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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Mulheres mortas pelo tráfico

O envolvimento cada vez mais intenso de mulheres no comércio de entorpecentes aumenta os casos de assassinatos

Tiros de pistola disparados à curta distância mataram Norma Alves de Jesus, 38, na noite da última quinta-feira. O crime ocorreu dentro da casa da vítima, no Parque Leblon, comunidade localizada no Município de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

Com a morte de Norma, subia naquele momento para 170 o número de mulheres assassinadas neste ano no Estado do Ceará. Mas a estatística da violência contra a mulher não parou por aí. Nas horas seguintes, mais dois crimes foram registrados na RMF. Na mesma noite, uma jovem, ainda sem identificação, que seria moradora de rua, foi executada, também a tiro, no Conjunto Jereissati I, em Maracanaú. Em ambos os casos veio a constatação. Cada vez mais, mulheres são executadas por envolvimento com o tráfico de drogas no Ceará.

Na tarde do dia seguinte, sexta-feira (9), a dona de casa Francisca Pereira dos Santos, 46, tornou-se mais uma vítima da intolerância, sendo assassinada com vários tiros de revólver calibre 32 pelo ex-marido, José Lucivaldo Pereira dos Santos, 43, na Estrada da Tangueira, em Pacatuba. Em seguida, ele tentou praticar o suicídio atirando no ouvido direito.

Lucivaldo segue internado no IJF, mas não corre mais risco de morte, segundo os médicos. Este foi um típico crime passional. O marido não se conformou com o fim do casamento.

Crescimento

Assim, faltando pouco mais de 15 dias para o fim do ano, o número de mulheres assassinadas em 2011 já apresenta um aumento da ordem de 12,4 % em comparação a 2010, quando 153 mulheres foram vítimas de homicídios.

Os números que apontavam o crescimento dos registros de assassinatos de mulheres no Ceará foram obtidos pelo Diário do Nordeste a partir do acompanhamento que é feito ininterruptamente dos casos de homicídios no Estado.

Números

O levantamento estatístico apontou ainda 105 casos em 2004, 118 em 2005, 135 em 2006, 93 crimes em 2008 e 136 em 2009. Em sete anos (de 2004 a 2010), nada menos que, 858 mulheres foram mortas no Estado. Somados aos 172 crimes deste ano, o total é de 1.030 homicídios.

Pesquisa divulgada na semana passada revelou que no Brasil, nos últimos dez anos, 42 mil mulheres foram assassinadas. E mais, 70 por cento dos casos ocorreram dentro do próprio lar, revelando que, até então, os crimes tinham como motivo a passionalidade. Mas, com o avanço do tráfico de drogas em todos os recantos do País, o cenário está mudando.

FUZILAMENTOS

No comando da venda de entorpecentes, elas viram ´alvo´ dos seus concorrentes

O envolvimento direto de mulheres no tráfico de entorpecentes na Grande Fortaleza tem contribuído diretamente nas estatísticas dos assassinatos de vítimas do sexo feminino.

Assumindo o lugar dos maridos, companheiros ou namorados presos, as mulheres passam a comandar os pontos-de-venda de drogas na Capital e região metropolitana. Por conta disso, acabam se envolvendo também nas disputas pelo domínio de território e nas cobranças de dívidas do tráfico.

O resultado dessa perigosa ligação é o crescimento dos índices de mortes violentas de jovens e até adolescentes. Dados da Polícia Civil também indicam que mulheres também estão, cada vez mais, participando diretamente das execuções sumárias.

Foi o que aconteceu na noite do último dia 26 de novembro, quando uma jovem usuária de drogas e envolvida em assaltos no Centro da cidade, assassinou, a tiros, outro assaltante identificado como Jorge Luís da Silva Benigno, o ´Buiú´. O crime ocorreu dentro de uma mercearia localizada na esquina das ruas São Paulo e Princesa Isabel, no Centro da cidade.

Fuzilamento

Armada com um revólver, a jovem perseguiu o inimigo pela rua e quando este tentou abrigo dentro do ponto comercial, ela também entrou no local e disparou vários tiros à queima-roupa, matando ´Buiú´ no balcão da mercearia, diante de várias testemunhas. Em seguida, fugiu em companhia de um comparsa que a aguardava em uma rua próxima numa mobilete.

Conforme apurou a Polícia, o crime deveu-se a uma rixa originada do envolvimento dos protagonistas no tráfico de pedras de crack na Favela do Poupa Ganha, localizada em pleno Centro de Fortaleza e que se tornou um dos pontos da criminalidade no bairro.

