhão
Desde setembro passado que o Açude Orós libera água para o Castanhão. A vazão deveria ser de 16m3/s, mas problemas operacionais (válvula travada) impedem a liberação definida. Com cerca de 10m3/s ofertados, a água que chega ao Castanhão é em menor quantidade em relação ao que sai para atender a demanda do Baixo Jaguaribe e principalmente da RMF.
Mesmo com a liberação de água do Orós para o Castanhão, o maior açude do Ceará, perde volume a cada dia. Inicialmente, os técnicos da Cogerh esperavam que houvesse uma estabilização, mas vem ocorrendo perda da reserva hídrica. "É uma operação nova, que ainda não atende ao que foi planejado", observou Barros. Os moradores da cidade de Limoeiro do Norte reduziram desperdício de água em torno de 12%, após campanha de conscientização realizada pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE). A captação de água é feita na Barragem de Pedrinhas, no leito do Rio Jaguaribe, mas, mediante a redução do volume, há dificuldades e o órgão investiu cerca de R$ 120 mil para facilitar o acesso para uma galeria, instalação de um reservatório rebaixado, de quatro bombas e de um flutuante.
A partir da captação, a água segue por uma adutora de 3Km até a Estação de Tratamento de Água (ETA). "O cenário atual é muito crítico e, se não chover, a partir de março vindouro, haverá colapso no sistema", disse o superintendente do SAAE, Jorge Rodrigues da Costa. "Sem chuva e sem a água do São Francisco, só Deus pode nos salvar no próximo ano", completou.
AUTOR: DN
AUTOR: DN
terça-feira, 25 de outubro de 2016
EM TIANGUÁ (CE), AÇUDE JABURU I REGISTRA O NÍVEL MAIS BAIXO DA HISTÓRIA
O nível do reservatório do açude Jaburu I , que abastece Tianguá e Ubajara chegou a 16,71%, de acordo com a última atualização do portal hidrológico, o açude tem capacidade para 141,00 hm3 de água e foi construído pela Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará, tendo sido concluído em 1983.
A situação também é critica em quase todos os principais açudes que bastece o ceará, de acordo com o portal hidrológico os açudes de todo o Estado estão com apenas 8,38% da capacidade. Há 130 com volume inferior a 30%, o que corresponde a 85% de todos os açudes.
Segundo jornal O POVO que publicou ainda em junho que eram 47 os açudes secos ou em volume morto, o que correspondia a um terço dos reservatórios. Quatro meses depois, o número aumentou 63,8%. E a projeção é de que, até a quadra chuvosa, em fevereiro de 2017, o cenário piore muito.
AUTOR: Portal Nordeste News
A situação também é critica em quase todos os principais açudes que bastece o ceará, de acordo com o portal hidrológico os açudes de todo o Estado estão com apenas 8,38% da capacidade. Há 130 com volume inferior a 30%, o que corresponde a 85% de todos os açudes.
Segundo jornal O POVO que publicou ainda em junho que eram 47 os açudes secos ou em volume morto, o que correspondia a um terço dos reservatórios. Quatro meses depois, o número aumentou 63,8%. E a projeção é de que, até a quadra chuvosa, em fevereiro de 2017, o cenário piore muito.
AUTOR: Portal Nordeste News
terça-feira, 20 de setembro de 2016
58,51% DO CEARÁ SOFREM COM A SECA EXTREMA
No mês de julho, este percentual era 37,18%. Além da falta de chuvas, evaporação dos açudes agrava o quadro (Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)
A cada mês, a estiagem vai se alastrando e atingindo o Ceará com mais força. Apesar das várias tentativas do Governo do Estado para mobilizar a população a poupar os recursos hídricos, as perspectivas de reverter a situação nos próximos meses são pequenas. Segundo o meteorologista da Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme), Raul Fritz, com a baixa média de chuvas registrada historicamente entre os meses de setembro e novembro, a tendência é de que a seca intensa atinja área cada vez maior do Estado até o fim deste ano.
Além das precipitações escassas, os reservatórios ainda podem ser prejudicados pela forte evaporação da água, resultado das altas temperaturas. "É muito preocupante. Nos próximos meses, pode até ser que aconteçam chuvas esporádicas, mas não são suficientes para diminuir esse quadro", afirma Fritz.
Cenário preocupante
Se no mês de junho, o Ceará já passava por seca extrema em partes das regiões do Cariri e dos Sertões, em agosto, a área mais a sul do estado já alcança níveis excepcionais, considerado o mais grave, conforme classificação da Agência Nacional de Águas (ANA).
Os dados foram revelados pelo Monitor de Secas do Nordeste, plataforma do Governo Federal que acompanha de forma periódica a gravidade da seca na região. No relatório referente a agosto, a ferramenta aponta que mais da metade do Ceará (58,51%) estava em situação de seca extrema ou excepcional, revelando a magnitude da situação.
No mês de julho, esse percentual era 37,18%. Já os municípios que se encontravam exclusivamente em estado de seca excepcional em agosto correspondiam a 14,06% do Estado, quase o dobro do total registrado no mês anterior (7,5%).
Conforme a tabela da ANA, nos municípios onde a seca é extrema, os prejuízos incluem grande perdas de cultura e pastagem, assim como escassez de água generalizada ou restrições. Na seca excepcional, os quadros se agravam ainda mais, com a falta de água nos reservatórios, córregos e poços, resultando em situações de emergência.
Precipitações
Segundo a avaliação da Agência, "as poucas chuvas que ocorreram nesse mês de agosto contribuíram para intensificar a seca na maior parte do Estado". O meteorologista Raul Fritz ratifica: "Nossa estação invernosa foi fraca e depois não tivemos chuvas. Felizmente o mês de janeiro foi razoável, o que ajudou a manter os reservatórios até agora. De qualquer forma, choveu 45% abaixo da média e isso agravou a condição", diz o especialista.
Os impactos da ampliação das áreas com secas severas, conforme a ANA, são sentidos a curto prazo, na agricultura e na pastagem, e a longo prazo, na hidrologia e na ecologia. Uma das consequências é a queda do volume dos reservatórios cearenses. De acordo com dados da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh) referentes ao último sábado (17), os açudes monitorados estão com apenas 9,2% de sua capacidade.
Na mesma data do mês de junho, logo após o fim da estação chuvosa, os reservatórios possuíam 11,6% da capacidade. Em julho, o percentual baixou para 10,8% e, em agosto, para 10%. Hoje, dos 153 reservatórios presentes no Ceará, 129 estão com menos de 30% de sua capacidade.
AUTOR: DN
A cada mês, a estiagem vai se alastrando e atingindo o Ceará com mais força. Apesar das várias tentativas do Governo do Estado para mobilizar a população a poupar os recursos hídricos, as perspectivas de reverter a situação nos próximos meses são pequenas. Segundo o meteorologista da Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme), Raul Fritz, com a baixa média de chuvas registrada historicamente entre os meses de setembro e novembro, a tendência é de que a seca intensa atinja área cada vez maior do Estado até o fim deste ano.
Além das precipitações escassas, os reservatórios ainda podem ser prejudicados pela forte evaporação da água, resultado das altas temperaturas. "É muito preocupante. Nos próximos meses, pode até ser que aconteçam chuvas esporádicas, mas não são suficientes para diminuir esse quadro", afirma Fritz.
Cenário preocupante
Se no mês de junho, o Ceará já passava por seca extrema em partes das regiões do Cariri e dos Sertões, em agosto, a área mais a sul do estado já alcança níveis excepcionais, considerado o mais grave, conforme classificação da Agência Nacional de Águas (ANA).
Os dados foram revelados pelo Monitor de Secas do Nordeste, plataforma do Governo Federal que acompanha de forma periódica a gravidade da seca na região. No relatório referente a agosto, a ferramenta aponta que mais da metade do Ceará (58,51%) estava em situação de seca extrema ou excepcional, revelando a magnitude da situação.
No mês de julho, esse percentual era 37,18%. Já os municípios que se encontravam exclusivamente em estado de seca excepcional em agosto correspondiam a 14,06% do Estado, quase o dobro do total registrado no mês anterior (7,5%).
