I

LEITORES DO TIANGUÁ AGORA!

SEJAM TODOS MUITO BEM VINDOS, E TENHAM UMA ÓTIMA LEITURA!.

ACESSE MEU CANAL NO WHATSAPP

ACESSE MEU CANAL NO WHATSAPP
FIQUE SABENDO DE TODAS AS NOTÍCIAS

CURTA O TIANGUÁ AGORA NO FACEBOOK!

RESGATE TIANGUÁ

RESGATE TIANGUÁ
NOVO NÚMERO!

TIANGUÁ AGORA - ÚLTIMAS NOTÍCIAS!!!

ANUNCIE AQUI E CRESÇA!

ANUNCIE AQUI E CRESÇA!
WHATSAPP (85)9-9414-6811 GUGU LOCUTOR

MERCEARIA MAIA, O LUGAR CERTO PARA VOCÊ COMPRAR!

MERCEARIA MAIA, O LUGAR CERTO PARA VOCÊ COMPRAR!
RUA 103 N° 43 BAIRRO NOVO MONDUBIM, FORTALEZA-CE

JC ESTÚDIO TUDO EM MÍDIAS PARA VOCÊ

JC ESTÚDIO TUDO EM MÍDIAS PARA VOCÊ
APROVEITE E PEÇA O SEU ORÇAMENTO JÁ!

CURTA O TIANGUÁ AGORA NO FACEBOOK!

CURTA A MAIS NOVA PÁGINA DESTE BLOG, NO FACEBOOK!

Mostrando postagens com marcador GUERRA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador GUERRA. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

EM FORTALEZA (CE): ACUSADO DE MAIS DE 30 MORTES 'RASGA' A CAMISA DE FACÇÃO E FERA MEDO EM MORADORES DO PLANALTO AYRTON SENNA

As ameaças teriam partido de um recém-líder do CV Foto: Reprodução

Um nome conhecido das autoridades ligadas à Segurança Pública no Ceará pode estar por trás de ataques criminosos que vêm gerando medo em moradores do Planalto Ayrton Senna, em Fortaleza.

A entrada de Evanildo de Matos Freire, o 'Nildo Pantanal' em uma terceira facção criminosa, ao longo da trajetória dele dentro do mundo do crime, veio junto aos ataques no bairro, incluindo pichações em muros e portões residenciais, com ameaças aos moradores. Tudo isso para dar o recado que agora ele pertence ao grupo criminoso carioca Comando Vermelho (CV).

Os ataques começaram a acontecer na madrugada da última quinta-feira (23). Nildo é dono de uma extensa ficha criminal, incluindo acusações de mais de 30 homicídios na capital cearense, passagens por tráfico de drogas, integrar organização criminosa armada, porte ilegal de arma de fogo e receptação. 

A Polícia Civil do Ceará disse apurar denúncia de ameaça e dano material ocorrida no Planalto Ayrton Senna - Área Integrada de Segurança 9 (AIS 9) de Fortaleza, e pede que as vítimas oficializem os ocorridos por meio do Boletim de Ocorrência: "o registro é importante para subsidiar a investigação a ser realizada pelo 8º Distrito Policial (8º DP), que é a unidade da Polícia Civil que investiga crimes na área".
Criminosos picharam muros de residências Foto: Reprodução 

SERIAL KILLER

O nome de 'Nildo' está relacionado ao crime por meio das manchetes policiais desde o ano de 2012. A última vez que ele foi preso foi em outubro de 2024, quando policiais da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) cumpriram mandado de prisão contra o homem, já multidenunciado.

A reportagem do Diário do Nordeste teve acesso a algumas acusações do Ministério Público do Ceará (MPCE) contra o faccionado. Nelas, constam que na última década, Nildo já integrou os grupos Guardiões do Estado (GDE), Massa Carcerária e agora partiu rumo ao Comando Vermelho.

Um policial que participou de uma das buscas contra o denunciado disse que, até 2024, "Nildo Pantanal era apontado como liderança da 'Massa' na Comunidade do Pantanal, bairro Planalto Ayrton Senna, e, segundo informações anônimas, também apontado como mandante de homicídios".

Em 2012, o Diário do Nordeste publicou reportagem citando que Nildo, também conhecido como 'Lourinho do Pantanal' já era procurado pela Polícia há meses por conta dos seguidos assassinatos que teria praticado por ordem de traficantes dos bairros Planalto Ayrton Senna, Riacho Doce, Rosalina e Conjunto João Paulo II.

Na época, Evanildo estava na 'ponta dos grupos criminosos', com papel de executor dos assassinatos. Anos se passaram e com a continuidade do pertencimento ao 'mundo do crime', Evanildo ascendeu dentro das facções.

GUERRA SANGRENTA

Em uma das denúncias do MP contra o acusado, o órgão cita que em abril de 2024, foi instaurado inquérito policial para apurar a conduta do denunciado "pela prática de integrar organização armada na condição de liderança denominada MASSA/TDN com atuação no Planalto Aryton Senna".

A Coordenadoria de Inteligência (Coin) da SSPDS encaminhou para a Delegacia de Repressão às Ações Organizadas relatório indicando que até o mês de maio do ano de 2023, o homem foi uma das lideranças da organização criminosa Guardiões do Estado (GDE), na região e que 'Nildo Pantanal' "já era contumaz na prática de crimes de tráfico de drogas e homicídios desde o ano de 2009, o que pode ser confirmado através dos inquéritos policiais".

"Ainda segundo o referido relatório técnico, em maio do ano de 2023, o denunciado "rasgou a camisa” da GDE, após rompimento interno, migrou para a nova organização criminosa 'Massa'".

A Inteligência da Draco levantou também informações que quando Nildo migrou para a 'Massa' deu início a uma "sangrenta guerra entre as facções criminosas Guardiões do Estado e Massa pela disputa de territórios para venda de drogas".

FONTE: DN

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

CEARÁ VIOLENTO: ESTADO TERMINOU O ANO DE 2019 COM 2,4 MIL ASSASSINATOS

Em Caucaia a violência foi intensa, com assassinatos até mesmo dentro do hospital municipal

O Ceará fechou o ano com cerca de 2,4 mil assassinatos. São os chamados Crimes Violentos, Letais e Intencionais (CVLIs), que incluem homicídios, feminicídios, latrocínios e casos de lesão corporal seguido de morte. 

Também neste balanço extra-oficial, são incluídos os casos de assassinatos nas unidades do Sistema Penitenciário e as mortes por intervenção policial. 

Estes dois últimos delitos não são incluídos na estatística oficial que deverá ser divulgada nos próximos dias pelo governo do estado, através da sua Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).

Somente em Fortaleza, cerca de 710 pessoas foram assassinadas no ano passado. 

Na Região Metropolitana foram 705 CVLIs. No Interior do estado, cerca de 970 pessoas foram mortas. Some-se a isto, 135 mortes por intervenção policial. 

Em comparação a 2018, a queda no número de homicídios no estado beira a casa de 50 por cento.

A “guerra” de facções mais uma vez foi a grande responsável pela maioria dos assassinatos na Capital e sua Região Metropolitana, com centenas de jovens mortos nas escaramuças de bandidos armados dos dois grupos criminosos, o Comando Vermelho (CV) e a Guardiões do Estado (GDE). 

Além de ameaças de morte às autoridades, esses grupos repetiram as execuções sumárias em série registradas em 2018. Crimes brutais, com corpos esquartejados, decapitados e incendiados voltaram a se repetir em 2019.

Também no ano passado a violência contra a mulher continuou desafiando as autoridades. Foram 229 assassinatos, contra 400 em 2018. No somatório, mais de 600 mulheres assassinadas no estado em apenas dois anos. 

No Ceará a média se aproxima de uma mulher morta a cada 24 horas, uma por dia.

Terra da violência

Se na Capital cearense o número de homicídios caiu em 2019 em comparação a 2018, no Município de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), a “guerra” de facções deixou um rastro de sangue, morte e dor para dezenas de famílias. O Município terminou o ano com mais de 200 homicídios.

Nos bairros Conjunto Metropolitano (Picuí), Conjunto Araturi, Itambé I, Itambé II, Padre Júlio Maria, Nova Metrópole, Parque Potira, Parque Leblon e no Distrito de Jurema, entre outras comunidades caucaienses, as mortes violentas se tornaram comuns nos confrontos entre membros das duas principais facções que atuam no estado. Moradores foram expulsos de suas residências por ordem das facções e de traficantes de drogas.

Em Caucaia, muitos Jovens foram raptados, torturados e mortos pelas quadrilhas na disputa por território, pela rivalidade dos grupos e pela crueldade dos matadores a serviço dos chefes de facções, em 2019. O ano terminou com dezenas de famílias enlutadas.

AUTOR: FERNANDO RIBEIRO

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

EM CAUCAIA (CE), ADOLESCENTE É ASSASSINADA A TIROS NA "GUERRA" DE FACÇÕES

Suzane foi assassinada, a tiros, na noite desta terça-feira, no bairro Mestre Antônio

Uma adolescente foi morta, a tiros, na noite desta terça-feira (30), na cidade de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). O crime aconteceu no bairro Mestre Antônio e as pistas indicam que pode ser mais um crime ligado à guerra entre facções naquela cidade.

A garota, identificada até o momento apenas por Suzane, caminhava pela rua na companhia de uma irmã e de uma amiga quando as três foram atacadas por dois homens que estavam em uma motocicleta. Suzane foi a única baleada e tombou sem vida na calçada de uma residência, enquanto os criminosos fugiam do local.

A amiga e a irmã contaram para a Polícia que Suzane estava ameaçada, mas não disseram o motivo disso. Policiais da Delegacia Metropolitana de Caucaia (DMC) estão diligenciando em busca de pistas dos criminosos. O corpo de Suzane foi removido pela Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce).

