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quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

NOS ESTADOS UNIDOS: O QUE SE SABE SOBRE O ACIDENTE COM AVIÃO DA AMERICAN AIRLINES E HELICÓPTERO, "SEM SOBREVIVENTES"

Equipes de resgate trabalham após choque entre helicóptero e avião na região de Washington Gett Images

Um voo da American Airlines colidiu no ar com um helicóptero Black Hawk em Washington DC, nos Estados Unidos.

As duas aeronaves caíram no rio Potomac.

O avião, que vinha de Wichita, no Kansas, transportava 60 passageiros e quatro tripulantes. Já o helicóptero era ocupado por três soldados.

John Donnelly, chefe do Departamento de Bombeiros e Serviços de Emergências de Washington, confirmou que não há expectativas de encontrar sobreviventes.

Em coletiva de imprensa, ele confirmou que o trabalho das equipes não é mais uma operação de resgate — e transformou-se numa operação para recuperar os corpos das vítimas.

Até o momento, pelo menos 28 corpos foram recuperados, segundo a polícia.

A Associação Americana de Patinação Artística confirmou que "vários membros da comunidade da patinação" estavam a bordo do avião.

A colisão aconteceu perto do Aeroporto Nacional Ronald Reagan de Washington por volta das 21h, no horário local (às 23h de Brasília).

O presidente dos EUA, Donald Trump, divulgou que foi informado sobre o "terrível acidente" e questinou por que o helicóptero não "subiu ou desceu".

O secretário de transportes dos EUA, Sean Duffy, disse à mídia que acredita que o acidente poderia ter sido evitado e que não houve interrupção na comunicação entre o avião e o helicóptero.

O que aconteceu?

Na quarta-feira (29/1), um jato da PSA Airlines operando como American Airlines 5342 colidiu com um helicóptero do Exército dos EUA ao se aproximar do Aeroporto Nacional Ronald Reagan Washington, de acordo com a Administração Federal de Aviação.

O avião de passageiros, um Bombardier CRJ700, partiu de Wichita, Kansas, e transportava 60 passageiros e quatro tripulantes.

O Pentágono disse que o helicóptero envolvido era um Sikorsky H-60 ​​que decolou de Fort Belvoir, na Virgínia.

O chefe de mídia da Joint Task Force-National Capital Region, unidade que faz parte do Exército dos EUA, disse à CBS News, parceira da BBC nos EUA, que o helicóptero militar Black Hawk envolvido no acidente estava em um voo de treinamento.

Heather Chairez acrescentou que ele pertencia à Companhia B, do 12º Batalhão de Aviação de Fort Belvoir, na Virgínia.

Três soldados dos EUA estavam a bordo da aeronave do Exército, disse a prefeita de Washington, Muriel Bowser.

A Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) declarou que vai investigar o incidente, junto com o National Transportation Safety Board (NTSB).

O FBI também divulgou uma declaração para dizer que está a agência auxilia na resposta à colisão aérea.

O avião se partiu em vários pedaços e agora está submergido, numa profundidade entre 152 e 243 cm, de acordo com as autoridades.

Uma equipe de mergulho também encontrou o que parece ser uma das duas caixas-pretas da aeronave.

O helicóptero está de cabeça para baixo, mas parece estar quase intacto, segundo porta-vozes.
Frio, vento e gelo dificultam o trabalho das equipes de resgate no rio Potomac, dizem autoridades Getty Images

Resgate difícil

Cerca de 300 socorristas em barcos foram mobilizados para procurar sobreviventes, disse o chefe dos Serviços de Incêndio e Emergência de Washington, John Donnelly.

"O desafio é o acesso. Há vento e pedaços de gelo (na água). É perigoso e difícil trabalhar", disse ele.

As temperaturas caíram abaixo de zero durante a noite na área onde ocorreu a colisão, de acordo com o National Weather Service (NWS).

As mínimas eram previstas em cerca de -1 a -2 °C ao redor da área.

Washington DC tem visto temperaturas congelantes nas últimas semanas, e o gelo cobre partes do Rio Potomac, embora quarta-feira tenha sido um dos dias mais quentes do ano até agora.

As condições climáticas serão um fator crucial na missão de resgate.

O presidente da autoridade que controla o aeroporto de Washington disse que 19 voos foram desviados para o Aeroporto Internacional Dulles, que fica nas proximidades.

Ele acrescentou que as equipes de resposta estão em modo de resgate e continuarão a trabalhar durante as próximas horas.

Atletas da patinação estavam no voo

A US Figure Skating — o órgão que representa a patinação artística nos EUA — confirmou em uma declaração que vários membros de sua comunidade estavam a bordo do voo 5342 da American Airlines.

"Esses atletas, treinadores e familiares voltavam para casa após o National Development Camp realizado em conjunto com o campeonato da U.S. Figure Skating em Wichita, Kansas", diz a declaração.

"Estamos devastados por esta tragédia indizível e guardamos as famílias das vítimas em nossos corações. Continuaremos monitorando a situação e divulgaremos mais informações assim que estiverem disponíveis."

Um evento chamado Prevagen US Figure Skating Championships de 2025 foi realizado em Wichita, Kansas, entre 20 e 26 de janeiro.

Patinadores artísticos e treinadores russos também estavam a bordo do voo, segundo informações divulgadas pelas agências Reuters e Tass.

Como aeronaves militares devem evitar colisões

George Bacon, apresentador e ex-piloto das Forças Aéreas Reais do Reino Unido, disse à BBC que aeronaves e helicópteros militares voam rotineiramente próximos a aviões de passageiros.