Conforme a tabela da ANA, nos municípios onde a seca é extrema, os prejuízos incluem grande perdas de cultura e pastagem, assim como escassez de água generalizada ou restrições. Na seca excepcional, os quadros se agravam ainda mais, com a falta de água nos reservatórios, córregos e poços, resultando em situações de emergência.
Precipitações
Segundo a avaliação da Agência, "as poucas chuvas que ocorreram nesse mês de agosto contribuíram para intensificar a seca na maior parte do Estado". O meteorologista Raul Fritz ratifica: "Nossa estação invernosa foi fraca e depois não tivemos chuvas. Felizmente o mês de janeiro foi razoável, o que ajudou a manter os reservatórios até agora. De qualquer forma, choveu 45% abaixo da média e isso agravou a condição", diz o especialista.
Os impactos da ampliação das áreas com secas severas, conforme a ANA, são sentidos a curto prazo, na agricultura e na pastagem, e a longo prazo, na hidrologia e na ecologia. Uma das consequências é a queda do volume dos reservatórios cearenses. De acordo com dados da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh) referentes ao último sábado (17), os açudes monitorados estão com apenas 9,2% de sua capacidade.
Na mesma data do mês de junho, logo após o fim da estação chuvosa, os reservatórios possuíam 11,6% da capacidade. Em julho, o percentual baixou para 10,8% e, em agosto, para 10%. Hoje, dos 153 reservatórios presentes no Ceará, 129 estão com menos de 30% de sua capacidade.
AUTOR: DN
quarta-feira, 31 de agosto de 2016
CEARÁ TEM O PIOR VOLUME ACUMULADO DE ÁGUA EM AÇUDES, EM 23 ANOS
Nível do Castanhão chegou a 6,99% da capacidade, segundo o Portal Hidrológico do Estado/FABIO LIMA
Em 23 anos, esta é a primeira vez que o volume médio dos 153 reservatórios de água monitorados do Ceará tem percentual menor do que 10%, chegando a 9,66%. Ontem, de acordo com o Portal Hidrológico do Estado, o Castanhão, que abastece Fortaleza e Região Metropolitana (RMF), estava com 6,99% da capacidade total.
Das 11 ações de contingência para a seca definidas pelo Governo, cinco já estão em andamento, uma terá início em setembro, uma tem prazo de seis meses e as outras devem ser concretizadas em outubro.
De acordo com o presidente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), João Lúcio, o aporte médio nos 23 anos de monitoramento dos reservatórios é de 4 bilhões de metros cúbicos de água. Este ano, foram 733 milhões. “Nunca havíamos chegado a esse nível. Estamos focando no abastecimento humano para que possamos atravessar mais este ano”, indicou.
Entre as ações preventivas, que tiveram como base previsões da Funceme, destaca-se a preservação dos açudes Maranguapinho e Orós. O primeiro está com 80% da capacidade, citou João Lúcio. “Ele chegou a sangrar duas vezes e nós reservamos a água para ser usada no momento mais difícil”, explicou. O reservatório passará a abastecer Maranguape, na RMF, que atualmente recebe água do Gavião.
Para 2017, conforme o presidente da Cogerh, a expectativa é de que o Castanhão e o Orós, que somam hoje cerca de 900 milhões de metros cúbicos de água, consigam dar conta do abastecimento. “Nosso plano é passar este momento com reservas que cheguem até a quadra chuvosa do ano que vem”, destacou. Cálculos considerando os consumos residencial, industrial e das atividades agropecuárias teriam garantido essa projeção.
Entre as ações de contingência, João Lúcio citou o reuso das águas de lavagem dos filtros da Estação de Tratamento de Água (ETA) Gavião. A transposição do rio São Francisco também faz parte das ações que poderão dar fôlego ao abastecimento frente à estiagem cearense. “O prazo de dezembro ou janeiro (para que a água chegue ao Ceará) está mantido”, citou. Conforme O POVO publicou no último sábado, 27, o Ministério da Integração diz que a transposição será finalizada em dezembro próximo.
Conforme dados do portal, 62 açudes estão com volume inferior a 30%. Entre as 12 bacias hidrográficas, os piores percentuais de volume são: Baixo Jaguaribe (0%), Sertões de Crateús (2,05%), Curu (2,29%), Banabuiú (2,45%) e Acaraú (4,04%).
2017
Para o professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da UFC, Francisco de Assis Sousa Filho, o abastecimento em 2017 será uma “loteria”. “Precisamos de um inverno fabuloso, porque todos os pequenos açudes, que alimentam os grandes, estão secos”, citou. A previsão, ele diz, é de que Castanhão e Orós cheguem, em meados de abril, a aproximadamente 500 milhões de metros cúbicos de água.
Ele avaliou ainda que a infraestrutura de recursos hídricos, a gestão e as políticas de segurança social estão mitigando os efeitos da seca. Mas alerta sobre a retirada de água em aquíferos ou infiltrada no solo dos reservatórios. “Se passa um período mais prolongado, pode haver dificuldade de continuar suprindo, porque o estoque vai diminuir”, ponderou.
Ações anunciadas no plano de contingência:
- Reforço de combate às perdas
- Poços em equipamentos públicos e áreas críticas
- Perfuração de poços no Pecém
- Aproveitamento do sistema hídrico do Cauípe
- Aproveitamento do açude Maranguapinho
- Sistema de reuso das águas de lavagem dos filtros da ETA Gavião
- Implantação do sistema de captação pressurizada do Gavião
- Adutora de água tratada para Aquiraz
- Revisão da Tarifa de Contingência
- Redução de 20% da oferta de água para a indústria da Grande Fortaleza
- Plano de Comunicação
AUTOR: O POVO
Em 23 anos, esta é a primeira vez que o volume médio dos 153 reservatórios de água monitorados do Ceará tem percentual menor do que 10%, chegando a 9,66%. Ontem, de acordo com o Portal Hidrológico do Estado, o Castanhão, que abastece Fortaleza e Região Metropolitana (RMF), estava com 6,99% da capacidade total.
Das 11 ações de contingência para a seca definidas pelo Governo, cinco já estão em andamento, uma terá início em setembro, uma tem prazo de seis meses e as outras devem ser concretizadas em outubro.
De acordo com o presidente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), João Lúcio, o aporte médio nos 23 anos de monitoramento dos reservatórios é de 4 bilhões de metros cúbicos de água. Este ano, foram 733 milhões. “Nunca havíamos chegado a esse nível. Estamos focando no abastecimento humano para que possamos atravessar mais este ano”, indicou.
Entre as ações preventivas, que tiveram como base previsões da Funceme, destaca-se a preservação dos açudes Maranguapinho e Orós. O primeiro está com 80% da capacidade, citou João Lúcio. “Ele chegou a sangrar duas vezes e nós reservamos a água para ser usada no momento mais difícil”, explicou. O reservatório passará a abastecer Maranguape, na RMF, que atualmente recebe água do Gavião.
Para 2017, conforme o presidente da Cogerh, a expectativa é de que o Castanhão e o Orós, que somam hoje cerca de 900 milhões de metros cúbicos de água, consigam dar conta do abastecimento. “Nosso plano é passar este momento com reservas que cheguem até a quadra chuvosa do ano que vem”, destacou. Cálculos considerando os consumos residencial, industrial e das atividades agropecuárias teriam garantido essa projeção.
Entre as ações de contingência, João Lúcio citou o reuso das águas de lavagem dos filtros da Estação de Tratamento de Água (ETA) Gavião. A transposição do rio São Francisco também faz parte das ações que poderão dar fôlego ao abastecimento frente à estiagem cearense. “O prazo de dezembro ou janeiro (para que a água chegue ao Ceará) está mantido”, citou. Conforme O POVO publicou no último sábado, 27, o Ministério da Integração diz que a transposição será finalizada em dezembro próximo.
Conforme dados do portal, 62 açudes estão com volume inferior a 30%. Entre as 12 bacias hidrográficas, os piores percentuais de volume são: Baixo Jaguaribe (0%), Sertões de Crateús (2,05%), Curu (2,29%), Banabuiú (2,45%) e Acaraú (4,04%).
