Trio será julgado pelas mortes de mais duas vítimas. No total, foram três assassinatos comprovados pela polícia (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
Conhecidos mundialmente como os “Canibais de Garanhuns”, Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, Isabel Cristina Torreão Pires e Bruna Cristina Oliveira da Silva vão sentar novamente no banco dos réus. A Primeira Vara Criminal de Garanhuns decidiu que o trio irá a júri popular pelos assassinatos, esquartejamento e ocultação de cadáver de outras duas mulheres na cidade do Agreste pernambucano.
O trio, que já foi condenado em 2014 pelo homicídio quadruplamente qualificado da adolescente Jéssica Camila da Silva Pereira, de 17 anos, em Olinda, está preso desde 2012 – quando os crimes começaram a ser desvendados pela polícia. Além de atrair as vítimas e assassiná-las, Jorge, Isabel e Bruna confirmam à Justiça que praticavam canibalismo. Em depoimento à polícia, na época, Isabel também confirmou que recheava salgados com carne humana, que eram vendidos nas ruas, comércios e até na frente de hospitais em Garanhuns.
Desta vez, o trio irá ser julgado pelas mortes de Alexandra Falcão, 20 anos, e Giselly Helena, 31. Ambos os crimes aconteceram pouco antes da prisão deles. Segundo as investigações coordenadas pela Polícia Civil, os acusados criaram uma seita imaginária chamada Cartel, que tinha por objetivo diminuir a densidade demográfica. Para isso, deveriam exterminar mulheres que tivessem filhos, mas sem condições de criá-los. Jorge Beltrão seria o mentor da seita.
A Justiça ainda não definiu a data do júri popular, porque ainda cabe recurso da defesa dos réus.
História virou livro-reportagem
Os detalhes do caso, que mais parece roteiro de filme de terror, foram publicados em livro-reportagem pela Chiado Editora. A obra, escrita por este jornalista e blogueiro, relata a história dos três acusados e de como as vidas deles se cruzaram, como os assassinatos eram planejados e qual o desfecho dessa história tão intrigante. O livro traz ainda bastidores da cobertura jornalística e revelações inéditas das investigações. A obra está à venda nas principais livrarias do País ou pelo e-mail: canibaisdegaranhuns@gmail.com.
AUTOR: Ronda JC
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quinta-feira, 19 de maio de 2016
sábado, 15 de novembro de 2014
TRIO DE CANIBAIS É CONDENADO EM JÚRI POPULAR, EM OLINDA (PE)
Trio ficou de pé para escutar decisão no Fórum de Olinda (Foto: Anna Tiago/G1)
O trio de canibais foi condenado, na noite desta sexta-feira (14), por homicídio quadruplamente qualificado, vilipêndio (violação) e ocultação do cadáver de Jéssica Camila da Silva Pereira, 17 anos. O crime ocorreu em maio de 2008. Jorge Beltrão Negromonte da Silveira pegou 21 anos e seis meses de reclusão e um ano e seis meses de detenção, totalizando 23 anos.
Inicialmente, Jorge Beltrão Negromonte da Silveira volta ao Complexo do Curado, na Zona Oeste do Recife, mas deverá cumprir a pena na Penitenciária Barreto Campelo, em Itamaracá, na Região Metropolitana, quando não couber mais recurso. Isabel Cristina Torreão Pires e Bruna Cristina Oliveira da Silva serão encaminhadas à Colônia Penal de Buíque, no Agreste.
A promotora Eliane Gaia lamentou a redução da pena, mas estava satisfeita com a decisão do júri. "O MPPE [Ministério Público de Pernambuco] fez o seu trabalho junto à sociedade e o corpo de jurados nos atendeu. A pena faz parte do nosso código e a confissão ajudou na redução", afirmou. Ela não pretende recorrer da sentença.
A vítima era moradora de rua, tinha 17 anos, uma filha de um ano e aceitou viver com os acusados. Eles planejaram ficar com a criança depois de matar a mãe, segundo a denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Os três réus foram acusados de terem guardado a carne da jovem para consumo humano, além de ter ocultado os restos mortais.
Julgamento em dois dias
O júri foi realizado em dois dias. Teve início na quinta (13), mas foi suspenso à noite a pedido do MPPE e da defesa dos réus. Recomeçou na manhã desta sexta e terminou por volta das 19h30.
No primeiro dia, o trio foi hostilizado ao chegar ao Fórum de Olinda e trocou acusações entre si durante os depoimentos. Eles contaram detalhes macabros da ação e uma das rés, Bruna Cristina, disse que “Jogos Mortais perdia” ao descrever o assassinato de Jéssica. A mulher afirmou que chegou a comer a carne da vítima por causa do ritual.
Nesta sexta, Jorge Beltrão foi o primeiro dos réus a chegar ao Fórum para o segundo dia da sessão. Às 9h30 chegaram as outras duas rés, Isabel Cristina e Bruna Cristina. Antes do julgamento começar, Bruna mostrou um papel a Jorge. Isabel estava chorosa e parecia bastante nervosa.
A fase de debates no último dia começou por volta das 9h40. A sustentação oral da representante do Ministério Público de Pernambuco durou 2h30, mesmo tempo destinado aos defensores dos réus. Houve réplica e tréplica. Terminada essa etapa, os sete jurados que compunham o Conselho de Sentença reuniram-se para responder a quesitos e votar pela absolvição ou condenação. Com base na votação, a juíza realizou a dosimetria da pena e leu a sentença em plenário.
O trio de canibais foi condenado, na noite desta sexta-feira (14), por homicídio quadruplamente qualificado, vilipêndio (violação) e ocultação do cadáver de Jéssica Camila da Silva Pereira, 17 anos. O crime ocorreu em maio de 2008. Jorge Beltrão Negromonte da Silveira pegou 21 anos e seis meses de reclusão e um ano e seis meses de detenção, totalizando 23 anos.