"Eu voei como piloto militar nos EUA e estou um pouco familiarizado com o espaço aéreo ao redor de Washington DC. É altamente congestionado, mas o tráfego civil e militar compartilham uma frequência de rádio", diz ele.

Bacon acrescenta que os pilotos militares desfrutam de muito mais liberdade nos EUA quando se trata de navegação do que teriam no espaço aéreo do Reino Unido.

"Os militares se regulam e os pilotos podem escolher voar para onde quiserem e precisarem. Em um espaço aéreo controlado como este, eles ainda têm liberdade para tomar medidas de evasão, mas seguem a orientação dos controladores de voo. A ênfase é que eles devem sempre olhar ao redor, o que é conhecido no meio como 'observar e evitar'", detalha o ex-piloto.

Isso contrasta com os aviões civis, Bacon explica, que devem seguir rotas de voo pré-determinadas.

Questionado sobre a comunicação por rádio que alertou o piloto do helicóptero sobre a presença da aeronave de passageiros, ele avalia: "É padrão para controladores de tráfego aéreo perguntarem coisas como 'você vê a aeronave?'. Havia uma instrução muito clara, então caberia ao piloto do helicóptero militar evitar o avião comercial."

"Não é incomum que helicópteros militares estejam próximos de aeronaves comerciais. Os investigadores estabelecerão o que aconteceu e, se houver lições a serem aprendidas, haverá uma mudança nos procedimentos", complementa ele.
Equipes de resgate trabalham desde a madrugada no local onde o avião e o helicóptero caíram Reuters

Condições climáticas tiveram algum papel no acidente?

Embora a causa do acidente ainda seja desconhecida, no momento em que há um evento do tipo, uma observação meteorológica detalhada é realizada por especialistas no assunto.

Os investigadores usarão essas informações para determinar se o clima teve algum impacto no choque entre o avião e o helicóptero.

Sabemos que o acidente aconteceu por volta das 21h, no horário local.

Embora o céu estivesse limpo, com visibilidade de mais de 16 km, havia alguns ventos fortes naquele momento em torno de Washington DC.

O vento vinha da direção oeste-noroeste com uma velocidade de 26 km/h, com rajadas de até 42 km/h.

O voo da American Airlines deve ter usado a Pista 33 (direção 330º), o que significa que estaria quase pousando contra o vento (290º), como uma aeronave normalmente faria.

No entanto, ainda há um componente de vento cruzado, algo que os pilotos estão cientes em qualquer pouso.

Neste caso, o vento cruzado na superfície era de 16 km/h com rajadas de 27 km/h.

Esses valores estão dentro dos limites da aeronave e da capacidade de um piloto pousar.

Diante disso, não haveria grandes preocupações com o clima na aproximação da aeronave com o solo, segundo especialistas.

Acidente pode renovar questionamentos sobre congestionamento em aeroportos
Jonathan Josephs, repórter da BBC News, expliuca que é provável que esse acidente renovará as discussões sobre a segurança na indústria da aviação dos EUA.

No ano passado, o governo dos EUA aprovou dez novos espaços para voos no Aeroporto Nacional Reagan, apesar da oposição de alguns políticos locais, que levantaram preocupações com congestionamentos após alguns quase acidentes.

Relatos das conversas entre o controle de tráfego aéreo e a aeronave sugerem que os controladores estavam alertas sobre os perigos enquanto esse acidente se desenrolava.

No entanto, houve uma escassez de controladores de tráfego aéreo nos EUA nos últimos anos — e no ano passado o Congresso autorizou a agência que regula o setor, a FAA, a recrutar mais profissionais.

O acidente ocorre depois que a FAA ter contratado a maior quantidade de trabalhadores em quase uma década no ano passado para lidar com uma escassez de cerca de 3 mil funcionários.

O chefe da United Airlines, Scott Kirby, disse à estação NPR no mês passado que aquela era "a maior oportunidade de tornar as viagens aéreas melhores para os clientes nos Estados Unidos" e reduzir atrasos.

O que as testemunhas oculares dizem?

Ari Schulman disse à NBC Washington que viu o avião cair enquanto dirigia na George Washington Parkway, rodovia próxima do aeroporto.

Ele disse que a aproximação do avião parecia normal, até que viu a aeronave se inclinando fortemente para a direita, com faíscas na sua parte inferior.

Naquele momento, ele disse que sabia que algo estava "muito, muito errado". Ele disse que a parte inferior de um avião não deveria ser visível no escuro.

As faíscas, segundo Schulman, iam do nariz do avião até a cauda.

Jimmy Mazeo disse que viu o acidente enquanto jantava com sua namorada em um parque perto do aeroporto.

Ele se lembra de ter visto um "clarão branco" no céu e que os aviões voando para o Aeroporto Ronald Reagan pareciam estar seguindo "padrões irregulares".

Mazeo disse que só percebeu a gravidade da situação quando viu os serviços de emergência começarem a chegar ao local.
Voos foram desviados e aeroporto em Washington ficou fechado por algumas horas, mas será reaberto nesta quinta-feira (30/1) Getty Images

O que as autoridades dos EUA estão dizendo?

O presidente Donald Trump disse que foi informado sobre o "terrível acidente" e que estava monitorando a situação de perto.

"Que Deus abençoe suas almas", disse ele em uma declaração. "Obrigado pelo trabalho incrível que está sendo feito por nossos primeiros socorristas."

Em sua conta de mídia social TruthSocial, ele também levantou questões sobre como o incidente poderia ter acontecido. "Esta é uma situação ruim que parece que deveria ter sido evitada. NÃO É BOM!!!"