2017
Para o professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da UFC, Francisco de Assis Sousa Filho, o abastecimento em 2017 será uma “loteria”. “Precisamos de um inverno fabuloso, porque todos os pequenos açudes, que alimentam os grandes, estão secos”, citou. A previsão, ele diz, é de que Castanhão e Orós cheguem, em meados de abril, a aproximadamente 500 milhões de metros cúbicos de água.
Ele avaliou ainda que a infraestrutura de recursos hídricos, a gestão e as políticas de segurança social estão mitigando os efeitos da seca. Mas alerta sobre a retirada de água em aquíferos ou infiltrada no solo dos reservatórios. “Se passa um período mais prolongado, pode haver dificuldade de continuar suprindo, porque o estoque vai diminuir”, ponderou.
Ações anunciadas no plano de contingência:
- Reforço de combate às perdas
- Poços em equipamentos públicos e áreas críticas
- Perfuração de poços no Pecém
- Aproveitamento do sistema hídrico do Cauípe
- Aproveitamento do açude Maranguapinho
- Sistema de reuso das águas de lavagem dos filtros da ETA Gavião
- Implantação do sistema de captação pressurizada do Gavião
- Adutora de água tratada para Aquiraz
- Revisão da Tarifa de Contingência
- Redução de 20% da oferta de água para a indústria da Grande Fortaleza
- Plano de Comunicação
AUTOR: O POVO
domingo, 19 de junho de 2016
SECA: 11% DO TERRITÓRIO CEARENSE JÁ VIROU DESERTO
O Ceará é o único estado do Brasil em que todo o território tem potencial para a desertificação, podendo se tornar completamente infértil.
A área que perdeu a capacidade produtiva já ultrapassa os 16 mil km² ou 11% do território total. A área comportaria mais de dois mil campos de futebol. Isso significa que o solo está degradado e não se adequa mais ao plantio.
Ele informa que, antes de haver a redistribuição da água, reuniões com lideranças comunitárias de todo o Estado aconteceram para que o manejo ocorresse de forma democrática. Se não houver uso consciente, avisa ele, alguém vai ficar sem ela.
O Estado fica atrás, em números percentuais, somente do Rio Grande do Norte, em que 12% da área já virou deserto. Os dados foram apresentados pela gerente de Recursos Ambientais da Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme), Margareth Benício.
A sessão solene do Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, na Assembleia Legislativa do Ceará, reuniu, na manhã de ontem, pesquisadores e gestores para pensar formas de combater o avanço da degradação do solo.
A sessão solene do Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, na Assembleia Legislativa do Ceará, reuniu, na manhã de ontem, pesquisadores e gestores para pensar formas de combater o avanço da degradação do solo.
As áreas que passam pela desertificação no Ceará estão concentradas no médio Jaguaribe, Sertão dos Inhamuns, Irauçuba e nas regiões do entorno. De acordo com Margareth Benício, a reversão da situação é bastante trabalhosa, mas possível.
“Pode ser revertido com política de manejo e conservação do solo. É o primeiro passo para não haver agravamento. Agora, as ações precisam ser urgentes”, avisa. É importante também que a seca dê uma trégua. “Se o processo de desertificação já estava muito avançado, é complicado reverter sem água das chuvas”, reforça.
O Castanhão está com 8,8% da capacidade. Os 153 açudes monitorados pela Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh) estão com apenas 12% da capacidade. “Isso significa uma preocupação muito grande para diminuir o consumo da população”, avisa o secretário do Meio Ambiente (Sema), Artur Bruno, acrescentando que o Estado se compromete a, até o fim de junho, apresentar um plano de recomendações para o uso da água pelas famílias e pelas atividades econômicas.
Distribuição da água
“Pode ser revertido com política de manejo e conservação do solo. É o primeiro passo para não haver agravamento. Agora, as ações precisam ser urgentes”, avisa. É importante também que a seca dê uma trégua. “Se o processo de desertificação já estava muito avançado, é complicado reverter sem água das chuvas”, reforça.
O Castanhão está com 8,8% da capacidade. Os 153 açudes monitorados pela Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh) estão com apenas 12% da capacidade. “Isso significa uma preocupação muito grande para diminuir o consumo da população”, avisa o secretário do Meio Ambiente (Sema), Artur Bruno, acrescentando que o Estado se compromete a, até o fim de junho, apresentar um plano de recomendações para o uso da água pelas famílias e pelas atividades econômicas.
Distribuição da água
A Secretaria dos Recursos Hídricos do Ceará (SRH) já diminuiu em 10% a vazão de água nos últimos dois meses. É a SRH que fornece água bruta para a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece). Ramon Rodrigues, secretário-adjunto da SRH, ameaça que, caso não haja redução de consumo, a tendência é reduzir ainda mais a força da distribuição da água.
“Fortaleza e Região Metropolitana recebem, desde novembro de 2012, água do Castanhão, há 250 km daqui. Tem um alto custo não só para chegar a água. A população do Interior está abrindo mão para que a água chegue a Fortaleza”, diz.
Ele informa que, antes de haver a redistribuição da água, reuniões com lideranças comunitárias de todo o Estado aconteceram para que o manejo ocorresse de forma democrática. Se não houver uso consciente, avisa ele, alguém vai ficar sem ela.
Outras formas de conseguir obter água estão sendo estudadas, aponta Rodrigues. Os aquíferos das Dunas, em Aquiraz e o da Barra do Cauípe, em Caucaia, os dois na região Metropolitana de Fortaleza, são algumas das hipóteses levantadas.
AUTOR: O POVO
AUTOR: O POVO
terça-feira, 14 de junho de 2016
QUADRA CHUVOSA: 2016 ESTÁ ENTRE OS 10 ANOS MAIS SECOS DO CEARÁ
O Ceará não só fechou a quadra chuvosa - de fevereiro a maio - abaixo da média, com 329,3 mm de precipitação e desvio negativo de 45,2%, como 2016 entrou na lista dos dez anos mais secos da região desde 1951.
Desde 2012, o Estado tem apresentado precipitações abaixo da média histórica, chegando ao quinto ano consecutivo de estiagem.
O mês mais crítico do período chuvoso deste ano foi fevereiro, com -55,3%, seguido de abril (-47,8%), maio (-46,6%) e março (-36,2%). A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) ressalta que, segundo a climatologia, março e abril são os meses mais chuvosos, com média de 203,4 mm e 188 mm, respectivamente, enquanto, em fevereiro, a média mensal para o Ceará é de 118,6 mm. Já maio alcança somente 90,6 mm.
O presidente da Funceme, Eduardo Sávio Martins, mostrou preocupação ao comentar sobre resultado de quadra chuvosa. "A gente tem certeza da chuva no primeiro semestre e a certeza de que não chove no segundo semestre. As chuvas do segundo são muito pequenas. Mais de 90% das chuvas acontecem no primeiro semestre. Agora é uma preocupação, porque já sabemos o que vem pela frente", disse ele.
Na quadra chuvosa deste ano, a região Jaguaribana foi a macrorregião mais afetada com desvio percentual negativo de 54,5%. O menor desvio registrado ocorreu no Litoral de Pecém, com -25,1%. O Litoral de Fortaleza apresentou desvio de -39,1%.
Piores precipitações
Desde 1951, o ano de 1958 registrou o pior desvio, com -65,9%. Em seguida, a lista da Funceme tem os anos de 1998 (-59,8%), 1993 (-51,8%), 1951 (-51,1%), 2012 (-49,7%), 2010 (-49,6%), 1983 (-48,8%), 2016 (-45,2%), 2013 (-39,3%) e 1970 (-39%).
Fatores
O resultado de quadra chuvosa abaixo da média já havia sido previsto pela Funceme em 2016, quando o órgão divulgou o primeiro prognóstico, em janeiro.
O mês mais crítico do período chuvoso deste ano foi fevereiro, com -55,3%, seguido de abril (-47,8%), maio (-46,6%) e março (-36,2%). A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) ressalta que, segundo a climatologia, março e abril são os meses mais chuvosos, com média de 203,4 mm e 188 mm, respectivamente, enquanto, em fevereiro, a média mensal para o Ceará é de 118,6 mm. Já maio alcança somente 90,6 mm.
