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segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

O BRASIL ESTAGNA E FICA EM 79º LUGAR DE RANKING DE IDH; PAÍS É O 7º MAIS DESIGUAL DO MUNDO

Em relação ao IDH, o Brasil ficou na 79ª posição global entre os 189 países e territórios analisados pelo Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento (Pnud) (Foto: Evilázio Bezerra)

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil de 2018 cresceu 0,001 ponto em relação a 2017. Assim, o País ficou na 79ª posição global - perdeu uma posição no ranking entre os 189 países e territórios analisados pelo Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento (Pnud). 

O relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) foi lançado nesta segunda-feira, 9.

Estatisticamente, o crescimento brasileiro é considerado insignificante. Entre 2010 e 2017, a média do crescimento anual do IDH no Brasil foi de 0,004. Em termos de lugar no ranking, entre 2013 e 2018, o País desceu três posições. Hoje, o Brasil ocupa a 4ª posição na América Latina, atrás do Chile, Argentina e Uruguai.

Os dados do relatório deste ano são de 2018, quando o governo brasileiro ainda era comandado por Michel Temer.

O IDH mede o progresso dos países em saúde, educação e renda. Para esse indicador, quanto mais próximo de 1, mais alto é o desenvolvimento humano. O ranking é liderado pela Noruega, cujo IDH é de 0,954. Na outra ponta, o Níger tem o pior índice, de 0,377. O índice do Brasil é 0,761.

Desigualdade de renda

O relatório aponta ainda as desigualdades de cada país. Nesse levantamento, o Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo. O coeficiente Gini, que mede desigualdade e distribuição de renda, é a base do estudo. Para esse indicador, zero representa igualdade absoluta e 100 representa desigualdade absoluta.

Com pontuação de 53,3, mesmo valor foi registrado por Botsuana, o País é mais desigual do continente americano, mais do que alguns Estados vizinhos que estiveram em ondas de protestos recentes como a Colômbia (49,7). Os dados são de 2017 e, portanto, não dizem respeito à gestão de Jair Bolsonaro (sem partido), que assumiu a Presidência em 2019.

O país mais desigual do mundo é a África do Sul, que teve índice Gini de 63. Na outra ponta, com índice Gini de 25, a Ucrânia é o país com menor desigualdade entre sua população. Belarus e Eslovênia, ambos com índice Gini de 25,4, também se destacam pela igualdade na distribuição de renda.

Veja os 20 países mais desiguais do mundo de acordo com o Pnud:

- África do Sul - 63
- Namíbia - 59,1
- Zâmbia - 57,1
- República Centro-Africana - 56,2
- Lesoto - 54,2
- Moçambique - 54
- Brasil - 53,3
- Botsuana - 53,3
- Suazilândia - 51,5
- Santa Lúcia - 51,2
- Guiné Bissau - 50,7
- Honduras - 50,5
- Panamá - 49,9
- Colômbia - 49,7
- Congo - 48,9
- Paraguai - 48,8
- Costa Rica - 48,3
- Guatemala - 48,3
- Benin - 47,8
- Cabo Verde - 47,2

Com informações do UOL e da Agência Brasil

AUTOR: O POVO

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

FORTALEZA (CE), SEGUNDO ESTUDO É A 2ª PIOR CAPITAL EM CAMINHABILIDADE E ACESSIBILIDADE

Calçadas com problemas em Fortaleza (Foto: Deísa Garcêz/Especial para O Povo)

Se Fortaleza quer se consolidar como uma cidade que prioriza a mobilidade ativa em detrimento do transporte motorizado, deve se empenhar mais para garantir — como fez com o modal cicloviário — que os deslocamentos a pé sejam minimamente seguros e confortáveis. Num estudo feito neste ano pelo Mobilize Brasil, portal que se dedica a produzir conteúdos sobre mobilidade urbana sustentável, a Capital aparece com o segundo pior índice de caminhabilidade e acessibilidade do País, atrás, somente, de Belém.
Maria Aparecida Tomaz de Sousa, 64, professora aposentada, constantemente tem de ir ao posto da Previdência Social na rua Machado de Assis, bairro Damas. E, numa dessas viagens, ela contou ao O POVO que, devido aos muitos desníveis das calçadas, se sente insegura e acaba tropeçando muito. "A cabeça fala, mas o corpo não obedece. Minha perna falha", tentou justificar. O caminho até o INSS passa justamente pelo trecho considerado pelo Mobilize o pior do Brasil. "Mas a cidade todinha tem problema", reconheceu a aposentada.

Poucos metros distante do posto da Previdência, na rua José Monteiro dos Santos, nem sequer há calçada. As casas desembocam direto na rua, que "é tão estreita que só passa um carro". Quando entram muitos, a gente fica sem saber o que fazer", relata a pensionista Ana Valéria, 52, que, neste ano, numa calçada irregular próximo de lá, caiu e chegou a fraturar um dedo.

A Secretaria do Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma) se afirma responsável, prioritariamente, por elaborar os instrumentos normativos que tratam das calçadas em Fortaleza. Em nota, escreveu: "O Código da Cidade (aprovado em junho último, na Câmara Municipal) determina que todos os proprietários de imóveis com frente para vias públicas são obrigados a construir ou reconstruir os respectivos passeios e mantê-los em perfeito estado de conservação e limpeza, independentemente de qualquer intimação".

Abner Souza, arquiteto vinculado ao coletivo Ciclovida e responsável por coletar para o Mobilize as informações sobre as calçadas da Capital, relatou, por outro lado, que, apesar de a legislação atual ser clara quanto ao assunto, ainda há desconhecimento da população sobre regras e responsabilidades, pouca fiscalização e pouca vontade política de fazer valer a lei.

Nos 31 trechos de calçada próximo a prédios públicos analisados por Abner, as irregularidades mais comuns observadas foram não existência de rampas de acesso, qualidade ruim do piso e falta de sombreamento provocada pela falta de arborização. "Vale destacar, também, a quantidade de vezes em que a calçada é usada indevidamente como estacionamento de veículos, o que obriga os pedestres a irem pra rua", completou.

Cadeirante, Francisco Carneiro de Sousa, 47, mal consegue se locomover pela calçada do posto de saúde Ocelo Pinheiro, na rua Elcias Lopes, Itaóca, onde se consulta. Deteriorada, inacessível e sem espaço suficiente para o fluxo de pedestres, a calçada é a segunda pior do País, segundo o Mobilize. "Tem muito obstáculo. Buraco, lama. Carros não respeitam."

No artigo A calçada e seus vários donos, escrito pela gerente de Mobilidade Ativa do WRI Brasil, Paula Manoela dos Santos, e publicado no site The City Fix Brasil, a especialista cita exemplos de países em que a responsabilidade das calçadas é do poder público e, sobre o Brasil, provoca: "Se a prefeitura é responsável pela parte da via dedicada aos veículos, por que não é, também, pela via dos pedestres? As calçadas são menos importantes para as pessoas do que as demais partes da via pública?".
Obras públicas

A Prefeitura de Fortaleza afirma que, nas recentes obras públicas de infraestrutura, como corredores expressos de ônibus, escolas, postos de saúde e praças, tem construído "elementos urbanos que facilitam e priorizam o pedestre, como calçadas, rampas de acesso, faixas e travessias elevadas".

Arborização

"Arborização e paisagismo" foi considerado um dos piores indicadores de Fortaleza no estudo recente do Mobilize Brasil. A Secretaria do Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma) alega que incentiva o plantio de árvores na Cidade por meio do projeto "Árvore na Minha Calçada", que teria garantido o plantio de aproximadamente quatro mil mudas de ipês e outras espécies nativas. 

A adoção da árvore pode ser feita na sede da Seuma ou enviando e-mail para: plano.arborizacao@fortaleza.ce.gov.br.

Calçadas do Brasil 2019

Melhores avaliações

Calçadão da Beira Mar - Avenida Beira Mar, 872 - 7,70

Secretaria Municipal do Turismo - Rua dos Tabajaras, 397 - 7,23

Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura - Rua Almirante Jaceguai, 155 - 7,03

Piores avaliações

Posto da Previdência Social - Rua Machado de Assis, 496 a 662 - 0,40

Posto de Saúde Ocelo Pinheiro - Rua Elcias Lopes, 517 a 593 - 0,73

Secretaria do Trabalho - Avenida General Osório de Paiva, 2 - 1,47

Média geral

Acessibilidade - 5,81

Sinalização para pedestres - 2,39

Conforto para quem caminha - 3,95

Segurança para o pedestre - 3,58

*O estudo do Mobilize Brasil se dedicou a avaliar somente calçadas próximas a prédios públicos.