O vice-presidente JD Vance pediu orações para aqueles que estavam no incidente.

O secretário de Defesa Pete Hegseth e o secretário de Transportes Sean Duffy, cujas nomeações foram confirmadas recentemente, também disseram que estavam monitorando a situação.

O CEO da American Airlines, Robert Isom, expressou "profunda tristeza" em um vídeo que foi postado no site da companhia aérea.

Histórico de acidentes aéreos

O último grande acidente aéreo comercial ocorreu nos EUA em fevereiro de 2009, quando um voo da Continental Airlines que partiu de Newark, em Nova Jersey, operado pela Colgan Air, colidiu com uma casa ao se aproximar do aeroporto em Buffalo, em Nova York.

O avião era um Bombardier Q400 e 49 pessoas morreram.

O acidente mais recente da American Airlines foi em novembro de 2001, perto do Aeroporto Internacional John F. Kennedy.

O voo nº 587 da American Airlines, um Airbus A300, caiu logo após a decolagem, e vitimou 265 pessoas.

O voo tinha como destino Santo Domingo, na República Dominicana, e caiu na área de Belle Harbor, em Rockaways, no bairro do Queens, em Nova York.

Em 2009, um Airbus A320 da US Airways fez um pouso forçado minutos após decolar do aeroporto LaGuardia, em Nova York, depois que ambos os motores foram afetados por um bando de pássaros.

O piloto decidiu planar com o avião até o local de pouso no Rio Hudson e todos os 155 passageiros e tripulantes foram resgatados sem fatalidades.

FONTE: BBC

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

UMA EMPRESÁRIA CEARENSE É ACUSADA POR EX-MARIDO ARGENTINO DE SEQUESTRAR FILHOS FUGIU PARA O BRASIL APÓS ABUSOS FÍSICOS E SEXUAIS

Juliana trouxe os filhos para morar no Brasil devido a comportamentos abusivos e perseguição sofridas pelo ex-marido argentino Foto: Arquivo pessoal

Alvo de denúncia do ex-marido argentino por supostamente sequestrar os filhos do casal, a cearense Juliana Magalhães de Lima, relata que fugiu para o Brasil após uma série de abusos psicológicos, físicas e sexuais contra ela e também contra as crianças, de 7 e 9 anos. A mulher de 33 anos e os garotos foram inseridos na lista amarela da polícia internacional, a Interpol, como pessoas desaparecidas, após alegações do cidadão argentino Herman Krause, de 52 anos.

Em entrevista ao Diário do Nordeste nesta quinta-feira (23), a designer de moda e empresária nega ter sequestrado os filhos e disse que não é uma pessoa desaparecida. Ela indica que decidiu sair da cidade de City Bell, na Argentina, em outubro de 2024, como forma de se proteger, pois ela e os filhos eram constantemente perseguidos pelo ex-companheiro. 

"Não há sequestro quando se sai de um lugar que sofri até ameaça de morte. Eu não tinha vida. Vivia sendo ameaçada e perseguida. Meus filhos têm medo dele, porque ele é um pai agressivo e abusador", pontua a cearense.
Juliana Magalhães de Lima
Empresária cearense

A designer de roupas conta que o ex viajou a Fortaleza em meados de novembro do ano passado e foi procurá-la na casa da tia dela no bairro Conjunto Ceará para fazer ameaças: "Ele disse pra minha tia que quando encontrasse a gente [Juliana e os filhos] ia nos matar". 

Medida protetiva

Um documento da Justiça argentina obtido pela reportagem mostra que havia uma medida protetiva datada de junho de 2023 em vigor. O homem era proibido de se aproximar de Juliana, da casa onde ela morava com os filhos e de fazer contato para intimidá-la. A cearense disse ainda que está com advogados em ambos os países, e que há uma medida cautelar para proteger ela e as crianças no Brasil. 

À época que a mulher decidiu sair do país, o argentino já não via os filhos há cerca de um ano, devido aos processos judiciais. No entanto, de acordo com Juliana, a "justiça não foi feita" em território argentino. 

"Eu quis sair de lá porque a justiça não foi feita. Eu e meus filhos iríamos sofrer para o resto da minha vida. Meus filhos também são brasileiros e têm direito à justiça, à escola e direitos humanos", comenta. 

Ciclo de abusos 

Juliana e Herman se conheceram em 2012, quando o argentino fez uma viagem a Fortaleza. Ela lembra que no mesmo ano já foi morar com ele na Argentina, e a dupla se casou em 2014. A mulher conta que Herman já apresentava sinais abusivos, mas que ela deixou passar, pois era mais jovem. 

"Começou com humilhações e abusos psicológicos. A violência física e sexual já foi da metade para o fim do casamento", indica. Ela relatou à Justiça argentina uma situação na qual chegou a ser empurrada da escada pelo ex-marido. 

Os episódios violentos contra os filhos teriam começado após a separação do casal, em 2023, época em que Juliana conta que os filhos voltavam para casa com hematomas. O abuso sexual aconteceria com o filho mais velho, enquanto o mais novo era submetido a agressões físicas constantes. 

Em um trecho de um relatório de saúde mental conduzido com as crianças em 2024, é descrito que o pai batia nos filhos e "os obriga a cozinhar".   

"Meus filhos pediram pra ir embora para o Brasil. Eles estavam com medo de morrer, então eu peguei meus filhos e vim atrás de justiça, porque não ia deixá-los com um pai abusador", reitera Juliana. 

