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quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

EM BOA VIAGEM (CE), 7 SUSPEITOS DE HOMICÍDIOS, TRÁFICO DE DROGAS E CORRUPÇÃO DE MENOR SÃO PRESOS EM OPERAÇÃO POLICIAL

Operação da Polícia Civil prendeu sete suspeitos de homicídios e tráfico de drogas em Boa Viagem. — Foto: Reprodução

Sete suspeitos de tentativa de homicídios, tráfico de drogas e corrupção de menor foram presos no município de Boa Viagem, no interior do Ceará, durante a operação “Lisius”, deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta quinta-feira (23).

A ação também cumpriu 41 mandados de busca e apreensão contra os investigados. Na ocasião, foram apreendidas armas de fogo e entorpecentes.

A operação é realizada pelas Delegacia Municipal de Boa Viagem, Delegacia Regional de Crateús e Delegacia Regional de Canindé.

A ofensiva teve apoio do Departamento de Polícia Judiciária do Interior Norte (DPJI-Norte), da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer) e da Polícia Militar do Ceará (PMCE).

FONTE: G1/CE

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

NO CEARÁ, 4 DEPUTADOS TÊM RISCO DE PERDER MANDATO, POR USO DA MÁQUINA, MARKETING PESSOAL E CORRUPÇÃO

 

Genecias Noronha, Pedro Bezerra, Aderlânia Noronha e Aníbal Gomes Foto: Câmara dos Deputados, Assembleia Legislativa e José Leomar

Quatro parlamentares cearenses correm o risco de perder o mandato para  o qual foram eleitos em 2018. São os casos dos deputados federais Genecias Noronha (Solidariedade); Pedro Bezerra (PTB); e Aníbal Gomes (Suplente/DEM); e da deputada estadual Aderlânia Noronha (Solidariedade).

O cenário voltou ao destaque nesta segunda-feira (22), com a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) de manter a cassação do diploma de Pedro Bezerra.

Tanto ele como Genecias e Aderlânia tiveram os diplomas cassados  por ilícitos eleitorais. Aníbal foi condenado por corrupção. Todos estão inelegíveis, mas continuam mantendo as rotinas na Câmara dos Deputados ou na Assembleia Legislativa do Ceará. Sem o trânsito em julgado, eles seguem aptos para legislar. 

Com recursos questionando as decisões, as punições estabelecidas ainda não podem ser aplicadas a eles – tendo em vista que as sentenças podem ser revistas.  

Uso da máquina em Juazeiro
O caso de Pedro Bezerra é o mais recente dentre os quatro. O parlamentar havia apresentado embargos de declaração contra a decisão da Corte, proferida em 2020. Agora, ele deve recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para reverter a sentença da segunda instância. Como não se esgotaram os recursos, Bezerra segue no mandato. 

"Vou continuar insistindo na minha inocência. O mandato permanece, e nós vamos recorrer", ressaltou Bezerra. 

O deputado da região do Cariri é acusado de se beneficiar do uso da máquina pública de Juazeiro do Norte, durante campanha para deputado federal, entre 2017 e 2018, anos em que seu pai, Arnon Bezerra (PTB), estava como prefeito do município.

Conforme os autos do processo, Pedro teria utilizado bens públicos para promover reuniões político-partidárias, além de ter sido favorecido pelo uso de servidores públicos em sua campanha eleitoral, convocados pela então secretária de Educação da cidade, Maria Loureto de Lima. No processo, a defesa do deputado alega inexistência de indicativos mínimos e concretos de culpabilidade, tendo em vista que os atos foram praticados por terceiros. 

Por Alessandra Castro   -   22/02/2021 - 12:57
TRE-CE mantém cassação do deputado federal Pedro Bezerra por abuso de poder 

O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará manteve, nesta segunda (22), a cassação do diploma do deputado Pedro Bezerra (PTB) por abuso de poder político nas Eleições de 2018. O parlamentar havia apresentado embargos de declaração contra a decisão da Corte, proferida em 2020. Agora, ele deve recorrer ao TSE. Como não esgotaram recursos, Bezerra segue […]
Marketing pessoal em Parambu

Já os deputados Genecias Noronha e Aderlânia Noronha são acusados de abuso de poder político nas Eleições de 2018 no mesmo processo, que já tramita no Tribunal Superior Eleitoral. Os autos foram remetidos à Corte Superior em meados do ano passado, após apresentação de recurso questionando a decisão do TRE-CE.

De lá para cá, houve apenas movimentação de despachos e juntada de petição, sendo a última no dia 22 de dezembro de 2020. Ou seja, não houve sequer apresentação do parecer do relator do caso, ministro Alexandre de Moraes. 

A assessoria de Genecias disse que os dois estão aguardando a análise do recurso pelo Tribunal Superior e que a demora do sistema judiciário é inerente ao caso deles. 
Genecias e Aderlânia Noronha Foto: José Leomar

O casal também é acusado de se beneficiar da máquina pública de Parambu com um "explícito sistema de marketing pessoal" nas páginas oficiais da Prefeitura durante o período de pré-campanha das eleições de 2018 - pleito em que os dois foram eleitos.

Na decisão, o então prefeito da cidade Raimundo Noronha Filho, irmão de Genecias, bem como o então vice, Luiz Noronha Júnior, foram considerados inelegíveis. No entanto, também recorrem da decisão.  

No dia 17 de fevereiro, Genecias foi eleito novo coordenador da bancada cearense no Congresso Nacional.

Cearense na Lava Jato
Diferente dos demais casos, a situação do suplente de deputado federal em exercício Aníbal Gomes não envolve ilícitos eleitorais, e sim acusação de crimes no âmbito da Operação Lava Jato.

Por 3 votos a 2, ele foi condenado em junho de 2020 pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) à pena de 13 anos, 1 mês e 10 dias de reclusão, em regime inicialmente fechado, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em esquema de desvio de dinheiro na Petrobras em 2006. O engenheiro Luís Carlos Batista Sá também foi condenado na mesma ação de Aníbal. 

Procurado, Aníbal ressaltou que está aguardando a Segunda Turma colocar em pauta o julgamento de seus embargos de declaração, que buscam modificar a decisão. "Eu estou louco para que eles coloquem isso em pauta", disse, alegando inocência.   

Por Wagner Mendes   -   13/08/2019 - 19:32
“Eu tô louco que julgue”, diz Aníbal sobre ação no STF
“Eu tô louco que julgue porque é ruim a gente saber que é inocente, ter consciência, e ficar nessa dependência. Eu quero que julgue o mais rápido possível”, afirmou o deputado federal Aníbal Gomes (DEM) ao PontoPoder. A fala diz respeito à liberação para julgamento, no STF, da acusação que envolve suposto favorecimento político na […]
Pela Lei da Ficha Limpa, os dois estariam inelegíveis por oito anos. Além disso, na própria sentença, a Segunda Turma determinou interdição de Aníbal e Luís Carlos para o exercício de cargo ou função pública de qualquer natureza pelo dobro do tempo da pena de prisão aplicada a eles. Ou seja, no caso de Aníbal, seria por 26 anos, 2 meses e 20 dias.

No entanto, nenhum das sanções foi aplicada porque Aníbal recorreu da decisão no próprio colegiado. 

Em setembro de 2020, ele entrou com agravos regimentais, que foram considerados prejudicados pela Segunda Turma. A última movimentação no processo ocorreu no dia 13 de janeiro deste ano, com uma juntada de petição. Caso o colegiado rejeite os recursos e mantenha a decisão, Aníbal ainda poderá recorrer ao plenário da Corte. 