Já as rés Isabel Cristina Torreão Pires e Bruna Cristina Oliveira da Silva pegaram 19 anos de reclusão e um ano de detenção, totalizando 20 anos cada. A sentença foi lida pela juíza Maria Segunda Gomes de Lima, que presidiu o júri popular no Fórum de Olinda, Grande Recife.
A defesa dos réus informou que vai recorrer da decisão.
Sentença foi lida pela juíza Maria Segunda Gomes de Lima, que presidiu o júri popular no Fórum de Olinda
(Foto: Anna Tiago/G1)
"Os jurados entenderam que os réus são culpados e, com base no artigo 59 do Código Penal, foi aplicada uma pena determinada a casa um deles, especificamente depois de analisar todos os antecedentes, culpabilidade, comportamento", disse a magistrada, acrescentando que, nesse caso, não coube a pena máxima. "Pena máxima a gente aplica quando tem condenação e outros processos já julgados, o que não é o caso deles. Um [Jorge] responde a outro processo, mas não tem condenação. No caso dos outros crimes que ele responde na cidade de Garanhuns, pode ser que isso desfavoreça a pena dele", explicou.
Segundo o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), pelo menos um sexto da pena de reclusão só pode ser cumprida em regime fechado. Já no caso da detenção, essa pena pode ser cumprida em regime semiaberto ou aberto. A decisão levou em conta quatro agravantes do homicídio (motivo fútil, emprego de meio cruel, sem dar chance de defesa à vítima e para assegurar impunidade).
Jorge Beltrão ainda foi condenado a pagar 320 dias-multa e as rés, 120 dias-multa. O valor será estabelecido pela Vara de Execuções Penais e pode ser cobrado depois do cumprimento das penas. A multa será paga ao Fundo Penitenciário.
"Os jurados entenderam que os réus são culpados e, com base no artigo 59 do Código Penal, foi aplicada uma pena determinada a casa um deles, especificamente depois de analisar todos os antecedentes, culpabilidade, comportamento", disse a magistrada, acrescentando que, nesse caso, não coube a pena máxima. "Pena máxima a gente aplica quando tem condenação e outros processos já julgados, o que não é o caso deles. Um [Jorge] responde a outro processo, mas não tem condenação. No caso dos outros crimes que ele responde na cidade de Garanhuns, pode ser que isso desfavoreça a pena dele", explicou.
Segundo o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), pelo menos um sexto da pena de reclusão só pode ser cumprida em regime fechado. Já no caso da detenção, essa pena pode ser cumprida em regime semiaberto ou aberto. A decisão levou em conta quatro agravantes do homicídio (motivo fútil, emprego de meio cruel, sem dar chance de defesa à vítima e para assegurar impunidade).
Jorge Beltrão ainda foi condenado a pagar 320 dias-multa e as rés, 120 dias-multa. O valor será estabelecido pela Vara de Execuções Penais e pode ser cobrado depois do cumprimento das penas. A multa será paga ao Fundo Penitenciário.
Jorge e Isabel ficaram de mãos dadas enquanto escutavam a sentença (Foto: Anna Tiago/G1)
Inicialmente, Jorge Beltrão Negromonte da Silveira volta ao Complexo do Curado, na Zona Oeste do Recife, mas deverá cumprir a pena na Penitenciária Barreto Campelo, em Itamaracá, na Região Metropolitana, quando não couber mais recurso. Isabel Cristina Torreão Pires e Bruna Cristina Oliveira da Silva serão encaminhadas à Colônia Penal de Buíque, no Agreste.
A promotora Eliane Gaia lamentou a redução da pena, mas estava satisfeita com a decisão do júri. "O MPPE [Ministério Público de Pernambuco] fez o seu trabalho junto à sociedade e o corpo de jurados nos atendeu. A pena faz parte do nosso código e a confissão ajudou na redução", afirmou. Ela não pretende recorrer da sentença.
A vítima era moradora de rua, tinha 17 anos, uma filha de um ano e aceitou viver com os acusados. Eles planejaram ficar com a criança depois de matar a mãe, segundo a denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Os três réus foram acusados de terem guardado a carne da jovem para consumo humano, além de ter ocultado os restos mortais.
Jorge, Isabel e Bruna ainda serão julgados por outros dois crimes (Foto: Katherine Coutinho/G1)
Julgamento em dois dias
O júri foi realizado em dois dias. Teve início na quinta (13), mas foi suspenso à noite a pedido do MPPE e da defesa dos réus. Recomeçou na manhã desta sexta e terminou por volta das 19h30.
No primeiro dia, o trio foi hostilizado ao chegar ao Fórum de Olinda e trocou acusações entre si durante os depoimentos. Eles contaram detalhes macabros da ação e uma das rés, Bruna Cristina, disse que “Jogos Mortais perdia” ao descrever o assassinato de Jéssica. A mulher afirmou que chegou a comer a carne da vítima por causa do ritual.
Nesta sexta, Jorge Beltrão foi o primeiro dos réus a chegar ao Fórum para o segundo dia da sessão. Às 9h30 chegaram as outras duas rés, Isabel Cristina e Bruna Cristina. Antes do julgamento começar, Bruna mostrou um papel a Jorge. Isabel estava chorosa e parecia bastante nervosa.
A fase de debates no último dia começou por volta das 9h40. A sustentação oral da representante do Ministério Público de Pernambuco durou 2h30, mesmo tempo destinado aos defensores dos réus. Houve réplica e tréplica. Terminada essa etapa, os sete jurados que compunham o Conselho de Sentença reuniram-se para responder a quesitos e votar pela absolvição ou condenação. Com base na votação, a juíza realizou a dosimetria da pena e leu a sentença em plenário.