Argentino nega acusações 

O Diário do Nordeste conversou com o argentino Herman Krause, que negou as acusações e acusou a ex-esposa de alienação parental. Ele alega que Juliana sequestrou os filhos, pois há uma proibição judicial que impede as crianças de deixarem a Argentina, declaração rebatida pela cearense.
Herman Krause acusa a ex-esposa de sequestrar os dois filhos do casal
Foto: Reprodução/Instagram

"Os meninos e minha ex-mulher saíram ilegalmente do país. Estou em busca deles com a Interpol e fiz alertas nos aeroportos. Nunca mais tive notícias deles", disse o funcionário da Agência de Arrecadação e Controle Aduaneiro (Arca) da Argentina, em entrevista nesta quinta-feira (23).

Herman alega que as acusações de violência física e sexual tanto contra a ex-esposa como contra os filhos não procedem, e diz que o processo foi arquivado por falta de provas: "As denúncias eram somente com informações da mãe e da avó dos meninos".

Juliana, entretanto, disse à reportagem que o processo foi arquivado como forma de proteger a imagem e saúde mental dos filhos, que já haviam sofrido muito. 

Frequentemente, Herman tem feito publicações nas redes sociais para pedir ajuda com o paradeiro da ex e dos filhos. Ele chegou a ir em programas de televisão argentinos acusar a brasileira de sequestro. 

FONTE: DN

sábado, 18 de janeiro de 2025

NO IRÃ, 2 JUÍZES DA SUPREMA CORTE SÃO ASSASSINADOS A TIROS POR ATIRADOR QUE DEPOIS COMETEU SUICÍDIO

 

Ataque a juízes da Suprema Corte aconteceu em Teerã Foto: Atta Kenare/AFP

Dois juízes do Supremo Tribunal do Irã foram mortos em seus escritórios na capital Teerã, neste sábado (18), por um atirador que depois cometeu suicídio, anunciou a agência oficial da autoridade judicial, Mizan Online.

Responsáveis pelas 39ª e 53ª divisões do Tribunal, respectivamente, os juízes Ali Razini e Mohammad Moghisseh, foram mortos no complexo do tribunal, no sul da capital iraniana, informou o órgão. 

O porta-voz do Judiciário, Asghar Jahangir, afirmou na televisão que o agressor "entrou no escritório dos dois juízes armado com uma pistola" e os matou. 

Mesmo sem detalhes sobre a motivação do atentado, o Mizan Online ressaltou que não tinha nenhum caso pendente no Supremo Tribunal e chamou o ataque de "terrorista".

APURAÇÃO

O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, pediu às forças de segurança que "identifiquem o mais rápido possível os autores materiais e intelectuais" do crime, de acordo com um comunicado publicado no site presidencial. 

"Não há dúvidas de que a trajetória brilhante desses juízes, que dedicaram toda a sua vida ao combate a diversos crimes contra a segurança nacional, continuará com força", acrescentou.

TRAJETÓRIA NO JUDICIÁRIO

Os dois juízes mortos neste sábado (18) eram "Hodjatoleslam", um título honorífico no islamismo xiita dado a clérigos de médio escalão. Os magistrados presidiram audiências consideradas importantes nos últimos anos. 

Mohammad Moghisseh, de 68 anos, teve uma longa carreira no judiciário desde o estabelecimento da República Islâmica em 1979. Em 2019, ele foi sancionado pelos Estados Unidos por ter "supervisionado um número incontável de julgamentos injustos". 

Ali Razini, de 71 anos, ocupou cargos importantes no judiciário e na política do Irã.

FONTE: DN

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

ALERTA! ABUSO E VIOLÊNCIA ONLINE CONTRA CRIANÇAS: JOVEM DE 19 ANOS ENVOLVIDO EM GRUPO SATANISTA É CONDENADO A 6 ANOS DE PRISÃO POR TRIBUNAL EM LONDRES

 

Cameron Finnigan Counter Terrorism Policing South East

Um adolescente envolvido no que a polícia descreveu como uma rede terrorista satanista que visava crianças online para chantagem e violência sexual foi condenado a seis anos de prisão no Tribunal Central Criminal, conhecido como Old Bailey, em Londres.

Cameron Finnigan se declarou culpado de incitação ao suicídio, posse de um manual de terrorismo e imagens indecentes de uma criança.

O julgamento mostrou que o jovem de 19 anos, de Horsham, na Inglaterra, fazia parte de um grupo satanista de direita radical chamado 764, que a polícia antiterrorismo adverte que representa "uma imensa ameaça".

Pelo menos quatro adolescentes britânicos foram presos em conexão com as atividades do grupo, que chantageia crianças — principalmente meninas — para que pratiquem atos sexuais, se automutilem ou tentem até suicídio.

Aviso: este artigo contém conteúdo perturbador

Em uma audiência anterior, Finnigan se declarou culpado de cinco acusações — e agora, na quinta-feira (16/1), foi condenado a cumprir uma pena de seis anos de prisão e três anos em regime condicional após ser libertado.

O juiz disse que ele representava "um alto risco de danos graves ao público".

Finnigan foi preso em março de 2024 depois que a polícia recebeu informações de que ele tinha uma arma.

Nenhuma arma de fogo foi encontrada na casa dele, mas depois de analisar seus dispositivos digitais, os policiais encontraram bate-papos online em que ele incentivava uma jovem, que acredita-se estar na Itália, a transmitir ao vivo seu próprio suicídio.

Os policiais não conseguiram identificar esta mulher, e não sabem o que aconteceu com ela.