Outro crime

Ainda nesta terça-feira (30), outro crime foi registrado em Caucaia. Um caminhoneiro foi morto a tiros no pátio de um posto de combustíveis na BR-020. De acordo com a Polícia, a vítima do assassinato foi identificada como Ranielhe Bezerra Leite, 34 anos.

Testemunhas contaram que o motorista conversava com o assassino quando, de repente, começaram a discutir. Ranielhe tentou fugir, mas foi perseguido e atingido por vários tiros disparados à curta distância. Tendo morte no local.

Balanço

Entre os dias 1º e 30 de julho, 18 pessoas foram assassinadas no Município de Caucaia, entre elas, três mulheres identificadas por Priscila da Silva Siqueira, 33 anos (morta a tiros no Conjunto Arianópolis, no dia 9), Patrícia Vasconcelos Quaresma, 18 anos (morta a tiros no bairro Bom Jesus, no dia 15) e Suzane (adolescente morta ontem, no bairro Mestre Antônio).

AUTOR: FERNANDO RIBEIRO

segunda-feira, 29 de julho de 2019

EM CAUCAIA (CE), MAIS 2 JOVENS SÃO ASSASSINADOS NA "GUERRA" ENTRE AS FACÇÕES GDE E CV

Os dois rapazes foram executados a tiros dentro da residência. Um terceiro ficou ferido
Os dois jovens mortos no bairro Itambé na noite de sexta-feira (26)

A “guerra” entre as facções Comando Vermelho (CV) e Guardiões do Estado (CV) fez mais duas vítimas no bairro Itambé, na cidade de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Na noite desta sexta-feira (26), bandidos mataram dois jovens dentro de uma residência. As vítimas foram fuziladas com tiros de pistolas, a maioria nas costas e cabeça.

O crime ocorreu por volta de 22h45, na Travessa Alexandre dos Reis, proximidades de uma fábrica de castanhas. Três jovens estavam na calçada da residência quando dois homens em uma motocicleta se aproximaram e efetuaram os primeiros tiros. Na tentativa de escapar da morte, os três rapazes correram para dentro de casa.

Contudo, os atiradores invadiram a residência e atiraram outras vezes contra as vítimas. Dois jovens morreram no local e um terceiro ficou ferido, sendo socorrido em estado grave para o Hospital Municipal de Caucaia e transferido, sob escolta da Polícia Militar, para o Instituto Doutor José Frota (IJF-Centro), onde permanece com segurança da PM.

Os dois jovens mortos eram Adriano de Sousa Rocha, 20 anos de idade e o adolescente de 17 anos, identificado somente por Douglas. O jovem baleado, F.C.S.S.J, de 15 anos, recebeu tiros à queima-roupa no tórax e cabeça.

Policiais da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e da Delegacia Metropolitana de Caucaia (plantão), estiveram no local juntamente com várias patrulhas do 12º BPM, em busca de pistas para a identificação dos acusados. Até agora, porém, nenhum suspeito foi detido.

Outros crimes

O corpo de um homem que estava desaparecido há cerca de quatro dias foi encontrado na madrugada deste sábado (27) enterrado numa cova rasa, na localidade de Terrenos Novos, no bairro Alto do João Grande, em Pacatuba, Município da Região Metropolitana de Fortaleza.

A vítima, ainda não identificada oficialmente, teria sido assassinada e o corpo ocultado pelos assassinos. Policiais militares estiveram no local do crime e acionaram equipes da Perícia Forense do Ceará (Pefoce) e do DHPP.

Já no começo da manhã do dia (27), foi registrado mais um crime de morte em Caucaia. Um homem foi assassinado, a tiros, no bairro Planalto Caucaia. A ocorrência foi registrada por volta de 5h30.

AUTOR: FERNANDO RIBEIRO

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

CEARÁ VIOLENTO: GUERRA DE FACÇÕES DEIXA MAIS 14 MORTOS, NAS ÚLTIMAS 24 HORAS

Maracanaú                                                                 Maracanaú
Bonsucesso                                                                Bonsucesso

Paracuru                                                                   Jardim União/Passaré

Mais 14 pessoas foram assassinadas nas últimas 24 horas em decorrência da guerra entre as facções criminosas Guardiões do Estado (GDE) e Comando Vermelho (CV) no Ceará. Foram cinco mortes nas ruas de Fortaleza, duas na Região Metropolitana e mais seis crimes de morte no interior. Entre os registros, estão dois casos de duplos homicídios. Ninguém foi preso.

Era por volta de 7 horas desta terça-feira (2), quando a Polícia registrou um duplo homicídio no Município de Morrinhos, na região do Vale do Acaraú (198 Km de Fortaleza). Dois jovens que seguiam de casa para a escola foram executados a tiros por três homens que ocuparam um veículo modelo Siena, preto. O duplo assassinato aconteceu numa estrada do bairro São Luiz. As vítimas foram identificadas como Júlio César de Sousa Faustino, 18 anos; e o adolescente Francisco Jones Vieira Mota, 17.
Outro duplo homicídio ocorreu em Fortaleza, por volta de 18h50 na Rua Taquari, no limite dos bairros Bonsucesso e Granja Portugal, no Grande Bom Jardim, zona Sul de Fortaleza. Dois jovens foram mortos a tiros durante o tiroteio. Policiais militares foram ao local do crime, mas não conseguiram obter pistas concretas dos atiradores.

Mulher fuzilada

Mais cedo, por volta de 15h35, uma jovem de 26 anos foi executada sumariamente com vários tiros de pistola na porta de casa, na Rua 118 do bairro Conjunto Timbó, em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Laynara Sousa da Silva estava ameaçada de morte pelo ex-marido e já havia sido testemunha de dois homicídios. O marido está preso e ela revelava aos parentes que vinha sendo ameaçada por bandidos. Foi a segunda mulher morta em apenas dois dias de outubro.

Também ontem, foram registrados mais três assassinatos em Fortaleza. O primeiro às 11h13 no bairro Ancuri. O segundo, por volta de 13h41, no Passaré. E o terceiro aconteceu por volta às 15h8, na Granja Lisboa.

Na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), duas pessoas foram assassinadas em Maracanaú. O primeiro caso às 15h35, que vitimou a jovem Laynara Sousa da Silva, no Conjunto Timbó; e o segundo às 17h54.

Sertão

Além do duplo homicídio em Morrinhos, os Comandos de Policiamento do Interior (CPIs Norte e Sul), fizeram o registro de outros quatro assassinatos nos Municípios de Baturité (às 19h20), Groaíras (20h34), Jaguaretama (21h30) e Juazeiro do Norte (22h13).

Em Juazeiro do Norte, no Cariri, região Sul do estado (528 Km de Fortaleza), o corpo de um homem, ainda não identificado, foi encontrado no fim da noite (23h13) em um matagal próximo ao Conjunto São Sebastião II, um condomínio residencial do programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida”, localizado no bairro Brejo Seco. A vítima foi morta a tiros.

Moradores disseram que três homens entraram no matagal. Em seguida, foram ouvidos vários estampidos e, logo, depois, apenas dois homens saíram do local. A Polícia Militar foi acionada e, rapidamente, o cadáver encontrado. Os suspeitos estão foragidos.

Crime hoje

No começo da manhã de hoje (3), o corpo de um homem foi assassinado foi encontrado na zona rural do Município de Paracuru, no litoral Oeste do estado (100 Km de Fortaleza). A vítima, identificada apenas por Breno, foi executada com vários tiros, provavelmente, durante a madrugada.

AUTOR: FERNANDO RIBEIRO

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

CEARÁ VIOLENTO: GUERRA DE FACÇÕES CAUSA MATANÇA E ESTADO DE PÂNICO, EM 3 CIDADES, DA REGIÃO METROPOLITANA DE FORTALEZA


As cidades de Caucaia, Maranguape e Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), passam por momentos de tensão em conseqüência da “guerra” travada pelas facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Guardiões do Estado (GDE). 

Somente neste mês de setembro, em 26 dias, ao menos, 94 pessoas foram mortas em toda a RMF, sendo 54 somente nos três municípios. Tiroteios e mortes desafiam as autoridades da Segurança Pública.

Na tarde desta quarta-feira (26), bandidos armados tentaram matar desafetos na comunidade de Tabatinga, na periferia da cidade de Maranguape. As cenas da violência foram gravadas pelos próprios criminosos, que postaram vídeos nas redes sociais. Apesar de muitos tiros terem sido disparados, a Polícia não registrou mortes naquela área.

Em várias comunidades dos três municípios metropolitanos, os confrontos seguidos de mortes se intensificaram nas últimas semanas. São áreas onde a Polícia Militar tem aumentado o patrulhamento em decorrência da presença de bandidos armados, além de movimentação do tráfico de entorpecentes. Na guerra declarada das facções, inocentes também são mortos ou feridos por balas perdidas.

Em Caucaia, os conflitos se acentuaram nas duas últimas semanas, principalmente, nos bairros Itambé I, Itambé II, Padre Júlio Maria, Cabatã, Açude, Parque Soledade e São Miguel, além do Distrito de Jurema. Foram 24 assassinatos no Município em 26 dias de setembro.

Já em Maracanaú, os conflitos de facções ocorrem, com mais freqüência, nas seguintes comunidades: Conjunto Timbó, Residencial Maracanãzinho, Parque Luzardo Viana e Jaçanaú.

Em Maranguape, a briga armada de facções tem atormentado os moradores das comunidades Área Seca, Área Verde, Novo Parque Iracema e Novo Maranguape.

Mortes cruéis

Na disputa por território de drogas e mando das facções, os crimes têm como marca a crueldade. Corpos estão sendo localizados de capitados ou esquartejados. Há casos também de destruição de cadáveres por fogo. Outra característica já percebida pela Polícia nos assassinatos e a grande quantidade de tiros disparados contra as vítimas.