O presidente da Funceme, Eduardo Sávio Martins, mostrou preocupação ao comentar sobre resultado de quadra chuvosa. "A gente tem certeza da chuva no primeiro semestre e a certeza de que não chove no segundo semestre. As chuvas do segundo são muito pequenas. Mais de 90% das chuvas acontecem no primeiro semestre. Agora é uma preocupação, porque já sabemos o que vem pela frente", disse ele.
Na quadra chuvosa deste ano, a região Jaguaribana foi a macrorregião mais afetada com desvio percentual negativo de 54,5%. O menor desvio registrado ocorreu no Litoral de Pecém, com -25,1%. O Litoral de Fortaleza apresentou desvio de -39,1%.
Piores precipitações
Desde 1951, o ano de 1958 registrou o pior desvio, com -65,9%. Em seguida, a lista da Funceme tem os anos de 1998 (-59,8%), 1993 (-51,8%), 1951 (-51,1%), 2012 (-49,7%), 2010 (-49,6%), 1983 (-48,8%), 2016 (-45,2%), 2013 (-39,3%) e 1970 (-39%).
Fatores
O resultado de quadra chuvosa abaixo da média já havia sido previsto pela Funceme em 2016, quando o órgão divulgou o primeiro prognóstico, em janeiro.
Entre os fatores determinantes para o período seco, estão as condições do Oceano Atlântico tropical com predominância de áreas neutras e mais aquecidas, tanto ao norte quanto ao sul do Equador, e a atuação do fenômeno El Niño, na categoria forte, no oceano Pacífico Equatorial.
Conforme as análises da Funceme, os padrões oceânicos acabaram afetando o posicionamento da Zona Convergência Intertropical (ZCIT), principal sistema indutor de chuvas na região.
AUTOR: O POVO
Conforme as análises da Funceme, os padrões oceânicos acabaram afetando o posicionamento da Zona Convergência Intertropical (ZCIT), principal sistema indutor de chuvas na região.
AUTOR: O POVO
sábado, 4 de junho de 2016
110 CIDADES DO CEARÁ ESTÃO EM ESTADO DE EMERGÊNCIA POR CAUSA DA SECA
Mais 25 municípios declararam situação de emergência por causa da seca, totalizando 110 das 184 cidades do Ceará. O decreto foi divulgado no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira, 2, e detalha a situação como “desastre crônico, gradual e previsível”.
Com a decretação, os municípios, que já atingiram perda de 8,33% na receita bruta por causa da seca, poderão receber ações de combate à estiagem, como construção de adutoras, carros-pipa, poços profundos e cestas básicas.
O número de cidades seriamente afetadas pode aumentar, conforme o coordenador estadual da Defesa Civil, o tenente coronel Cleyton Bezerra. “No 1º semestre, o que mais leva a atingir esse índice de perda é a agricultura. A Ematerce (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará) ainda não forneceu os laudos de perda, pois já houve o plantio, mas não houve a colheita. Nos próximos 60 dias, o número deverá atingir ou ultrapassar os 150 municípios. É normal para essa época”, afirmou.
CIDADES EM SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA
25 (que tiveram a decretação publicada em Diário Oficial na quinta-feira,2)
1. Aracati 2. Aracoiaba 3. Assaré 4. Barreira 5.Caririaçu 6. Cariús 7. Catunda 8. Crateús 9. Croatá 10. Fortim 11. Granjeiro 12. Groaíras 13. Iguatu 14. Jardim 15. Jucás 16. Lavras da Mangabeira 17. Mulungu 18. Novo Oriente 19. Palhano 20. Paramoti 21. Potengi 22. Saboeiro 23. Santa Quitéria 24. Santana do Cariri 25.Tarrafas
85 (que já haviam decretado em 2016)
1. Acopiara 2. Aiuaba 3. Alcântaras 4. Alto Santo 5. Apuiarés 6. Araripe 7. Arneiroz 8. Aurora 9. Baixio 10. Banabuiú 11. Barro 12. Barroquinha 13. Beberibe 14. Bela Cruz 15. Boa Viagem 16. Brejo Santo 17. Camocim 18. Campos Sales 19. Canindé 20. Capistrano 21. Caridade 22. Cariré 23. Cascavel 24. Caucaia 25. Chaval 26. Choró 27. Chorozinho 28. Deputado Irapuan Pinheiro 29. Farias Brito 30. General Sampaio 31. Graça 32. Guaraciaba do Norte 33. Hidrolândia 34. Ibaretama 35. Ibicuitinga 36. Independência 37. Ipaumirim 38. Ipu 39. Iracema 40. Irauçuba 41. Itatira 42. Jaguaretama 43. Jaguaribara 44. Jaguaribe 45. Jati 46. Limoeiro do Norte 47. Madalena 48. Mauriti 49. Milhã 50. Missão Velha 51. Mombaça 52. Monsenhor Tabosa 53. Morada Nova 54. Ocara 55. Orós 56. Pacatuba 57. Palmácia 58. Parambu 59. Pedra Branca 60. Penaforte 61. Pentecoste 62. Pereiro 63. Piquet Carneiro 64. Porteiras 65. Potiretama 66. Quiterianópolis 67. Quixadá 68. Quixeramobim 69. Quixeré 70. Reriutaba 71. Salitre 72. São João do Jaguaribe 73. São Luís do Curu 74. Senador Pompeu 75. Sobral 76. Solonópole 77. Tamboril 78. Tauá 79. Tejuçuoca 80. Umari 81. Umirim 82. Uruoca 83. Varjota 84. Viçosa do Ceará 85.Tianguá
AUTOR: O POVO
Com a decretação, os municípios, que já atingiram perda de 8,33% na receita bruta por causa da seca, poderão receber ações de combate à estiagem, como construção de adutoras, carros-pipa, poços profundos e cestas básicas.
O número de cidades seriamente afetadas pode aumentar, conforme o coordenador estadual da Defesa Civil, o tenente coronel Cleyton Bezerra. “No 1º semestre, o que mais leva a atingir esse índice de perda é a agricultura. A Ematerce (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará) ainda não forneceu os laudos de perda, pois já houve o plantio, mas não houve a colheita. Nos próximos 60 dias, o número deverá atingir ou ultrapassar os 150 municípios. É normal para essa época”, afirmou.
CIDADES EM SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA
25 (que tiveram a decretação publicada em Diário Oficial na quinta-feira,2)
1. Aracati 2. Aracoiaba 3. Assaré 4. Barreira 5.Caririaçu 6. Cariús 7. Catunda 8. Crateús 9. Croatá 10. Fortim 11. Granjeiro 12. Groaíras 13. Iguatu 14. Jardim 15. Jucás 16. Lavras da Mangabeira 17. Mulungu 18. Novo Oriente 19. Palhano 20. Paramoti 21. Potengi 22. Saboeiro 23. Santa Quitéria 24. Santana do Cariri 25.Tarrafas
85 (que já haviam decretado em 2016)
1. Acopiara 2. Aiuaba 3. Alcântaras 4. Alto Santo 5. Apuiarés 6. Araripe 7. Arneiroz 8. Aurora 9. Baixio 10. Banabuiú 11. Barro 12. Barroquinha 13. Beberibe 14. Bela Cruz 15. Boa Viagem 16. Brejo Santo 17. Camocim 18. Campos Sales 19. Canindé 20. Capistrano 21. Caridade 22. Cariré 23. Cascavel 24. Caucaia 25. Chaval 26. Choró 27. Chorozinho 28. Deputado Irapuan Pinheiro 29. Farias Brito 30. General Sampaio 31. Graça 32. Guaraciaba do Norte 33. Hidrolândia 34. Ibaretama 35. Ibicuitinga 36. Independência 37. Ipaumirim 38. Ipu 39. Iracema 40. Irauçuba 41. Itatira 42. Jaguaretama 43. Jaguaribara 44. Jaguaribe 45. Jati 46. Limoeiro do Norte 47. Madalena 48. Mauriti 49. Milhã 50. Missão Velha 51. Mombaça 52. Monsenhor Tabosa 53. Morada Nova 54. Ocara 55. Orós 56. Pacatuba 57. Palmácia 58. Parambu 59. Pedra Branca 60. Penaforte 61. Pentecoste 62. Pereiro 63. Piquet Carneiro 64. Porteiras 65. Potiretama 66. Quiterianópolis 67. Quixadá 68. Quixeramobim 69. Quixeré 70. Reriutaba 71. Salitre 72. São João do Jaguaribe 73. São Luís do Curu 74. Senador Pompeu 75. Sobral 76. Solonópole 77. Tamboril 78. Tauá 79. Tejuçuoca 80. Umari 81. Umirim 82. Uruoca 83. Varjota 84. Viçosa do Ceará 85.Tianguá
AUTOR: O POVO
segunda-feira, 23 de maio de 2016
MEGA RESERVATÓRIO SUBTERRÂNEO ENCONTRADO EM CRATEÚS (CE), TEM ÁGUA PRÓPRIA PARA CONSUMO HUMANO
Aquífero pode abastecer Crateús por três anos (Foto: Reprodução/O Povo)
O aquífero subterrâneo encontrado em Crateús, distante 354 km de Fortaleza, passou pelos primeiros testes e tem teor de sais adequados para o consumo humano.