Fonte: Calçadas do Brasil 2019 / Mobilize Brasil.

Ventilação

"A calçada ideal, assim como a cidade ideal, deve permitir que uma criança e um idoso, sejam eles portadores de deficiência ou não, caminhem nela sem dificuldade."

Audiência Pública

O Ministério Público do Estado do Ceará discute hoje, às 9h30, acessibilidade das calçadas e passeios públicos de Fortaleza. O encontro, promovido pelo Projeto Calçada para Todos, acontece no auditório das Promotorias Cíveis (rua Lourenço Feitosa, 90, José Bonifácio).
FOTOS: DEÍSA GARCÊZ

AUTOR: O POVO

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

NO CEARÁ, FOI REGISTRADO MÉDIA DE 149 ESTUPROS POR MÊS EM 2018

A cada dia, em média quatro pessoas são vítimas de estupro no Ceará. A estatística é de 2018, quando 1.790 casos foram reportados às forças de segurança, o equivalente a 149 registros mensais. Os números de violência sexual anotados nos 12 meses do ano passado constam na 13ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta terça-feira (10).

Com o total de ocorrências, o estado aparece em 3º lugar no Nordeste, permanecendo na mesma posição obtida em 2017. Nos dois primeiros lugares figuram Bahia (3.121) e Pernambuco (2.522), respectivamente. Já na comparação em nível nacional, o Ceará passou de 10º no ano retrasado para 13º estado com maior número de estupros, em 2018.

Mulheres

Quando analisados por gênero, os dados mostram que 85% das vítimas eram mulheres. Em números absolutos, dos 1.790 crimes sexuais anotados, 1.525 atingiram pessoas do sexo feminino. Nesse recorte, o Ceará ocupa o 12º lugar no Brasil, mas o índice negativo no Nordeste se repete.

No ano passado, o Ceará registrou 35 casos a mais que em 2017. De janeiro a dezembro de 2018, foram 253 tentativas de estupro. O Anuário não detalha o perfil das vítimas e dos suspeitos de praticarem o crime no Estado, mas aponta que, em nível nacional, 75,9% dos casos são cometidos por pessoas conhecidas e em 96,3% os autores são homens.

Causa

Para a professora do curso de Políticas Públicas e membro-fundadora do Núcleo de Atendimento Humanizado às Mulheres Vítimas de Violência nos Campi da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Socorro Osterne, o agravamento é reflexo da permanência “do suposto pensamento de superioridade masculina”.

“De modo geral, os homens continuam se sentindo autorizados a esse tipo de abuso. Uma das formas de evidenciar essas ocorrências é expor os casos. Eles precisam ser expostos de modo a gerar discussões para mostrar a realidade. No atual cenário, nas políticas públicas há uma redução das ações de encorajamento para que as mulheres denunciem”, ressalta a professora.

AUTOR: G1/CE

sexta-feira, 28 de junho de 2019

NO CEARÁ, SALDO DE EMPREGOS É O PIOR PARA MAIO, EM 2 ANOS

O Ceará teve o pior maio dos últimos dois anos em relação ao saldo de empregos. Conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), no mês em que se comemorou o Dia do Trabalhador, o Estado teve uma diferença negativa de 1.428 postos com carteira assinada, contabilizadas 30.571 admissões e 31.999 desligamentos.

Os setores da indústria de transformação (-1.019), comércio (-345) e construção civil (-269) foram os que tiveram as maiores baixa. Os saldos positivos, ainda que pequenos, aconteceram na indústria extrativa mineral (9), serviço industrial de utilidade pública (19), agropecuária (34), administração pública (59) e serviços (84).
De acordo com o economista Alex Araújo, o principal reflexo negativo de maio no Ceará é a redução de oportunidades de emprego na indústria, que desde o ano passado tem perdido espaço na economia local. "A indústria no Ceará tem corrido de modo lento, enquanto no Brasil tem caminhado de modo mais à vontade. Outro fator que pesou na não contratação de pessoas é a falta de capacitação para o desenvolvimento das vagas que são oferecidas no mercado" explica.

Para ele, o setor do comércio também apresenta dificuldades no seu desenvolvimento, pois os consumidores estão receosos em realizar compras ante o que se via em 2014. "Por receio de endividamento, os consumidores preferem esperar pelos meses que costumam oferecer descontos para que haja um aquecimento no comércio. Se não for assim a mercadoria corre os risco de ficar parada".

No Brasil o crescimento no número de vagas em maio foi impulsionado pelo setor da agropecuária, que sozinho apresentou a abertura de 37.373 empregos. Esse resultado representa o maior registro desde 2016, quando 38,783 milhões de pessoas estavam empregadas com carteira assinada.

Em seguida, o setor da construção civil foi o que abriu mais postos, com 8.459 empregos, especialmente em obras de construção de rodovias e ferrovias, projetos para geração e distribuição de energia elétrica e instalações elétricas. Depois veio o setor de serviços com saldo positivo de 2.533 novas vagas, destaque para serviços médicos e odontológicos, ensino, comercialização e administração de imóveis e instituições de crédito e seguros. Administração pública (1.004) e extração mineral (627) também registraram resultado positivo.

Brasil

No País, o salário médio de admissão no mês de maio foi de R$ 1.586,17, e o salário médio de quem foi demitido chegou a R$ 1.745,34 em igual período.

Municípios do Ceará em maio

Os 10 municípios que demitiram mais do que contrataram trabalhadores com carteira assinada no mês de maio, no Estado foram:

1º Fortaleza (-869)

2º Maracanaú (-869)

3º Sobral (-200)

4º Russas (-161)

5º Eusébio (-157)

6º Horizonte (-109)

7º Iguatu (-102)

8º Maranguape (-87)

9º Quixadá (-71)

10º Pacajus (-54)

Já as cidades cearenses que contrataram mais que demitiram pessoas com carteira assinada, no Ceará foram:
1º Caucaia (225)

2º Barbalha (93)

3º Várzea Alegre (73)

4º Tauá (57)

5º Itapipoca (51)

6º Aquiraz (50)

6º Brejo Santo (50)

6º Viçosa do Ceará (50)

7º Limoeiro do Norte (46)

8º Pentecoste (43)

9º Trairi (39)

10º Juazeiro do Norte (33)

AUTOR: O POVO/JULLIE VIEIRA

domingo, 10 de junho de 2018

POR QUÊ OS SUICÍDIOS ESTÃO AUMENTANDO NOS EUA?

Estilista Kate Spade e chef Anthony Bourdain morreram nesta semana após supostamente cometerem suicídio GETTY/PA

Um novo estudo do governo dos Estados Unidos revelou que o suicídio vem aumentando em todo o país desde 1999.

Os números foram publicados na mesma semana em que a estilista Kate Spade e o famoso chef Anthony Bourdain tiraram a própria vida.

Mas o que causou esse aumento de suicídios nos Estados Unidos?

Segundo o estudo, realizado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), um órgão do governo americano, a taxa total de suicídio aumentou em 30% em mais da metade dos Estados dos EUA nos últimos 17 anos. O aumento médio em todo o país é de cerca de 25%.

Isso significa que, em média, 16 de cada 100 mil americanos decidem acabar com suas próprias vidas todos os anos.

Só em 2016, quase 45 mil pessoas se suicidaram no país.

De acordo com os dados do CDC, o suicídio aumentou entre todos os grupos, independentemente de sexo, idade, raça ou etnia.

A principal pesquisadora do estudo, Deborah Stone, disse à BBC que o CDC vinha investigando esse aumento há algum tempo.

"Sabíamos que as taxas estavam subindo e queríamos entender esse aumento a nível estadual. Sem falar nos fatores por trás disso", explica Stone.

"Em 25 Estados, houve aumentos de mais de 30%, o que nos surpreendeu", acrescenta.

Quase todos esses Estados são encontrados nas regiões oeste e centro-oeste dos Estados Unidos.
Nos EUA, grande parte de quem morre por arma de fogo comete suicídio GETTY IMAGES

Por que os suicídios estão aumentando?

Embora não exista um único fator que leve ao suicídio, Stone diz que as principais causas são os problemas financeiros e as relações emocionais.