FONTE: DN

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

EM SÃO BENEDITO (CE), MP DESARTICULA ESQUEMA DE CORRUPÇÃO PRATICADO POR SERVIDORA PÚBLICA, E IDENTIFICA FRAUDE NO FORNECIMENTO DO "BOLSA FAMÍLIA"

Uma servidora publica da cidade de São Benedito foi detida suspeita de receber propina para não realizar a exclusão do Cadastro do Bolsa Família de uma senhora de 41 anos. 

A prisão se deu na manhã desta terça-feira, (12), após denúncia anônima feita na Promotoria de Justiça do município.

Segundo a denúncia, a mulher estava seguindo naquele momento ao prédio do CRAS (Centro de Referência da Assistência Social), a fim de entregar a quantia de R$ 300,00 (trezentos reais) à servidora.

Um dos funcionários da Promotoria de Justiça direcionou-se ao local apontado, a fim de averiguar a veracidade das informações, circunstância em que avistou a mulher conversando com a servidora de forma bastante suspeita e visualizou o momento em que a primeira entregava algo à segunda.

A polícia militar foi acionada e ao chegar no local a senhora de 41 anos revelou ter entregado o dinheiro à servidora a fim de que ela não procedesse a exclusão de seu cadastro do programa "Bolsa Família", haja vista o seu marido possuir renda salarial que a impediria de obter o benefício.

Diante da constatação da prática de crime, a servidora pública foi conduzida a Delegacia e autuada em flagrante por crime de corrupção.

FONTE: Ministério Público de São Benedito

AUTOR: TIANGUÁ AGORA

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

EM MARACANAÚ (CE), PRESIDENTE DA CÂMARA CUMPRE PRISÃO PREVENTIVA APÓS OPERAÇÃO, QUE INVESTIGA CORRUPÇÃO E LAVAGEM DE DINHEIRO

Alvo da operação foi o presidente da Câmara Municipal de Maracanaú e vereador Carlos Alberto Gomes de Matos Mota. Foto: Ricardo Mota/TV Diário

O presidente da Câmara Municipal de Maracanaú, vereador Carlos Alberto Gomes de Matos Mota (DEM), continua preso na Delegacia de Capturas (Decap), em Fortaleza. Ele foi alvo de duas operações realizadas pela Polícia Civil e Ministério Público do Ceará (MPCE) na terça-feira (10), na sede do município.

De acordo com o advogado José Raimundo Menezes Andrade, que representa o vereador, ele se apresentou espontaneamente à Justiça na quarta-feira (11), passou por audiência de custódia, fez exame de corpo de delito e foi encaminhado para a Delegacia de Capturas.

"Ainda não tive acesso ao processo e só sei o que o meu cliente falou, que estavam sendo atribuídos a ele diversos crimes, como transferências e depósitos irregulares e a prática de 'rachadinha'. Já pedi que o juiz autorize o meu acesso aos autos e às ligações telefônicas interceptadas, que dizem constar do processo", afirmou. As investigações seguem em segredo de Justiça.​

Além do presidente da Câmara, outras duas pessoas foram presas e 21 mandados de busca e apreensão foram cumpridos pelos investigadores nas operações. O vereador cumpre prisão preventiva, sem prazo para terminar.​

​A Operação Fantasma teve como finalidade apurar suposta contratação de servidores fantasmas na Câmara Municipal, bem como suspeita de desvio de recursos da remuneração de servidores da Casa Legislativa, a chamada "rachadinha", em que o servidor devolve parte do salário ao vereador que o contratou.

Já a Operação Sued visou acabar com esquema de lavagem de dinheiro e seus crimes antecedentes, com suposto envolvimento de uma empresa com sede em Maracanaú.​

​Repercussão na Câmara

Em Maracanaú, o clima é de tensão, segundo a vereadora Silvana Maciel (PHS). "É preciso que as coisas sejam esclarecidas e que os responsáveis pelos crimes - se for comprovado que eles ocorreram - paguem na medida de sua responsabilidade". De acordo com a vereadora, o comunicado oficial da prisão do presidente da Câmara foi feito no fim da sessão plenária de quarta-feira, por um oficial de Justiça.​

​"Imediatamente encaminhamos o documento para a Procuradoria da Casa que, seguindo o que diz o Regimento da Casa, vai nos orientar se o vice-presidente - o vereador Denir Peixoto (DEM) - assume imediatamente a vaga ou se será necessário realizar uma nova eleição para a mesa diretora. Ainda não sabemos quais serão os próximos passos", acrescentou. As sessões na Câmara Municipal de Maracanaú ocorrem três vezes por semana: às segundas, terças e quartas-feiras.

O advogado José Raimundo Menezes Andrade afirmou que vai entrar com pedido de habeas corpus a favor do vereador, uma vez que como ele tem bons antecedentes e residência fixa, poderia responder ao processo em liberdade.

"Ainda estão na fase de investigação, o meu cliente não foi acusado de nenhum crime", comentou. ​

AUTOR: G1/CE

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

EM FORTALEZA (CE), POLICIAIS 'APADRINHAVAM' TRAFICANTES E DISTRIBUÍAM DROGAS E ARMAS APREENDIDAS COM CRIMINOSOS RIVAIS

Criminosos presos na operação Maçãs Podres são levados para a delegacia de Capturas Foto: Ministério Público/Divulgação

Em esquema de corrupção e tráfico de drogas, policiais militares “apadrinhavam” traficantes do Bairro Bom Jardim, em Fortaleza, e extorquiam de criminosos de grupos rivais, segundo o promotor de Justiça Rinaldo Janja, coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco).

Foram cumpridos 11 mandados de busca e prisão contra suspeitos de tráfico de drogas nesta sexta-feira (30), em Fortaleza, durante a segunda fase da Operação “Maçãs Podres", realizada pelo Ministério Público do Ceará. 

A primeira fase foi realizada no último dia 2 de agosto, quando 10 policiais militares foram presos por envolvimento com o grupo criminoso.

Dos 11 mandados cumpridos, cinco suspeitos já estavam recolhidos dentro do sistema prisional.

PMs perseguam criminosos rivais

"Esses policiais que faziam parte da organização se associavam com traficantes, faziam consórcio com traficantes e beneficiavam o tráfico desses traficantes que eles apadrinhavam”, explica o promotor de Justiça.

No esquema, os agentes de segurança ainda fiscalizavam os traficantes concorrentes e os extorquiam.

“Eles abordavam, não permitiam o tráfico dos concorrentes dos traficantes que eram associados com eles e ainda por cima se apoderavam do material ilícito, ou seja, drogas, armas, munições. E o que é pior, colocavam todo esse material no mercado”, detalha Janja.

Segundo o MPCE, os investigados na operação são suspeitos de participação nos crimes tráfico de drogas, associação para o tráfico, extorsão, corrupção ativa e passiva, porte e posse ilegal de arma de fogo, e organização criminosa.

AUTOR: G1/CE

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

NO CEARÁ, JUSTIÇA PÕE EM LIBERDADE POLICIAIS PRESOS DURANTE A OPERAÇÃO "ESPANTA RAPOSA"

Tenente-coronel Paulo de Tasso e major Marcelo Beserra estavam presos no Quartel do CPChoque. Os dois oficiais agora correm o risco de serem expulsos da Corporação
Em abril, nove militares foram presos em Sobral e Tianguá, na "Operação Espanta Raposa"

Proibidos de vestir a farda da Polícia Militar e também de entrarem em qualquer quartel da Corporação sem autorização. Estas foram algumas das medidas cautelares impostas pela Justiça Militar para colocar em liberdade oito PMs que haviam sido presos há quatro meses por crimes de corrupção ativa e concussão. Os militares eram integrantes do Batalhão de Polícia do Meio Ambiente (BPMA) e foram detidos na operação “Espanta Raposa”, nas cidades de Sobral e Tianguá.