Os cálculos quanto à capacidade do reservatório ainda não foram feitos, mas a estimativa desde a descoberta é de 20 milhões de metros cúbicos — equivalente a um milhão de carros-pipa (com capacidade de 20 mil litros) ou a oito mil piscinas olímpicas (2,5 milhões de litros de água).
“O aquífero tem capacidade, em caso de desabastecimento em Crateús, para atender por dois ou três anos”, afirma João Lúcio Farias, presidente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh).
Quatro poços profundos já foram instalados na região do aquífero e somam uma produção de mais de 37 metros cúbicos por hora. A água captada, porém, ainda não é usada para distribuição e consumo. Segundo Farias, ainda são feitos somente estudos geofísicos no local, para avaliar o potencial do reservatório.
Segundo a Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), o aquífero será usado em situações emergenciais de desabastecimento, já que as chuvas no início do ano na região garantem o fornecimento de água para o município até março de 2017.
Crateús é abastecido pela barragem do Batalhão e complementada pela Adutora de Montagem Rápida (AMR) do açude Araras.
Abastecimento
Conforme a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) informou, 25 dos 182 municípios encontram-se em regime de contingência. Nas regiões dos Inhamuns e Sertão Central, os municípios de Campos Sales, Crateús e Monsenhor Tabosa estão em racionamento para a preservação dos mananciais.
De acordo com o balanço de precipitações pluviométricas da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), as chuvas desde o início do ano estão cerca de 20% abaixo da média histórica no Sertão Central e Inhamus. Mesmo assim, foram suficientes para dar fôlego ao semiárido. O meteorologista da Funceme, Raul Fritz, avalia as precipitações como uma “recarga razoável” aos mananciais.
AUTOR: O POVO
O aquífero subterrâneo encontrado em Crateús, distante 354 km de Fortaleza, passou pelos primeiros testes e tem teor de sais adequados para o consumo humano.
Os cálculos quanto à capacidade do reservatório ainda não foram feitos, mas a estimativa desde a descoberta é de 20 milhões de metros cúbicos — equivalente a um milhão de carros-pipa (com capacidade de 20 mil litros) ou a oito mil piscinas olímpicas (2,5 milhões de litros de água).
“O aquífero tem capacidade, em caso de desabastecimento em Crateús, para atender por dois ou três anos”, afirma João Lúcio Farias, presidente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh).
Quatro poços profundos já foram instalados na região do aquífero e somam uma produção de mais de 37 metros cúbicos por hora. A água captada, porém, ainda não é usada para distribuição e consumo. Segundo Farias, ainda são feitos somente estudos geofísicos no local, para avaliar o potencial do reservatório.
Segundo a Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), o aquífero será usado em situações emergenciais de desabastecimento, já que as chuvas no início do ano na região garantem o fornecimento de água para o município até março de 2017.
Crateús é abastecido pela barragem do Batalhão e complementada pela Adutora de Montagem Rápida (AMR) do açude Araras.
Abastecimento
Conforme a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) informou, 25 dos 182 municípios encontram-se em regime de contingência. Nas regiões dos Inhamuns e Sertão Central, os municípios de Campos Sales, Crateús e Monsenhor Tabosa estão em racionamento para a preservação dos mananciais.
De acordo com o balanço de precipitações pluviométricas da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), as chuvas desde o início do ano estão cerca de 20% abaixo da média histórica no Sertão Central e Inhamus. Mesmo assim, foram suficientes para dar fôlego ao semiárido. O meteorologista da Funceme, Raul Fritz, avalia as precipitações como uma “recarga razoável” aos mananciais.
AUTOR: O POVO
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
CHUVAS ESCASSAS DE FEVEREIRO CAUSAM PERDA TOTAL DE PLANTIO NO CEARÁ
Agricultor aponta para o céu à espera de chuvas fortes, que contrariem as previsões até aqui corretas divulgadas pela Funceme (Foto: Honório Barbosa)
No dizer dos produtores rurais, o Ceará enfrenta duas secas neste ano: uma referente à perda do plantio, que já é total, e a outra da escassez de água para o consumo humano e animal. Na verdade, o Estado caminha para o quinto ano seguido de chuvas abaixo da média. A estiagem castiga o sertão, arranca lágrimas de agricultores idosos, deixa a terra árida, as folhas de milho, feijão e capim murchas, mata a lavoura e invade de desespero o coração do sertanejo.
"Está tudo perdido, não há mais o que se fazer", diz o agricultor, Manoel Benigno Uchoa, 75 anos, morador do sítio Croatá, na zona rural deste município, na região Centro-Sul do Ceará. Nos últimos 40 dias, ele mantém a rotina de caminhar diariamente de casa para o roçado de milho e feijão para fazer o serviço de roço e combater o ataque de lagartas. "Este mês de fevereiro foi ingrato. Não caiu uma gota d´água. Nunca vi uma coisa assim. Antes a seca era só de um ano, dois e a chuva voltava".
Segundo dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), o mês de fevereiro termina com o registro de chuva bem abaixo da média - 43,2%. Para o período eram esperados 118.6mm, mas choveu somente 67.4 São dados parciais, pois este ano é bissexto e o mês termina hoje, mas a estatística reflete toda a tendência da escassez de chuva que castigou o sertão cearense no primeiro mês da quadra invernosa (fevereiro a maio).
Para o próximo trimestre, as previsões não são nada animadoras. O fenômeno El Niño permanece influenciando a quadra invernosa no Semiárido, afastando a ocorrência das chuvas. A temperatura superficial das águas do Oceano Atlântico também está desfavorável. "Deveria estar mais aquecida, no Atlântico Sul", observa o meteorologista da Funceme, Raul Fritz.
A análise de vários modelos e dos dados meteorológicos levou a Funceme a ampliar de 65% para 70% a chance das chuvas ficarem escassas nos próximos três meses. "O cenário é desfavorável", disse Fritz. "Infelizmente, estamos caminhando para o quinto período de seca". O El Niño permanece intenso e só deve refluir a partir de maio, mas já não é mais período de chuvas no sertão cearense.
"Podem ocorrer eventos isolados de chuva ou quem sabe outro sistema passar a atuar e trazer precipitações, pois as condicionantes do Atlântico mudam com mais rapidez, mas isso é pouco provável", sentencia Fritz. Afinal, a Funceme não previu a ocorrência de intensas chuvas na segunda quinzena de janeiro passado, mas elas vieram com tudo.
Grãos murcharam
A área de dois hectares de milho e feijão cultivada no fim de janeiro por Manoel Benigno é um retrato de milhares de roças no sertão cearense. Os grãos murcharam e se perderam. "Está tudo perdido", disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Iguatu, Evanilson Saraiva. "Em algumas áreas, o feijão ainda se sustenta mais três, quatro dias, mas se não chover logo, não há o que se fazer".
A preocupação a partir de agora não é mais com a lavoura das culturas de subsistência. Depois de cinco anos de safra perdida, os agricultores estão desmotivados, sem esperança e sem coragem de fazer um novo cultivo se houver retomada das precipitações. Tiveram prejuízo no primeiro roçado. "O temor é com a falta de água para os bichos, para a gente mesmo", disse o produtor, André Ferreira, da localidade de Gadelha. A maioria dos pequenos e médios açudes permanece sem água. "Aqui ninguém pensa mais em agricultura, está tudo acabado, é mais barato comprar feijão, arroz e milho do que plantar, a nossa luta é para conseguir água".