Os embates diários entre membros desses grupos criminosos se juntam às ameaças e expulsão de moradores de seus lares e de pontos comerciais. Há comunidades em que os bandidos forçaram a saída coletiva dos moradores, transformando ruas e quarteirões inteiros em verdadeiros bairros “fantasmas”.

AUTOR: FERNANDO RIBEIRO

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

NO IÊMEN, ATAQUE AÉREO CONTRA CAMPO DE PRISIONEIROS DEIXA 39 MORTOS

Militante houthi caminha em frente a campo de prisioneiros bombardeado em Sanaa, no Iêmen (Foto: Khaled Abdullah/Reuters)

Ao menos 39 pessoas morreram e 90 ficaram feridas no bombardeio aéreo contra uma campo de prisioneiros dos rebeldes houthis em Sanaa, capital do Iêmen, segundo autoridades não identificadas ouvidas por agências de notícias.

O bombardeio foi executado por aviões da coalizão árabe internacional liderada pela Arábia Saudita.

Os ataques tinham como alvo um campo administrado pela polícia militar, vinculado aos rebeldes, que abrigava cerca de 180 detentos. Uma autoridade afirmou à Reuters que 35 corpos já foram retirados dos escombros.

Escalada do conflito

Os confrontos no Iêmen, que está em guerra civil, se intensificaram nas últimas semanas e resultaram na morte do ex-presidente do país, Ali Abdullah Saleh, no último dia 4.

Saleh foi morto pelos houthis, seus antigos aliados, após o ex-presidente romper com os rebeldes - que controlam a capital desde 2015 - e admitir conversas com a coalizão saudita.

Desde a intervenção saudita, que apoia o atual presidente, Abdrabbuh Mansur Hadi, mais de 8.000 pessoas foram mortas em combates, incluindo milhares de civis, segundo a ONU. Os bombardeios aéreos apoiados por Riad são alvo de críticas de diversas organizações internacionais.

O conflito, somado a um bloqueio imposto pelos sauditas, tem causado uma das maiores emergências humanitárias do mundo, incluindo um surto de cólera que pode ter matado 2.000 pessoas desde abril.

AUTOR: FRANCE PRESSE

terça-feira, 10 de outubro de 2017

NO CEARÁ, SECRETÁRIO DE SEGURANÇA DIZ QUE POLÍCIA SOZINHA NÃO VENCERÁ GUERRA CONTRA FACÇÕES CRIMINOSAS

André Costa: “Se o estado do Ceará tentar resolver sozinho (a criminalidade), não vai conseguir"

Se o estado do Ceará tentar resolver sozinho, não vai conseguir, porque são grupos criminosos que vêm de fora do Estado, como São Paulo e Rio de Janeiro”. A declaração é do secretário da Segurança Pública, delegado federal André Costa, admitindo que as forças policiais cearenses são incapazes de, sem a ajuda do governo federal, vencer a guerra contra facções que hoje dominam o território cearense a partir das unidades do Sistema Penitenciário.

“É importante que o governo federal leve com seriedade o problema da Segurança Pública... A gente precisa dessa pactuação entre todos os estados do País e do governo federal para, assim, apresentar uma solução”, completou.

As declarações do secretário foram feitas na tarde da última sexta-feira (6), quando ele convocou a Imprensa para apresentar o balanço dos trabalhos da sua pasta realizados em setembro, quando, mais uma vez, o Ceará apresentou dados negativos no combate aos homicídios. A alta foi de 47 por cento no acumulado de nove meses, com cerca de 3.700 assassinatos; um salto da ordem de 47 por cento em relação a igual período de 2016.

Incapacidade

Além de admitir que a Polícia do Ceará é incapaz de sozinha vencer a luta contra a criminalidade, André Costa foi mais além ao revelar que, somente agora, o estado se preocupou em criar uma política de Segurança Pública. “Estamos finalizando no estado do Ceará um Plano Estadual de Segurança. Mas é muito importante que o governo federal também elabore o seu”.

Em seguida, o secretário anunciou a criação de uma comissão de estudo do perfil das vítimas dos assassinatos e esta já constatou, logo no seu nascedouro, que 64 por cento das vítimas dos assassinatos (no universo de casos já analisados pela comissão), possuíam envolvimento com o crime (tinham antecedentes criminais) e que 84 por cento eram envolvidas com o tráfico de drogas.

As declarações de André Costa estão postadas no site da SSPDS.

AUTOR: FERNANDO RIBEIRO

sábado, 17 de junho de 2017

NO CEARÁ, A GUERRA DAS FACÇÕES E SUAS MORTES

E o Ceará ultrapassou nesta sexta-feira (16) a triste marca dos dois mil assassinatos em 2017. Esse “impulso” nas taxas dos Crimes Violentos, Letais e Intencionais (CVLIs) se deu por conta da guerra travada entre as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Guardiões do Estado (GDE). A briga entre os grupos criminosos que, antes, era restrita aos porões do Sistema Penitenciário, passou para fora das cadeias e atinge, diretamente, os cidadãos aqui fora na sociedade. (Leia Mais)

E neste contexto da violência, a Capital é a região do estado que mais vem sendo abalada. Somente entre os dias 1º de janeiro e 12 de junho, nada menos, que 789 pessoas foram mortas. Na Região Metropolitana foram 490, e no interior outras 764. Total, 2.043 homicídios. A matança está praticamente fora do controle do estado e vem sendo “turbinada” por chacinas, onde, de uma só vez, várias pessoas perdem a vida de forma brutal.

Cabe às autoridades o dever de corrigir isto. Com medidas efetivas de combate ao crime, com o confinamento dos chefes das facções e o impedimento (legal) de eles continuarem se comunicando com seus “soldados” aqui fora. A persistir a liberdade de celulares nas cadeias, dificilmente o crime será contido. Agora, a pergunta que não quer calar: Cadê os bloqueadores??? Só Jesus na causa!

CHACINAS E RESPOSTAS
A secretária da Justiça e da Cidadania do Ceará, procuradora de Justiça Socorro França, informou em entrevista recente, que há uma ligação entre essa matança que acontece nas ruas da Grande Fortaleza e os grupos criminosos que estão dentro das cadeias. 

A chacina que deixou cinco pessoas mortas na periferia da cidade de Horizonte, na RMF, teve repercussão imediata nos xadrezes e corredores da Casa de Privação Provisória da Liberdade Professor Clodoaldo Pinto, a CPPL 2, em Itaitinga, na última segunda-feira 12. Pessoas mortas eram familiares de alguns presos daquela unidade. 

A revolta tomou de conta do local e os boatos de transferências de presos aumentaram o calor do clima de tensão na CPPL, culminando numa rebelião que durou cerca de 18 horas.

SEM DELEGADO, SEM INVESTIGAÇÃO
Os números são os que já havíamos revelado nesta coluna. Cerca de seis mil inquéritos policiais estão empilhados na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). 

Sem delegados suficientes para presidir os inquéritos e comandar as investigações, aquele órgão não tem muito o que fazer diante de tão grave situação. Os documentos estão inconclusos, isto é, não foram encerrados porque falta identificar os autores dos assassinatos. Isso gera uma onda de impunidade coletiva. 

São dezenas e dezenas de crimes de morte que, provavelmente, ficarão sem solução. Os homicidas permanecerão livres, sem a reprimenda do Estado e da Justiça. E tome impunidade neste Ceará!!!

POLICIAIS DESASSISTIDOS
Subiu para 16 o número de agentes da Segurança Pública mortos no Ceará. O último foi um cabo do Batalhão de Policiamento de Eventos (BPEV). José Roger Marques da Penha, 45 anos, foi executado, a tiros, na tarde de quarta-feira passada (14). Segundo informações extra-oficiais, ele tinha problemas com drogas. 

Chegou a ser expulso da Corporação em 2014, por conta de um caso e assassinato, mas conseguiu ser reintegrado às fileiras da Corporação pelas vias judiciais. O caso de Roger é típico em relação aos servidores da Segurança que não recebem acompanhamento terapêutico para se livrarem das drogas, da bebida e outros vícios danosos à saúde. 

Por sorte, o novo secretário da Segurança Pública, André Costa; e o novo Comando-Geral da PM estão atentos a isto e já anunciaram medidas para solucionar esta questão. Viva!

SEGURANÇA EM SENADOR
Prefeito de Senador Pompeu, Maurício Pinheiro, emitiu uma nota para falar acerca das providências que vem tomado com vistas a trazer segurança e tranqüilidade para o povo daquele Município. Tem se reunido com as autoridades da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social, Ministério Público, Poder Judiciário e representantes da própria sociedade local. 

O objetivo é traçar estratégias que possam reduzir a criminalidade. Recentemente, uma escola municipal foi atacada por criminosos. A Polícia foi atrás e, dias depois, o caso acabou solucionado com a prisão de um dos ladrões e a recuperação dos objetos furtados.

E TEM MAIS:

* A falta de delegados na DHPP do Ceará é notória e quando a situação “aperta”, como vários casos de assassinatos ao mesmo tempo (o que tem se tornado rotineiro) o jeito é chamar os profissionais que estão em casa. Eles abandonam a folga e formam equipes extras. Enquanto isso, o governo tem um cadastro de reserva com candidatos de alta qualidade que passaram no concurso e estão aguardando serem convocados a fazer o curso de formação e assumir os cargos. O déficit é de mais de 350 profissionais.

* Se faltam delegados na DHPP e na Polícia Civil em geral, na Perícia Forense (Pefoce) não é diferente. Nos Núcleos Regionais da instituição, em sete cidades do Interior (Juazeiro do Norte, Sobral, Russas, Quixeramobim, Tauá, Iguatu e Canindé) a situação é precária, para não dizer lastimável. Em Tauá só tem um perito. Em Iguatu também. Em Quixeramobim só dois. Concurso já!