Ilana Casoy esteve no Fórum de Olinda para acompanhar júri dos canibais (Foto: Luna Markman/G1)
Caso deve virar filme
O julgamento do trio acusado de canibalismo atraiu a pesquisadora e escritora Ilana Casoy a Pernambuco. Uma das maiores especialistas em serial killers do Brasil, ela pretende fazer um documentário sobre a história que chocou o país em 2012, com a descoberta de outros dois homicídios atribuídos ao trio em Garanhuns, no Agreste do estado.
A especialista já colaborou com a Polícia Civil e Técnico-Científica, Ministério Público e advogados de São Paulo e de outros estados para ajudar na elaboração da análise criminal de casos em andamento. Têm quatro livros publicados: “Serial Killer – Louco ou Cruel? “ e “Serial Killers – Made in Brazil”, “O Quinto Mandamento” e “A Prova é a Testemunha”.
Casoy acompanhou o caso desde o início, tendo tido inclusive a chance de entrevistar os réus. “Todos os crimes com mais de duas vítimas que envolvem um ritual me chamam atenção. Neste caso, o que se destaca é que a gente tem três assassinos e três versões diferentes. Aqui [no julgamento], eles já têm outras versões, que não foram as que eu ouvi antes, então são seis ao todo. [As versões] não são controversas, às vezes são até complementares, mas é difícil saber exatamente o que aconteceu, o que é verdade e o que não é”, disse.
Outros crimes em Garanhuns
O trio ainda é acusado de assassinar em Garanhuns, no Agreste do estado, Giselly Helena da Silva, 31 anos, e Alexandra Falcão da Silva, 20 anos, mortas, respectivamente, em fevereiro e março de 2012. O julgamento relativo a esse processo ainda não foi marcado pela Justiça estadual.
Os acusados afirmam fazer parte da seita O Cartel, que visa a purificação do mundo e o controle populacional. A ingestão da carne faria parte do processo de purificação. O caso veio a público depois que parentes de Giselly Helena da Silva denunciaram o seu desaparecimento. Os acusados usaram o cartão de crédito da vítima em lojas de Garanhuns e foram rastreados pela polícia.
Uma publicação contendo os detalhes dos crimes - registrada em cartório - foi encontrada na casa dos réus. Para a Polícia Civil de Pernambuco, não há possibilidade de outras mortes terem sido praticadas pelo trio no estado.
AUTOR: G1/PE
Caso deve virar filme
O julgamento do trio acusado de canibalismo atraiu a pesquisadora e escritora Ilana Casoy a Pernambuco. Uma das maiores especialistas em serial killers do Brasil, ela pretende fazer um documentário sobre a história que chocou o país em 2012, com a descoberta de outros dois homicídios atribuídos ao trio em Garanhuns, no Agreste do estado.
A especialista já colaborou com a Polícia Civil e Técnico-Científica, Ministério Público e advogados de São Paulo e de outros estados para ajudar na elaboração da análise criminal de casos em andamento. Têm quatro livros publicados: “Serial Killer – Louco ou Cruel? “ e “Serial Killers – Made in Brazil”, “O Quinto Mandamento” e “A Prova é a Testemunha”.
Casoy acompanhou o caso desde o início, tendo tido inclusive a chance de entrevistar os réus. “Todos os crimes com mais de duas vítimas que envolvem um ritual me chamam atenção. Neste caso, o que se destaca é que a gente tem três assassinos e três versões diferentes. Aqui [no julgamento], eles já têm outras versões, que não foram as que eu ouvi antes, então são seis ao todo. [As versões] não são controversas, às vezes são até complementares, mas é difícil saber exatamente o que aconteceu, o que é verdade e o que não é”, disse.
Outros crimes em Garanhuns
O trio ainda é acusado de assassinar em Garanhuns, no Agreste do estado, Giselly Helena da Silva, 31 anos, e Alexandra Falcão da Silva, 20 anos, mortas, respectivamente, em fevereiro e março de 2012. O julgamento relativo a esse processo ainda não foi marcado pela Justiça estadual.
Os acusados afirmam fazer parte da seita O Cartel, que visa a purificação do mundo e o controle populacional. A ingestão da carne faria parte do processo de purificação. O caso veio a público depois que parentes de Giselly Helena da Silva denunciaram o seu desaparecimento. Os acusados usaram o cartão de crédito da vítima em lojas de Garanhuns e foram rastreados pela polícia.
Uma publicação contendo os detalhes dos crimes - registrada em cartório - foi encontrada na casa dos réus. Para a Polícia Civil de Pernambuco, não há possibilidade de outras mortes terem sido praticadas pelo trio no estado.
AUTOR: G1/PE
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
JÚRI DOS CANIBAIS É RETOMADO EM OLINDA (PE), COM DEPOIMENTOS DA DEFESA
Tereza Joacy, advogada de Jorge Beltrão, presta o primeiro depoimento da tarde (Foto: Katherine Coutinho/G1)
Foi reaberto às 13h10 (horário local) desta sexta-feira (14) o julgamento dos três acusados de canibalismo em Pernambuco. A previsão é de que os três advogados de defesa levem duas horas e meia para fazer suas explanações. Em seguida, haverá um debate. É o segundo dia de julgamento de Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, Isabel Cristina Torreão Pires e Bruna Cristina Oliveira da Silva pelo homicídio quadruplamente qualificado, violação e ocultação de cadáver de Jéssica Camila da Silva Pereira, de 17 anos, ocorrido em Olinda, em 2008, - ela é uma das três mulheres que teriam sido mortas pelo trio. O júri acontece no Fórum de Olinda, no Grande Recife e a juíza é a titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Olinda, Maria Segunda Gomes de Lima.