A especialista também lembra que alguns Estados do oeste americano têm historicamente altas taxas de suicídio. Isso poderia estar relacionado à economia preponderantemente agrícola dessa região.

Esses Estados, assinala Stone, ainda estão se recuperando de crises econômicas. Seus moradores também tendem a ser mais isolados e a não ter acesso a cuidados adequados. Além disso, foram os locais mais duramente atingidos pela epidemia de opioides (drogas que atuam no sistema nervoso para aliviar a dor).

Já para a presidente da Associação Americana de Suicídio, Julie Cerel, parte do aumento pode ser explicado pelo aperfeiçoamento da metodologia dos relatórios e dos estudos.

Mas ela destaca a falta de fundos suficientes para pesquisa em saúde mental e cuidados preventivos.

"Nossos sistemas de saúde mental estão passando por dificuldades em todo o país", diz ela. "Em termos de treinamento de profissionais de saúde mental, não estamos fazendo um bom trabalho".

Apenas em dez estados americanos, por exemplo, é obrigatório que os profissionais de saúde recebam treinamento sobre prevenção do suicídio.
Apenas em dez estados americanos, é obrigatório que profissionais de saúde recebam treinamento sobre prevenção do suicídio. GETTY IMAGES

Armas de fogo

Cerel também alude a outro problema de saúde pública, embora muitas vezes deixado de lado: armas de fogo.

"O debate sobre armas de fogo nos EUA se concentrou nos terríveis tiroteios nas escolas, e queremos evitá-los, mas a grande maioria das mortes por armas de fogo ainda é por suicídio", diz ela.

Segundo o CDC, os suicídios respondem por dois terços desse tipo de morte.

"Nós simplesmente não falamos sobre isso nos EUA porque existe um estigma contra a saúde mental; as pessoas pensam que os suicídios são diferentes, por que eles deveriam querer o controle de armas, ninguém em sua família vai fazer isso", diz ela.
Existe uma relação entre suicídio e doença mental?

O estudo do CDC descobriu que 54% dos americanos que morreram de suicídio não tinham sido diagnosticados com nenhuma doença de saúde mental.

Em entrevista à BBC, Jerry Reed, da Aliança Nacional para Ação contra a Prevenção do Suicídio, disse que, "embora haja definitivamente uma ligação entre a doença mental grave e o comportamento suicida", os especialistas descobriram que isso não se trata apenas de um desafio de saúde mental.

"Condições econômicas ou oportunidades de subsistência em declínio podem levar as pessoas a situações onde passam a correr risco; precisamos intervir nos casos de saúde mental e pública", diz Reed.

Cerel também destaca que muitas pessoas diagnosticadas com doenças mentais não se suicidam.

"Não é algo tão simples como: 'eles tinham problemas mentais, então se suicidaram'".

Stone diz que o estudo do CDC mostra que a perda de entes queridos, abuso de substâncias, saúde física e problemas legais e de trabalho são todos elementos importantes que podem desencadear um comportamento suicida.

"Se nos concentrarmos em apenas uma coisa, estamos esquecendo outras pessoas potencialmente em risco", diz ele.
Ter 'plano de segurança' é vital para contornar situações extremas na vida, defende especialista GETTY IMAGES

'Seguir em frente'

Os especialistas concordam que ensinar as pessoas a processar uma perda e como lidar com emoções difíceis são dois fatores essenciais para evitar o suicídio.

"Não podemos supor que todos aprendam isso por meio de uma fórmula mágica", diz Reed.

"Aprendemos a ler, a escrever, por isso também precisamos ajudar as pessoas a aprenderem a ter sucesso.

Então, o que é exatamente progredir do ponto de vista da saúde mental?

Cerel defende ter um "plano de segurança".

"Se as coisas derem errado em sua vida, o que você vai fazer? O que você pode fazer para se distrair naquele momento de tristeza? Você pode olhar fotos de seus filhos ou assistir a vídeos engraçados de gatos?", diz.

"Não que esses vídeos vão manter alguém vivo, mas podem acalmar as pessoas para que sejam usadas outras estratégias de enfrentamento", acrescenta.

Cerel também enfatiza que o objetivo final é incentivar suicidas em potencial a frequentar a terapia e terem profissionais de saúde mental para ajudar a "mudar o pensamento disfuncional".

Para algumas pessoas, "sentir-se conectado e desfrutar de um sentimento de pertencimento são coisas realmente importantes", destaca Stone.

"Temos que envolver toda a comunidade, não apenas os profissionais de saúde", diz Reed. "Somos uma nação que precisa reconhecer esse isolamento", acrescenta.

AUTOR: BBC

terça-feira, 26 de setembro de 2017

NO CEARÁ, SAIBA QUAIS AS 32 CIDADES QUE ESTÃO NA LINHA VERMELHA DO CONSUMO DE CRACK

Levantamento realizado pela CNM (Confederação Nacional dos Municípios) aponta que a droga é um grave problema para 32 municípios cearenses. 

No país o impacto atinge 1.155 municípios brasileiros, um quinto (20,7%) dos 5.570 existentes. 

As informações são do site UOL.

As informações foram dadas pelas prefeituras ao Observatório do Crack. O banco de dados classifica os problemas relacionados ao uso do crack como alto, médio e baixo. Se somados todos os níveis de problemas relacionados à droga, chega-se à conclusão de que ela está presente em pelo menos oito de cada dez municípios brasileiros (78,5%). 

O número pode estar subestimado, já que 945 (17%) dos municípios não responderam. Somente 5% (252) informaram não ter de administrar problemas relacionados ao crack.

São Paulo, em números absolutos, tem o maior número de cidades com graves problemas gerados pela presença do crack – um total de 193. Minas Gerais ocupa a segunda colocação, com 191 municípios nesta situação.

As informações coletadas pelo Observatório do Crack começaram a ser tabuladas em 2010, em uma das marchas que os prefeitos fizeram a Brasília. Trata-se apenas de um mapeamento da circulação da droga e das dificuldades enfrentadas pelos gestores. Eles não mensuram, por exemplo, quantos usuários existem nestas cidades nem quantos são atendidos.

O dado mais recente sobre o consumo da droga no país dá conta de que são 2 milhões de usuários de crack. Porém ele está defasado, já que foi elaborado em 2010 numa parceria da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). À época foram detectadas 29 cracolândias em 17 capitais brasileiras.

Para fomentar o painel da confederação, os prefeitos recebem questionários com 26 perguntas. Nelas, eles informam se a presença do crack impacta áreas como saúde, assistência social, educação e segurança das suas administrações. 

Ao final, é o próprio gestor –geralmente acompanhado de sua área técnica– quem irá classificar se o nível do problema. Não existem “pré-requisitos” a serem preenchidos. “Quando um gestor indica que o nível do problema é alto, significa praticamente um pedido de socorro”, afirma Paulo Ziulkoski, presidente da confederação.

Municípios do Ceará com alto nível de consumo:

1. Aiuaba
2. Apuiarés
3. Aracati
4. Aquiraz
5. Barbalha
6. Barreira
7. Beberibe
8. Boa Viagem
9. Cariré
10. Catunda
11. Eusébio
12. Forquilha
13. Ibicuitinga
14. Iguatu
15. Irauçuba
16. Itapipoca
17. Itaitinga
18. Itarema
19. Juazeiro do Norte
20. Maracanaú
21. Massapê
22. Miraíma
23. Morada Nova
24. Paraipaba
25. Pentecoste
26. Pereiro
27. Pires Ferreira
28. Russas
29. Sobral
30. Tabuleiro do Norte
31. Trairi
32. Umirim


AUTOR: IBIAPABA 24 HORAS

quarta-feira, 7 de junho de 2017

BRASIL TEM 10% DOS HOMICÍDIOS DO MUNDO, E SUPERA TERRORISMO

Mais de 60 mil pessoas são assassinadas por ano no Brasil

O Brasil produziu mais um dado impressionante com relação à violência. Todos os atentados terroristas do mundo nos cinco primeiros meses de 2017 não superam a quantidade de homicídios registrada no Brasil em três semanas de 2015. 

Em 498 ataques, 3.314 pessoas morreram, de acordo com levantamento da Esri Story Maps e da PeaceTech Lab. Já segundo o Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, cerca de 3,4 mil pessoas foram assassinadas no Brasil a cada três semanas em 2015. 

A comparação foi feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que divulgaram os dados na segunda-feira (5) no Atlas da Violência 2017. 