* Um crime que não deve cair na vala da impunidade. A morte cruel e covarde do blogueiro e radialista Luis Gustavo da Silva, o “Guga”, em Aquiraz. O comunicador fazia um trabalho de qualidade e de muita repercussão naquele Município da RMF. Foi assassinado na última quarta-feira (15), na presença da esposa. Crime político ou por ordem do tráfico. A Imprensa roga ao governador Camilo Santana e ao secretário André Costa que tomem providências e não deixem que se torne mais um inquérito a ficar sem solução no Ceará.

* Uma carnificina está prestes a acontecer no Sistema Penitenciário do Ceará devido ao agravamento da “guerra” entre as facções criminosas. Na CPPL 2, detentos da massa carcerária e que não pertencem a nenhum grupo organizado, estão revoltados com os integrantes da GDE e ameaçam um confronto. Já na CPPL 3, as fugas e resgates são constantes envolvendo os membros do PCC. Na CPPL estão presos que foram transferidos do IPPOO 2. A confusão é total no sistema. E as ameaças das facções se espalham pelas redes sociais. A coisa ta feia!!!!

AUTOR: FERNANDO RIBEIRO

quarta-feira, 17 de maio de 2017

CEARÁ VIOLENTO: PRIMEIRA QUINZENA DE MAIO REGISTROU 216 HOMICÍDIOS, COM MÉDIA DE 14,4/DIA; NA CAPITAL, FORAM 93 ASSASSINATOS

A guerra entre facções tem deixado um rastro de sangue nas ruas da periferia de Fortaleza

Ao menos, 216 pessoas foram assassinadas no Ceará nos primeiros 15 dias do mês de maio/2017, o que representa uma média de 14,4 homicídios por dia no estado. 

À exemplo do que ocorreu em abril, neste mês a Capital cearense aparece na estatística como a região pesquisada com o maior número de registros de Crimes Violentos, Letais e Intencionais (CVLIs) deste intervalo. Foram 93 assassinatos, o que representa 43 por cento do total.

Já a Região Metropolitana de Fortaleza, que inclui Municípios tradicionalmente violentos, como Maracanaú, Caucaia e Pacajus, teve o registro de 55 homicídios, latrocínios (roubos seguidos de morte) e lesões corporais seguidas de óbito.

No Interior Sul, foram registrados 40 crimes de morte nestes 15 dias iniciais de maio de 2017, enquanto no Interior Norte foram 28, a região de menor índice de assassinatos.

Neste mesmo período, foram registrados sete duplos homicídios na Grande Fortaleza, nos seguintes locais: Pecém (em São Gonçalo do Amarante), bairro Quintino Cunha (Avenida Major Assis), Pirambu (Rua Dom Quintino), Pici (Avenida Humberto Monte), CE-060 (em Guaiúba), Bairro Padre Júlio Maria (em Caucaia), Barra do Ceará (Avenida Senador Robert Kennedy).

No Interior cearense foram registrados três casos de duplos homicídios, nos Municípios de Russas, Barreira e Jijoca de Jericoacoara.

Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social, em todo o mês de maio do ano passado, em 31 dias, foram registrados no Ceará, 285 CVLIs.

AUTOR: FERNANDO RIBEIRO

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

ESTADO ISLÂMICO INTENSIFICA USO DE CRIANÇAS EM ATENTADOS SUICIDAS

Como os jihadistas trabalham para transformar meninos em armas letais é uma história que gira principalmente em torno do medo, como contam adolescentes que conseguiram escapar (Foto: DW/J. Andert)

O medo dele é quase palpável. O menino de 15 anos, flagrado usando um cinto de explosivos do lado de fora de uma mesquita xiita na cidade iraquiana de Kirkuk, chora silenciosamente, enquanto dois policiais prendem seus braços, para evitar que ele detone a bomba.

Em agosto, o "Estado Islâmico" (EI) o havia enviado a Kirkuk, assim como a outro menino de sua idade, que conseguiu se explodir minutos antes em outra mesquita xiita. O grupo ultimamente tem intensificado o uso de crianças em atentados suicidas.

Dias após o menino em Kirkuk ter sido pego, quatro adolescentes realizaram um ataque na cidade xiita iraquiana de Karbala. Em março, outro rapaz fez o mesmo durante uma partida de futebol amador no sul do Iraque.

Recentemente, adolescentes também foram usados em filmagem de propaganda mostrando a execução de cinco curdos capturados na Síria. Vestidos com uniformes, um jovem curdo e quatro filhos de combatentes estrangeiros – um britânico, um egípcio, um tunisiano e um uzbeque – executaram os presos com suas pistolas.

Treinamento
Vídeos de treinamento do EI incluindo crianças já apareceram antes. Milhares de meninos – filhos de combatentes e de simpatizantes iraquianos e sírios locais, assim como meninos sequestrados da minoria yazidi – foram testados em campos de treinamento do EI nos últimos dois anos, para serem educados como "mascotes do Califado".

Como o grupo trabalha para transformar as crianças em armas letais é uma história que gira principalmente em torno do medo, como testemunham adolescentes que conseguiram escapar.

Ahmed e Amir Amin, de 16 e 15 anos, passaram três meses no circuito de formação do EI, depois que foram sequestrados da região yazidi de Sinjar. Mesmo que tenha se passado um ano desde que eles conseguiram fugir e embora eles agora vivam com parentes em um acampamento na região curda do Iraque, ainda sofrem com pesadelos.

Eles foram inicialmente instruídos a aprender o Corão de cor e a rezar. "Se você errava, eles batiam em você com cabos", diz Ahmed. Os cabos são usados para todo tipo de punição: quando foi denunciado por outros meninos por esconder o celular com que ligava para sua família, ele recebeu 250 chibatadas. "Minhas costas e peito ficaram feridos e inchados", conta.

Adel Jalal, de 13 anos, que esteve com seu irmão Asse, de 11, durante nove meses em um grupo de rapazes mais jovens, diz que os combatentes do EI ameaçaram matá-los. Ele se lembra de como alguns rapazes que tinham cometido erros foram retirados do lugar. "Então, ouvimos tiros. Estávamos com muito com medo. Nós não os vimos depois disso", conta.

Violência

Ao mesmo tempo, as crianças eram ensinadas que a violência é algo muito normal. Todas as manhãs, tinham que assistir a vídeos de decapitações a faca e assassinatos. "As primeiras vezes que eu os vi, fiquei com muito medo", diz Amir. "Eu me perguntava como eu poderia matar alguém daquela maneira. Eles nos disseram que tínhamos que matar yazidis e infiéis daquela forma", recorda Ahmed.

Os meninos contam que foram se acostumando com os vídeos, embora Ahmed diga que muitas vezes não conseguia dormir, pois ficava vendo as imagens quando fechava os olhos:

"Para eles, é normal matar pessoas. Eles diziam ´vocês têm que aprender isso, porque nós vamos levá-los para outro país árabe e vocês vão ter que cortar cabeças. Como muçulmano, vocês têm que matar os infiéis´."

De acordo com Ayad Ajaj, que lidera a ONG Mitram, de ajuda aos yazidis na cidade curda de Duhok, esses vídeos são apenas a primeira fase no processo para fazer as crianças cometerem violência.

Ele conversou com 16 meninos yazidis que escaparam dos campos de treinamento, e eles contaram a ele que, após os vídeos, eles recebiam uma boneca para praticar decapitações. Uma imagem de uma boneca similar vestindo um macacão laranja foi postada na internet por um pai preocupado, há mais de um ano.

No entanto, os quatro rapazes não confirmam esta prática, nem a próxima fase, que Ajaj ilustra com outra imagem. Ela mostra um grupo de meninos; um está segurando, pelo cabelo, uma cabeça cortada. "Pelo menos cinco meninos me contaram que tiveram que assistir alguém sendo decapitado diante de seus olhos", diz Ajaj.

Homens-bomba

Todos foram instruídos sobre como vestir cintos de explosivos costurados em tecido branco e usados ao redor da cintura. "Eles nos disseram como usá-los e como nós os fazermos explodir", diz Adel. "Eles nos colocaram e nos levaram em um carro a algum lugar, onde nós caminhamos nas ruas."

Era claro desde o início que eles não podiam recusar, segundo os meninos. "Pode ser que eles nos matassem e pegassem outro menino", diz Adel.

Para recrutas mais velhos, as 72 virgens no paraíso são um incentivo importante. Para os meninos mais jovens, outras promessas tinham que ser inventadas – como um palácio de ouro no céu. "Eles diziam que a terra não é nada e que ele seria feliz no paraíso", relata Ajaj.

Os meninos conta que tinham que tomar drogas para acelerar o processo. O chefe de polícia de Kirkuk, Sarhad Qadir, diz que o menino que foi apanhado com o cinto de explosivos parecia "drogado e reagiu de forma estranha".

Alguns meninos yazidis que escaparam disseram à revista alemã Der Spiegel que eles recebiam pílulas para tornar mais fácil suportar a violência.

Doutrinação

A repetição é uma parte importante do processo de doutrinação. Vez por outra, eles eram informados de que os infiéis devem ser mortos. Para Adel e Asse, os efeitos dos nove meses vivendo sob o medo ainda estão presentes.

Asse, que tinha 9 anos quando foi sequestrado, suprimiu grande parte do que viveu, mas Adel admite que ficou bastante intoxicado: "Eles diziam que eu era muçulmano e que permaneceria assim para sempre. Eles esvaziaram minha memória, para que eu só soubesse do EI e não me lembrasse dos yazidis. E eu não me lembro mais."

Ahmed mantém um hábito que odeia: "Quando estou sozinho, eu recito o Corão. Eu tento esquecer, mas não funciona. Eu realmente quero esquecer."

O aumento do aparecimento de crianças que agem como homens-bomba parece coincidir com a crescente perda de território e combatentes sofrida pelo EI. Fontes militares americanas afirmam que o grupo perdeu 45 mil combatentes em dois anos e ainda tem apenas cerca de 15 mil. A operação para a libertação de bastiões do EI, como Mossul e Raqqa, estão em andamento, e mais de 50% do território dos extremistas no Iraque foram libertados.