AUTOR: DN
No dizer dos produtores rurais, o Ceará enfrenta duas secas neste ano: uma referente à perda do plantio, que já é total, e a outra da escassez de água para o consumo humano e animal. Na verdade, o Estado caminha para o quinto ano seguido de chuvas abaixo da média. A estiagem castiga o sertão, arranca lágrimas de agricultores idosos, deixa a terra árida, as folhas de milho, feijão e capim murchas, mata a lavoura e invade de desespero o coração do sertanejo.
"Está tudo perdido, não há mais o que se fazer", diz o agricultor, Manoel Benigno Uchoa, 75 anos, morador do sítio Croatá, na zona rural deste município, na região Centro-Sul do Ceará. Nos últimos 40 dias, ele mantém a rotina de caminhar diariamente de casa para o roçado de milho e feijão para fazer o serviço de roço e combater o ataque de lagartas. "Este mês de fevereiro foi ingrato. Não caiu uma gota d´água. Nunca vi uma coisa assim. Antes a seca era só de um ano, dois e a chuva voltava".
Segundo dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), o mês de fevereiro termina com o registro de chuva bem abaixo da média - 43,2%. Para o período eram esperados 118.6mm, mas choveu somente 67.4 São dados parciais, pois este ano é bissexto e o mês termina hoje, mas a estatística reflete toda a tendência da escassez de chuva que castigou o sertão cearense no primeiro mês da quadra invernosa (fevereiro a maio).
Para o próximo trimestre, as previsões não são nada animadoras. O fenômeno El Niño permanece influenciando a quadra invernosa no Semiárido, afastando a ocorrência das chuvas. A temperatura superficial das águas do Oceano Atlântico também está desfavorável. "Deveria estar mais aquecida, no Atlântico Sul", observa o meteorologista da Funceme, Raul Fritz.
A análise de vários modelos e dos dados meteorológicos levou a Funceme a ampliar de 65% para 70% a chance das chuvas ficarem escassas nos próximos três meses. "O cenário é desfavorável", disse Fritz. "Infelizmente, estamos caminhando para o quinto período de seca". O El Niño permanece intenso e só deve refluir a partir de maio, mas já não é mais período de chuvas no sertão cearense.
"Podem ocorrer eventos isolados de chuva ou quem sabe outro sistema passar a atuar e trazer precipitações, pois as condicionantes do Atlântico mudam com mais rapidez, mas isso é pouco provável", sentencia Fritz. Afinal, a Funceme não previu a ocorrência de intensas chuvas na segunda quinzena de janeiro passado, mas elas vieram com tudo.
Grãos murcharam
A área de dois hectares de milho e feijão cultivada no fim de janeiro por Manoel Benigno é um retrato de milhares de roças no sertão cearense. Os grãos murcharam e se perderam. "Está tudo perdido", disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Iguatu, Evanilson Saraiva. "Em algumas áreas, o feijão ainda se sustenta mais três, quatro dias, mas se não chover logo, não há o que se fazer".
A preocupação a partir de agora não é mais com a lavoura das culturas de subsistência. Depois de cinco anos de safra perdida, os agricultores estão desmotivados, sem esperança e sem coragem de fazer um novo cultivo se houver retomada das precipitações. Tiveram prejuízo no primeiro roçado. "O temor é com a falta de água para os bichos, para a gente mesmo", disse o produtor, André Ferreira, da localidade de Gadelha. A maioria dos pequenos e médios açudes permanece sem água. "Aqui ninguém pensa mais em agricultura, está tudo acabado, é mais barato comprar feijão, arroz e milho do que plantar, a nossa luta é para conseguir água".
AUTOR: DN
sábado, 27 de fevereiro de 2016
A CIDADE DE JAGUARIBARA (CE), ANTES INUNDADA PELO CASTANHÃO REAPARECE COM QUEDA DO NÍVEL DE ÁGUA
Baixo nível do Castanhão deixa à mostra antigas estruturas de Jaguaribara, esvaziada em 2001/ CAMILA DE ALMEIDA
Os abrigos de ônibus ainda de pé, as lombadas, um canteiro central e edificações demolidas às margens da estrada. Depois de 16 quilômetros fora da BR-116, vai ficando claro que a rodovia desativada um dia serviu de acesso aos moradores da velha Jaguaribara. A cidade que já esteve banhada pelo açude Castanhão vem se revelando desde 2013. E a redução do nível do reservatório, que ontem tinha 9,98% do volume, deixa os escombros cada dia mais distantes da água.
Há dois anos, indícios da velha Jaguaribara começaram a ser vistos em passeios de barco. O trajeto por terra segue por fora do reservatório, pela BR-116 no sentido do município de Jaguaribe. Depois, é encontrar o trevo de acesso à antiga cidade e seguir pela estrada que já esteve submersa.
Casa, escola, mercearia, o paralelepípedo das ruas. Tudo ressurge misturado nas estruturas demolidas e quase irreconhecíveis. A decisão de levar tudo ao chão visou a segurança dos banhistas e pescadores do Castanhão. Foi logo depois da transferência das famílias em 2001 para a nova Jaguaribara. À época, o Governo do Estado quis evitar que a cidade abandonada fosse reocupada antes que o açude ficasse pronto. A conclusão da obra veio em 2003.
Longe das ruínas, o pescador Francisco de Assis da Silva já se mostra adaptado à vida fora da velha Jaguaribara. Não se apega ao passado e insiste em continuar no Castanhão. É onde ele e a esposa Selma sobrevivem pegando tilápia e tucunaré. Como a seca não dá trégua, ele lembra da filha que mora no Rio Grande do Norte. “Ela vive chamando a gente, mas eu não quero ir. Só se for o jeito mesmo”, avisa.
Enquanto professa fé na chuva boa, o casal contorna as dificuldades. “Aqui dava peixe demais. Começou a ficar ruim do começo do ano pra cá. Ele fica mais sabido e se esconde”, lamenta Assis. Ele e Selma costumavam partir com a canoa logo na saída da Vila Pesqueira do Alto Santo, onde moram. Agora, são pelo menos quatro longas descidas por dia até a embarcação. Andando por um trecho original da BR-116, também reaparecido após a seca. Coisa de quando o Castanhão conseguia banhar também este pedaço de asfalto, pois a rodovia foi desviada em 26 quilômetros para dar espaço ao açude.
AUTOR: O POVO
Os abrigos de ônibus ainda de pé, as lombadas, um canteiro central e edificações demolidas às margens da estrada. Depois de 16 quilômetros fora da BR-116, vai ficando claro que a rodovia desativada um dia serviu de acesso aos moradores da velha Jaguaribara. A cidade que já esteve banhada pelo açude Castanhão vem se revelando desde 2013. E a redução do nível do reservatório, que ontem tinha 9,98% do volume, deixa os escombros cada dia mais distantes da água.
Há dois anos, indícios da velha Jaguaribara começaram a ser vistos em passeios de barco. O trajeto por terra segue por fora do reservatório, pela BR-116 no sentido do município de Jaguaribe. Depois, é encontrar o trevo de acesso à antiga cidade e seguir pela estrada que já esteve submersa.
Casa, escola, mercearia, o paralelepípedo das ruas. Tudo ressurge misturado nas estruturas demolidas e quase irreconhecíveis. A decisão de levar tudo ao chão visou a segurança dos banhistas e pescadores do Castanhão. Foi logo depois da transferência das famílias em 2001 para a nova Jaguaribara. À época, o Governo do Estado quis evitar que a cidade abandonada fosse reocupada antes que o açude ficasse pronto. A conclusão da obra veio em 2003.
Longe das ruínas, o pescador Francisco de Assis da Silva já se mostra adaptado à vida fora da velha Jaguaribara. Não se apega ao passado e insiste em continuar no Castanhão. É onde ele e a esposa Selma sobrevivem pegando tilápia e tucunaré. Como a seca não dá trégua, ele lembra da filha que mora no Rio Grande do Norte. “Ela vive chamando a gente, mas eu não quero ir. Só se for o jeito mesmo”, avisa.