O trio é acusado de ter esquartejado o corpo da vítima, à época com 17 anos, e guardado pedaços da carne para consumo humano, caracterizando o canibalismo. De acordo com a denúncia do Ministério Público de Pernambuco, os restos mortais da vítima ainda foram ocultados; crime aconteceu em maio de 2008, no Loteamento Boa Fé 1, bairro de Rio Doce, Olinda. De acordo com a polícia, a carne dos corpos das vítimas era fatiada, guardada na geladeira e consumida pelo trio. A criança, inclusive, também teria comido da carne da mãe. Eles teriam até utilizado parte da carne das vítimas para rechear coxinhas e salgadinhos que vendiam em Garanhuns.
O primeiro depoimento da tarde é o da defesa de Jorge Beltrão, a advogada Tereza Joacy. Ela começou a explanação com a oração de São Francisco, dizendo também que "é mais fácil estar na cruz do que estar sentado aqui hoje". "Se ele não tem deficiência, de tudo que mostra o processo aqui, mata que é bicho", aponta Tereza, lembrando o histórico do acusado no Centro de Atendimento Psicossocial (CAPs) de Garanhus.
A advogada leu trechos com relatos de problemas de desequilíbrio e de remédios tomados pelo acusado, inclusive alguns para tratamento de esquizofrenia. A defensora fez críticas ao depoimento do psiquiatra Lamartine Holanda, que deu o laudo de sanidade dos réus. "O psiquiatra aqui fez apenas um discurso. A mesma que ele faz para um, está para os outros". A defensora pública lembrou também a questão do riso de Bruna, questionando se não seria uma reação do nervoso, ao invés de ironia como poderia ser interpretado, assim como a apatia de Jorge.
Foi reaberto às 13h10 (horário local) desta sexta-feira (14) o julgamento dos três acusados de canibalismo em Pernambuco. A previsão é de que os três advogados de defesa levem duas horas e meia para fazer suas explanações. Em seguida, haverá um debate. É o segundo dia de julgamento de Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, Isabel Cristina Torreão Pires e Bruna Cristina Oliveira da Silva pelo homicídio quadruplamente qualificado, violação e ocultação de cadáver de Jéssica Camila da Silva Pereira, de 17 anos, ocorrido em Olinda, em 2008, - ela é uma das três mulheres que teriam sido mortas pelo trio. O júri acontece no Fórum de Olinda, no Grande Recife e a juíza é a titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Olinda, Maria Segunda Gomes de Lima.
O trio é acusado de ter esquartejado o corpo da vítima, à época com 17 anos, e guardado pedaços da carne para consumo humano, caracterizando o canibalismo. De acordo com a denúncia do Ministério Público de Pernambuco, os restos mortais da vítima ainda foram ocultados; crime aconteceu em maio de 2008, no Loteamento Boa Fé 1, bairro de Rio Doce, Olinda. De acordo com a polícia, a carne dos corpos das vítimas era fatiada, guardada na geladeira e consumida pelo trio. A criança, inclusive, também teria comido da carne da mãe. Eles teriam até utilizado parte da carne das vítimas para rechear coxinhas e salgadinhos que vendiam em Garanhuns.
O primeiro depoimento da tarde é o da defesa de Jorge Beltrão, a advogada Tereza Joacy. Ela começou a explanação com a oração de São Francisco, dizendo também que "é mais fácil estar na cruz do que estar sentado aqui hoje". "Se ele não tem deficiência, de tudo que mostra o processo aqui, mata que é bicho", aponta Tereza, lembrando o histórico do acusado no Centro de Atendimento Psicossocial (CAPs) de Garanhus.
A advogada leu trechos com relatos de problemas de desequilíbrio e de remédios tomados pelo acusado, inclusive alguns para tratamento de esquizofrenia. A defensora fez críticas ao depoimento do psiquiatra Lamartine Holanda, que deu o laudo de sanidade dos réus. "O psiquiatra aqui fez apenas um discurso. A mesma que ele faz para um, está para os outros". A defensora pública lembrou também a questão do riso de Bruna, questionando se não seria uma reação do nervoso, ao invés de ironia como poderia ser interpretado, assim como a apatia de Jorge.
Paulo Sales, à direita, faz defesa de Isabel Cristina (Foto: Katherine Coutinho/ G1)
Já o defensor de Isabel Cristina, Paulo Sales, começou seu discurso falando sobre Jorge Beltrão, relendo trecho do livro escrito pelo acusado. "Infelizmente, quando se analisa esse julgamento, se vai pelo código penal, mas não vê o aspecto do agente criminoso, de como se deu esse fato delitivo", afirma. Paulo pediu ainda a exibição de um vídeo com o depoimento de um dos irmãos de Jorge, em que ele fala sobre o temperamento explosivo do canibal. "Ele diz que a mulher do irmão dele [Jorge] tinha que andar na linha dele, era uma determinação que ele tinha em relação a ela", aponta, sugerindo a inocência de Isabel.
O advogado Rômulo Lyra, que defende Bruna Cristina Oliveira, afirma que vai tentar convencer os jurados da tese de menor participação de sua cliente, buscando uma redução da pena. "É inegável o quanto as duas amavam o Jorge e ambas tinham muito medo do que aconteceria se elas não fizessem o que ele mandava", aponta o advogado.
'Canibal feliz'
O recesso para almoço foi anunciado depois de uma manhã de explanações da promotoria. A promotora Eliane Gaia falou por pouco mais de duas horas. Ela destacou a crueldade do trio ao cometer o crime e a frieza na execução. "Nunca tínhamos visto um caso de canibalismo", disse logo no começo da explanação, apontando ainda a frieza de Jorge Beltrão, "esse olhar que não muda nunca".