Para mascarar a derrota, o EI aumentou seus ataques a bomba usando caminhões. Fotos dos motoristas, postadas posteriormente, mostram que muitos deles eram adolescentes. Fontes afirma que até 60% dos combatentes EI têm menos de 18 anos. O chefe de polícia de Kirkuk, Sarhad Qadir, acredita que o EI está jogando sua última cartada: "Eles sabem que serão derrotados."

AUTOR: Deutsch Welle

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

MENINO É RESGATADO SOB ESCOMBROS DE PRÉDIO APÓS BOMBARDEIO, NA SÍRIA

Menino foi resgatado com vida sob os escombros de edifício após bombardeio em Aleppo (Foto: Aleppo Media Center/AP)

Um menino de cinco anos foi resgatado com vida na quarta-feira (17) sob os escombros de um edifício alvo de um bombardeio aéreo em Aleppo, no norte da Síria. Pelo menos 33 civis e 19 rebeldes morreram nos ataques, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

A foto que mostra Omran Daqneesh, de shorts, sujo de sangue e completamente coberto de poeira causou comoção nas redes sociais. Em estado de choque, o menino aguarda atendimento em uma ambulância.

A imagem, feita pelo grupo opositor sírio Aleppo Media Center (AMC), foi divulgada pela agência Associated Press nesta quinta (18). A BBC informou que os pais e os três irmãos do garoto teriam sobrevivido ao bombardeio, mas a identidade deles não foi divulgada.

No vídeo divulgado pelos ativistas, a criança passa pelos braços de vários socorristas sem chorar ou falar nada. Sentado em uma cadeira laranja, ele coloca a mão no rosto machucado e com o sangue.

Catástrofe humanitária sem precedentes

Aleppo vive uma catástrofe humanitária sem precedentes, segundo o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. A luta pelo controle da cidade, dividida entre o oeste controlado pelo governo e o leste comandado pelos rebeldes, intensificou-se nas últimas semanas provocando centenas de mortes e impedindo o acesso de muitos civis a produtos básicos, luz e água.

A comissão das Nações Unidas, que investiga os crimes praticados em mais de cinco anos de guerra na Síria, afirmou que cerca de 100 mil crianças na região leste de Aleppo podem ser as próximas vítimas da estratégia "render-se ou morrer".

A maioria dos civis (24) que morreu nesta quinta estava nos distritos de Al Sajur e Tariq Al Bab, no leste de Aleppo, que são controlados pela oposição armada, onde dezenas de pessoas também ficaram feridas.

Idlib

Na quarta-feira, pelo menos 25 pessoas morreram, entre elas cinco crianças, em bombardeios em bairros da cidade de Idlib, no noroeste da Síria e controlada pelas facções opositoras, informou nesta quinta-feira o OSDH.

Entre os mortos estão também duas mulheres e dez combatentes rebeldes, acrescentou o OSDH.

Os ataques tiveram como alvo os "grupos terroristas" Movimento dos Livres de Sham, Jund al-Aqsa e Ashnad al-Sham.

Quase toda a província de Idlib está em mãos da Frente da Conquista do Levante (antigo Frente al Nusra) e de outras facções aliadas.

Ajuda humanitária

O enviado especial da Organização das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, disse nesta quinta que nenhum comboio de ajuda alcançou áreas sitiadas da Síria no mês passado, segundo a Reuters. A força-tarefa humanitária foi suspensa até a próxima semana como sinal para grandes potências.

De Mistura disse que uma pausa de 48 horas em confrontos na cidade síria de Aleppo será o principal tópico de um encontro nesta quinta-feira de um grupo de países que trabalham para a cessação das hostilidades.

"Eu insisto, em nome do secretário-geral [da ONU]: para se ter uma pausa de 48 horas em Aleppo, para começar, irá requerer um grande esforço não só da Rússia e dos Estados Unidos, mas também daqueles que possuem influência em solo", disse Mistura a repórteres em Genebra.

AUTOR: G1/SP

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

AMEAÇA DE GUERRA DO PCC NOS PRESÍDIOS DO CEARÁ É INVESTIGADA

Ameaça de guerra do PCC nos presídios do Ceará é investigada (Foto: Diário do Nordeste)

Um áudio de 15 minutos em que um homem que se identifica como ´Irmão Alê´ dá instruções aos detentos do Ceará de como agir, para que não ocorra um "derramamento de sangue" nos presídios cearenses chegou à Polícia. As investigações começaram e envolvem diversas células da Polícia Civil. Na gravação, o criminoso diz ser integrante da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e garante que para continuar comandando as unidades prisionais cearenses não se importará de entrar em "guerra" contra grupo rival.

Conforme uma fonte vinculada à Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), que participa das apurações, o suspeito de gravar o áudio foi identificado. Ele seria o paraense Francisco Alexandre Pinto de Lima, o ´Cara de Peixe´. Segundo o investigador, a última notícia sobre ele, era que estava recluso na Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor Clodoaldo Pinto (CPPL II), em Itaitinga.

A permanência dele no Sistema Penitenciário do Ceará ainda está sendo checada junto à Secretaria de Justiça e Cidadania do Ceará (Sejus), segundo a fonte. A declaração reiterada de ´Irmão Alê´ de que seria membro do PCC também está sob investigação. No entanto, o agente da SSPDS ouvido pelo jornal disse que é inconteste a presença e o domínio da facção nas unidades prisionais cearenses.

"Ele foi preso pela Polícia Civil do Ceará e mandado pela Sejus para a CPPL II. Estamos entrando em contato com a Sejus para saber se ele continua lá, se migrou para outro regime, ou se foi transferido para outro Estado. Não podemos afirmar que ele seja do PCC, acredito que se for, não seja uma liderança. Eles são discretos, não gostam de se expor. De qualquer forma, não podemos dizer que não é, porque não dá para negar a presença do PCC no Ceará. Estão aqui e são muito poderosos nos presídios, temidos por todos os detentos", declarou a fonte.

No ano de 2015, 25 detentos foram mortos no Sistema Penitenciário do Ceará. A quantidade de mortes é uma das coisas que faz com que ´Irmão Alê´ se diga indignado e compare a CPPL I a um açougue. Conforme é dito por ele, uma outra facção estaria tentando se instalar no Estado e ordenando a matança.

"Se quiser paz vai ter paz, se quiser guerra vai ter em dobro. (...) Deus abençoe, porque Deus tá com nós (sic), se é pra ter guerra nós vamos nos armar pra guerra. Somos todos homem, criminosos e bandido. (...) O que o PCC tem é responsabilidade com o crime, responsabilidade com a massa carcerária", diz o homem em um trecho do áudio obtido pela reportagem. O criminoso reforça as promessas que faz aos comparsas de que o PCC protegerá a todos e fará alianças com "guardiões" do crime no Ceará. "Procurem o PCC, esse sim é o Comando que está aqui no Estado. Nós chegamos primeiro. A disciplina, a ideologia é nossa e é pra ser respeitada e vai ser respeitada, nem que pra isso tenha que haver derramamento de sangue. (...) Vamos fazer alianças com os ´guardiões´ do Estado. Vamos aliar com um companheiro que chegou aí, um fundador de uma facção. Vamos multiplicar nossa família".

Em outro trecho do áudio o homem diz que dois homens já estão "decretados" para morrer, porque mataram a mãe de um comparsa e outro criminoso protegido da facção. "Vamos começar a pendurar nossos decretados. Esses sim são decretados porque mataram nossos irmãos e nossa mãezinha. Esses não têm conversa não. Pode se meter quem quiser na frente", afirma o suposto aliado do PCC.

Prisão

´Cara de Peixe´ foi preso por uma equipe da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), em maio de 2014. Conforme o delegado titular da Especializada, Raphael Vilarinho, quando ele foi capturado não fez nenhuma menção a fazer parte do PCC e não havia indicativos disto. "Ele veio para o Ceará para participar do sequestro de um gerente de banco. Foi preso antes do crime ser realizado, em uma casa na Sapiranga. Já era foragido do Estado do Pará e é especialista neste tipo de roubo, conhecido como ´sapatinho´", declarou.

Na gravação, ´Irmão Alê´ cita a morte do traficante e homicida Carlos Alexandre Alberto da Silva, o ´Castor´, ocorrida em dezembro, na Unidade Prisional Luciano Andrade Lima (antiga CPPL I). Ele afirma que ia apurar a execução, mas foi ´brecado´ pelos superiores.

O delegado George Monteiro, da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que investiga a morte de ´Castor´, disse que ele era líder de uma facção local e que não havia informes de ser filiado ao PCC, mas não descarta a possibilidade que esta facção menor tenha feito algum tipo de aliança com a organização criminosa paulista.

"Estamos investigando a procedência das informações do áudio. A origem e a veracidade do que é dito ainda estão sendo checadas. Sobre a morte do ´Castor´, a DHPP tem uma linha consistente de apuração, que está bem avançada. A execução pode ter sido determinada por rivais que ´Castor´ fez na disputa de área do tráfico", disse Monteiro.

Sejus

Em nota enviada ao jornal, a Secretaria de Justiça jus informou que "toda denúncia levada ao conhecimento da Instituição é investigada de forma rigorosa, inclusive no sentido de atestar a autenticidade das informações veiculadas. O caso em questão (áudio) está entregue ao Setor de Inteligência da Secretaria".

AUTOR: DN

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

A BATALHA PELA VIDA DE MENINA DE 6 ANOS EM MEIO À GUERRA CIVIL DO IÊMEN

Menina foi atingida enquanto buscava água potável (Foto: BBC)

A jornalista da BBC Safa Alahmad é uma das poucas jornalistas que chegou à cidade sitiada de Taiz, no centro da guerra civil do Iêmen. Ela encontrou uma cidade destruída por bombardeios - e um médico lutando para salvar a vida de uma menina de seis anos.