O estudo contabiliza 59.080 assassinatos no país em 2015 e os pesquisadores consideram que o resultado consolida uma mudança de patamar, em que as mortes violentas permanecem perto dos 60 mil homicídios registrados em 2014. 

Os registros permitem calcular uma taxa de 28,9 assassinatos para cada 100 mil brasileiros. Apesar de ser 3,1% menor que a de 2014, a proporção é 10,6% maior que a registrada em 2005. A variação da taxa de homicídios se deu de forma desigual no país entre 2005 e 2015. 

Em seis estados do Norte e Nordeste, a taxa cresceu mais de 100%, enquanto em todo o Sudeste o indicador caiu. Além dos estados do Sudeste, houve quedas da taxa de homicídios em Rondônia, Pernambuco, Mato Grosso do Sul e Paraná. 

Pernambuco é destacado pela pesquisa como uma “ilha de diminuição de homicídios” em meio a uma região em que a taxa cresceu com grande intensidade. Apesar disso, a queda de 36% obtida entre 2007 e 2013 foi em parte perdida com um aumento de 13,7% registrado de 2014 para 2015.

AUTOR: CAMOCIM IMPARCIAL

terça-feira, 6 de junho de 2017

FORTALEZA (CE), TEM MAIOR ÍNDICE DE HOMICÍDIOS ENTRE ADOLESCENTES

Fortaleza é a capital do Brasil com o maior Índice de Homicídios na Adolescência (IHA). E o Ceará lidera o ranking entre os estados brasileiros. 

É o que apontou o pesquisador Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), ao apresentar a versão mais recente do IHA.

A divulgação ocorreu na Assembleia Legislativa do Ceará, durante solenidade de lançamento do relatório Trajetórias Interrompidas, publicação do Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência na última segunda-feira (5).

De acordo com o estudo do IHA, 43 mil adolescentes devem morrer no Brasil de 2015 a 2021 se as condições atuais forem mantidas. Em 2014, 3,65 de cada mil adolescentes que completam 12 anos morrem vítimas de homicídio antes de chegar aos 19 anos nos 300 municípios com mais de 100 mil habitantes do país. Em Fortaleza, esse índice é de 10,94 para cada mil jovens. Antes em terceiro lugar no ranking, agora o Ceará figura no topo da lista entre os estados, com o IHA de 8,71.

O Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) é uma iniciativa do Unicef e do Ministério dos Direitos Humanos em parceria com o Observatório de Favelas e o Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que mapeia desde 2007 a mortalidade por homicídio na adolescência na faixa dos 12 aos 18 anos. O IHA representa o número de adolescentes que morrem por homicídio antes de completar 19 anos para cada grupo de mil adolescentes de 12 anos.

Alerta
O Índice de Homicídios na Adolescência alerta sobre a situação do Nordeste, onde o número de mortes é substancialmente mais elevado do que o restante do país, com 6,5 assassinatos de adolescentes a cada mil, enquanto no Sul o índice é de 2,3. “O Nordeste hoje é absolutamente central na luta pela redução de homicídios”, apontou Raquel Viladino, representante do Observatório das Favelas.

O estudante Mateus Monteiro, que teve um dos irmãos assassinados na adolescência, participou da solenidade e pediu aos representantes dos poderes Legislativo e Executivo que as estratégias para a redução de homicídios de jovens sejam efetivamente executadas e amplamente divulgadas nas comunidades. “Nem sempre a teoria reflete a prática”, disse.

Representante do Unicef no Brasil, Gary Stahl prestigiou a cerimônia e demonstrou preocupação com os dados expostos pelo IHA. A secretária nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente do Ministério dos Direitos Humanos, Cláudia Vidigal, representou o Governo Federal no evento.

AUTOR: Tribuna do Ceará

terça-feira, 16 de maio de 2017

CEARÁ TEM DUAS DAS 50 CIDADES MAIS PERIGOSAS DO MUNDO

Uma pesquisa realizada pela revista The Economist junto ao Instituto Igarapé indicou que duas das 50 cidades com mais homicídios do mundo estão no Ceará: Juazeiro do Norte e Caucaia. O estudo, divulgado em março de 2017, buscou identificar as região com maior índice de violência no mundo e alertar para uma necessidade de redução dessas taxas.

Juazeiro do Norte, na região do Cariri, é a 37ª cidade mais violenta do mundo. O município cearense tem taxa de 47,4 homicídios por 100 mil habitantes. Já Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, aparece na 21º posição no ranking, com o índice de 58,8 por 100 mil habitantes. Segundo a revista, conflitos entre quadrilhas, corrupção e instituições públicas frágeis são os principais fatores que contribuem para os altos níveis de violência não só no Brasil, como em toda a América Latina.

O estudo apontou também que 25 das cidades mais violentas estão no Brasil:

Jaboatão dos Guararapes/PE
João Pessoa/PB
Cuiabá/MT
Canoas/RS
Porto Alegre/RS
Juazeiro do Norte/CE
Vitória da Conquista/BA
Natal/RN
Cariacica/ES
Betim/MG
Maceió/RN
Camaçari/BA
Manaus/AM
Imperatriz/MA
Aracaju/SE
Caucaia/CE
Aparecida de Goiânia/GO
Mossoró/RN
Belém/PA
Viamão/RS
Caruaru/PE
Serra/ES
Ananindeua/PA
Grande São Luís/MA
Marabá/PA

AUTOR: massapeceara.com

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

CEARÁ É O 3° COM MAIOR AUMENTO DE MORTES VIOLENTAS DE JOVENS, DIZ IBGE

Mortes violentas de jovens nos estados com maior aumento (Foto: Arte/G1)

O Ceará é o terceiro estado com os maiores aumentos de mortes violentas de jovens entre 15 e 24 anos por causas violentas, ou seja, não naturais. 

O resultado no ranking se repete tanto no levantamento entre homens (alta de 146,4%) como entre mulheres (73,2%). Os dados fazem parte das Estatísticas do Registro Civil 2015, divulgadas na quinta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento considera acidentes de trânsito, afogamentos, suicídios, homicídios, quedas acidentais. Nas mortes violentas de jovens homens, os dois maiores aumentos foram registrados em Sergipe (179,45%) e Piauí (171,4%). Já nas mortes entre mulheres, Amazonas (171,4%) e Sergipe (85,7%) tiveram as maiores altas do país.

Segundo a pesquisa, as mortes violentas de jovens cresceram na maioria dos estados do Norte e do Nordeste entre 2005 e 2015. As exceções são Acre, Amapá e Pernambuco.

O estudo mostra que os óbitos de jovens por causas violentas tiveram redução nos estados da região Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

As quedas mais significativas nesses índices foram registradas no Rio de Janeiro, Distrito Federal, São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo e Acre, segundo o IBGE. No Rio de Janeiro, caiu 37,5% entre os homens e 40,8% entre as mulheres; em São Paulo, caiu 33,1% entre homens e 32,7% entre mulheres. No Acre, a queda entre mulheres foi de 50%.

No mesmo período, essas mortes por causas externas tiveram alta expressiva em estados do Norte e Nordeste. A maior parte dos óbitos são de homens, mas, no Amazonas, houve um aumento maior com relação a mortes de jovens mulheres, de 171,4%, enquanto entre homens foi de 128,7%.

AUTOR: G1/CE

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

CEARÁ É LÍDER EM CASOS DE SUICÍDIO NO NORDESTE

Com 533 casos registrados em 2015, o Estado teve um crescimento de 9,2% em relação a 2014, quando 488 pessoas tiraram a própria vida (Foto: Ilustrativa)

O Ceará é o estado do Nordeste com a maior quantidade de suicídios. Com 533 casos registrados em 2015, o Estado teve um crescimento de 9,2% em relação a 2014, quando 488 pessoas tiraram a própria vida. Se a análise levar em conta as taxas de ocorrências por 100 mil habitantes, o Estado permanece no topo do ranking, com seis casos. A média nacional é de 4,2 por 100 mil habitantes, conforme o 10º Anuário Sobre Segurança Pública.

De acordo com o psiquiatra do Hospital Universitário Walter Cantídio e coordenador do Programa de Apoio à Vida (Pravida), Fábio Gomes de Matos e Souza, o número aumentou em todo o Brasil, mas esse acréscimo foi maior no Ceará em decorrência de existir aqui maior desagregação, desestruturação familiar, abuso de álcool e droga e pela falta de estrutura da rede de saúde para tratar transtornos associados ao suicídio.