A decisão pela soltura dos oito militares – dois oficiais e seis praças – partiu da Auditoria Militar do Estado do Ceará, em Fortaleza. Foram postos em liberdade o tenente-coronel Paulo de Tasso Marques Paiva, o major Marcelo Nantuã Beserra e os sargentos Raimundo Nonato Cruz, Jorge Luís de Souza, Marcelo Cristiano de Melo, Reginaldo Bento de Araújo, Antônio Barbosa Filho e Décio Alves Fernandes. 

Desde abril último, os dois oficiais estavam recolhidos no Quartel do Comando de Policiamento de Choque (CPChoque) e os seis sargentos no Presídio Militar e no Quartel do 3º BPM (Sobral).

A Justiça havia decretado a prisão dos militares após uma investigação sigilosa realizada pelo Ministério Público Estadual (MPE) em parceria com a Coordenadoria de Inteligência (Coin) da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos da Segurança Pública e do Sistema Penitenciário (CGD).

Crimes ambientais e propina

De acordo com a investigação do Ministério Público, através do seu Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os militares formaram uma organização criminosa que arrecadava dinheiro através da prática de corrupção ativa, exigindo dinheiro de comerciantes e motoristas que comercializavam ou transportavam cargas ilegais como madeira, fruto de desmatamento e animais silvestres, o que caracteriza crime ambiental. A prática de suborno para evitar prisões e apreensões se estendia há meses, corrompendo oficiais e praças do BPMA das duas cidades da Região Norte e Serra da Ibiapaba.

O Ministério Público obteve da Justiça a quebra do sigilo telefônico dos PMs investigados e identificou diálogos mostrando a prática dos crimes.

Para serem mantidos em liberdade durante a tramitação do processo até o julgamento, os militares terão que cumprir rigorosamente as medidas cautelares impostas pela Justiça, sob pena de, em caso de descumprimento, terem a prisão preventiva novamente decretada.

AUTOR: FERNANDO RIBEIRO

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

LAVA JATO: DEPUTADO FEDERAL CEARENSE ANÍBAL GOMES PODERÁ SER O SEGUNDO POLÍTICO CONDENADO PELO STF

Deputado federal Aníbal Gomes (Foto: divulgação)

O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Celso de Mello, decidiu liberar para julgamento uma ação penal aberta contra o deputado federal Aníbal Gomes (DEM-CE) no âmbito da Operação Lava Jato. O caso havia sido encaminhado em agosto do ano passado ao gabinete de Celso, que é o ministro-revisor da Lava Jato na Segunda Turma.

"Na qualidade de revisor, e nos termos do art. 25, inciso III, do RISTF (Regimento Interno do STF), peço dia para julgamento final da presente causa penal", escreveu Celso. Ainda não há data marcada para a análise do caso de Aníbal pelo colegiado. Na ocasião, a Segunda Turma decidirá se absolve ou se condena Aníbal.

Procurado pela reportagem, o parlamentar disse esperar que o julgamento seja marcado rapidamente. "Eu tenho a consciência da minha inocência, de que nada fiz. É bom que julgue logo", afirmou.

Até hoje, o único político condenado pelo Supremo na Lava Jato é o ex-deputado federal Nelson Meurer (PP-PR), sentenciado a 13 anos, 9 meses e 10 dias de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Meurer segue em liberdade. Ainda está pendente de análise um recurso do ex-parlamentar para se livrar da cadeia.

Em dezembro de 2016, por unanimidade, a Segunda Turma do STF decidiu receber a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Aníbal pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Conforme a denúncia da PGR, Aníbal Gomes é acusado de prometer pagamento de propina de R$ 800 mil ao então diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, para permitir e facilitar as negociações entre a estatal e empresas de praticagem da Baixada Santista e de São Sebastião (SP) na Zona de Portuária 16.

Ritmo

Em junho deste ano, o Estadão mostrou que a Operação Lava Jato caminha a passos lentos no Supremo Tribunal Federal. Um balanço divulgado na época pelo relator da Lava Jato, ministro Edson Fachin, aponta que a investigação que apura desvios bilionários na Petrobras não teve avanços significativos nos últimos seis meses.

De dezembro de 2018 até agora, a Procuradoria-Geral da República apresentou apenas uma nova denúncia no STF no âmbito da operação, nenhum acordo de colaboração premiada foi homologado e nenhum político foi condenado na operação.

AUTOR: O POVO

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

APÓS DENÚNCIAS, ARNON BEZERRA ATACA DONIZETTE ARRUDA EM MOMENTO DE RECUPERAÇÃO MÉDICA

Circula nas redes sociais a fake news na qual afirma que a Polícia Federal realizou busca e apreensão no apartamento de Donizete Arruda. A notícia falsa é uma estratégia do prefeito de Juazeiro do Norte, Arnon Bezerra, de atacar o jornalista após denúncias de corrupção em sua gestão.

O portal CN7, juntamente com o Jornal do Cariri, denunciou esquema corrupção na prefeitura. O rombo nos cofres públicos deve ultrapassar R$ 100 milhões em 30 meses de mandato.

Relembre:

A Polícia Federal faz cálculos não oficiais sobre o rombo de corrupção na administração de Arnon Bezerra em Juazeiro do Norte: o montante deve ultrapassar R$ 100 milhões em 30 meses de mandato.

Duas operações foram realizadas pela PF. Com a entrega das senhas de seus celulares pelo próprio suspeito, o mandato do deputado federal Pedro Bezerra (PTB-CE)) está ameaçado de cassação. Já perdeu por 5 a 1 no TRE do Ceará quando tentou arquivar denúncias e barrar investigações.

Em reportagem especial publicada na edição desta semana, o Jornal do Cariri revela a ruína em Juazeiro do Norte:

Desvios de corrupção calculados em R$ 100 milhões em 36 meses de mandato
TRE do Ceará se recusa arquivas investigações contra deputado federal Pedro Bezerra
Polícia Federal descobre que Pedro Bezerra é colecionador de relógios para milionários
Prefeito Arnon Bezerra se diz confiante na impunidade e já pensa em reeleição

Leia na íntegra abaixo:


https://issuu.com/cearanews7/docs/jc-caderno_especial

AUTOR: CN7

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

LAVA-JATO NO RJ, PF ESTÁ NAS RUAS E PRENDE EIKE BATISTA

(Foto – Reprodução)

A Polícia Federal realiza, nesta quinta-feira, no Rio de Janeiro, mais uma fase da Operação Lava-Jato. O alvo principal é, novamente, o empresário Eike Batista. Ele acaba de ser preso

Segundo o jornalista Lauro Jardim, do O Globo, o juiz Marcelo Bretas determinou a prisão do ex-homem mais rico do Brasil a partir de um pedido do MPF.

Há mandados de busca e apreensão de documentos também autorizados para as casas onde moram os dois filhos mais velhos de Eike, Thor e Olin.

Foi a recém-homologada delação premiada do banqueiro Eduardo Plass a causa da volta de Eike a Bangu.

Em janeiro de 2017, Eike foi preso acusado de corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Quatro meses depois, o ministro do STF, Gilmar Mendes, o libertou.

Em julho passado foi condenado a 30 anos de prisão, mas continuava solto.

AUTOR: O POVO

sexta-feira, 29 de março de 2019

NO CEARÁ, OFICIAIS DA PM PRESOS POR CORRUPÇÃO EM SOBRAL, SÃO TRANSFERIDOS PARA O QUARTEL DO BPCHOQUE EM FORTALEZA

Coronel Paulo de Tasso e major Marcelo Bezerra, ambos do BPMA, foram presos em Sobral

Já estão recolhidos no Quartel do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque), em Fortaleza, os dois oficiais da PM presos durante uma operação realizada nas cidades de Sobral e Tianguá nesta quinta-feira (28). Os dois militares tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça a pedido do Ministério Público Estadual (MPE), através do seu Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

O tenente-coronel PM Paulo de Tasso Marques Paiva, que era o comandante do Batalhão de Polícia de Meio Ambiente (BPMA), em Sobral; e o major PM Francisco Marcelo Nantua Bezerra, que comandava a 2ª Companhia do 3º BPM, sediada em Tianguá; receberam voz de prisão na manhã de ontem em suas residências e foram levados para a sede do Núcleo do Ministério Público de Sobral, onde tomaram conhecimento, oficialmente, de suas prisões e os motivos da decisão judicial.