Enquanto professa fé na chuva boa, o casal contorna as dificuldades. “Aqui dava peixe demais. Começou a ficar ruim do começo do ano pra cá. Ele fica mais sabido e se esconde”, lamenta Assis. Ele e Selma costumavam partir com a canoa logo na saída da Vila Pesqueira do Alto Santo, onde moram. Agora, são pelo menos quatro longas descidas por dia até a embarcação. Andando por um trecho original da BR-116, também reaparecido após a seca. Coisa de quando o Castanhão conseguia banhar também este pedaço de asfalto, pois a rodovia foi desviada em 26 quilômetros para dar espaço ao açude.
AUTOR: O POVO
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
BICA DO IPU (CE), VOLTA A JORRAR ÁGUA
FOTO: AFRÂNIO SOARES/ACONTECEU EM IPU
A Bica do Ipu voltou a jorrar água nesta semana, após meses sem água no paredão rochoso de 130 metros de altura. Os moradores da região registraram imagens da cachoeira na bica, durante a madruga da última terça-feira, 19, quando choveu 27 mm na cidade.
Em novembro de 2015, O POVO esteve em Ipu e registrou a bica completamente seca, após o último fio d'água escorrer pelo local ainda em setembro.
Na época, . Moradores denunciam que fazendeiros do alto da serra estão represando as águas do riacho Ipuçaba para usá-la em suas plantações.
A queda d'água atraiu turistas e moradores, conforme os portais de notícias da cidade.
Veja o vídeo:
A APA em que está a Bica do Ipu abrange uma região de 3.484,66 hectares.
A Bica do Ipu voltou a jorrar água nesta semana, após meses sem água no paredão rochoso de 130 metros de altura. Os moradores da região registraram imagens da cachoeira na bica, durante a madruga da última terça-feira, 19, quando choveu 27 mm na cidade.
Em novembro de 2015, O POVO esteve em Ipu e registrou a bica completamente seca, após o último fio d'água escorrer pelo local ainda em setembro.
Na época, . Moradores denunciam que fazendeiros do alto da serra estão represando as águas do riacho Ipuçaba para usá-la em suas plantações.
A queda d'água atraiu turistas e moradores, conforme os portais de notícias da cidade.
Veja o vídeo:
A APA em que está a Bica do Ipu abrange uma região de 3.484,66 hectares.
Entre as atividades proibidas, de acordo com o decreto que estabeleceu a APA, está a implantação de ações potencialmente degradadoras e a intervenção em nascentes e encostas.
Queda d´água na manhã de terça-feira, 19/FOTO: IPU NOTICÍAS
Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), choveu 16.5 mm em Ipu, entre as 7 horas de terça-feira e 7 horas desta quarta-feira, 20. Outros 63 municípios registraram chuvas, mas a maior precipitação ocorreu em Ibiapina, com 51 mm.
AUTOR: O POVO
Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), choveu 16.5 mm em Ipu, entre as 7 horas de terça-feira e 7 horas desta quarta-feira, 20. Outros 63 municípios registraram chuvas, mas a maior precipitação ocorreu em Ibiapina, com 51 mm.
AUTOR: O POVO
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
MUNICÍPIOS CEARENSES CANCELAM FESTAS DE CARNAVAL
Várzea Alegre, que realizou um dos eventos mais movimentados em 2015 não terá festa. (Foto: Kid Júnior)
"Este ano não vai ser/Igual àquele que passou/Eu não brinquei/Você não brincou´. Com certeza, o início da letra da inesquecível marchinha ´Até Quarta-Feira´ retrata bem a realidade vivenciada, neste ano, pelos municípios do Interior do Estado que enfrentam escassez de água, enormes dificuldades financeiras e decidiram cancelar o Carnaval. Menos cidades do que em 2015 vão promover a festa.
Os moradores do sertão que desejam brincar terão de colocar o pé na estrada e partir em busca da festa em cidades litorâneas. Na região Centro-Sul, cidades que promoviam grandes carnavais como Acopiara, Várzea Alegre e Catarina já anunciaram o cancelamento do evento. Os gestores alegam dificuldades financeiras e priorizaram aplicar recursos no pagamento de salários atrasados e no setor de Saúde.
Para reforçar o espírito de fim de festa, promotores de Justiça e o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) orientam os gestores a evitar gastos com os festejos carnavalescos. "É inconcebível promover Carnaval se os salários de servidores estão atrasados e há outras despesas mais urgentes", disse o presidente do TCM, Francisco Aguiar.
Parece que os gestores ouviram o recado do TCM. Na última sexta-feira, no Portal das Licitações, sete municípios constavam com abertura de processo de concorrência específica para o Carnaval: Aracoiaba, Aracati, Bela Cruz, Granja, Icapuí, Sobral e Ubajara. Outras cidades já anunciaram que vão realizar a festa: Fortim, Orós e Paracuru. Devem aparecer na lista nos próximos dias. Há aquelas que ainda estão por decidir: Beberibe, Ubajara (embora já tenha aberto licitação), São Benedito e Tianguá.
O prefeito de Acopiara, Dr. Vilmar Félix, já priorizou que vai investir recursos para a reabertura do Hospital Geral Suzana Gurgel do Vale e decidiu, portanto, cancelar o Carnaval.
No ano passado, a Prefeitura de Várzea Alegre driblou a crise, privatizando o espaço de evento, mas neste ano a Câmara de Vereadores não votou mensagem autorizando a concessão do espaço público. Além disso, o salário de 1500 servidores da Saúde e da Educação, referente a dezembro passado, está atrasado. Resultado: Carnaval cancelado. Funcionários em greve.
Até mesmo a subvenção que era dada para as escolas de samba Unidos do Roçado de Dentro (Esurd) e Mocidade Independente do Sanharol (MIS), no valor total de R$ 30 mil, foi cancelada pela Prefeitura de Várzea Alegre. "Vamos priorizar o recurso para o pagamento da folha de pessoal", disse o prefeito Vanderlei Freire. Na sexta-feira passada, o prefeito de Catarina, Rafael Paes de Andrade, decidiu suspender o Carnaval, a exemplo do ano passado e justificou: "Há uma crise, dificuldades, e os recursos serão destinados para compra de ambulâncias". Carnaubal também cancelou a festa. O balneário está seco e não há como atrair os foliões.
Outros gestores alegam, entretanto, que é preciso manter a folia para alegria dos brincantes e movimentação econômica da cidade. Dessa forma, o evento seria um atrativo turístico que atrai milhares de pessoas e movimenta a economia local. O prefeito de Granja, Romeu Aldigueri, disse que a festa é tradicional no Rio Coreaú, gerando emprego, renda e atraindo milhares de pessoas. "Vamos investir cerca de 600 mil reais", anunciou.
Orós vai enfrentar as dificuldades e promover a festa na margem do açude de mesmo nome, com animação do meio-dia às 22 horas. A gestão não anunciou o orçamento da festa. Em Fortim, haverá folia. A previsão é de gastos em torno de R$ 200 mil. Paracuru promete repetir sucessos anteriores, mas não informou o valor a ser gasto.
No litoral, Aracati mantém um dos maiores carnavais do litoral, com participação da iniciativa privada. Há trios elétricos e uma multidão sem fim nas ruas. No sertão, o Ministério Público em Tauá recomendou o cancelamento do Carnaval, mas a tendência é a Prefeitura seguir a vontade dos jovens e manter a realização da festa.
Orientação
O TCM orienta que não basta as prefeituras observarem a questão legal, mas é preciso levar em consideração aspectos sociais e econômicos. Afinal, há em vigor um decreto estadual de emergência e já são quatro anos seguidos de seca. "É preciso observar princípios administrativos de razoabilidade, oportunidade e viabilidade", disse a diretora de fiscalização do órgão, Telma Escóssio. Para Francisco Aguiar a crise econômica deve afetar ainda mais as Prefeituras em 2016 em decorrência de aumento de despesas e queda nas receitas. "O momento é de prevenção, cautela". O presidente da Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece), Expedito Nascimento, disse que a tendência é de cancelamento do Carnaval nos municípios que vinham mantendo a tradição.