“São dois grandes grupos preditores do suicídio: os que tentaram prévia e os portadores de transtornos mentais. Os cinco principais transtornos mentais associados ao suicídio são: depressão, transtorno bipolar, abuso de álcool e outras drogas, esquizofrenia e transtorno de personalidade, principalmente o borderline. 

Se há uma falha no sistema, se não há medicação e terapia, há uma agravamento desses transtornos. Fica crônico e muitas vezes o paciente vê nisso a única saída”, explica Fábio, que também é professor Titular de Psiquiatria da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Perfil

O especialista aponta que o suicídio acontece em todas as classes sociais e em idades, mas que há um aumento entre mulheres jovens. Há ainda que se destacar que a organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que 90% dos casos são evitáveis, o que reforça a necessidade de se olhar com cuidado para o dado. 

“Se não houver uma mudança na rede, se não colocarmos proteção em pontes e viadutos, aumentarmos o controle de receitas e proibir a venda de chumbinhos, esses números vão aumentar”, alerta.

No Ceará, o atendimento ao suicida acontece nos Centros de Atenção Psicossociais (CAPS). Na Capital, são 14 (sendo seis Álcool e Droga, seis gerais e dois infantis). O Projeto de Apoio À Avida (Pravida), coordenado pelo professor Fábio Gomes, é uma das iniciativas com o foco à assistência terapêutica e prevenção a pessoas que tentam suicídio.

Com 12 anos de existência, o projeto atende por semana de 25 a 30 pacientes. Com o máximo de 12 sessões com alunos capacitados, a intenção é ter tempo de amenizar a crise do paciente e encaminhá-lo para outros serviços e garantir continuidade do trabalho. “É um número muito pequeno diante de uma população de Fortaleza com 2,5 milhões de habitantes”, concluiu.

Outro serviço existente é do Centro de Valorização à Vida (CVV), organização que tem como missão a prevenção do suicídio. A unidade de Fortaleza existe há 30 anos e conta com 32 voluntários no atendimento telefônico de pessoas com problemas emocionais.

AUTOR: DN

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

UMA PESSOA FOI ASSASSINADA A CADA 9 MINUTOS NO BRASIL EM 2015, DIZ ESTUDO

No ano passado, cerca de 160 pessoas foram assassinadas por dia no Brasil, uma pessoa a cada nove minutos. No total, 58.383 pessoas foram mortas violentamente e intencionalmente no país, retração de 1,2% em relação a 2014, segundo dados inéditos do 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Já o número de pessoas mortas por policiais aumentou 6,3%.

Os dados de homicídios dolosos, latrocínios e mortes provocadas por intervenção, que configuram as mortes violentas, foram obtidos via Lei de Acesso à Informação pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, autor do anuário que será divulgado no dia 3 de novembro.

De janeiro de 2011 a dezembro de 2015, 278.839 pessoas foram mortas no país, número maior do que o de mortos na guerra da Síria, onde 256.124 morreram no mesmo período, segundo o Fórum. Os números do país do Oriente Médio são do Observatório de Direitos Humanos na Síria e da ONU.
Baleado após sair de um bar na Berrini em junho de 2015, diretor comercial Luiz Eduardo Barreto foi um dos milhares de mortos no país no ano passado (Foto: Glauco Araújo/G1 - 01/06/2015)

Para a socióloga Samira Bueno, diretora executiva do fórum, a retração de 2014 para 2015 deve ser vista com cautela. “Eu sempre falo de redução com muito cuidado, porque os estados retificam os dados. Então, na verdade, o que aconteceu não foi uma redução, mas um empate”, disse. "Não dá pra dizer que tem uma tendência de redução nacional.”

As regiões Nordeste e Norte, por exemplo, seguem com altas taxas de assassinatos. Os primeiros cinco colocados são das duas regiões: Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte, Ceará e Pará.

Pela primeira vez o estado de Sergipe encabeça a lista, com 57,3 mortes violentas intencionais a cada 100 mil pessoas (aumento de 18,2% em relação aos dados do ano anterior).

Já o estado de Alagoas, que por anos encabeçou a lista, teve redução de 20,8% na taxa, saindo dos 64,1 mortos por 100 mil habitantes para 50,8, a maior queda entre todas as unidades da federação. Mesmo assim, ele é o segundo colocado no ranking.

Ainda no Nordeste, o terceiro colocado, Rio Grande do Norte, é o que teve maior crescimento na taxa: 39,1%. O estado passou de 34,9 para 48,6 por 100 mil habitantes.

“No ano passado, estourou o número de homicídios no Rio Grande do Norte. E em março deste ano, o governo decretou calamidade pública por conta do sistema prisional. O crime está se organizando e tem cara de briga de facção, por isso o mata-mata”, disse Samira.

A capital do estado, Natal, foi a que teve o maior aumento proporcional de casos de homicídios entre as capitais: a taxa quase dobrou na cidade, de 39,8 para 78,4 por 100 mil habitantes.

Quedas
Para Samira, as taxas aumentam ou diminuem conforme a prioridade da gestão pública. Os estados que têm programas estaduais de redução de homicídios e da violência letal ativos foram os que tiveram maior queda nas taxas.

“O Espírito Santo, que já figurou entre os mais violentos, por exemplo, tem um dos melhores programas de redução da violência letal", disse a diretora. Vitória foi a capital que teve a maior redução: 43,6%. "Ceará está investindo pesado nisso e também saiu do topo do ranking.”

Samira ainda avalia que o recente conflito entre as facções que agem dentro e fora dos presídios, manifestadas em recentes rebeliões, "pode piorar ainda mais o cenário se o governo federal não agir rapidamente em relação a isso".

Os estados que registraram as menores taxas de mortes violentas intencionais foram São Paulo (11,7), Santa Catarina (14,3) e Roraima (18,2).

Outro lado
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de Sergipe (SSP/SE) disse que “a metodologia entre os estados não obedece critérios e protocolos definidos e é muito discrepante”.

“Em Sergipe, a análise é rigorosa e definida por número de vítimas --e não por ocorrências, o que gera uma diferença considerável na comparação com outros estados. A coleta em Sergipe é feita caso a caso e realizada diretamente no Instituto Médico Legal, com informações confrontadas de forma rigorosa. Sergipe não ignora qualquer informação e não permite que haja pendências de dados que devem ser repassados periodicamente à Secretaria Nacional da Segurança Pública (Senasp).”

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Rio Grande do Norte afirmou que “ainda não teve acesso ao anuário”, mas que “em 2015 o RN superou a meta de redução de CVLI [Crimes Violentos Letais Intencionais] indicada pelo Ministério da Justiça, com uma redução de 6,3% no quantitativo de CVLIs quando comparado a 2014”.

Em comunicado, o governo do Rio Grande do Norte acrescenta que “os índices do estado voltaram a cair após 10 anos de crescimentos consecutivos”. “Isso significa que em 2015 obtivemos o melhor resultado da última década, com recorde de redução de CVLIs no RN.”

O G1 procurou também as assessorias dos governos dos demais estados, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

AUTOR: G1/SP

terça-feira, 25 de outubro de 2016

DAS 25 CIDADES MAIS VIOLENTAS DO BRASIL 7 ESTÃO NO CEARÁ

44 mil pessoas foram assassinadas em 2014 no Brasil. Os locais com maior incidência por habitante ficam no Nordeste

Uma má notícia foi divulgada pelo “Mapa da Violência” de 2016 relacionada ao Ceará. No estudo realizado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), o estado está com sete cidades entre as 25 mais violentas do País. Os dados foram coordenados pelo professor e sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz.

Segundo o estudo, os homicídios realizados por armas de fogo chegaram a 44.861 em 2014. Eusébio, de acordo com o estudo, é a quinta cidade mais violenta do País, com a taxa de 93,4 mortes por arma de fogo por habitante. Mata de São João, na Bahia, com 102,9 mortes por habitante, é o município mais violento.

As outras quatro cidades são: Quixeré (12º lugar), com 85,1 homicídios; Itaitinga (17º). com índice de 79,9; Tabuleiro do Norte (19º), com taxa de 78,1; Horizonte (20º), com índice de 77,9; Jaguaribara (22º), com índices de 76,8 assassinatos; e Fortaleza (23º), com índice de 75,3 mortes por arma de fogo por habitante.