Depois disso, os dois militares passaram por exame de corpo de delito no Núcleo da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), de Sobral. No fim da tarde, foram trazidos para Fortaleza sob escolta do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) e de agentes da Delegacia de Assuntos Internos (DAÍ), da Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos da Segurança Pública e do Sistema Penitenciário (CGD). Vão permanecer no Quartel do BPChoque, no Centro, à disposição da Justiça Estadual e do MPE.

Crimes investigados

Em Sobral, estão presos no Quartel do 3º BPM outros sete militares também detidos na mesma operação. São eles: Raimundo Nonato Cruz, Antônio Barbosa Filho, Marcelo Cristiano Melo, Reginaldo Bento de Araújo, Pablo Weslly Cavalcante, Jorge Luís de Sousa e Décio Alves Fernando. São militares destacados no BPMA e do 3º BPM.

A prisão dos sete praças e dos dois oficiais deveu-se a um pedido do MP em decorrência das investigações realizadas em caráter sigiloso que apontou o envolvimento deles em crimes de concussão e associação para o crime (formação de quadrilha). Estariam praticando extorsão para a liberação de bens privados apreendidos em operações, tais como armas de fogo e animais silvestres. Segundo a apuração do MP, essa prática delituosa já se arrastava há, pelo menos, quatro anos.

Até o momento, nem a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) nem o Comando-Geral da PM se manifestaram sobre o assunto.

AUTOR: FERNANDO RIBEIRO

NO CEARÁ, ESCÂNDALO NA SEGURANÇA: OFICIAIS E PRAÇAS DA PM SÃO PRESOS POR PRATICAR CORRUPÇÃO NO INTERIOR

Várias equipes da Controladoria e do Batalhão de Choque foram enviadas à Sobral e Tianguá...
... para efetuarem as prisões e cumprirem mandados de busca e apreensão em casas e quartéis
Os PMs presos foram conduzidos à sede do Ministério Público, em Sobral
Vários pássaros silvestres foram apreendidos durante a operação

Uma operação realizada na manhã desta quinta-feira (28) nas cidades de Sobral e Tianguá, na Região Norte e na Serra da Ibiapaba, por agentes da Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos da Segurança Pública e do Sistema Penitenciário (CGD), com o apoio do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque), culminou na prisão de vários policiais militares – oficiais e praças – pertencentes ao Batalhão de Polícia do Meio Ambiente (BPMA) e à 2ª Companhia do 3º BPM. São acusados de crime de corrupção. Entre os detidos está um tenente-coronel.

Confira os nomes dos presos:

O tenente-coronel Paulo de Tasso, o major Marcelo Bezerra e os praças Raimundo Nonato Cruz, Antônio Barbosa Filho, Marcelo Cristiano Melo, Reginaldo Bento De Araújo, Pablo Weslly Cavalcante, Jorge Luis de Sousa e Décio Alves Fernando.

Entenda

A operação é fruto de uma investigação sigilosa levada a efeito pela CGD com o apoio do Ministério Público Estadual (MPE), através do Núcleo de Sobral, que teriam descoberto uma verdadeira quadrilha fardada. Cerca de 20 mandados de prisão e de busca e apreensão foram cumpridos no quartel em Tianguá e nas residências dos PMs na cidade de Sobral. Até mesmo em viaturas da PM e nos carros dos investigados foram realizadas buscas, o que culminou na apreensão até de animais silvestres.

A operação foi mantida em absoluto sigilo pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e pelo próprio Comando-Geral da Polícia Militar, em Fortaleza. Ambos os órgãos ainda não se pronunciaram acerca do fato.

Informações dão conta de que o grupo é acusado da prática de concussão, isto é, a obtenção de vantagem ilícita em razão do cargo. Os militares estariam praticando corrupção no exercício do cargo, com pagamento de propinas para a liberação de objetos de apreensões feitas em operações. No caso dos agentes do BPMA, as propinas seriam realizadas no momento das apreensões de animais silvestres. Dentro de uma das viaturas revistadas, os agentes da Delegacia de Assuntos Internos (DAÍ) da CGD encontraram gaiolas com pássaros que estariam, supostamente, sendo negociados pelos militares.

No começo da tarde, os militares presos durante a operação começaram a ser ouvidos na sede do Ministério Público da cidade de Sobral e, logo depois, seriam encaminhados ao Núcleo da Perícia Forense do Estado (Pefoce) , onde seriam submetidos a exame de corpo de delito.

Tenente-coronel preso
Confira vídeo

AUTOR: FERNANDO RIBEIRO/CN7

sábado, 28 de julho de 2018

EM RECIFE, PF APREENDE R$ 373 MIL, EM ENDEREÇO DE EX-CONSELHEIRA DO CARF, ALVO DA OPERAÇÃO ZELOTES

R$ 373 mil apreendidos em endereço de ex-conselheira do Carf investigada pela PF (Foto: Reprodução)

A Polícia Federal (PF) apreendeu R$ 373 mil em um endereço de Mércia D'Amorim, ex-integrante do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e investigada na Operação Zelotes. O dinheiro foi apreendido em Recife (PE).

A TV Globo buscava contato com a defesa de Mércia até a última atualização desta reportagem.

A 10ª fase da Zelotes foi deflagrada nesta quinta-feira (26). A operação investiga o pagamento de propina por empresas a conselheiros do Carf para se livrarem de multas em julgamentos.

Mércia D'Amorim é suspeita de receber dinheiro para votar a favor da siderúrgica Paranapanema. Segundo as investigações, o voto da ex-conselheira ajudou a empresa a se livrar do pagamento de R$ 650 milhões em multas e impostos.

Segundo a decisão que autorizou a operação , a então conselheira era “tratada como ‘amiga dos memoriais’ , possivelmente por atuar no interesse da referida empresa, atendendo aos pedidos para beneficiá-la no julgamento do processo administrativo fiscal”.

Nesta quinta, após a PF deflagrar a nova fase da Zelotes, a Paranapanema informou: "A Companhia tampouco seus administradores ou gestores atuais foram alvo ou notificados oficialmente. 

A Companhia repudia quaisquer atos de ilegalidade e conta com rigorosas políticas de controle e conformidade, que têm sido permanentemente aprimoradas".
PF investiga sete em nova fase de operação sobre fraudes no Carf

Entenda

O Carf é um tribunal administrativo no qual empresas recorrem de multas aplicadas pela Receita Federal.

As investigações apontam que Mércia D'Amorim recebeu a visita de uma advogada investigada no esquema e que já foi alvo de fases anteriores da Zelotes.

De acordo com o Ministério Público, o encontro seria, oficialmente, para a entrega de "memoriais", ou seja, a defesa da Paranapanema.

O MP não descarta, contudo, que a palavra "memoriais" foi usada como código para o pagamento de propina.

"A proximidade de Mércia e Meigan [Meigan Sack Rodrigues, investigada e sócia de um escritório de advocacia] era tanta que marcaram um encontro no hotel onde a conselheira que julgou o caso favoravelmente à Paranapanema estava hospedada. 