Em bate-papos online, Finnigan se gabava para outros membros do 764 sobre suas tentativas de fazer com que as crianças se automutilassem.

A detetive Claire Finlay, chefe da Polícia de Combate ao Terrorismo da região de South East, na Inglaterra, diz que os membros do grupo competiam para ver quem era o mais radical:

"Se você consegue fazer alguém se automutilar, você está se saindo muito bem nesse grupo. Se você consegue fazer com que se matem, você está chegando ao auge."

Um documento em PDF de 11 páginas também foi encontrado no computador de Finnigan, dando instruções detalhadas sobre como realizar um ataque terrorista com "vítimas em massa" usando um caminhão, armas de fogo ou facas.

E na plataforma de troca de mensagens Telegram, ele e outros membros planejaram o que chamaram de "semana do terror".

Ele disse ao grupo que planejava assassinar um morador de rua que vivia em uma barraca perto da casa dele — e chegou até a postar fotos do local.

"Não vou parar até que ele esteja morto", ele escreveu online.

"Este caso foi muito chocante", afirmou Finlay.

"Cameron Finnigan era perigoso. Havia uma ameaça à segurança pública."

'Uma imensa ameaça'
A rede 764 foi fundada em 2020 por um adolescente americano, Bradley Cadenhead, que tinha 15 anos na época. Acredita-se que seu nome tenha sido inspirado no código postal parcial de sua cidade natal, no Texas.

A polícia afirma que o grupo faz parte de uma rede internacional informal de grupos extremistas de direita radical que adotaram o que os policiais chamam de "ideologia militante aceleracionista".

Aqueles que pesquisaram os grupos dizem que eles buscam destruir a sociedade moderna e civilizada cometendo atos depravados de violência e exploração sexual — muitas vezes envolvendo crianças.

Cadenhead foi preso em 2021 e agora está cumprindo uma pena de 80 anos de prisão no Texas pela criação de vídeos em que crianças não apenas eram abusadas sexualmente, como também asfixiadas, espancadas, sufocadas e gravemente feridas.

A rede usa imagens nazistas e satanistas. Finnigan, cujo nome de usuário online era "Acid", decorava seu quarto em West Sussex com suásticas e pentagramas.

Em uma postagem online, ele escreveu: "Acid é filho de Hitler".
O quarto de Finnigan era decorado com pentagramas e suásticas Counter Terrorism Policing South East
No ano passado, o FBI, a polícia federal americana, divulgou uma advertência sem precedentes sobre o 764, dizendo que o grupo "usa ameaças, chantagem e manipulação para controlar as vítimas e fazê-las gravar ou transmitir ao vivo automutilação, atos sexualmente explícitos e/ou suicídio".

Agora, a polícia britânica emitiu seu próprio alerta.

"Queremos conscientizar o público [sobre o 764]", afirmou Finlay.

"A ameaça que eles representam, não apenas no Reino Unido, mas globalmente, é imensa."

Não se sabe como Finnigan se envolveu com o grupo.

A BBC conversou com uma pessoa que o conhecia bem. Ela nos disse que seu comportamento mudou quando ele se envolveu com outros extremistas online.

"Eles compartilhavam todas as coisas horríveis e terríveis entre si. Foi quando ele passou de atencioso e amoroso a manipulador, tóxico, controlador e sádico", a pessoa afirmou.

"Ele nunca demonstrou sentimento de culpa, na verdade, ele se gabava disso com os amigos, como se gostasse do sofrimento e achasse divertido. Era repulsivo e completamente desumano."

'É algo que causa pesadelo'
Becca Spinks é uma investigadora especializada em internet, baseada nos EUA, que estudou o grupo.

"Eles vão tentar coagir e persuadir jovens vulneráveis ​​a se automutilar, pegar uma lâmina de barbear e gravar o nome do abusador no corpo em vídeo", diz ela.

Spinks identificou Finnigan como membro do 764 antes de ele ser preso. Ele entrou então em contato com ela — e, em mensagens às quais a BBC teve acesso, ameaçou estuprá-la e matá-la.

"Percebi rapidamente que havia mexido em um vespeiro terrível", conta Spinks.

"O FBI me disse que esse grupo era muito violento e muito perigoso. É uma coisa horrível, que causa pesadelo."

Prisões relacionadas ao 764 com base em acusações relacionadas a abuso infantil, sequestro e assassinato foram efetuadas em pelo menos oito países, incluindo o Reino Unido.

Ano passado, Vincent Charlton, de Gateshead, na Inglaterra, então com 17 anos, foi preso por disseminar publicações terroristas, possuir documentos úteis a um terrorista e produzir e possuir imagens indecentes de crianças.

A BBC descobriu online que o 764 ainda está ativo no mundo todo — e viu mensagens em que os membros do grupo se gabam dos seus feitos, compartilhando fotos e vídeos de suas vítimas.
Membros do 764 compartilharam imagens de vídeo perturbadoras como esta

Normalmente, o grupo procura meninas vulneráveis nas redes sociais, muitas vezes em comunidades dedicadas à automutilação ou à saúde mental. Eles se comunicam com elas em plataformas de troca de mensagens como Discord e Telegram, geralmente enviando material de abuso infantil sexualmente explícito.

Um porta-voz do Discord nos disse que havia denunciado Finnegan às autoridades nos EUA, e acrescentou que a plataforma estava comprometida em combater conteúdo prejudicial.

Jenna (nome fictício), da Austrália, tinha 15 anos quando foi alvo do 764 pela primeira vez.

Por mais de dois anos, ela foi ameaçada por membros do grupo.