Já o defensor de Isabel Cristina, Paulo Sales, começou seu discurso falando sobre Jorge Beltrão, relendo trecho do livro escrito pelo acusado. "Infelizmente, quando se analisa esse julgamento, se vai pelo código penal, mas não vê o aspecto do agente criminoso, de como se deu esse fato delitivo", afirma. Paulo pediu ainda a exibição de um vídeo com o depoimento de um dos irmãos de Jorge, em que ele fala sobre o temperamento explosivo do canibal. "Ele diz que a mulher do irmão dele [Jorge] tinha que andar na linha dele, era uma determinação que ele tinha em relação a ela", aponta, sugerindo a inocência de Isabel.
O advogado Rômulo Lyra, que defende Bruna Cristina Oliveira, afirma que vai tentar convencer os jurados da tese de menor participação de sua cliente, buscando uma redução da pena. "É inegável o quanto as duas amavam o Jorge e ambas tinham muito medo do que aconteceria se elas não fizessem o que ele mandava", aponta o advogado.
'Canibal feliz'
O recesso para almoço foi anunciado depois de uma manhã de explanações da promotoria. A promotora Eliane Gaia falou por pouco mais de duas horas. Ela destacou a crueldade do trio ao cometer o crime e a frieza na execução. "Nunca tínhamos visto um caso de canibalismo", disse logo no começo da explanação, apontando ainda a frieza de Jorge Beltrão, "esse olhar que não muda nunca".
Eliane Gaia usou toda a manhã para argumentar contra os réus (Foto: Katherine Coutinho/G1)
A promotora defendeu ainda a falta de lógica da seita Cartel, da qual os acusados diziam fazer parte. Para ela, isso serviu apenas como desculpa para a tese da insanidade. "Obviamente eles estavam obedecendo a um ritual que não tinha lógica, você se alimentar de uma pessoa impura para se purificar. Foi disso que Jorge se aproveitou, dizendo 'sou louco, sou louco, sou louco'. A justiça você não vai conseguir manipular", falou. Durante a explanação da promotora, Bruna riu, fazendo Eliane Gaia chamá-la de "Canibal Feliz".
Foi exibido um vídeo, sem áudio, da fase de depoimentos. "Você vê dona Isabel ali, nervosa, e ele sempre essa parede. (...) Olha a cara de preocupação, nenhuma, simplesmente indecente, pervertido, frio calculista, incapaz de sentir pena, é isso que Jorge é, a Bruna e Isabel também", disse a promotora.
Na conclusão, ela relembrou o livro escrito Jorge que descrevia os crimes e leu trechos em que ele detalhava os homicídios. "Ele aqui diz que planejou, 'plano macabro de destruir a adolescente maldita'. Como pode ser louco?" Cada um tem a sua verdade. Eles mataram porque acreditavam que estavam fazendo a coisa certa", pontuou.
Segundo dia
Jorge Beltrão foi o primeiro dos réus a chegar ao Fórum neste segundo dia, por volta das 9h. Às 9h30 chegaram as outras duas rés, Isabel Cristina e Bruna Cristina. Antes do julgamento começar, Bruna mostrou um papel a Jorge. Isabel estava chorosa e parecia bastante nervosa.
Jorge Beltrão Negromonte da Silveira chega ao Fórum de Olinda para o segundo dia do júri (Foto: Katherine Coutinho/G1)
Primeiro dia
A sessão teve início na quinta-feira (13), e os três trocaram acusações entre si durante os depoimentos. Eles contaram detalhes macabros da ação e uma das rés, Bruna Cristina, disse que “Jogos Mortais perdia” ao descrever o assassinato de Jéssica. A mulher afirmou que chegou a comer a carne da vítima por causa do ritual.
Entenda o caso
O inquérito relata que Jéssica Pereira era moradora de rua, tinha 17 anos, uma filha de um ano e aceitou viver com os acusados. Eles planejaram ficar com a criança depois de matar a mãe. Em Garanhuns, as vítimas foram Giselly Helena da Silva, 31 anos, e Alexandra Falcão da Silva, 20 anos, mortas, respectivamente, em fevereiro e março de 2012.
Os acusados afirmam fazer parte da seita Cartel, que visa a purificação do mundo e o controle populacional. A ingestão da carne faria parte do processo de purificação. O caso veio a público depois que parentes de Giselly Helena da Silva denunciaram o seu desaparecimento. Os acusados usaram o cartão de crédito da vítima em lojas de Garanhuns e foram rastreados pela polícia.
Uma publicação contendo os detalhes dos crimes - registrada em cartório - foi encontrada na casa dos réus. Para a Polícia Civil de Pernambuco, não há possibilidade de outras mortes terem sido praticadas pelo trio no estado.
AUTOR: G1/PE
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
ACUSADO DE CANIBALISMO EM PERNAMBUCO ALEGARÁ DISTÚRBIO MENTAL
Considerado o líder do trio de "canibais de Garanhuns", como ficaram conhecidos os acusados de matar, esquartejar e comer três mulheres em Pernambuco em 2008 e 2012, Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, 51 anos, ainda não definiu se falará em juízo sobre a morte de Jéssica Camila Pereira da Silva, a adolescente de 17 anos considerada a primeira vítima dos réus. Porém, a estratégia da sua defesa no júri popular que terá início nesta quinta-feira (13) deverá ser de conseguir uma medida de segurança, no lugar da condenação.
Ao contrário da punição recebida pelos réus considerados culpados que têm consciência do crime que cometeram, levando-os à prisão, a medida de segurança é um tratamento destinado judicialmente aos portadores de doenças mentais que cometem delitos devido à enfermidade, que os conduz aos hospitais de custódia e tratamento psiquiátricos.