Embora o encontro se refira a entrega de 'memoriais', não se descarta que a palavra tenha sido usada como código para o pagamento de propina", afirmam os investigadores.
(Foto: Editoria de Arte / G1)

AUTOR: CAMLA BOMFIM/G1

sexta-feira, 27 de abril de 2018

EM SOROCABA (SP), CRISTIAN CRAVINHOS É INDICIADO POR CORRUPÇÃO ATIVA E POSSE ILEGAL DE MUNIÇÃO

Cristian Cravinhos foi preso suspeito de agredir mulher e tentar subornar policiais em Sorocaba (SP) (Foto: Carlos Dias/G1)

A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a confusão em que Cristian Cravinhos se envolveu em Sorocaba (SP), no dia 18 deste mês, e acabou preso. De acordo com o delegado André Moron, responsável pela investigação, ele deve ser acusado pelos crime de corrupção ativa e posse ilegal de munição de calibre restrito.

O promotor da 3ª Vara Criminal de Sorocaba tem cinco dias para analisar o caso, relatado ao fórum nesta sexta-feira (27). O G1 tentou entrar em contato com a defesa de Cristian, mas não obteve retorno.

Cravinhos foi detido após tentar subornar policiais militares que foram acionados para atender uma ocorrência de agressão contra uma mulher, que seria ex-companheira de Cristian. Ele também responde pelo assassinato dos pais de Suzane von Richthofen, crime pelo qual foi condenado a 38 anos de prisão.

Desde agosto do ano passado, Cristian cumpria a pena em regime aberto, mas após a prisão em Sorocaba retornou à penitenciária 2 de Tremembé.

De volta às grades

Cristian Cravinhos foi preso na madrugada do dia 18 de abril após ser denunciado por agredir uma mulher, apontada como sua ex, na porta de um bar em Sorocaba. A mulher não registrou queixa de agressão.

Segundo os policiais que foram acionados para atender a ocorrência, ao ser abordado, Cristian se apresentou como "um dos irmãos Cravinhos”. Ao saber que seria levado para a delegacia, ele teria oferecido R$ 1 mil aos PMs e dito que o irmão, Daniel, viajaria de São Paulo para entregar mais R$ 2 mil.

De acordo com um dos policais que atendeu a ocorrência, Cristian também cogitou vender a moto para dividir o valor com os oficiais. Uma pessoa que estava no bar, e pediu para não ser identificada, conta que viu as agressões de Cravinhos.

"Eles começaram a discutir e ele agrediu ela, deu um soco no rosto dela, puxou pelo cabelo, jogou ela de volta no carro e continuou agredindo. Aí todo mundo se meteu, segurou ele, falou que ia ligar para a polícia."
Cristian Cravinhos, hoje com 42 anos, em foto tirada nesta quarta-feira, em Sorocaba e com 26 anos, em 2002, na época do assassinato do casal von Ricththofen (Foto: Divulgação e Reprodução/ GloboNews)

Regime aberto

Na época do assassinato do casal von Richthofen, em 2002, o irmão de Cristian, Daniel Cravinhos, era namorado de Suzane. O trio planejou e assassinou Manfred e Marísia Richthofen na casa da família, na zona sul de São Paulo. Os pais de Suzane eram contra o namoro da filha com Daniel.

Suzane von Richthofen e os irmãos Cravinhos foram submetidos a júri popular em 2006. Cristian foi condenado a 38 anos e seis meses em regime fechado, mas deixou a penitenciária Doutor José Augusto Salgado, a P2 de Tremembé (SP), em agosto de 2017, após ser autorizado pela Justiça a cumprir o restante de sua pena em regime aberto. A decisão foi da Vara de Execuções Criminais de Taubaté.

Daniel Cravinhos foi condenado a 39 anos e seis meses de prisão em regime fechado, mas também conseguiu o mesmo benefício em janeiro deste ano, quando deixou a penitenciária em Tremembé para cumprir o restante da pena em liberdade.
Os irmãos Cristian (esq.) e Daniel Cravinhos, em foto de 23 de janeiro de 2006 (Foto: Vidal Cavalcante/Estadão Conteúdo/ Arquivo)

Suzane von Richthofen

Namorada de Daniel na época do crime, Suzane von Richthofen também foi condenada a 39 anos e seis meses de prisão, além de multa.

Em janeiro deste ano, ela obteve parecer favorável para cumprir o restante da pena em liberdade, assim como os irmãos Cravinhos. A defesa dela pleiteia o regime aberto desde junho do ano passado. Não há prazo para julgamento na Justiça, mas o documento deve embasar a decisão sobre o pedido.

AUTOR: G1/SP

quinta-feira, 26 de abril de 2018

EM FORTALEZA (CE), DELEGADO AFASTADO DO CARGO É ENCONTRADO BALEADO EM SEU APARTAMENTO

Delegado Romério Almeida foi afastado do cargo de titular do 34º pelo prazo de 60 dias

O delegado de Polícia Civil, Romério Moreira de Almeida, tentou suicidar-se na manhã desta quinta-feira (26) em seu apartamento, no bairro Dionísio Torres. O delegado teria disparado dois tiros contra si, sendo um no tórax e outro no ouvido direito. Inicialmente, ele foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular e, depois, transferido para o IJF-Centro. No dia anterior, Almeida foi afastado do cargo de titular do 34º DP (Centro), por ordem da Justiça, sob suspeita de crime de corrupção. O pedido foi feito pelo Ministério Público estadual (MPE).

Uma equipe do Samu foi acionada para ir ao edifício residencial onde o delegado reside com a família, na Rua Paula Ney, no bairro Dionísio Torres. De lá, ele foi encaminhado ao Hospital Gastroclínica. Em seguida, foi transferido para o Instituto Doutor José Frota (IJF-Centro), onde uma equipe de neurocirurgiões deverá submetê-lo à procedimentos clínicos. A Polícia Civil ainda não se manifestou sobre o assunto.

Segundo o relato da equipe que fez o primeiro atendimento ao delegado, o quadro de saúde dele é estável.

De acordo com as investigações do Ministério Público Estadual, através do seu Núcleo de Investigação Criminal, e do grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o delegado Romério Almeida teria praticado crime de corrupção juntamente com o ex-policial civil (ex-escrivão) e advogado criminalista Hélio Nogueira Bernardino.

Corrupção

Os dois suspeitos foram alvos de uma ação policial batizada de “Operação Renault” realizada nesta quarta-feira (25). Mandados judiciais de busca e apreensão foram cumpridos nas residências dos investigados, além de diligências também no gabinete do delegado (no 34º DP ) e no escritório do advogado. A operação foi autorizada pelo juiz de Direito, Henrique Jorge Granja de Castro, atendendo a um requerimento do MP.

Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça revelaram que o delegado e o advogado receberiam a quantia de R$ 3 mil (R$ 1,5 mil para cada um) para liberar o carro apreendido em poder de um traficante identificado como Anderson Rodrigues da Costa, atualmente preso no Presídio da Cigana, em Caucaia, onde também foi feita uma busca na cela ocupada pelo detento.

Na manhã desta quarta-feira, o afastamento do delegado foi oficializado e confirmado pelo delegado-geral da Polícia Civil, Everardo Lima. Na manhã desta quarta-feira, o afastamento do delegado foi oficializado e confirmado pelo delegado-geral da Polícia Civil, Everardo Lima. A medida judicial tem o prazo de 60 dias.

AUTOR: FERNANDO RIBEIRO

domingo, 8 de abril de 2018

LULA CHEGA A CURITIBA PARA CUMPRIR PENA POR CORRUPÇÃO E LAVAGEM DE DINHEIRO

Lula chega à Superintendência da PF em Curitiba, onde ficará preso (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou na noite deste sábado, (7), a Curitiba, onde começará a cumprir a pena de 12 anos e 1 mês de prisão pela condenação no caso do triplex em Guarujá (SP).