AUTOR: DN
"Este ano não vai ser/Igual àquele que passou/Eu não brinquei/Você não brincou´. Com certeza, o início da letra da inesquecível marchinha ´Até Quarta-Feira´ retrata bem a realidade vivenciada, neste ano, pelos municípios do Interior do Estado que enfrentam escassez de água, enormes dificuldades financeiras e decidiram cancelar o Carnaval. Menos cidades do que em 2015 vão promover a festa.
Os moradores do sertão que desejam brincar terão de colocar o pé na estrada e partir em busca da festa em cidades litorâneas. Na região Centro-Sul, cidades que promoviam grandes carnavais como Acopiara, Várzea Alegre e Catarina já anunciaram o cancelamento do evento. Os gestores alegam dificuldades financeiras e priorizaram aplicar recursos no pagamento de salários atrasados e no setor de Saúde.
Para reforçar o espírito de fim de festa, promotores de Justiça e o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) orientam os gestores a evitar gastos com os festejos carnavalescos. "É inconcebível promover Carnaval se os salários de servidores estão atrasados e há outras despesas mais urgentes", disse o presidente do TCM, Francisco Aguiar.
Parece que os gestores ouviram o recado do TCM. Na última sexta-feira, no Portal das Licitações, sete municípios constavam com abertura de processo de concorrência específica para o Carnaval: Aracoiaba, Aracati, Bela Cruz, Granja, Icapuí, Sobral e Ubajara. Outras cidades já anunciaram que vão realizar a festa: Fortim, Orós e Paracuru. Devem aparecer na lista nos próximos dias. Há aquelas que ainda estão por decidir: Beberibe, Ubajara (embora já tenha aberto licitação), São Benedito e Tianguá.
O prefeito de Acopiara, Dr. Vilmar Félix, já priorizou que vai investir recursos para a reabertura do Hospital Geral Suzana Gurgel do Vale e decidiu, portanto, cancelar o Carnaval.
No ano passado, a Prefeitura de Várzea Alegre driblou a crise, privatizando o espaço de evento, mas neste ano a Câmara de Vereadores não votou mensagem autorizando a concessão do espaço público. Além disso, o salário de 1500 servidores da Saúde e da Educação, referente a dezembro passado, está atrasado. Resultado: Carnaval cancelado. Funcionários em greve.
Até mesmo a subvenção que era dada para as escolas de samba Unidos do Roçado de Dentro (Esurd) e Mocidade Independente do Sanharol (MIS), no valor total de R$ 30 mil, foi cancelada pela Prefeitura de Várzea Alegre. "Vamos priorizar o recurso para o pagamento da folha de pessoal", disse o prefeito Vanderlei Freire. Na sexta-feira passada, o prefeito de Catarina, Rafael Paes de Andrade, decidiu suspender o Carnaval, a exemplo do ano passado e justificou: "Há uma crise, dificuldades, e os recursos serão destinados para compra de ambulâncias". Carnaubal também cancelou a festa. O balneário está seco e não há como atrair os foliões.
Outros gestores alegam, entretanto, que é preciso manter a folia para alegria dos brincantes e movimentação econômica da cidade. Dessa forma, o evento seria um atrativo turístico que atrai milhares de pessoas e movimenta a economia local. O prefeito de Granja, Romeu Aldigueri, disse que a festa é tradicional no Rio Coreaú, gerando emprego, renda e atraindo milhares de pessoas. "Vamos investir cerca de 600 mil reais", anunciou.
Orós vai enfrentar as dificuldades e promover a festa na margem do açude de mesmo nome, com animação do meio-dia às 22 horas. A gestão não anunciou o orçamento da festa. Em Fortim, haverá folia. A previsão é de gastos em torno de R$ 200 mil. Paracuru promete repetir sucessos anteriores, mas não informou o valor a ser gasto.
No litoral, Aracati mantém um dos maiores carnavais do litoral, com participação da iniciativa privada. Há trios elétricos e uma multidão sem fim nas ruas. No sertão, o Ministério Público em Tauá recomendou o cancelamento do Carnaval, mas a tendência é a Prefeitura seguir a vontade dos jovens e manter a realização da festa.
Orientação
O TCM orienta que não basta as prefeituras observarem a questão legal, mas é preciso levar em consideração aspectos sociais e econômicos. Afinal, há em vigor um decreto estadual de emergência e já são quatro anos seguidos de seca. "É preciso observar princípios administrativos de razoabilidade, oportunidade e viabilidade", disse a diretora de fiscalização do órgão, Telma Escóssio. Para Francisco Aguiar a crise econômica deve afetar ainda mais as Prefeituras em 2016 em decorrência de aumento de despesas e queda nas receitas. "O momento é de prevenção, cautela". O presidente da Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece), Expedito Nascimento, disse que a tendência é de cancelamento do Carnaval nos municípios que vinham mantendo a tradição.
AUTOR: DN
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
PARA PREFEITURAS DO CEARÁ, TCM RECOMENDA A NÃO REALIZAÇÃO DE CARNAVAL, POR CAUSA DA SECA
A seca no Ceará já dura cinco anos (Foto: Guto Vital/Agência Miséria)
A escassez de abastecimento d’água e as dificuldades financeiras ainda preocupam vários municípios do Ceará em 2016. Faltando duas semanas para o Carnaval, o Tribunal de Contas dos Municípios do Ceará (TCM) recomenda aos gestores municipais não realizar as festas carnavalescas utilizando recursos próprios. A intenção é transferir o evento para a iniciativa privada.
Neste ano, apenas quatro municípios do Ceará abriram processos de licitações para a realização das festas. Entre eles, estão Aracoiaba e Bela Cruz, que já estão em processo de aluguel do espaço público para realização das festividades com iniciativa privada, e Granja e Aracati, que estão em processo de licitações para promoverem os eventos.
A escassez de abastecimento d’água e as dificuldades financeiras ainda preocupam vários municípios do Ceará em 2016. Faltando duas semanas para o Carnaval, o Tribunal de Contas dos Municípios do Ceará (TCM) recomenda aos gestores municipais não realizar as festas carnavalescas utilizando recursos próprios. A intenção é transferir o evento para a iniciativa privada.
Neste ano, apenas quatro municípios do Ceará abriram processos de licitações para a realização das festas. Entre eles, estão Aracoiaba e Bela Cruz, que já estão em processo de aluguel do espaço público para realização das festividades com iniciativa privada, e Granja e Aracati, que estão em processo de licitações para promoverem os eventos.
Apesar disso, a situação não é nova. Sofrendo com a estiagem há quatro anos, em 2014, quase de 62 municípios desistiram de realizar os festejos nesta época do ano. Já no ano passado, o governador Camilo Santana (PT) determinou a suspensão do repasse de verbas de patrocínio e apoio aos eventos festivos relacionados ao Carnaval após 95% dos municípios do estado declarar estado de emergência.
De acordo com o presidente do Tribunal, Chico Aguiar, a recomendação também havia sido feita para que os municípios não realizassem as festividades de Réveillon de 2015 para 2016.
Em nota oficial, o TCM informou que “está alertando todas as prefeituras cearenses sobre o cuidado com gastos nos próximos meses” e que “diante das limitações financeiras o órgão indica que os gestores devem agir com prudência, de modo a evitar o desequilíbrio das contas públicas”.
Ainda de acordo com a nota, o Tribunal recomenda que as prefeituras apliquem recursos públicos em atividades festivas. Além disso, indica que aos gestores que “priorizem o pagamento de despesas com pessoal, saúde, educação, serviços públicos essenciais e despesas relevantes” antes das comemorações.
AUTOR: AGÊNCIA MISÉRIA
De acordo com o presidente do Tribunal, Chico Aguiar, a recomendação também havia sido feita para que os municípios não realizassem as festividades de Réveillon de 2015 para 2016.
Em nota oficial, o TCM informou que “está alertando todas as prefeituras cearenses sobre o cuidado com gastos nos próximos meses” e que “diante das limitações financeiras o órgão indica que os gestores devem agir com prudência, de modo a evitar o desequilíbrio das contas públicas”.
Ainda de acordo com a nota, o Tribunal recomenda que as prefeituras apliquem recursos públicos em atividades festivas. Além disso, indica que aos gestores que “priorizem o pagamento de despesas com pessoal, saúde, educação, serviços públicos essenciais e despesas relevantes” antes das comemorações.
AUTOR: AGÊNCIA MISÉRIA
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