No caso de Jorge, o exame de sanidade mental mostrou que ele é imputável, o que quer dizer que pode ir a júri e ser condenado por não ser portador de doenças. "Vou trabalhar para conseguir pelo menos uma semi-imputabilidade.
Não posso crer jamais que essa pessoa seja normal", afirma a defensora pública Tereza Joacy Gomes de Melo. "No laudo, a informação é que ele é imputável, mas diz que tem um distúrbio. O que ele precisa é de um tratamento", argumenta. Para isso, deverá ouvir o psiquiatra forense responsável pelo laudo, Lamartine de Hollanda.
Segundo a advogada, Jorge está angustiado por estar há dois anos e meio preso sem receber visitas de familiares, informação confirmada pela diretoria do Presídio Marcelo Francisco de Araújo, no Complexo Prisional do Curado, no Recife. Além disso, está ansioso para o julgamento.
Segundo Tereza Joacy, Jorge ainda não definiu se irá falar a sua versão dos fatos no júri, seja confessando ou alegando inocência. "Acredito que seria melhor que ele falasse. É a hora de se defender", afirma.
Assim como Isabel Cristina Torreão Pires, 53, e Bruna Cristina Oliveira da Silva, 28, com quem mantinha relacionamentos amorosos, Jorge confessou os assassinatos à polícia durante as investigações, há dois anos. Porém, nas audiências de instruções, usou o direito de se manter em silêncio.
Pela morte de Jéssica, o trio é acusado de homicídio quadruplamente qualificado (motivo torpe, uso de meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e assegurar a impunidade de outros crimes), além de vilipêndio (agressão ao cadáver) e ocultação do corpo. Bruna ainda é acusada de falsidade ideológica, por ter assumido a identidade de Jéssica após a sua morte.
AUTOR: NE10
Segundo a advogada, Jorge está angustiado por estar há dois anos e meio preso sem receber visitas de familiares, informação confirmada pela diretoria do Presídio Marcelo Francisco de Araújo, no Complexo Prisional do Curado, no Recife. Além disso, está ansioso para o julgamento.
Segundo Tereza Joacy, Jorge ainda não definiu se irá falar a sua versão dos fatos no júri, seja confessando ou alegando inocência. "Acredito que seria melhor que ele falasse. É a hora de se defender", afirma.
Assim como Isabel Cristina Torreão Pires, 53, e Bruna Cristina Oliveira da Silva, 28, com quem mantinha relacionamentos amorosos, Jorge confessou os assassinatos à polícia durante as investigações, há dois anos. Porém, nas audiências de instruções, usou o direito de se manter em silêncio.
Pela morte de Jéssica, o trio é acusado de homicídio quadruplamente qualificado (motivo torpe, uso de meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e assegurar a impunidade de outros crimes), além de vilipêndio (agressão ao cadáver) e ocultação do corpo. Bruna ainda é acusada de falsidade ideológica, por ter assumido a identidade de Jéssica após a sua morte.
AUTOR: NE10
terça-feira, 17 de junho de 2014
TRIO ACUSADO DE CANIBALISMO VAI A JÚRI POPULAR EM PERNAMBUCO
Jorge Beltrão e Isabel Cristina teriam conservado a carne da vítima para consumo, segundo denúncia do MPPE (Foto: Reprodução/TV Asa Branca)
A juíza Maria Segunda Gomes de Lima, da Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Olinda, Grande Recife, decidiu que Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, Isabel Cristina Torreão Píres e Bruna Cristina Oliveira da Silva, acusados de cometer canibalismo em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco, vão a júri popular no dia 20 de outubro. O trio foi indiciado por homicídio quadruplamente qualificado, vilipêndio (violação) e ocultação do cadáver de Jéssica Camila da Silva Pereira.
A sentença, proferida na última sexta (13), foi divulgada nesta segunda (16) pela assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça. Os réus vão permanecer presos até a data do júri. A defesa pode recorrer da decisão. No entanto, o advogado Paulo Sales, que defende Isabel Cristina, afirmou que não vai interpor recurso porque acredita na absolvição da sua cliente. Até o momento, o G1 não conseguiu contato com os demais advogados.
As qualificações do homicídio são motivo fútil, emprego de meio cruel, sem dar chance de defesa à vítima e para assegurar impunidade, ocultação e outros crimes. A denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) afirma que a vítima de 17 anos foi assassinada pelos três em maio de 2008, em Rio Doce, Olinda.
As qualificações do homicídio são motivo fútil, emprego de meio cruel, sem dar chance de defesa à vítima e para assegurar impunidade, ocultação e outros crimes. A denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) afirma que a vítima de 17 anos foi assassinada pelos três em maio de 2008, em Rio Doce, Olinda.
O corpo foi dividido em pedaços e o trio conservou a carne para consumo, ocultando as outras partes. Silveira, Píres e Silva também passaram a criar a filha da vítima. Bruna Cristina ainda assumiu a identidade de Jéssica. Os acusados também responder por duas mortes em Garanhuns. Todos os homicídios têm traços de violência, canibalismo e rituais macabros, conforme a denúncia do MPPE.
Um laudo técnico emitido em novembro passado atestou que os três não têm problemas mentais e, com isso, poderiam responder aos atos que cometeram. O homem e as duas mulheres foram avaliados pelo Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (HCTP), em Itamaracá, na Região Metropolitana do Recife.
Entenda o caso
O inquérito relata que Jéssica Pereira era moradora de rua, tinha 17 anos, uma filha de um ano e aceitou viver com os acusados. Eles planejaram ficar com a criança depois de matar a mãe. Em Garanhuns, as vítimas foram Giselly Helena da Silva, 31 anos, e Alexandra Falcão da Silva, 20 anos, mortas, respectivamente, em fevereiro e março de 2012.