Entre as capitais, esse número da Terra do Sol é o segundo pior. Maceió, com 77,2, é a líder entre as capitais brasileiras.

O estudo é relacionado a homicídios por armas de fogo. De acordo com os dados divulgados, 44.861 pessoas morreram no País, em 2014, vítimas de armas de fogo. Além disso, é possível constatar que dois terços das cidades ficam no Nordeste.

Na contramão dessas estatísticas relacionadas a 2014, na última segunda-feira (10), foi divulgada a redução no número de mortes em Fortaleza. A redução foi de 57,5% em setembro. Isso se comparado ao mesmo período do ano passado, quando aconteceram 134 crimes, houve uma redução significativa para 57 ocorrências em 2016.

Lista das 25 cidades mais violentas em número de homicídios:

1º – Mata de São João (BA) – 102,9

2º – Murici (AL) – 100,7

3º – Satuba (AL) – 95,5

4º – Conde (PB) – 94,4

5º – Eusébio (CE) – 93,4
6º – Pilar (AL) – 92,5

7º – Ananindeua (PA) – 91,6

8º – Simões (BA) – 91,4

9º – Pojuca (BA) – 87,3

10º – Lauro de Freitas (BA) – 85,9

11º – Marechal Deodoro (AL) – 85,2

12º – Quixeré (CE) – 85,1
13º – Itabuna (BA) – 81,2

14º – Porto Seguro (BA) – 81

15º – Rio Largo (AL) – 80,5

16º – Santa Rita (PB) – 80

17º – Itaitinga (CE) – 79,9
18º – Arapiraca (AL) – 79,7

19º – Tabuleiro do Norte (CE) – 78,1
20º – Horizonte (CE) – 77,9
21º – Maceió (AL) – 77,2

22º – Jaguaribara (CE) – 76,9
23º – Fortaleza (CE) – 75,3
24º – Santa Cruz (BA) – 75,1

25º – Macaíba (RN) – 75

AUTOR: Tribuna do Ceará

sábado, 16 de julho de 2016

64% DOS JOVENS APREENDIDOS POR ASSASSINATOS E 74% DOS JOVENS MORTOS ESTAVAM FORA DA ESCOLA, NO CEARÁ

O Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência divulgou na manhã desta sexta-feira, na Assembleia Legislativa do Ceará, parte dos resultados da pesquisa feita com famílias de jovens mortos e com jovens privados de liberdade por homicídios no Ceará. 

Entre quem aponta e quem é alvo, quem mata e quem morre, um mesmo contexto em que a violência espreita.

Em números, 46% dos entrevistados apreendidos tiveram familiar assassinado; 79% tiveram amigos assassinados; 56% já sofreram tentativa de homicídio; 80% conviviam com alguém que tinha arma; 70% tiveram familiar preso, detido ou apreendido.

A partir do depoimento de familiares, é possível afirmar que, entre as vítimas, 45% tiveram familiar assassinado; 64% tiveram amigos assassinados; 29% tinham acesso a arma de fogo; 66% tiveram familiar preso, detido ou apreendido.

A violência ocupa a rotina e o Estado se ausenta no cotidiano dos adolescentes. Vide a relação com a educação e a segurança. Entre os jovens apreendidos, 64% estavam fora da escola. Esse número salta pra 74% entre os assassinados. Para 49% dos entrevistados, a Polícia é vista com indiferença e, para 30% das famílias ouvidas, a Polícia é vista como intimidadora.

Os dados se referem apenas a Fortaleza. Mas a pesquisa abrangeu ainda Caucaia, Maracanaú, Horizonte, Eusébio, Sobral e Juazeiro do Norte, além de oito centros educacionais. Foram 385 questionários aplicados.

As informações tabuladas das demais cidades, bem como as recomendações de políticas públicas para superação do problema e o relatório completo, com depoimentos, relatos das famílias e de adolescentes, serão divulgadas até o fim deste ano.

O trabalho realizou audiências territoriais para escuta das comunidades, grupos focais com agentes públicos e família e seminários temáticos.

Confira outros dados:

- 73% dos adolescentes mortos em Fortaleza foram assassinados no bairro onde moravam

- 67% das mortes foram exibidas em programas policiais

- 53% dos adolescentes assassinados foram ameaçados

- 64% dos jovens tiveram amigos assassinados

- Entre os que estão apreendidos, 56% sofreram tentativa de homicídio

- Entre os que foram assassinados, 74% estavam fora da escola há pelo menos seis meses. Entre os apreendidos, esse total é de 64%

- Para 49% dos entrevistados, a Polícia é vista com indiferença

- Para 30% das famílias ouvidas, a Polícia é vista como intimidadora

- 1/3 dos jovens tiveram tios ou primos assassinados

- Em 40% das mortes, se alguma medida fosse tomada após a ameaça, a vida poderia ter sido salva

- Dívida com tráfico, briga de gangue e entre grupos são os principais motivadores das mortes

- A maioria das famílias não cobra a realização de inquérito policial que desvende o assassinato

- Dos adolescentes que mataram, 69% são negros e 96%, homens; 45% disseram ter cometido homicídios por rixa entre grupos ou desentendimento pontual

Saiba mais

O Comitê tem o objetivo de compreender o fenômeno da violência entre os jovens – com foco na faixa de 10 a 19 anos. Em 2013 foram registradas 883 mortes de adolescentes no Estado, aumentando para 974 no ano de 2014 e para 604 em 2015. O Comitê foi criado a partir da assinatura do protocolo de intenções pelo presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, Zezinho Albuquerque, pela vice-governadora Izolda Cela e pelo representante do Unicef no Brasil, Gary Stahl. É presidido pelo deputado estadual Ivo Gomes (PDT) e tem como relator o deputado Renato Roseno (PSOL).

AUTOR: O POVO

sábado, 2 de julho de 2016

FORTALEZA (CE), É A CAPITAL COM O MAIOR NÚMERO DE HOMICÍDIOS DE JOVENS, DIZ RELATÓRIO

Em 2013, o Ceará registrou 1052 homicídios de crianças e adolescentes — 87,9% dessas cometidas por armas de fogo. O número é quatro vezes maior que o registrado em 2003, quando o Estado registrou 6,2 homicídios de jovens com menos de 19 anos para cada 100 mil habitantes. A média de 33,7 mortos para cada 100 mil habitantes deixa o Estado na terceira posição do ranking de homicídios do tipo em 2013, atrás apenas de Alagoas (43,3) e Espírito Santo (65,1).

Os dados são do relatório "Violência Letal Contra as Crianças e Adolescentes do Brasil", realizado pela Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais (Flacso) e divulgado nesta quinta-feira, 30. Os números foram baseados no Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), que faz parte do Ministério da Saúde.

Ainda segundo a pesquisa, Fortaleza foi a capital com o maior número de assassinatos nessa faixa etária em 2013: 81,3 para cada 100 mil habitantes. O número é cinco vezes maior que a média nacional no ano, que é de 16,3 por 100 mil habitantes. Fortaleza ainda é recordista na evolução do número de jovens mortos. Entre 2003 e 2013, nenhuma outra capital cresceu mais que os 755,8% de Fortaleza.

A pesquisa ainda mostra que duas cidades da Grande Fortaleza ficam entre os 100 municípios com maior número de homicídios de crianças e adolescentes. Maracanaú fica na 27ª posição, com média de 44,1 assassinatos para cada 100 mil habitantes no período entre 2009 e 2013. Já Aquiraz é 59º, com média de 31,7 crimes do tipo para cada 100 mil habitantes. Fortaleza fica na 13ª posição do ranking que tem Simões Filho (BA) na liderança, com 99,2 de média.

Saiba mais

Conforme a pesquisa, Brasil é o terceiro país como o maior número de mortes de crianças e adolescentes, atrás apenas de México e El Salvador. Em 2012, os países da América Latina registraram taxa de 26,7 e 17,5 mortes para cada 100 mil habitantes, respectivamente. São da América Latina, nove dos dez países que apresentam o maior índice de mortes de jovens com menos de 19 anos. A África do Sul é o único país fora do continente nesse ranking.

O relatório ainda compila o número de jovens mortos por acidentes de trânsito e homicídios.