"Foi horrível", diz a mãe de Jenna, que falou conosco sob condição de anonimato.

"Temos manuais de suicídio que eles enviaram a ela."

O grupo também enviou a Jenna imagens de abuso infantil e animal, e a coagiu a compartilhar fotos explícitas de si mesma e de automutilação diante das câmeras.

A mãe de Jenna nos disse que o grupo fez sua filha se mutilar cada vez mais.

"Mais profundo. Pior. Ela está coberta de cicatrizes."

Por fim, os abusadores ordenaram que Jenna matasse o gato da família, e ela se recusou a obedecer.

"Eles queriam que ela fizesse isso em uma transmissão ao vivo. Tudo explodiu a partir daí. Quando ela se recusou a fazer isso, acho que eles perceberam que estavam perdendo o controle sobre ela", disse a mãe.

Como vingança, os membros do 764 fizeram uma denúncia falsa à polícia, alegando que o pai de Jenna tinha uma arma — uma tática comum, conhecida como "swatting". Policiais australianos armados foram até a casa, aterrorizando a família.

Alguns dos abusadores de Jenna já foram presos e estão cumprindo pena de prisão nos Estados Unidos.

Mas outros ainda estão foragidos. Embora tenha conseguido, em grande parte, cortar relações com o grupo, Jenna continua recebendo mensagens ameaçadoras. A mãe dela ainda está tentando fazer com que as imagens explícitas sejam removidas das plataformas de rede social.

"Passei meses vendo que essas pessoas são capazes de acessar as piores coisas que você poderia imaginar do seu filho. E simplesmente gritando no vácuo — ninguém está ouvindo, ninguém está tirando essas coisas do ar. Como isso ainda está lá? E não é só a minha filha, são muitas crianças."

Jenna ainda está traumatizada por conta das experiências com o grupo.

"Tenha muito cuidado com quem você está falando", ela diz.

"E se acontecer com você, converse com alguém sobre isso."

FONTE: BBC

sexta-feira, 7 de maio de 2021

EM IDAHO (EUA), MENINA ABRE FOGO EM ESCOLA, FERE 3 E É DESARMADA POR PROFESSORA

 
Polícia isola escola em Rigby, Idaho (EUA), onde aluna abriu fogo e baleou 3 nesta quinta (6) Foto: Natalie Behring/AP Photo

Uma menina abriu fogo em uma escola de Rigby, em Idaho (Estados Unidos) e baleou três pessoas nesta quinta-feira (6). Segundo a polícia local, ela parou quando uma professora conseguiu desarmá-la. Os feridos foram atingidos nos membros superiores e inferiores e, disseram as autoridades, não correm risco de morrer.

De acordo com a polícia local, essa garota — que não teve a identidade revelada — era uma aluna da sexta série da instituição. Isso quer dizer que ela tem 11 ou 12 anos de idade. Na escola, a menina sacou a arma de dentro da mochila e começou a disparar, dentro e fora da unidade.

Após ser desarmada, a criança ficou sob a guarda da professora que a deteve e, em seguida, foi levada em custódia pelos policiais.

Os investigadores ainda tentam entender o motivo do ataque e como a menina conseguiu acesso à arma. "Não temos muito detalhes neste momento sobre o porquê. Estamos investigando, seguindo todos os caminhos", disse Steve Anderson, xerife do condado de Jefferson.

Entre os baleados, estão dois alunos. Segundo a agência Associated Press, um deles pode precisar de cirurgia. A terceira pessoa teria sido atingida do lado de fora da escola, afirmam investigadores.
Policiais isolam escola onde menina abriu fogo nesta quinta-feira (6) em Rigby, Idaho (EUA) Foto: Natalie Behring/AP Photo

O governador do estado de Idaho, Brad Little, lamentou em um comunicado o tiroteio na escola de Rigby, pequena cidade com pouco mais de 4 mil habitantes.

"Estou orando pelas vidas e pela segurança das pessoas envolvidas nos acontecimentos trágicos de hoje. Obrigado às nossas agências de segurança e líderes escolares pelos esforços em atuar nesse incidente", disse Little.

Violência nos EUA

Os EUA sofreram uma série de tiroteios em massa nas últimas semanas, incluindo em uma instalação da FedEx em Indianápolis, um prédio de escritórios na Califórnia, um supermercado no Colorado e vários spas em Atlanta. No mês passado, o presidente Joe Biden classificou a violência armada nos Estados Unidos como uma "epidemia" e um "constrangimento internacional".

Mais de 43 mil mortes por armas de fogo foram registradas nos Estados Unidos no ano passado, incluindo suicídios, de acordo com o Gun Violence Archive.

FONTE: G1

domingo, 2 de maio de 2021

EM WISCONSIN (EUA), HOMEM ARMADO MATA DUAS PESSOAS EM CASSINO

 
A polícia foi alertada no sábado à noite sobre um tiroteio no restaurante do Oneida Casino/Radisson Hotel. (Foto: Reprodução/Google Maps)

Um homem armado matou duas pessoas e feriu gravemente outra neste sábado, 1º, em um cassino do Wisconsin (norte dos Estados Unidos) antes de ser morto pela polícia, anunciaram as autoridades locais.

A polícia foi alertada no sábado à noite sobre um tiroteio no restaurante do Oneida Casino/Radisson Hotel, perto de Green Bay. "O suspeito morreu, a polícia atirou contra ele e não há ameaça para o público", afirmou o tenente Kevin Pawlak, da polícia do condado de Brown.