De acordo com a polícia, a carne dos corpos das vítimas era fatiada, guardada na geladeira e consumida pelo trio. A criança, inclusive, também teria comido da carne da mãe. Eles teriam até utilizado parte da carne das vítimas para rechear coxinhas e salgadinhos que vendiam em Garanhuns.
Os acusados afirmam fazer parte da seita Cartel, que visa a purificação do mundo e o controle populacional. A ingestão da carne faria parte do processo de purificação. O caso veio a público depois que parentes de Giselly Helena da Silva denunciaram o seu desaparecimento. Os acusado usaram o cartão de crédito da vítima em lojas de Garanhuns e foram rastreados pela polícia.
Um laudo técnico emitido em novembro passado atestou que os três não têm problemas mentais e, com isso, poderiam responder aos atos que cometeram. O homem e as duas mulheres foram avaliados pelo Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (HCTP), em Itamaracá, na Região Metropolitana do Recife.
Entenda o caso
O inquérito relata que Jéssica Pereira era moradora de rua, tinha 17 anos, uma filha de um ano e aceitou viver com os acusados. Eles planejaram ficar com a criança depois de matar a mãe. Em Garanhuns, as vítimas foram Giselly Helena da Silva, 31 anos, e Alexandra Falcão da Silva, 20 anos, mortas, respectivamente, em fevereiro e março de 2012.
De acordo com a polícia, a carne dos corpos das vítimas era fatiada, guardada na geladeira e consumida pelo trio. A criança, inclusive, também teria comido da carne da mãe. Eles teriam até utilizado parte da carne das vítimas para rechear coxinhas e salgadinhos que vendiam em Garanhuns.
Os acusados afirmam fazer parte da seita Cartel, que visa a purificação do mundo e o controle populacional. A ingestão da carne faria parte do processo de purificação. O caso veio a público depois que parentes de Giselly Helena da Silva denunciaram o seu desaparecimento. Os acusado usaram o cartão de crédito da vítima em lojas de Garanhuns e foram rastreados pela polícia.
Uma publicação contendo os detalhes dos crimes - registrada em cartório - foi encontrada na casa dos réus. Para a Polícia Civil de Pernambuco, não há possibilidade de outras mortes terem sido praticadas pelo trio no estado.
AUTOR: G1/PE
AUTOR: G1/PE
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
'CANIBAL DE ARAPIRACA' É CONDENADO À 19 ANOS DE PRISÃO EM REGIME FECHADO
José Jorge ficou é réu confesso e está preso desde 2013. (Foto: Ascom/SSP)
Foi condenado a 19 anos e três meses de prisão em regime fechado o réu confesso do assassinato de Edilza Vicente da Silva, morta em setembro de 2010. José Jorge da Silva, conhecido como "Canibal de Arapiraca", ganhou esse apelido por ter comido o coração da própria esposa. De acordo com o promotor Valter José Omena, o réu foi condenado por homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e requintes de crueldade.
O julgamento teve início às 9h da manhã na 5ª Vara Criminal da Comarca de Arapiraca e terminou por volta das 14h. O réu deve ser encaminhado para o Presídio de Giraudo Ponciano, no Agreste alagoano.
José Jorge afirmou que matou Edilza, em 21 de setembro de 2010, em um galpão às margens da rodovia AL-220, em Arapiraca, a facadas porque ela, que era sua companheira, o tinha traído com outro homem. Em depoimento, ele havia confirmado que teria comido o coração da esposa, mas durante o julgamento de hoje, ele negou essa informação. "Mas ele já havia confessado isso. Foi por motivo fútil. Ele cumpre pena em Sergipe por assalto, mas o juiz Alfredo dos Santos Mesquita pediu que ele cumprisse pena no presídio do Agreste", afirma.
O promotor não soube informar se ele só seria transferido para Alagoas quando cumprisse a pena em Sergipe. "Só sabemos que ele foi preso em flagrante. Ainda não sabemos se ele já foi julgado ou não. Mas ele deve ser transferido para o presídio do Agreste", afirma o promotor Valter José Omena.
Relembre o caso
O crime teria sido cometido após discussão por ciúmes, no dia 21 de setembro de 2010, enquanto o casal bebia em um galpão localizado na rodovia AL-220, bairro Brasiliana, no município de Arapiraca. José Jorge da Silva assumiu, durante depoimento, a prática do crime, confirmando a versão levantada por investigações da polícia.
Segundo depoimento, o acusado teria arrancado e transportado órgãos da vítima para uma outra cidade do interior alagoano, para onde fugiu. Lá, teria pedido para que um conhecido os fritasse para que pudesse ingeri-los.
Jorge da Silva foi preso no dia 10 de outubro de 2013, como garantia da ordem pública e, teve pedido de liberdade recusado no dia 29 de novembro do mesmo ano, após revisão da ação penal pela equipe do mutirão carcerário de Alagoas.
AUTOR: G1/AL
Foi condenado a 19 anos e três meses de prisão em regime fechado o réu confesso do assassinato de Edilza Vicente da Silva, morta em setembro de 2010. José Jorge da Silva, conhecido como "Canibal de Arapiraca", ganhou esse apelido por ter comido o coração da própria esposa. De acordo com o promotor Valter José Omena, o réu foi condenado por homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e requintes de crueldade.
O julgamento teve início às 9h da manhã na 5ª Vara Criminal da Comarca de Arapiraca e terminou por volta das 14h. O réu deve ser encaminhado para o Presídio de Giraudo Ponciano, no Agreste alagoano.