Ele foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele é o primeiro ex-presidente do Brasil condenado por crime comum.
Lula chega a Curitiba (Foto: Giuliano Gomes/PRPRESS)

Lula pousou no aeroporto Afonso Pena, em Curitiba, às 22h01. De lá, seguiu de helicóptero até a Superintendência da PF na capital paranaense, onde pousou às 22h28.

Por ordem de Moro, o ex-presidente ficará preso em uma sala especial de 15 metros quadrados, no 4º andar do prédio da PF, com cama, mesa e um banheiro de uso pessoal. Também foi autorizada a instalação de um TV no local.

O espaço reservado é um direito previsto em lei.
Lula foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex

O mandado de prisão foi expedido pelo juiz Sérgio Moro na início da noite de quinta-feira (5) e, na sequência, Lula seguiu para a sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP).

O ex-presidente se entregou à Polícia Federal quase 26 horas após o prazo dado pelo juiz para que ele se apresentasse voluntariamente.

Lula saiu a pé do sindicato, às 18h42, e caminhou até um prédio próximo, onde equipes da Polícia Federal o aguardavam. A saída teve de ser feita dessa maneira porque, por volta das 17h, Lula tentou sair de carro, mas foi impedido pela militância.

De carro, Lula foi levado por agentes até a Superintendência da PF em São Paulo, onde realizou exame de corpo de delito. Na sequência, seguiu de helicóptero para o aeroporto de Congonhas e, de lá, decolou em avião com destino a Curitiba.

O ex-presidente anunciou que se entregaria neste sábado, em um discurso feito em frente à sede do sindicato. A fala durou 55 minutos e ocorreu durante ato religioso em homenagem a ex-primeira-dama Marisa Letícia, que completaria 68 anos neste sábado. Lula disse que não iria “correr”, “nem se esconder”.

Ele também criticou as decisões do Judiciário e disse que vai provar sua inocência.
Lula se entrega à PF e é levado de avião para Curitiba (Foto: Infografia: Rodrigo Cunha/G1)

Mandado de prisão

O ex-presidente é acusado de receber o triplex no litoral de SP como propina dissimulada da construtora OAS para favorecer a empresa em contratos com a Petrobras. O ex-presidente nega as acusações e afirma ser inocente.



Saiba mais sobre a condenação

Lula foi condenado por Moro na primeira instância, e a condenação foi confirmada na segunda instância pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

A defesa tentou evitar a prisão de Lula com um habeas corpus preventivo no Supremo Tribunal Federal (STF), mas o pedido foi negado pelos ministros, por 6 votos a 5, em votação encerrada na madrugada de quinta.

Na tarde de quinta, o TRF-4 enviou um ofício a Moro autorizando a prisão, e o juiz expediu o mandado em poucos minutos.

Os advogados de Lula, porém, questionaram a ordem de prisão porque ainda poderiam apresentar ao TRF-4 os chamados "embargos dos embargos de declaração".

Depois, a defesa ainda tentou evitar a prisão com recursos no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no STF, que também foram rejeitados.
Sala especial em que o ex-presidente Lula ficará preso, na sede da PF em Curitiba (Foto: Infográfico: Rodrigo Cunha/G1)

AUTOR: G1

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

LULA É CONDENADO À 12 ANOS DE CADEIA

Por unanimidade, os três desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) votaram nesta quarta-feira (24) em favor de manter a condenação e ampliar a pena de prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex em Guarujá (SP).
(Foto: Alexandre Mauro/G1)

Votaram no julgamento, que durou 8 horas e 15 minutos (além de uma hora de intervalo) o relator do processo, João Pedro Gebran Neto, o revisor, Leandro Paulsen e o desembargador Victor dos Santos Laus.
Em julgamento na sede do tribunal, em Porto Alegre, os desembargadores se manifestaram em relação ao recurso apresentado pela defesa de Lula contra a condenação a 9 anos e 6 meses de prisão determinada pelo juiz federal Sérgio Moro, relator da Operação Lava Jato na primeira instância, em Curitiba. Lula se diz inocente.

Os três desembargadores decidiram ampliar a pena para 12 anos e 1 mês de prisão, com início em regime fechado. O cumprimento da pena se inicia após o esgotamento de recursos no âmbito do próprio TRF-4.

Como a decisão foi unânime, o único recurso disponível para a defesa no TRF-4 são os chamados embargos de declaração, que não têm poder de reverter a condenação, mas somente esclarecer ambiguidades, pontos obscuros, contradições ou omissões no acórdão (documento que oficializa a decisão).

A defesa, no entanto, ainda poderá tentar inocentar Lula nas instâncias superiores (Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal). Mas, após o julgamento dos embargos no TRF-4, poderá ser expedida ordem de execução de sentença. Nesse caso, ao recorrer ao STJ e depois ao STF, Lula já poderá estar preso.

RESUMO

Os três ministros da 8ª Turma do TRE-4 votaram por manter a condenação e ampliar a pena de prisão de Lula em relação à sentença do juiz federal Sérgio Moro.

Decisão unânime reduz a uma única possibilidade o recurso de Lula ao TRF-4 – os chamados embargos de declaração, que terão de ser julgados pelos mesmos desembargadores, mas não têm poder para reverter a condenação. Depois do julgamento desse recurso, a sentença poderá ser executada.

Desembargadores consideraram em seus votos que: 

1) Lula recebeu propina da empreiteira OAS na forma de um apartamento triplex no Guarujá; 

2) a propina foi oriunda de um esquema de corrupção na Petrobras; 

3) o dinheiro saiu de uma conta da OAS que abastecia o PT em troca de favorecimento da empresa em contratos na Petrobras; 

4)embora não tenha havido transferência formal para Lula, o imóvel foi reservado para ele, o que configura tentativa de ocultar o patrimônio (lavagem de dinheiro); 

5) embora possa não ter havido "ato de ofício", na forma de contrapartida à empresa, somente a aceitação da promessa de receber vantagem indevida mediante o poder de conceder o benefício à empreiteira já configura corrupção; 

6) os fatos investigados na Operação Lava Jato revelam práticas de compra de apoio político de partidos idênticas às do escândalo do mensalão; 

7) o juiz Sérgio Moro – cuja imparcialidade é contestada pela defesa – era apto para julgar o caso.

A defesa do ex-presidente nega as acusações: 

1) diz que ele não é dono do apartamento; 

2) que não há provas de que dinheiro obtido pela OAS em contratos com a Petrobras foi usado no apartamento; 

3)que, de acordo com essa tese, Moro, responsável pela Lava Jato, não poderia ter julgado o caso; 

4) que o juiz agiu de forma parcial; 

5) que Lula é alvo de perseguição política.

Mesmo após a proclamação do resultado; 

1) Lula não será preso de imediato; eventual prisão só depois do julgamento do último recurso da defesa ao tribunal; 

2) defesa pode recorrer ao STJ e ao STF para tentar reverter condenação; 

3) PT poderá registrar candidatura de Lula a presidente; 

4) candidatura poderá ser mantida enquanto houver recursos pendentes contra a condenação; 

5) TSE é que decidirá se ele ficará inelegível.
Julgamento do recurso do ex-presidente Lula no TRF-4. (Foto: Sylvio Sirangelo/AFP/ TRF-4)

Lula foi acusado pelo Ministério Público de receber propina da empreiteira OAS. A suposta vantagem, no valor de R$ 2,2 milhões, teria saído de uma conta de propina destinada ao PT em troca do favorecimento da empresa em contratos na Petrobras.

Segundo o MP, a vantagem foi paga na forma de reserva e reforma do apartamento no litoral paulista, cuja propriedade teria sido ocultada das autoridades. Um dos depoimentos que baseou a acusação do Ministério Público e a sentença de Moro é o do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, também condenado no processo.