AUTOR: O POVO

quarta-feira, 1 de junho de 2016

ALARMANTE: ESCRAVIDÃO MODERNA ATINGE 45,8 MILHÕES DE PESSOAS NO MUNDO

Relatório da Fundação Walk Free aponta que 45,8 milhões de pessoas em todo o mundo estão sujeitas a alguma forma de escravidão moderna/DIVULGAÇÃO MPT

Cerca de 45,8 milhões de pessoas em todo o mundo estão sujeitas a alguma forma de escravidão moderna. A estimativa é do relatório Índice de Escravidão Global 2016, da Fundação Walk Free, divulgado nesta segunda-feira, 30.

Segundo o documento, 58% dessas pessoas vivem em apenas cinco países: Índia, China, Paquistão, Bangladesh e Uzbequistão. Já os países com a maior proporção de população em condições de escravidão são a Coreia do Norte, o Uzbequistão, o Camboja e a Índia.

A escravidão moderna ocorre quando uma pessoa controla a outra, de tal forma que retire dela sua liberdade individual, com a intenção de explorá-la. Entre as formas de escravidão estão o tráfico de pessoas, o trabalho infantil, a exploração sexual, o recrutamento de pessoas para conflitos armados e o trabalho forçado em condições degradantes, com extensas jornadas, sob coerção, violência, ameaça ou dívida fraudulenta.

Embora seja difícil verificar as informações sobre a Coreia do Norte, as evidências são de que os cidadãos são submetidos a sanções de trabalho forçado pelo próprio Estado. No Uzbequistão, apesar de algumas medidas de combate à escravidão na indústria do algodão, o governo ainda força o trabalho na colheita do algodão.

No Camboja, há prevalência de exploração sexual e mendicância forçada e os dados do relatório destacam a existência de escravidão moderna na indústria, agricultura, construção e no trabalho doméstico. Já na Índia, onde 18,3 milhões de pessoas estão em condição de escravidão, apesar dos esforços do governo em lidar com a vulnerabilidade social, as pesquisas apontam que o trabalho doméstico, na construção, agricultura, pesca, trabalhos manuais e indústria do sexo ainda são preocupantes.

No último relatório, de 2014, cerca de 35,8 milhões de pessoas viviam nessa situação.

Escravidão moderna

Segundo a Walk Free, a escravidão moderna é um crime oculto que afeta todos os países e tem impacto na vida das pessoas que consomem produtos feitos a partir do trabalho escravo. Por isso, é preciso o envolvimento dos governos, da sociedade civil, do setor privado e da comunidade para proteção da população vulnerável.

Segundo a fundação, quase todos os países se comprometeram a erradicar a escravidão moderna por meio de suas legislações e políticas. Os governos que mais respondem no combate ao trabalho forçado são aqueles com Produto Interno Bruto (PIB) mais elevado como a Holanda, os Estados Unidos, o Reino Unido, a Suécia e a Austrália. As Filipinas, a Geórgia, o Brasil, a Jamaica e a Albânia estão fazendo grandes esforços, apesar de ter relativamente menos recursos do que países mais ricos, segundo a Walk Free.

No prefácio do relatório ao qual a reportagem da Agência Brasil teve acesso, o fundador e presidente da Walk Free, Andrew Forresto, diz que o Brasil foi um dos países pioneiros na divulgação de uma lista de empresas nacionais multadas na Justiça pela utilização de trabalho forçado. Uma liminar impedia a publicação da chamada Lista Suja do Trabalho Escravo desde dezembro de 2014. Na semana passada, entretanto, o Supremo liberou a divulgação dos nomes das empresas autuadas.

Os governos que menos fazem para conter a escravidão moderna, segundo o relatório, são a Coreia do Norte, o Irã, a Eritreia, a Guiné Equatorial e Hong Kong.

Na avaliação da entidade, levando-se em conta o Produto Interno Bruto (PIB) e a riqueza relativa do país, Hong Kong, Catar, Singapura, Arábia Saudita e Bahrein poderiam fazer mais para resolver problemas de escravidão moderna dentro de suas fronteiras.

Segundo a Walk Free, muitos países, incluindo as nações mais ricas, continuam resgatando vítimas, enquanto muitos não conseguem garantir proteções significativas para os trabalhadores mais vulneráveis.

A pobreza e a falta de oportunidades são fatores determinantes para o aumento da vulnerabilidade à escravidão moderna. Os estudos também apontam para desigualdades sociais e estruturais mais profundas para que a exploração persista - a xenofobia, o patriarcado, as classes e castas, e as normas de gênero discriminatórias.

Escravidão no Brasil e nas Américas

Segundo a Walk Free, o Brasil tem 161,1 mil pessoas submetidas à escravidão moderna – em 2014, eram 155,3 mil. Apesar do aumento, a fundação considera uma prevalência baixa de trabalho escravo no Brasil, com uma incidência em 0,078% da população.

O relatório aponta que a exploração no Brasil geralmente é mais concentrada nas áreas rurais, especialmente em regiões de cerrado e na Amazônia. Em 2015, 936 trabalhadores foram resgatados da condição de escravidão no país, em sua maioria homens entre 15 e 39 anos, com baixo nível de escolaridade e que migraram dentro do país buscando melhores condições de vida.

Nas Américas, pouco mais de 2 milhões de pessoas são vítimas de trabalho escravo, mais identificados na Guatemala, no México, no Chile, na República Dominicana e na Bolívia. Os resultados da Walk Free sugerem que os setores de trabalho manuais, como a construção, os trabalhos em fábricas e domésticos são os que concentram mais escravos modernos nas Américas.

O país com maior número de pessoas submetidas à escravidão é o México, com 376,8 mil. Os governos com melhores respostas no combate a esse crime são os Estados Unidos, a Argentina, o Canadá e o Brasil.

O relatório completo da Walk Free está disponível na internet.

AUTOR: O POVO

domingo, 15 de maio de 2016

PRF IDENTIFICA INDÍCIOS DE EXPLORAÇÃO SEXUAL INFANTIL EM 42 PONTOS, NO CEARÁ

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) confirmou fortes indícios de exploração sexual de crianças e adolescentes em 42 pontos do Ceará. 

A conclusão se baseia em um levantamento iniciado em novembro do ano passado como parte da "Operação Mapear". Nesta sexta, policiais da entidade intensificaram ações de combate à exploração nos municípios de Fortaleza, Russas e Aracati. Simultaneamente, outros 11 estados do país receberam a atenção extra.

No Ceará, as ações ocorreram à noite, em pontos localizados às margens das rodovias BR-116 e BR-304, segundo a PRF. O órgão informou, no entanto, que, durante a fiscalização, não foram encontrados menores em situação de vulnerabilidade. Dessa forma, os agentes somente fizeram abordagens educativas em estabelecimentos comerciais e distribuíram panfletos sobre o tema.

Projeto Mapear

O mapeamento dos pontos vulneráveis à exploração infantil ocorre, nacionalmente, a cada dois anos. Criado em 2003, o Projeto Mapear identifica locais suscetíveis a ocorrências do crime de exploração, observando fatores como: Iluminação, vigilância, circulação de pessoas, prostituição de adultos e consumo de bebidas, por exemplo.

AUTOR: O POVO

sábado, 14 de maio de 2016

CEARÁ É O 3° ESTADO ONDE MAIS POLICIAIS SÃO MORTOS

O soldado José Roberto Lemos, morto no último fim de semana (Foto: Arquivo pessoal)

Há quatro meses o estudante Jefferson Monte, 18, sofre com a ausência do pai, o sargento José Eudes da Silva Monte, 46, morto no último janeiro, durante roubo a coletivo no Conjunto Ceará. Ainda sem receber a pensão do militar, o jovem, que cursa o 3º ano do ensino médio, enfrenta responsabilidades de adulto e tenta ajudar a mãe, que enfrenta problemas psicológicos após a perda do marido.

Ele afirma que, se não fosse a ajuda de familiares, a mãe, a irmã e ele teriam passado fome. “Lá em casa só quem trabalha é minha irmã. Estou terminando o 3º ano, mas fazendo bicos na empresa de um familiar para ajudar em casa”, ressalta. Essa é uma entre as nove famílias de policiais civis e militares que foram mortos neste ano no Ceará. Oito eram policiais militares e um era civil. O número de vítimas triplicou em relação ao mesmo período de 2015, que registrou três casos, sendo dois policiais militares e um civil, todos mortos em crimes violentos. De janeiro até ontem, a média foi de dois policiais mortos por mês.