No hospital al-Thawra, na cidade sitiada de Taiz, médicos se reúnem do lado de fora do centro cirúrgico para decidir quais os pacientes que eles seriam obrigados a deixar morrer. Sem medicamentos e oxigênio para tratar todos os feridos na guerra civil do Iêmen, não há outra saída.

No dia em que cheguei, no meio de dezembro, a escolha era entre uma menina de seis anos chamada Asma e um idoso com uma ferida gangrenada na barriga.

Asma havia sido atingida por estilhaços de um morteiro quando fazia fila para pegar água potável de um caminhão. Outras 19 crianças foram feridas no ataque, e cinco morreram. O impacto tirou um pedaço do tamanho da palma da minha mão do crânio de Asma.

Apesar da gravidade da lesão, um cirurgião deu início a uma tentativa desesperada de salvá-la.

O cheiro da sala de operações dava náuseas - uma mistura de sangue, desinfetante e do "gesso" cirúrgico que o cirurgião estava moldando em suas mãos para tapar o buraco na cabeça de Asma.

Ele agia rápido, correndo para terminar a operação antes que o oxigênio acabasse e aumentasse o dano ao cérebro da menina.

O morteiro que atingiu o crânio de Asma foi quase com certeza disparado por rebeldes hutis, que há oito meses tentam tomar a cidade de Taiz, a segunda maior do Iêmen, controlada por forças leais ao governo do país reconhecido internacionalmente.

Para isso, os hutis montaram um cerco a Taiz, cortando quase todas as rotas de acesso à cidade e impedindo o fornecimento de suprimentos básicos pela estrada.

A única alternativa aos bloqueios de rua são rotas de mulas e traficantes pelas montanhas Sabr. Tudo - farinha, arroz, gás de cozinha, diesel, remédios - tem que passar por essas trilhas para chegar à população faminta de Taiz.

Cheguei à cidade por uma trilha estreita e suja que corta as montanhas, contornando as linhas de frente de batalha mas não além do alcance dos snipers (atiradores de elite) hutis.

No caminho, havia animais carregando alimentos, armas, oxigênio e gás, e muitas vezes tivemos que abrir caminho para camelos e burros que eram conduzidos por crianças. Entre eles estava um menino, que não devia ter mais do que quatro anos, carregando apenas um pedaço de lenha, lutando com o peso, mas determinado a manter o ritmo ditado por um grupo de meninos mais velhos.

Havia mulheres na trilha, a maioria vestindo roupas tradicionais - vestidos amarelos, laranjas ou rosas sobre calças largas - e muitas carregando lenha em suas cabeças. Eu era a única usando a abaya preta (traje que cobre todo o corpo), que certamente não foi projetada para andar sobre pedras.

Por um tempo, andei com duas mulheres que estavam voltando para Taiz de seu vilarejo. Elas haviam partido de madrugada e estavam andando havia mais de dez horas. Às vezes, cantavam para se manter animadas, ou paravam para recuperar o fôlego ou ver a vista da cordilheira de Sabr. De longe, chegavam os estalos e ruídos da guerra.
Hospital fechou por falta de medicamentos e de oxigênio (Foto: BBC)

A trilha também é usada para transportar feridos e mortos. Os corpos são levados para covas depois da passagem. Os feridos, não só militares mas também civis, pegam a mesma rota para os poucos hospitais que permanecem abertos em Taiz.

Chegar aos hospitais não traz nenhuma garantia ou segurança. Al-Thawra têm a única unidade de emergência de trauma da cidade, mas é alvejado com frequência pelo combatentes hutis. Dois dias antes de eu chegar, um bombardeio com morteiro havia matado dois médicos e feridos muitos outros.

Mesmo para aqueles que chegam à mesa de operações, os suprimentos são desesperadamente escassos. A falta de anestesia geral significa que alguns pacientes são operados ainda conscientes. Outros nem são operados, porque os poucos tubos de oxigênio são reservados para os com ferimentos mais graves e uma chance realista de sobrevivência.

Em alguns casos, as próprias famílias dos pacientes trazem cilindros de oxigênio ao hospital. Mas isso é um luxo além das possibilidades de Asma, que não tinha ninguém para acompanhá-la ou lhe dar a mão.

Ela sobreviveu à operação e ficou na cama sozinha, seus ombros magros descobertos sob o cobertor, a cabeça sem cabelo, olhos inchados e escurecidos pelos hematomas. Sua família, segundo o médico Ahmed Muqbal, foi deslocado pelos bombardeios e agora estão espalhados, procurando um local seguro para levar as filhas que sobreviveram.

O rosto de Asma estava coberto por uma máscara de plástico ligada a um ventilador mecânico, e seu tórax se movia quando a máquina respirava por ela. Mas o aparelho estava bombeando apenar ar, porque não havia mais oxigênio - e, sem oxigênio, eram poucas as chances de seu cérebro se recuperar.

"Lutamos muitos para salvar a vida dela, mas agora todo o esforço pode ir para o lixo por causa da falta de oxigênio puro", diz Muqbal.

Ele parecia esgotado. Na cama ao lado estava o idoso com ferimentos de estilhaços e gangrena. Ele morreu dois dias depois.

Em 25 de dezembro, duas semanas depois da minha visita, o hospital al-Thawra fechou suas portas para novos pacientes. Não havia mais nada de oxigênio e nenhum remédio.

E Asma havia morrido.

A guerra civil do Iêmen
Anos de disputas civis e sectárias chegaram a uma crise quando os hutis, um grupo rebelde xiita, tomou o controle da capital, Sanaa, em setembro de 2014

Seis meses depois, em março de 2015, uma coalizão de Estados árabes liderada pela Arábia Saudita começou uma campanha militar para tirar os hutis do poder e reconduzir o presidente Abed Rabbo Mansour Hadi

O caos que se seguiu permitiu que grupos jihadistas salafistas - incluindo a Al-Qaeda na Península Árabe e a célula local do grupo autodenominado Estado Islâmico - realizassem ataques na região

A ONU diz que quase 3 mil civis foram mortos e mais de 5 mil ficaram feridos na guerra.Além disso, 2,2 milhões de crianças estão desnutridas ou em risco de desnutrição

AUTOR: BBC

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

HACKERS DECLARAM GUERRA AO ESTADO ISLÂMICO

O grupo de hackers Anonymous, conhecido por ataques na internet contra organizações e indivíduos controversos, divulgou um vídeo declarando guerra ao Estado Islâmico após os atentados de Paris. “Vocês devem saber que vamos encontrá-los”, diz a gravação em francês (veja o vídeo abaixo).

O anúncio foi feito por um homem usando uma máscara de Guy Fawkes (um soldado inglês que virou símbolo de rebelião). Ele avisa que o grupo vai lançar a maior operação já vista. "Esperem ataques cibernéticos massivos. A guerra está declarada. Preparem-se."

No vídeo, o homem afirma ainda que "os franceses são mais fortes do que vocês pensam e vão sair dessa atrocidade ainda mais fortalecidos". O grupo apresentou condolências às famílias das vítimas.

O anúncio foi publicado no YouTube no último sábado (14), um dia depois dos ataques que deixaram 129 mortos e mais de 350 feridos em Paris.

O Anonymous é um coletivo que reúne voluntários e ativistas pelo mundo. Segundo a revista "Foreign Policy", depois dos ataques em Charlie Hebdo, em janeiro deste ano, o grupo conseguiu derrubar 149 sites ligados ao Estado Islâmico. Também divulgou uma lista com mais de 100 mil contas do Twitter relacionadas aos terroristas, além de mais de 5 mil vídeos.

Mais ameaças
Um novo vídeo do Estado Islâmico, divulgado nesta segunda-feira (16), diz que países participam dos bombardeios contra Síria terão o mesmo destino que a França e ameaça Washington, segundo a Reuters. Não foi possível verificar a autenticidade do vídeo imediatamente.

A coalizão liderada pelos Estados Unidos continua a atacar locais usados pelo Estado Islâmico. Nesta segunda, o Pentágono disse que foram destruídos 116 caminhões-tanque usados pelo EI no leste da Síria. O Ministério da Defesa da França informou que 10 caças lançaram 20 bombas no domingo (15) à noite na região norte da Síria, destruindo um posto de comando e um campo de treinamento do EI. O grupo, no entanto, afirma que foram atingidos locais vazios.

Mais cedo nesta segunda, o primeiro-ministro francês Manuel Valls afirmou que novos atentados são planejados contra a França e outros países europeus. "Sabemos que existem operações que estavam sendo preparadas e estão sendo preparadas contra a França e outros países europeus", disse o primeiro-ministro em entrevista à rádio "RTL".

A polícia francesa faz mais de cem operações antiterror no país nesta segunda. Vinte e três pessoas já foram detidas e 104 estão em prisão domiciliar.

VEJA VÍDEO:
AUTOR: G1/SP

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

GUERRA NA SÍRIA JÁ DEIXOU 240 MIL MORTOS, ENTRE ELES 12 MIL CRIANÇAS

Funcionários documentam e contam corpos que, de acordo com combatentes rebeldes, são de membros das forças leais ao presidente da Síria Bashar al-Assad. Eles foram preparados para serem enterrados em Aleppo, no norte do país (Foto: Mahmoud Hebbo/Reuters)

A guerra na Síria deixou mais de 240 mil mortos, incluindo 12 mil crianças, de acordo com um novo balanço do Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

A cifra corresponde a um aumento de mais de 10 mil mortos em quase dois meses, segundo esta ONG com sede na Grã-Bretanha, que conta com uma vasta rede de fontes na Síria e que estabelece cuidadosamente o balanço de mortos desde o início da guerra.