Execuções

Outros assassinatos de mulheres estão sendo investigados pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e apontam a ligação direta das mulheres mortas com chefes de quadrilhas do tráfico.

Um desses crimes ocorreu na madrugada do dia 9 de abril último, quando duas estrangeiras foram assassinadas por ordem do tráfico. Eram as irmãs bolivianas Maria Liliane Delgadillo Hurtado e Lílian Fabiano Delgadillo Hurtado.

Chacina

Vinte dias depois, ocorreu outra chacina vitimando mulheres envolvidas com a venda de drogas.

Dessa vez, o caso aconteceu em uma residência, localizada na comunidade de Catolé, no Município de Horizonte. Um típico caso de ´acerto de conta´ resultou no fuzilamento de três jovens, entre eles, duas garotas, Maria Gleiciane dos Santos Vasconcelos e Carliana Sales de Carvalho. Também foi morto, na ocasião, o jovem Leandro Elias de Sousa.

Na madrugada do dia 12 de junho, Maria de Lourdes Alves Rocha e sua filha, Maria das Graças dos Santos Andrade, foram assassinadas, a tiro, no bairro Nossa Senhora das Graças (Pirambu). Também por suposto envolvimento com drogas foi assassinada Margarida Chaves de Oliveira, juntamente com Nilton Oliveira Mota da Silva, na noite de 5 de novembro, no bairro Monte Castelo.

Milícia

A Polícia também investiga o caso de uma mulher e seu companheiro que foram fuzilados dentro de casa, no Planalto Ayrton Senna, por conta do tráfico.

O crime ocorreu na noite de 26 de outubro último, quando a jovem Maria Auricélia Santos da Silva e Cláudio William Viana da Silva foram executados por uma milícia, cujo principal acusado é um ex-policial militar e seu irmão, já identificados pela equipe do 19º DP.

INQUÉRITOS

Especializada investiga mil registros da violência

Aproximadamente mil inquéritos policiais foram instaurados neste ano, na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), em Fortaleza. Os casos variam de ameaças até homicídios. Apesar do número significativo, o dado representa apenas dez por cento dos Boletins de Ocorrências (B.Os.) registrados na DDM.

De acordo com a delegada Yamara Colares, a discrepância entre o número de denúncias e o de inquéritos está ligado ao fato que, muitas mulheres, registram o B.O. e não voltam à DDM para dar continuidade ao caso. "Algumas não conseguem testemunhas sobre as denúncias, outras reatam com os companheiros e decidem não levar o caso adiante. Em alguns casos, o que começou com uma simples agressão pode se agravar e evoluir até para um homicídio", disse a delegada.

Após a implantação da Lei Maria da Penha, os números de mulheres que procuram a delegacia para denunciar casos de violência doméstica tem crescido anualmente, conforme ressaltou a delegada. Yamara explicou ainda que depois de registrar o B.O., as mulheres podem requisitar medida protetiva ou representar criminalmente contra os agressores.

A juíza Rosa Mendonça, titular do Juizado da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, da Comarca de Fortaleza, tem coordenado diversas ações visando à redução dos índices de violência.

Os projetos, conforme a magistrada, são sempre voltados à conscientização das mulheres e dos homens, acerca dos malefícios do problema que traz danos para as famílias e a sociedade.

Elaboração de materiais informativos, campanhas educativas junto ao público escolar, capacitação dos policias militares que são os primeiros a ter contato com a mulher vítima de violência doméstica, palestras em escolas da Capital e Interior do estado, hospitais, empresas públicas e privadas são alguns dos exemplos do trabalho do Juizado nesse combate.

Coordenadoria

A criação pelo Tribunal de Justiça do Ceará (JTCE) da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Domestica e Familiar, ressalta a juíza, vai ser de fundamental importância na luta para o combate à violência contra a mulher.

Balanço

172 mulheres foram mortas, neste ano, em todo o Ceará, contra 153 casos em 2010. Além dos casos passionais, crescem as execuções a mando do tráfico.



Amigas se abraçam em desespero depois da morte de uma jovem. O corpo foi encontrado num matagal na zona leste
MIGUEL PORTELA

Uma cena que vem se tornando comum na periferia da Capital. Mulheres são mortas em acertos de conta
NATINHO RODRIGUES

Alguns assassinatos são marcados pela crueldade. Vítimas são eliminadas sem ter chance alguma de defesa
JOSÉ LEOMAR

Delegacia de Narcóticos tem efetuado constantemente prisão de mulheres traficando crack na Grande Fortaleza
JOSÉ LEOMAR

Delegada Yamara Colares ressaltou o grande número de denúncias à DDM
JOSÉ LEOMAR

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