O presidente da Ordem de Policiais do Brasil (OPB), Frederico França, aponta que o Ceará é o terceiro estado do País com mais mortes de agentes da segurança. De acordo com o presidente da Associação de Cabos e Soldados do Ceará (Ascmce), Elisiano Queiroz, o Estado fica atrás somente de São Paulo (27) e Rio de Janeiro (17). Considerando o efetivo, com 16.421 PMs, o Ceará tem menos da metade de policiais de São Paulo, que tem 93.779 PMs. No Rio de Janeiro, são 47.457 PMs.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), apenas um dos nove policiais mortos em 2016 estavam em serviço, caso de Hudson Danilo Lima Oliveira, 26. No entanto, a PM de Campos Sales informou que o soldado José Roberto Lemos, morto no último fim de semana, fazia levantamento de um ponto de tráfico de drogas quando foi recebido a tiros por bandidos. Além dele, outro policial foi baleado.

O inspetor Alisson Mendonça, o soldado Augusto Huebster da Silva, o sargento José Eudes da Silva Monte e o subtenente Francisco Wellington da Silva foram vítimas de latrocínio. Já o subtenente Benedito Gomes de Assunção foi baleado após discussão de trânsito; o subtenente Carlos Herbênio Almeida Bezerra foi executado quando fazia caminhada em Jaguaretama; e o soldado Antônio Anderson do Nascimento foi morto em Sobral após intervir em uma troca de tiros, conforme a Associação de Cabos e Soldados Militares do Ceará (ASCSM).

POLICIAIS MORTOS

Hudson Danilo Lima Oliveira, 26, foi morto em 7/1

Augusto Huebster Rabelo Félix, 27, morto em 12/2

Francisco Wellington da Silva, 43, morto em 18/4

Benedito Gomes Assunção, 53, foi morto em 19/1

Carlos Herbênio Almeida Bezerra, 37, morto em 19/2

Antônio Anderson do Nascimento, 25, morto em 7/5

José Eudes da Silva Monte, 46, morto em 26/1

Alisson Paulinelly Medeiros de Mendonça, 28, morto em 6/4

José Roberto Lemos, 25, morto em 8/5

AUTOR: O POVO

sexta-feira, 29 de abril de 2016

INTERNAS DE UNIDADE PRISIONAL VÃO SE TORNAR "MODELOS POR 1 DIA", EM AQUIRAZ (CE)

Nesta sexta-feira, cerca de 20 detentas concluíram cursos de maquiagem dentro da prisão/ DIVULGAÇÃO

Internas de uma unidade prisional serão modelos de uma coleção de roupas sustentáveis produzidas pelas alunas de costura do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac/CE) de Aquiraz. O desfile Sustentabilidade na Moda acontecerá nesta sexta-feira, 29, às 13h, no pátio poliesportivo do Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa. O evento é promovido pelo Senac em parceria com a Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado (Sejus).

Para apresentar a linha de roupas do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), as estudantes de costura convidaram 15 mulheres do presídio para desfilarem vestidas pelas suas criações. As “modelos por um dia” serão maquiadas por nove detentas, que participaram do curso de maquiagem realizado dentro da unidade prisional. As modelos integram a oficina de costura do presídio.

Ações como essas estimulam as internas a deslumbrar novas perspectivas de futuro quando estiverem fora da unidade prisional. Para Cristiane Gadelha, esse contato com as alunas do Senac é um momento rico. “Esse é um momento muito rico, pois faz com que elas sintam-se próximas dessa realidade e sejam estimuladas a aprender mais, investir em uma profissão enquanto estão dentro do cárcere”, afirma.

Nesta quarta-feira, 27, 20 mulheres do presídio concluíram um curso de maquiagem promovido pelo Senac/CE e o Sebrae, por meio do projeto Querer. A ação visa estimular e ensinar um empreendedorismo entre as mulheres. Ainda este ano, 60 vagas serão ofertadas. 

AUTOR: O POVO

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

POLICIAIS DE FOLGA TÊM 6.000% MAIS CHANCES DE MORRER EM ASSALTOS, DIZ ESTUDO

A carteira funcional de Blaier: morto ao ser reconhecido como PM (Foto: Reprodução)

Numa manhã de setembro, Blaier Valença, de 29 anos, voltava de carro para casa após um dia de serviço. 

Em Deodoro, na Zona Oeste, o soldado foi abordado por assaltantes, que o identificaram como PM. Baleado, ele morreu um mês depois — sua mulher, também policial, havia sido assassinada em junho, atingida por um tiro na cabeça enquanto trabalhava. O drama vivido pela família de Blaier está longe de ser um caso isolado: um estudo do Instituto de Segurança Pública (ISP) apontou que policiais de folga, no Rio, têm 5.887% mais chance de virarem vítimas fatais em tentativas de assalto do que pessoas de outras profissões.

O relatório, divulgado no site do ISP, analisou casos ocorridos entre janeiro e novembro do ano passado. No período, 20 agentes da lei — cinco policiais civis e 15 PMs, incluindo Blaier — foram vítimas de latrocínio (termo técnico para o roubo seguido de morte). O número representa um sexto do total de ocorrências no estado ao longo dos mesmos 11 meses (121).

Para chegar ao percentual, os técnicos do ISP compararam a quantidade de casos com o tamanho das duas tropas (aproximadamente 58 mil policiais) e com a população do estado (cerca de 16,5 milhões de pessoas), respectivamente. Dessa forma, a taxa de latrocínios no Rio é de 34 vítimas para cada cem mil policiais, e de 0,6 mortes para cada cem mil habitantes.

O estudo restringe-se apenas às questões estatísticas. Especialistas ouvidos pelo EXTRA, porém, apontam duas possíveis razões para o fenômeno: as situações em que policiais são assim identificados, como no caso de Blaier, e o maior número de ocasiões em que um policial tende a reagir à abordagem criminosa.

— Dados internacionais mostram que quem reage com arma tem três mil vezes mais chances de morrer — diz o sociólogo Michel Misse, professor da UFRJ.

‘Ideal é não reagir’, diz coronel

Coronel reformado da PM, onde foi corregedor por nove anos, Paulo Cesar Lopes afirma que, mesmo na condição de policial, o ideal é nunca reagir à abordagem do assaltante. Mais do que isso: para o oficial, o agente deve evitar andar armado, salvo em circunstâncias nas quais isso se faça estritamente necessário.

— É preciso levar em conta duas variáveis: a do elemento surpresa e a inferioridade numérica, que quase sempre colocarão a vítima em desvantagem — afirma o coronel Lopes, que vê o estudo do ISP com ressalvas: — Estatística é igual a biquíni, cada um coloca como quer. Acho que pode difundir uma sensação de terror entre os policiais.

Lopes explica ainda que, na PM, é obrigatório o porte da carteira funcional, e infringir essa regra pode submeter o policial a punições. Ele acrescenta, contudo, que o agente pode e deve “camuflar” o documento, evitando deixá-lo facilmente à vista.

Além de tratar dos casos de latrocínio no ano passado, o relatório do ISP também compila o número de mortes de policiais civis e militares desde 1998, separando entre os que estavam de folga e de serviço — veja mais no quadro acima. Foram, ao todo, 2.461 óbitos no período, ou um a cada dois dias e meio, aproximadamente. As mortes de PMs correspondem à maior parte dos casos: foram 2.183 nesses 18 anos, ou 89% do total.

Entrevista

‘É importante endurecer as leis para quem agride o policial’, diz o coronel José Vicente, ex-secretário nacional de Segurança Pública

Como diminuir esses números?

José Vicente: É importante endurecer as leis para quem agride um policial, algo feito só recentemente no Brasil. Na Inglaterra, pega-se prisão perpétua. Nos Estados Unidos, onde ela é aplicada, é pena de morte. O que controla o crime é a eficiência de resposta que se dá a ele.

É comum que policiais reajam?

José Vicente: O policial, por ter treino e arma, acha que está em superioridade, mas, ao reagir, acaba morrendo. Num assalto, a vantagem do agressor é, em geral, bem maior. Além disso, a arma é ótimo instrumento de ataque, mas ruim para se defender.

O policial deve portar a arma mesmo estando de folga?
José Vicente: Deveria haver, pelo menos, um estudo que mostre quando isso é de fato vantajoso. Muitas vezes, por exemplo, ele acaba compelido, de folga, a intervir numa situação, o que também é arriscado. Eu, quando na ativa, raramente portava minha arma.

AUTOR: EXTRA

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