"Contabilizamos 240.381 mortos desde o início da revolta contra o regime de Bashar al-Assad, em março de 2011", declarou nesta quinta-feira à AFP Rami Abdel Rahman, chefe do OSDH.

Civis
Segundo seus cálculos, o número de mortos entre os civis é, até a data, de "71.781, incluindo 11.964 crianças".

Este balanço também inclui 42.384 mortos entre os combatentes de nacionalidade síria -- rebeldes, desertores, jihadistas e curdos.

A ONG indica ainda que entre os combatentes jihadistas estrangeiros, o número de mortos chega a 34.375.

AUTOR: FRANCE PRESSE

sábado, 9 de maio de 2015

RÚSSIA COMEMORA 70 ANOS DO FIM DA 2ª GUERRA COM PARADA MILITAR

O ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, desfila em carro durante parada militar na Praça Vermelha, em Moscou. (Foto: RIA Novosti / Via Reuters)

A Rússia exibe neste sábado (9) todo seu poderio militar em todo seu território, desde o Extremo Oriente até a parada mais grandiosa em Moscou, com desfiles para comemorar a vitória contra os nazistas há 70 anos.

FOTOS: Rússia comemora 70 anos do fim da 2ª Guerra Mundial

No porto de Vladivostok, sede da Frota do Pacífico, o desfile já aconteceu devido ao fuso horário. Segundo as autoridades, a parada foi a maior da história na cidade. 

A aviação naval da Frota do Pacífico participou pela primeira vez nos últimos anos, com 11 aviões e helicópteros.
As homenagens também ocorrem no porto de Sebastopol, sede da Frota do Mar Negro, e que foi anexado pela Rússia, junto com a península da Crimeia, em março de 2014.

Os desfiles militares acontecem em outras cidades como São Petersburgo, onde já começou uma parada naval rumo ao Palácio do Hermitage.

Em Moscou, a Rússia celebra o 70º aniversário da vitória sobre a Alemanha na Segunda Guerra Mundial com o maior desfile militar de sua história.

Cerca de 30 dirigentes internacionais de países amigos assistem às festividades, mas não os líderes ocidentais, que deram as costas para o Kremlin por sua intervenção no conflito na Ucrânia. Entre outros, assistem à parada o líder chinês Xi Jinping, o cubano Raúl Castro e o venezuelano Nicolás Maduro, além dos chefes de Estado de Índia, Egito, África do Sul e Vietnã.

A parada militar "é a maior da história", antecipou o Kremlin.

O público pode ver quase 200 peças militares e 143 aviões e helicópteros.

Mais de 16 mil soldados, entre os quais figurarão tropas chinesas, indianas e sérvias, marcham em frente às muralhas do Kremlin, aos quais se somarão 2,3 mil veteranos da Grande Guerra Pátria, como o conflito histórico é conhecido no país.

Os armamentos são a maior atração, especialmente o Armata T-14, que vem sendo considerado o tanque "mais mortífero" do mundo, segundo os especialistas, por sua blindagem e canhão automático.

Outra das estrelas da parada são os canhões autopropulsados de nova geração Koalitsia-CB, que podem alcançar alvos a 70 km de distância e dispõem de sistema de navegação por satélite.

AUTOR: EFE

quinta-feira, 30 de abril de 2015

VIETNÃ CELEBRA 40 ANOS DO FIM DA GUERRA COM CRÍTICAS AOS EUA

Participantes de desfile agitam a bandeira do Vietnã durante celebração dos 40 anos do final da guerra nesta quinta-feira (30) em Ho Chi Minh (Foto: Dita Alangkara/AP)

O Vietnã celebrou nesta quinta-feira (30) o 40º aniversário da queda de Saigon, o último episódio da guerra, com duras críticas aos Estados Unidos e um desfile que recordou a entrada dos tanques das forças comunistas na cidade.

"Cometeram inúmeros crimes bárbaros, provocaram perdas incomensuráveis e muita dor à população de nosso país", disse o primeiro-ministro Nguyen Tan Dung para a multidão reunida diante do Palácio da Independência, tomado há 40 anos pelos tanques do Vietnã do Norte.

O "fervoroso patriotismo" permitiu a vitória final graças à "brilhante e criativa direção do Partido Comunista", acrescentou Dung, diante de milhares de soldados.

A guerra do Vietnã provocou a morte de milhões de vietnamitas, muitos deles civis vítimas dos bombardeios, e de 58.000 militares americanos.

Centenas de milhares de pessoas ficaram feridas, muitas delas intoxicadas pelo 'agente laranja', um herbicida que contém dioxina e que os americanos lançaram em várias regiões do país.

O conflito dividiu profundamente a opinião pública americana, abalada pela morte de milhares de jovens soldados, e foi a primeira grande derrota de uma superpotência que se considerava, até então, invencível.

O sofrimento dos civis vietnamitas e o massacre de centenas de habitantes do vilarejo de My Lai pelo exército americano, em março de 1968, provocaram a rejeição da opinião pública dos Estados Unidos, que começou a protestar contra a guerra.

Nenhum representante de Washington compareceu ao desfile, mas o embaixador americano deve participar em uma pequena cerimônia no consulado da Cidade de Ho Chi Minh com uma associação de veteranos.
Militares são vistos durante a celebração dos 40 anos do fim da Guerra do Vietnã nesta quinta-feira (30) em Ho Chi Minh City (Foto: Dita Alangkara/AP)

Entender o passado
Cidade de Ho Chi Minh, o nome de Saigon depois da guerra, estava fechada nesta quinta-feira para permitir o desfile dos regimentos diante das principais autoridades do regime comunista, que viajaram de Hanói.

Muitos blindados passaram diante dos principais dirigentes do Vietnã, um deles com uma grande imagem de Ho Chi Minh, o pai da independência.

A cerimônia foi transmitida ao vivo pela televisão, com a participação de muitos veteranos, que relataram o orgulho do combate contra os americanos.

"Um acontecimento como este é necessário para ajudar os jovens a entender o passado glorioso de nosso país", disse à AFP Nguyen Van Hung, 72 anos, que assistiu ao desfile com o antigo uniforme militar do período da guerra.

O governo utiliza as vitórias militares para legitimar seu poder, mas a percepção que os vietnamitas têm da guerra evoluiu para além do relato histórico oficial, destaca Tuong Vu, professor de Ciências Políticas da Universidade de Oregon.

Antes, as pessoas consideravam que era uma guerra de "libertação nacional e de unificação", mas agora muitos consideram a guerra "um acontecimento trágico durante o qual vietnamitas mataram outros vietnamitas, uma guerra civil", disse.

Neste contexto, os vietnamitas são cada vez mais indiferentes aos espetáculos de patriotismo oficial.

"Não estou interessado no desfile, é ruim para os negócios", disse à AFP Nguyen Thi Dieu, dono de um restaurante no centro da Cidade de Ho Chi Minh, área fechada ao trânsito.

No fim dos anos 1980, o regime comunista vietnamita progrediu para uma economia capitalista, o que estimulou o crescimento econômico, a corrupção e a desigualdade.

Mas no plano político, o Partido Comunista continua exercendo o poder em um sistema de partido único, no qual a liberdade de imprensa e a liberdade de opinião não são toleradas.

AUTOR: FRANCE PRESSE

domingo, 4 de janeiro de 2015

NO EUSÉBIO (CE), MORTE DE TRAFICANTE GERA 'GUERRA'

A titular da DME, Ana Lúcia Almeida, conta as estratégias da quadrilha para continuar existindo e cita os comandantes do bando FOTO: JOSÉ LEOMAR
Os moradores dos bairros mais violentos reclamam da rotina que precisam enfrentar FOTO: AGÊNCIA DIÁRIO

Ezequias Gomes, o 'Kia', é apontado pela Polícia como o atual comandante da quadrilha, antes chefiada por 'Oiaõ' Depois de ter agido ao lado de 'Oião' William Oliveira, o 'Perna Fina', teria planejado sua morte Alef Soares, o 'Pupu', é investigado como o principal aliado de 'Kia'. 

Eles teriam participado de 20 execuções Jangledson Oliveira, o 'Nem', seria o chefe da organização que tenta tomar para si o controle do tráfico Suspeito de ser um dos matadores de 'Oião', Devyson Lima, o 'Deivim', é aliado do bando de 'Nem' Igor Oliveira é apontado pela equipe da DME como o executor do bando comandado por 'Nem'

A Cidade do Eusébio, que tem uma população estimada de 45 mil habitantes, registrou 76 homicídios, em 2014, em dados ainda não concluídos da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). O número de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) deixa o Município na desconfortável posição de terceiro mais violento da Região Metropolitana e sexto mais violento do Estado. 

No último trimestre de 2014, o número de assassinatos foi mais elevado, por conta da execução do maior traficante local, conforme a titular da Delegacia Metropolitana do Eusébio (DME), Ana Lúcia Almeida.

Segundo informações da DME, José Roberto Honório da Silva, o 'Roberto Oião', foi executado no dia 8 de outubro, por antigos comparsas, em um balneário às margens do Rio Pium, em Parnamirim, Rio Grande do Norte. Um dia antes, o irmão dele, José Alberto Honório da Silva, havia sido morto, na Travessa São Lázaro, no Eusébio.

"O Roberto cometeu crimes bárbaros. A marca dele era a violência, a crueldade. Os suspeitos de sua morte também não o pouparam do sofrimento. Temos informações de que ele foi obrigado a ver o irmão sendo morto e no dia seguinte foi levado para Parnamirim, para morrer. Devido a situação que o cadáver ficou, após ser queimado e ter os olhos furados, a identificação só pode ser feita com exame de DNA", declarou Ana Lúcia.