Além de Lula, também foram julgados Léo Pinheiro (presidente afastado da OAS); Paulo Okamotto (presidente do Instituto Lula); Agenor Franklin Magalhães Medeiros, Paulo Roberto Gordilho, Fabio Hori Yonamine, Roberto Moreira Ferreira (diretores da OAS).

AS PENAS APLICADAS PELO TRF-4

RÉU PENA DE PRISÃO

Luiz Inácio Lula da Silva 12 anos e 1 mês
Léo Pinheiro 3 anos e 6 meses
Agenor Medeiros 1 ano e 10 meses
Paulo Okamotto Absolvido
Paulo Roberto Gordilho Absolvido
Fabio Hori Yonamine Absolvido
Roberto Moreira Ferreira Absolvido

Fonte: Tribunal Regional Federal da 4ª Região

A condenação pelo TRF-4, tribunal de segunda instância, confirma sentença proferida em julho do ano passado por Moro na primeira instância.

Lula não será preso de imediato. Antes mesmo do julgamento, o TRF-4 já havia anunciado que só haverá prisão depois de se esgotarem todas as possibilidades de recurso no tribunal.

A decisão dificulta, mas não impede, a candidatura de Lula à Presidência na eleição deste ano. Mas o registro da candidatura dependerá de uma manifestação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Após a abertura da sessão pelo desembargador Leandro Paulsen, o julgamento começou pela leitura de um resumo dos argumentos da acusação e da defesa pelo desembargador João Pedro Gebran Neto.
"Lamentavelmente, Lula se corrompeu", diz procurador

Acusação

Em seguida, falando pela acusação, o procurador regional da República Maurício Gerum, reconstituiu o caso e relatou as provas apresentadas pelo Ministério Público Federal e que, segundo ele, a defesa não conseguiu contestar.

"Lamentavelmente, Lula se corrompeu", concluiu Gerum.

O procurador começou sua fala atacando a “tropa de choque” mobilizada para pressionar o Judiciário pela absolvição de Lula. “A truculência dessa tropa de choque no processo judicial está muito próxima de configurar o crime de coação no processo”, afirmou.

Depois, Gerum defendeu a independência dos magistrados para decidir o caso, rebatendo que seja um “julgamento político”, o que seria “ignorância histórica” e “desrespeito”. “Se esta Corte absolver o ex-presidente Lula, a justiça será feita. Se esta corte decidir manter a condenação do ex-presidente Lula, a justiça também será feita”, completou o procurador.

Ao falar sobre a acusação, Gerum narrou como o ex-presidente e a ex-primeira-dama Marisa Letícia optaram pela compra do apartamento ainda em 2005, quando o prédio era construído pela Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop). Destacou em seguida o repasse do imóvel à OAS e as reformas feitas a partir de 2014 para Lula.

"Não há dúvida probatória. Inúmeras notas fiscais, depoimentos e mensagens entre executivos, de que o imóvel estava sendo preparado para o ex-presidente”, disse. Depois, afirmou que não era possível que Lula desconhecesse o pagamento de propina na Petrobras.

“Muito difícil de acreditar que esse imenso sistema de drenagem dos cofres da Petrobras pudesse passar ao largo de qualquer presidente da República. Quando pensamos no presidente Lula, com sua inteligência, perspicácia e experiência política, a dificuldade fica muito maior. Mas nós não precisamos ficar na suposição de que ele sabia. Além de ele mesmo afirmar em seu interrogatório que a palavra final de indicação de diretores da Petrobras era da Presidência, sua participação nos assuntos da maior estatal brasileira era evidente e transparece em áudios e diversos depoimentos”, declarou.
Assistente de acusação da Petrobras discursa no julgamento de Lula

Gerum dividiu o tempo de 30 minutos com o assistente da acusação René Ariel Dotti, contratado pela Petrobras. Dotti falou por dez minutos. Ele disse que a estatal sofreu um "atentado" contra seu patrimônio.

"Esse processo revela duas ilhas de um grande arquipélago de ilicitudes. A corrupção e a lavagem, neste caso notório, estão atreladas à cadeia de provas que é irresistível à mais simples das lógicas. A Petrobras acompanha as razões do recurso apresentado pelo MP e lamenta que, por mais de uma vez, a maior indústria petrolífera do Brasil, uma das maiores do mundo, sofre atentado gravíssimo contra o patrimônio", afirmou.

Ele disse esperar que o "produto obtido pelo crime" reverta em favor da Petrobras, "uma espécie de justiça restaurativa". Também reivindicou a fixação de um valor mínimo para reparação dos danos.
Advogado de defesa de Paulo Okamotto discursa no julgamento de Lula

Defesa

Dois advogados de defesa se manifestaram após a acusação – Fernando Fernandes, representante de Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, e Cristiano Zanin, em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O primeiro a falar foi Fernandes. Paulo Okamotto foi absolvido pelo juiz Sérgio Moro, mas a defesa recorreu para pedir a troca dos fundamentos da sentença. Moro absolveu Okamotto por falta de provas, mas a defesa quer a declaração de inocência.

Paulo Okamotto foi o responsável por obter os recursos para transportar para o instituto o acervo de presentes e doações que Lula recebeu enquanto exerceu o mandato de presidente da República. A acusação do Ministério Público é que a OAS tenha feito o pagamento.
"Não há nenhum valor da OAS em relação ao acervo que tenha sido entregue para pagar a Granero [transportadora] e não tenha sido contabilizado ao instituto, ao Paulo Okamotto ou ao ex-presidente Lula. o valor foi pago diretamente à Granero. Essa atuação desmedida do Ministério Público é o indício das falhas neste processo. Detalhar as provas é fundamental", afirmou Fernandes, que se referiu a um testemunho do antecessor de Lula, Fernando Henrique Cardoso, para apontar "todas as dificuldades que um ex-presidente da República tem para manter e custear um acervo presidencial".
"Triplex sempre pertenceu à OAS", diz advogado de Lula

Em defesa de Lula, o advogado Cristiano Zanin Martins começou criticando o Ministério Público, por “censura à defesa, à academia e ao povo”, em razão das críticas feitas anteriormente pelo procurador Maurício Gerum.

“Se vossa excelência ficou impressionado com artigos, manifestações de juristas nacionais e internacionais é porque algo de errado existe neste processo”, afirmou Zanin.

Depois, apontou nulidade do processo alegando que não poderia ter sido encaminhado para o juiz Sérgio Moro, pela falta de conexão do caso com a Lava Jato.

Ele citou decisão na qual Moro diz que o dinheiro obtido pela OAS nos contratos na Petrobras não financiou a reserva e a reforma do apartamento. O advogado ainda questionou a imparcialidade do juiz.

“Não se pode deixar de analisar todos os graves fatos que foram praticados pelo juiz de 1º grau ao longo das investigações, ao longo da ação, inclusive atos com claros objetivos de gerar fatos políticos. A divulgação de conversas telefônicas entre o ex-presidente Lula e a então presidente Dilma, o que foi aquilo? Um ato político, praticado por um juiz”, disse.

Em relação à acusação, Zanin rebateu a tese da corrupção, alegando não haver provas de que o dinheiro obtido pela OAS em três contratos com a Petrobras foi usado no apartamento. Para ele, Moro fez uma “completa distorção quanto à origem da suposta vantagem indevida”.

Quanto ao triplex, a defesa de Lula reafirmou que o imóvel nunca esteve em nome do ex-presidente. “O triplex não é do ex-presidente Lula. Todos sabemos que o triplex pertence e sempre pertenceu à OAS”, afirmou o advogado.
Gebran Neto vota pela condenação do ex-presidente Lula

Voto do relator, desembargador Gebran Neto

Relator do processo, o desembargador João Pedro Gebran Neto votou pelo aumento da pena imposta a Lula, anteriormente fixada por Moro em 9 anos e 6 meses de prisão, para 12 anos e 1 mês, com início em regime fechado.