Pawlak disse que o indivíduo aparentemente tinha um alvo e que não foi um "tiroteio aleatório". O objeto do ataque era um funcionário que não estava no local, então o homem armado decidiu abrir fogo contra os colegas de trabalho do alvo. O FBI abriu uma investigação sobre o ataque. 

FONTE: O POVO

sexta-feira, 16 de abril de 2021

EM INDIANÁPOLIS (EUA), ATIRADOR MATA 8 PESSOAS E TIRA A PRÓPRIA VIDA

 
Tiroteio aconteceu na agência da empresa Fedex localizada no aeroporto de Indianapolis, EUA. (Foto: Kamil Krzaczynski/AFP)

Ao menos oito pessoas foram mortas a tiros na cidade americana de Indianápolis no fim da noite de quinta-feira, 15, por um homem que provavelmente cometeu suicídio, anunciou a polícia.

Todas as vítimas foram encontradas em uma instalação da empresa Fedex, perto do aeroporto internacional da cidade, onde um homem armado abriu fogo, informou à imprensa a porta-voz da polícia, Genae Cook.

Outras pessoas foram levadas para o hospital, segundo a polícia, que não revelou o número de feridos.

Um homem que trabalha no local viu o momento em que o homem começou a atirar. "Eu vi um cara com uma submetralhadora, ou fuzil automático, e ele estava atirando a céu aberto. Eu imediatamente me abaixei, fiquei com medo", disse Jeremiah Miller.

De acordo com a porta-voz da polícia, o homem armado se matou em seguida.

Uma fonte da Fedex confirmou à AFP que a instalação da empresa foi cenário de um tiroteio e disse que o grupo está colaborando com as autoridades. "Estamos a par do trágico tiroteio que aconteceu em nossa instalação perto do aeroporto de Indianápolis" afirmou a empresa em um comunicado. O local emprega mais de 4.000 pessoas, segundo a imprensa da cidade.

Timothy Boillat, outro funcionário da instalação, disse ao canal WISH-TV que testemunhou o tiroteio e que viu diversas viaturas da polícia no local "Depois de ouvir os tiros, eu vi um corpo no chão", afirmou. "Felizmente, eu estava suficientemente longe e (o atirador) não me viu", completou.

Mortes por armas de fogo nos EUA

A polícia isolou o local do ataque, que aconteceu após vários tiroteios nas últimas semanas nos Estados Unidos.

No fim de março, quatro pessoas, incluindo uma criança, foram assassinadas em um prédio comercial do sul da Califórnia.

Em 22 de março, 10 pessoas morreram em um tiroteio em Boulder (Colorado).

Quase 40.000 pessoas morrem a cada ano nos Estados Unidos vítimas das armas de fogo, e mais da metade são suicídios.

Resposta de Biden

O presidente Joe Biden anunciou este mês algumas medidas para conter o que chamou de "epidemia" da violência provocada pelas armas de fogo no país.

Ele apresentou um plano limitado para prevenir a propagação as chamadas "armas fantasma" - de fabricação artesanal, às vezes com impressoras 3D -, que são impossíveis de rastrear quando utilizadas em um crime.

Também propôs aumentar as regulamentações para os suportes de braço projetados para estabilizar a arma, um dispositivo usado pelo suspeito do tiroteio do Colorado.

Biden anunciou que suas propostas são um ponto de partida e pediu ao Congresso que legisle para aprovar as medidas, como o controle de antecedentes e o fim das vendas de fuzis, que muitas vezes são utilizadas nos tiroteios em massa.

FONTE: O POVO

sexta-feira, 9 de abril de 2021

MORRE AOS 99 ANOS PRÍNCIPE PHILIP

 

Príncipe Philip — Foto: Leon NEAL / AFP

O príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth II, do Reino Unido, morreu aos 99 anos nesta sexta-feira (9). Ele completaria 100 anos em junho.

A causa exata da morte ainda não foi informada pelo Palácio de Buckingham. Em fevereiro, ele passou mal e foi internado como "medida de precaução". No entanto, o príncipe precisou ser submetido a uma cirurgia cardíaca. Ele recebeu alta depois de um mês.

"É com profunda tristeza que Sua Majestade a Rainha anuncia a morte de seu amado marido, Sua Alteza Real, o Príncipe Philip, Duque de Edimburgo", disse o palácio em um comunicado.

O príncipe "faleceu pacificamente esta manhã no Castelo de Windsor", diz a nota. "Novos anúncios serão feitos no devido tempo. A Família Real se une às pessoas ao redor do mundo em luto por sua perda."

Seu nome oficial era de Duque de Edimburgo. Ele esteve ao lado do reinado de sua mulher, o mais longo da história do Reino Unido, durante 69 anos. Nesse período, ele construiu uma reputação de ser sério, mas propenso a cometer gafes.

Ele se casou com Elizabeth em 1947 e teve um papel fundamental na modernização da monarquia no período pós-Segunda Guerra Mundial. Por trás das paredes do Palácio de Buckingham, era a única figura chave a quem a rainha podia recorrer e em quem confiar.

Em um discurso que marcou seu 50º aniversário de casamento em 1997, Elizabeth fez uma rara homenagem pessoal a Philip: "Ele tem, simplesmente, sido minha força e permanência todos esses anos".

Apesar do protocolo, que o obrigou a estar sempre atrás da rainha e só cumprimentar as pessoas depois dela, em privado ele era considerado o chefe da família.

Philip não acompanhava sempre Elizabeth II —ele fez mais de 22 mil eventos só. Em agosto de 2017, ele se retirou da vida pública, apesar de, eventualmente, ainda aparecer em compromissos oficiais.