Depois da confirmação da morte de 'Oião', uma sequência de mortes foi iniciada no Eusébio. A Cidade que sofre há anos com a atuação de uma quadrilha fortemente armada, que atua em assaltos, tráfico e homicídios, viu novamente os efeitos da mudança de comando da organização criminosa. A delegada disse que em decorrência da morte de Roberto Silva dois grupos estão duelando pelo domínio do tráfico de drogas nos bairros Parque Havaí, Autódromo e Urucunema.

Aliados

Conforme Ana Lúcia, os grupos estão se reorganizando e buscando aliados, em outras facções. Ezequias Nascimento Gomes, o 'Kia', 18, é quem está comandando o bando de Roberto. De acordo com a delegada, ele foi o autor material ou intelectual de 15 homicídios, depois que assumiu a associação criminosa.

Informações da DME dão conta que outras duas pessoas estão ligadas a 'Kia', na função de eliminar seus inimigos. Um adolescente de 17 anos e Alef Deyvison Rebouças, o 'Pupu'. "São todos bastante perigosos. Eles não estão medindo esforços para continuar no poder. O 'Kia' começou a atuar com Roberto, quando ainda era criança. Aprendeu todos os trejeitos, as estratégias de fuga e a frieza. Mesmo tão jovem, é um criminoso que já fez muitos estragos", disse Ana Almeida.

Quando adolescente, 'Kia' já era citado em, pelo menos, 20 inquéritos que apuram homicídios. Diversas vezes, sem que sua identidade fosse revelada por conta da menor idade penal, foram noticiadas diligências da Polícia em busca dele. O suspeito de dezenas de mortes chegou a ser apreendido duas vezes. Em ambas ele estava em hospitais, recebendo cuidados, por ter sido ferido a bala durante confrontos com rivais.

'Kia' se livrou da primeira apreensão, devido a uma extrapolação de prazo para que seu processo fosse julgado. Por conta disto, 45 dias após dar entrada no Centro Educacional Patativa do Assaré (CEPA), foi solto. Na segunda vez em que esteve na instituição, cumprindo internação, que deveria durar três anos, foi um dos mentores da maior fuga acontecida na unidade, segundo a titular da DME.

Duelo

Os rivais de 'Kia' e 'Pupu' também já são suspeitos de diversos crimes, inclusive da morte de 'Roberto Oião'. Chefiados por Jangledson Oliveira, o 'Nem', os homicidas William Costa Oliveira, o 'Perna Fina; Igor Mendes Oliveira; e Francisco Devyson Freitas Lima, o 'Deivim', foram indiciados por cinco mortes cometidas no mês de outubro.

Ana Lúcia Almeida disse que todos os envolvidos nas mortes estão com mandados de prisão em aberto e todas os assassinatos foram elucidados. "As autorias são atribuídas a eles. A Polícia tem sido incansável em investigar e tentar prendê-los. Infelizmente, alguns fatores têm dificultado nosso trabalho. A Cidade tem várias áreas de matagais densos, em que eles se embrenham e passam muitos dias. Estamos trabalhando no sentido de cercá-los e tentar desbaratar as duas quadrilhas", declarou a delegada de Polícia Civil.

Associação criminosa atua há mais de cinco anos

A união de jovens criminosos, que começaram assaltando chácaras e sítios do Eusébio, no ano de 2009, se transformou na quadrilha que ainda é a maior responsável pelos crimes que acontecem na Cidade, de acordo com a delegada Ana Lúcia Almeida. No entanto, segundo a comandante da Área Integrada de Segurança (AIS) 9, a gravidade dos delitos praticados por eles foi se agravando e os integrantes do bando migraram para modalidades de crimes mais violentos.

"Eles começaram invadindo as casas de veraneio, mas acabaram entrando no tráfico. Como rende bastante dinheiro, quem vende drogas quer expandir cada vez mais sua área e acaba se deparando com a resistência de grupos já estabelecidos. Por conta disto, eles começaram a matar seus rivais. Com o tempo, parece que o crime faz com que as pessoas percam a sensibilidade e até a humanidade. Já não há um motivo claro, eles matam só para serem temidos mesmo", disse a delegada que já trabalha no Eusébio há cinco anos.

O primeiro a comandar o bando foi Victor Antônio da Silva Oliveira, o 'Salsicha'. Depois de ser indiciado várias vezes por crimes cometidos em Eusébio e Aquiraz, o jovem acabou sendo morto, durante um confronto com a Polícia, no dia 30 de maio de 2011, ocorrido às margens da BR-020, na altura do Município de Caucaia.

A caçada a 'Salsicha' demorou mais de dois anos. Conforme Ana Lúcia Almeida, neste tempo o criminoso passou a se esconder em matagais para furar os cercos policiais e isto se tornou uma marca de seu bando. As muitas estratégias para ficar diversos dias nestes locais ermos recebendo suprimentos de pessoas de fora, sem que fossem descoberto, fizeram com que 'Salsicha' nunca fosse preso para pagar por seus crimes.

Outros comandos

Depois de 'Salsicha', seu braço direito na organização, Carlos Antônio Silva de Moraes, o 'Dante', garantiu que a quadrilha continuasse agindo, por três meses. Porém, ele também foi baleado durante um confronto com a Polícia Militar e acabou morrendo, na localidade de Oiticica, no bairro Santa Maria, no dia 30 de agosto de 2011.

O último integrante da quadrilha que exercia poder de liderança assumiu a frente do tráfico e das execuções. Francisco Wellington da Silva Justino, o 'Etim', chegou a ser um dos criminosos mais procurados do Estado, até ser detido no Hospital do Eusébio, depois de ser baleado por policiais, em uma troca de tiros. 'Etim' foi levado ao Instituto Doutor José Frota (IJF), no dia 19 de março de 2013, para se recuperar da lesão a bala, mas morreu dois dias depois.

Com a morte de 'Etim', 'Roberto Oião', que também atuava no bando, passou a ser o chefe do tráfico. Ao lado de 'William Perna Fina' ele ordenou assaltos, latrocínios (roubo seguido de morte) e homicídios.

'Perna Fina' já era foragido da Cadeia Pública de Aquiraz, onde cumpria pena por tráfico de drogas. As execuções arquitetadas por 'Oião' eram colocadas em prática por 'Kia', que era um garoto, na época. "Ele arregimentou o menino e o moldou para que fosse frio e não temesse nada. O 'Kia' chegou ao ponto de matar um amigo de infância, com golpes de foice, porque suspeitou que o garoto estivesse planejando abandonar a venda de drogas do 'Roberto'", disse Almeida.

A morte de Roberto Oião deixou o bando desestabilizado e as brigas estão longe de terminar, conforme a Polícia. "Eles vão continuar brigando e se matando, porque cada vez que o 'cabeça' do tráfico morre, surge para quem fica uma nova oportunidade de ser poderoso. Para isto eles matam, mas sabem que podem morrer também. Infelizmente, isto é o que o mundo do crime tem para oferecer a eles, a oportunidade de acabar com a vida de alguém ou com a deles própria", afirmou a delegada.

A comandante da AIS 9 garante que a Polícia não desistirá de finalmente acabar com a quadrilha. "Seremos incansáveis. Nossas diligências têm sido ininterruptas para capturá-los. Nosso objetivo é que sejam presos, antes que se fortaleçam de novo".

"É difícil correr na frente da bala"

Os moradores do Parque Havaí se dizem amedrontados, a cada nova onda de violência que acomete o bairro. A reportagem encontrou uma mulher que mora no reduto da quadrilha do 'Roberto Oião', quando ela estava chegando à DME para registrar uma ameaça a seu filho, que ainda é adolescente.

A mãe, que não quis se identificar, disse que não sabe mais como lidar com a situação, pois vive tendo sua casa invadida por traficantes que vão cobrar dívidas de drogas. Segundo ela, o filho teve que se mudar para o Interior para não ser morto, mas mesmo assim as ameaças contra ele não cessaram.

"Meu filho não é certo e eu sei disso. Não sei onde eu e o pai dele falhamos, mas deixamos ele entrar em um caminho sem volta que é o das drogas. Infelizmente, vivemos em um lugar sem lei, onde essa quadrilha não é punida nunca e se acha no direito de fazer o que quer. O pior é que eu tenho outros filhos pequenos que têm que presenciar cenas de violência na própria casa. Um dia desses ameaçaram até de levar um deles, caso a dívida do irmão não fosse paga. Eu vivo aterrorizada, mas não tenho de onde tirar dinheiro".

A mãe do menor ameaçado disse que a rotina do Parque Havaí é marcada por momentos de tensão extrema e muitos moradores já decidiram abandonar suas casas, porque não aguentam mais conviver com os crimes constantes. Segundo ela, pelo menos 30 vizinhos seus foram executados durante o ano de 2014, em decorrência das brigas pelo tráfico local.

"É muito difícil viver correndo na frente da bala. É assim que eu me sinto, porque todo dia tem um tiroteio lá. A gente sempre está abalado, porque um conhecido morreu. São meninos que eu vi crescer, que eu desejava que tivessem outras vidas. Quem não morre, está indo embora, porque se não concordar calado com o crime, eles matam", declarou a mulher.

O vendedor ambulante João Pádua, disse que mora no bairro Autódromo e que lá não é diferente. "Quando escutamos as viaturas passando em disparada em direção ao matagal, já sabemos que tem alguém perigoso ali perto. Não conto quantas noites já passei acordado, para no caso de uma emergência durante estas caçadas, tentar salvar minha família".

Investigado

Criminoso tinha 17 mandados e nunca foi preso

O traficante, homicida e assaltante José Roberto Honório, o 'Roberto Oião', tinha 17 mandados de prisão, expedidos pelas Comarcas do Eusébio e de Aquiraz, mas nunca foi preso. De acordo com informações da DME, ele era investigado como autor material ou intelectual de mais de 50 homicídios. 'Oião' foi achado morto, com parte do corpo queimado, no Estado do Rio Grande do Norte.

AUTOR: DN

TIANGUÁ AGORA NO TWITTER!

Real Time Analytics