Em um voto de três horas e meia, ele não leu todas as 430 páginas do relatório. No texto, ele apontou “culpabilidade extremamente elevada” pelo fato de o petista ter ocupado a Presidência da República e de , segundo afirmou, ter ocupado posição de comando no esquema. Os desvios, justificou, não apenas prejudicaram a Petrobras, mas também deturparam o processo político.

“A eleição de um mandatário, em particular de um presidente da República, traz consigo a esperança à população de um melhor projeto de vida. Críticas merecem, portanto, todos aqueles que praticam atos destinados a trair ideais republicanos, sem descuidar, por óbvio, que a corrupção aqui tratada está inserida em um contexto muito mais amplo e, assim, de efeitos perversos e difusos”, afirmou.

Gebran Neto começou o voto negando pedidos da defesa para anular a sentença por falta de competência de Moro. Ele apontou outras decisões do TRF-4 que mantiveram o caso com o juiz em razão de conexão com a Lava Jato.

O magistrado também descartou suposta parcialidade do juiz e justificou a condução coercitiva de Lula determinada por Moro e as quebras de sigilo telefônico com advogados.

“Houve a participação de advogados e representantes para garantia de defesa no ato, além de cautelas do magistrado para que o ato fosse o menos espetaculoso possível”, afirmou.

Após rejeitar todos os pedidos para anular o processo, o desembargador contestou a tese de Lula de que não haveria uma contrapartida dele, como presidente da República, à OAS.

Gebran Neto lembrou que não é preciso a formalização um ato de ofício, mas só a aceitação da promessa de receber vantagem e o poder para favorecer a empreiteira na Petrobras.

“Não se exige a demonstração da participação ativa de Luiz Inácio Lula da Silva em cada um dos contratos porque em verdade era o garantidor do esquema maior que tinha por finalidade incrementar de modo subreptício o financiamento de partidos, pelo que agia nos bastidores para nomeação e manutenção de agentes públicos em cargos-chave para a organização criminosa”, disse.

O desembargador também apontou o “estreito vínculo” entre Lula e o presidente da OAS, Léo Pinheiro, após enumerar obras em que a empreiteira foi favorecida na Petrobras.

"Há prova acima de razoável de que o ex-presidente foi um dos articuladores, se não o principal, do amplo esquema de corrupção. As provas aqui colhidas levam à conclusão de que no mínimo tinha ciência e dava suporte aquilo que ocorria no seio da Petrobras.”

Em relação ao triplex, Gebran Neto reconheceu que não houve transferência formal do imóvel para Lula, mas citou depoimentos de que ele sempre esteve reservado para o ex-presidente, sobretudo em razão de reformas personalizadas para ele e Marisa Letícia.

“É como se o apartamento tivesse sido colocado em nome de um laranja. Nesse caso, a ausência de transferência, transforma em determinado momento — na medida que podia ter sido transferido e não o foi, a pedido — a OAS como mera laranja do verdadeiro titular dessa unidade", afirmou.

Por isso, o fato de o imóvel permanecer como propriedade da OAS, mas para uso de Lula, comprovaria a tentativa de ocultar a vantagem indevida, configurando o crime de lavagem de dinheiro.

Nas conclusões do voto, Gebran Neto chamou Lula de “avalista” e “comandante” do esquema de corrupção na Petrobras.

“Havia inequívoca ciência do réu com relação aos malfeitos havidos na estatal. Ademais disso, dele dependia a continuidade e eficácia do esquema milionário e financiamento das campanhas eleitorais, de maneira que sua capacidade de decisão e conhecimento dos efeitos e abrangência do esquema espúrio mostrou-se fundamental”, disse.
'Luiz Inácio agiu pessoalmente', diz revisor

Voto do desembargador Leandro Paulsen

Revisor do processo, o desembargador Leandro Paulsen foi o segundo a votar, durante uma hora e meia, também pela condenação de Lula. Paulsen repetiu as penas estipuladas por Gebran Neto: "Adiro ao voto do relator também no que diz respeito à dosimetria da pena", disse.

No início, afirmou que o processo não tratava “de pequenos desvios de conduta”, mas “ilícitos penais gravíssimos contra a administração pública e contra a paz pública, com prejuízos bilionários aos cofres públicos”.

“Estamos tratando da revelação de criminalidade organizada envolvendo a própria estrutura do Estado brasileiro".

Assim como Gebran Neto, Paulsen também destacou, como “elemento relevantíssimo”, o fato de os crimes terem sido cometidos por um presidente da República.

"Luiz Inácio acabou por ser beneficiário pessoal e direto da propina que estava à disposição do PT, por quanto parte dela foi utilizada no triplex", afirmou.

Segundo o desembargador, "a eleição e assunção ao cargo não põem o eleito acima do bem e do mal, não lhe permitem buscar fins nem agir por meios que não sejam os legais".

"Relativamente à autoria e à culpabilidade de Luiz Inácio Lula da Silva, o vínculo de causalidade de sua conduta e os crimes praticados é inequívoco. Luiz Inácio agiu pessoalmente para tanto, bancando quedas-de-braço com o conselho da Petrobras na condição de presidente da República."

Paulsen também rejeitou questionamentos da defesa contra a atuação de Moro no processo, lembrando de decisões do próprio TRF-4 que confirmaram seus atos durante a investigação.

O desembargador também manteve a absolvição de Paulo Okamotto, por não ver irregularidade no armazenamento, pela OAS, de parte dos presentes que Lula ganhou no Planalto.

O revisor ainda citou entendimento do STF no julgamento do mensalão, no qual dirigentes do PT foram condenados pela compra de apoio político no Congresso em favor do governo Lula.
Victor Laus também adere ao voto do relator e mantém condenação de Lula

Voto do desembargador Victor Laus

Terceiro e último a votar, o desembargador Victor dos Santos Laus também acompanhou na íntegra o voto dos outros desembargadores.

Em 1 hora e 10 minutos, ele iniciou elogiando a Operação Lava Jato pela qualidade dos investigadores, advogados e juízes que atuam no caso. Ele também reforçou afirmação de seus pares que o julgamento se dava sobre fatos, não pessoas.

“A nós interessa o fato, aquilo que de concreto aconteceu. Pessoas se viram envolvidas. Mas repito: não julgamos pessoas. O fato de ser cometido por alguém é do mundo das coisas”, afirmou. Ele reconheceu, contudo, a complexidade do caso por envolver um presidente.

"Evidentemente que, de sua excelência, era esperada uma atitude absolutamente diferente. Ou seja, ciente dos fatos que aconteciam em seu entorno, deveria ter tomado providência, nós sabemos, e assim não o fez e ficou em silêncio. Para além disso, como demonstrou a situação da unidade habitacional, auferiu proveito dessa situação. Ou seja, são fatos lamentáveis, fatos que deslustram a biografia de sua excelência, mas que são fatos concretos, que ocorreram."

No meio do voto, Laus também rejeitou as contestações que a defesa de Lula apresentou ao longo do processo – como o impedimento de Sergio Moro – reforçando que todas já haviam sido analisadas pelo TRF-4 antes do caso chegar ao tribunal.

Sobre o tríplex, o desembargador disse ter considerado todos os depoimentos tomados no processo, inclusive de quem colaborou com o caso, como os executivos da OAS Léo Pinheiro e Agenor Franklin Martins. A defesa alega que eles mentiram para obter benefícios.

“O tão só fato de cidadão acusado querer colaborar não desqualifica sua fala, porque há de merecer consideração desde que em harmonia com outros elementos do processo”, disse, lembrando que os executivos ainda não tiveram acordos de delação premiada homologados.

AUTOR: G1

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