José Jorge afirmou que matou Edilza, em 21 de setembro de 2010, em um galpão às margens da rodovia AL-220, em Arapiraca, a facadas porque ela, que era sua companheira, o tinha traído com outro homem. Em depoimento, ele havia confirmado que teria comido o coração da esposa, mas durante o julgamento de hoje, ele negou essa informação. "Mas ele já havia confessado isso. Foi por motivo fútil. Ele cumpre pena em Sergipe por assalto, mas o juiz Alfredo dos Santos Mesquita pediu que ele cumprisse pena no presídio do Agreste", afirma.
O promotor não soube informar se ele só seria transferido para Alagoas quando cumprisse a pena em Sergipe. "Só sabemos que ele foi preso em flagrante. Ainda não sabemos se ele já foi julgado ou não. Mas ele deve ser transferido para o presídio do Agreste", afirma o promotor Valter José Omena.
Relembre o caso
O crime teria sido cometido após discussão por ciúmes, no dia 21 de setembro de 2010, enquanto o casal bebia em um galpão localizado na rodovia AL-220, bairro Brasiliana, no município de Arapiraca. José Jorge da Silva assumiu, durante depoimento, a prática do crime, confirmando a versão levantada por investigações da polícia.
Segundo depoimento, o acusado teria arrancado e transportado órgãos da vítima para uma outra cidade do interior alagoano, para onde fugiu. Lá, teria pedido para que um conhecido os fritasse para que pudesse ingeri-los.
Jorge da Silva foi preso no dia 10 de outubro de 2013, como garantia da ordem pública e, teve pedido de liberdade recusado no dia 29 de novembro do mesmo ano, após revisão da ação penal pela equipe do mutirão carcerário de Alagoas.
AUTOR: G1/AL
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
CANIBAL DA REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA DIZ TER COMIDO HOMEM POR VINGANÇA
A violência entre grupos religiosos na República Centro-Africana atingiu um novo extremo neste final de semana, com relatos de canibalismo na capital do país, Bangui.
Em uma das ruas da cidade, o intenso trânsito de ônibus e a poeira ainda não conseguiram apagar uma mancha de sangue. Há alguns dias aqui, um muçulmano foi morto por cristãos, e seus braços e pernas foram arrancados.
Em seguida, um dos homens na multidão começou a comer a carne da vítima.
A equipe da BBC filmava perto dali. Alguns instantes depois, o repórter foi abordado por um jovem de camisa amarela e armado com um facão, que se identificou como sendo o canibal.
Câmeras de celular haviam registrado o crime. As imagem mostram um corpo queimado e estraçalhado sendo arrastado pelas ruas por uma multidão. No vídeo, o jovem que conversou com a BBC aparece mordendo a perna do cadáver.
A República Centro-Africana vive dias de intensa violência entre milícias cristãs e muçulmanas. O país de maioria cristã era governado por um presidente muçulmano até a semana passada. Michel Djotodia havia chegado ao poder em março de 2013 com ajuda de milícias.
Ele prometeu desmantelar as gangues que o ajudaram, mas não conseguiu. Em reação, cristãos montaram milícias próprias, e o país se afundou em um conflito religioso armado.
Mais de mil pessoas já morreram e estima-se que 20% da população total do país abandonou suas casas e vive refugiada.
Grávida e bebê mortos
O homem que admitiu o ato de canibalismo é apelidado de 'Cachorro Louco'.
Ele disse que muçulmanos haviam assassinado muitos familiares seus, incluindo sua esposa - que estava grávida - sua cunhada e sua sobrinha, que ainda era bebê.
'Eles derrubaram a porta da casa da minha cunhada e a encontraram com o bebê', diz ele. 'Eles cortaram seus seios. Eles também mataram a bebê com uma faca. Era uma bebê muito nova, mas eles a cortaram ao meio. Eu jurei que me vingaria.'
Não está claro se a vítima de 'Cachorro Louco' tinha algum envolvimento em algum episódio de violência, ou se ele foi morto apenas por ser muçulmano.
'Cachorro Louco' contou à BBC que viu a vítima sentada no ônibus e decidiu segui-lo. Ele também reuniu outros cristãos que passaram a seguir o ônibus.
O veículo foi parado pela multidão que se formava, e o motorista identificou o homem perseguido como sendo muçulmano. Ele foi arrastado para fora do ônibus e assassinado.
'Eu o esfaqueei na cabeça. Eu derramei gasolina nele. Eu o queimei. Então eu comi sua perna, tudinho até chegar ao osso, com pão. É por isso que me chamam de 'Cachorro Louco'', disse 'Cachorro Louco'.
A parte mais perturbadora do vídeo é quando 'Cachorro Louco' aparece sorrindo enquanto mastiga.
Quando perguntado pela BBC sobre o motivo da violência e do canibalismo, ele respondeu: 'Porque estou furioso'.
Uma das testemunhas de todo o episódio, Ghislein Nzoto, disse que ninguém tentou impedir a violência.
'Todos estão furiosos com os muçulmanos. De jeito nenhum alguém teria coragem de intervir', diz.
Nzoto disse entender o motivo pelo qual os muçulmanos estão sendo perseguidos por cristãos, mas afirmou que não concorda com o ato de canibalismo. Ele acha que talvez isso possa ser só um ato isolado de alguém com distúrbios mentais.
A testemunha também levanta outra hipótese: a de um ato de magia negra. Muitos dos combatentes cristãos usam amuletos que contêm pedaços de carne das vítimas que eles assassinaram.
Enquanto 'Cachorro Louco' conversava com a BBC, muitos cristãos ao seu redor balançavam suas cabeças, em sinal de apoio, e davam tapinhas nas suas costas. Ali, ele é tratado como um herói por seu ato de canibalismo.
AUTOR: BBC
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