A última aparição foi em julho do ano passado, numa cerimônia militar no castelo de Windsor, o palácio onde ele e a rainha decidiram permanecer durante o período de Covid-19.

O casal teve quatro filhos, o príncipe Charles, a princesa Anne, e os príncipes Andrew e Edward.

A rainha viúva

Com a morte de Philip, há especulações sobre o que a rainha poderá fazer. Os especialistas em questões reais dizem que muito dificilmente ela vai abdicar.

Nos últimos anos, ela diminuiu a quantidade de eventos e passou alguns dos compromissos oficiais ao seu filho Charles e ao seu neto Wiliam.

Ela continua a cumprir as obrigações mais simbólicas da monarquia, como a abertura do Parlamento do Reino Unido.

Alguns dos comentaristas sobre a realeza afirmam que Philip era tido como um líder da família de fato, e que, nos últimos anos, com a saúde deteriorada, ele precisou se abster. Isso explicaria problemas como a crise com o príncipe Harry e sua mulher Meghan, que decidiram desistir de seus papéis reais.

Bisneto da rainha Vitória, nasceu em uma cozinha

O Príncipe Philip da Grécia e da Dinamarca, bisneto da rainha Victoria (como a própria rainha Elizabeth II), nasceu em uma mesa de cozinha na ilha de Corfu, em 10 de junho de 1921.

Pouco mais de um ano depois, em dezembro de 1922, foi retirado da ilha em uma caixa de laranjas com o restante da família em um navio britânico. Na ocasião, o tio dele, o rei Constantino I da Grécia, avô da rainha da Espanha, teve que partir para o exílio.

Após uma infância errante e uma longa estadia em um pensionato austero da Escócia, ingressou na Marinha britânica e teve participação ativa na Segunda Guerra Mundial.

Depois do casamento, em 1947, com a então jovem princesa Elizabeth, Philip Mountbatten foi enviado a Malta, mas a meteórica ascensão militar foi interrompida pela subida ao trono da esposa, em 1952, o que o obrigou a renunciar à carreira.

"Estando casado com a rainha me parecia que deveria servi-la da melhor maneira possível", disse certa vez numa entrevista à TV.

Espontaneidade inadequada

Montagem mostra o príncipe Philip ainda jovem e já idoso — Foto: G1

Desde então, ele desempenhava um papel secundário ao lado da monarca, a qual acompanhava em visitas oficiais. Mesmo assim, sempre foi alvo constante da imprensa devido a comentários espontâneos e, ao mesmo tempo, inadequados - e muitas vezes racistas.

Em 1986, por exemplo, aconselhou estudantes britânicos na China a não permanecerem muito tempo no país se não quisessem terminar com os "olhos rasgados".

Durante uma visita à Austrália em 2002 perguntou a um aborígene se "ainda disparava flechas". Em uma ocasião, um menino disse que gostaria de ser astronauta e o duque respondeu: "Nunca poderá voar, está muito gordo".

À ativista paquistanesa Malala Yousafzai, que quase morreu num ataque dos talibãs por defender o direito de educação das meninas, disse que "os pais enviam as crianças para a escola porque não as querem em casa".

Ao ser questionado se gostaria de visitar a União Soviética, respondeu: "Eu gostaria muito de ir à Rússia, mas os bastardos assassinaram metade da minha família" (em referência ao destino dos Romanov).

A um professor de autoescola escocês, o príncipe perguntou: "Como você faz para manter os nativos suficientemente longe da bebida para aprová-los no exame?"

Apesar de tudo, ganhou a simpatia dos britânicos com o trabalho de incentivador de quase 800 organizações.

Casamento sólido

Elizabeth e Philip casaram-se no dia 20 de novembro de 1947. Eles se conheceram em 1939, quando Philip da Grécia tinha 18 anos e a então princesa, 13. A futura rainha, apelidada de "Lilibet", contou mais tarde que sentiu amor à primeira vista pelo louro alto de olhos azuis. Ele, por sua vez, nunca confessou se o sentimento foi recíproco.

"É a atração dos opostos: ela é séria, tímida, introvertida; ele, ao contrário, gosta de gente e da vida social, sendo muito divertido. Enfim, se complementam", assinalou Marc Roche, autor da biografia "A última rainha".

Com a prematura morte do rei George VI, Elizabeth subiu ao trono aos 25 anos. Philip tornou-se príncipe consorte, à sombra da esposa; foi até obrigado a mudar o sobrenome, Mountbatten, porque, segundo Winston Churchill, soava muito alemão, numa época de guerra.

"O príncipe Philip é o único homem em todo o mundo que trata a rainha como um simples ser humano", contou certa vez o ex-secretário privado de Elizabeth II, Lord Charteris. "É o único que se pode permitir. E isso agrada a ela", acrescentou.

A solidez da "associação" que formaram contribuiu, em boa medida, para a estabilidade da monarquia britânica nas últimas seis décadas.

"A rainha e o príncipe formaram uma parceria de trabalho extraordinária, mas seriam felizes?", escreveu Gyles Brandreth no best-seller "Philip e Elizabeth, retrato de um matrimônio".

"A principal lição que aprendemos é que a tolerância é um ingrediente essencial de qualquer casamento feliz", disse Philip em um discurso em 1997.

Segundo ele, a tolerância já é importante quando as coisas vão bem, "mas é absolutamente vital quando as coisas ficam difíceis: pode acreditar em mim que a rainha tem a qualidade da tolerância em abundância.

VEJA FOTOS:


FONTE: G1

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