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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

EM QUIXERAMOBIM (CE): ADVOGADO SUSPEITO DE EXIGIR R$ 20 MIL A SUPOSTO AUTOR DE ESTUPRO PARA NÃO DENUNCIÁ-LO É PRESO

O advogado suspeito também teria ameaçado a cliente que se ela procurasse a delegacia depois, ela e o autor do suposto estupro seriam presos. Foto: Reprodução

Um suposto caso de estupro em Quixeramobim, Interior do Ceará, terminou com a prisão de um advogado. De acordo com a investigação da Polícia Civil, José Lourinho Coelho Neto foi procurado por uma jovem, que disse ter sido vítima de abusos e, ao invés de notificar as autoridades sobre o caso, entrou em contato com o suposto autor do crime sexual para extorqui-lo.

José Lourinho foi preso em flagrante nessa segunda-feira (24), quando se preparava para receber o valor restante dos R$ 20 mil exigidos por ele em troca de não denunciar o suposto autor do estupro. A Ordem dos Advogados do Brasil - Secção Ceará (OAB-CE) disse em nota que "através da Diretoria de Prerrogativas e do Centro de Apoio ao Advogado, está acompanhando e apurando todos os fatos para garantir a legalidade da prisão e também que o acusado tenha assegurado o direito à ampla defesa e ao contraditório, bem como à sala de Estado-maior. E, caso haja comprovação de envolvimento do advogado, informamos que a OAB-CE irá realizar abertura de procedimentos internos disciplinares no Tribunal de Ética e Disciplina (TED)".

Os advogados de defesa do suspeito também foram procurados, mas não se manifestaram até a publicação desta reportagem.

O Ministério Público do Ceará (MPCE) pediu a conversão do flagrante em prisão preventiva alegando que o advogado ainda fez com que a suposta vítima assinasse um termo, com declarações falsas, "fazendo-a revitimizar-se psicologicamente, pois foi coagida a aceitar e declarar narrativa que não refletia a realidade do ocorrido, além de ser ameaçada com medida de prisão caso procurasse a autoridade policial".

"A gravidade da conduta é evidente, uma vez que, além de utilizar-se de sua função profissional para fins de extorsão, o acusado desvirtuou os princípios éticos e jurídicos que devem reger a advocacia, função essencial à justiça constitucionalmente tutelada, violando gravemente a confiança pública na Justiça"
MPCE

Na tarde desta terça-feira (25), o Poder Judiciário converteu o flagrante em prisão preventiva, dizendo que a concessão de medidas cautelares não seriam suficientes ao caso. A Justiça também determinou que o Conselho de Ética da OAB Ceará fosse oficiado "para conhecimento da presente decisão e providências necessárias à urgência que o caso requer".

Por ser advogado, o preso tem direito à sala de Estado-maior. Para tentar garantir a prerrogativa prevista em Lei, a Justiça encaminhou o autuado para a Unidade Prisional Irmã Imelda Lima Pontes, na Região Metropolitana de Fortaleza.

A suposta vítima de estupro, de nome preservado pelo Diário do Nordeste, contou à Polícia ter procurado José Lourinho, na companhia da mãe, para pedir orientações, alegando ter sido vítima de violência sexual e querendo processar o autor dos abusos.

A jovem disse que o advogado perguntou se ela "queria o homem na cadeia ou algum tipo de indenização pelo ocorrido", tendo ela respondido que queria uma medida protetiva e uma indenização, mas não queria ver o homem preso.

Conforme depoimento da vítima que a reportagem teve acesso, o advogado teria prometido a ela que resolveria a situação. Depois disse à menina que tinha acertado com o suspeito o valor dos honorários dele e que repassaria a ela esses R$ 5 mil, mas em troca precisaria que ela assinasse um termo para dizer que a relação sexual tinha sido consentida.

A vítima disse ter assinado o termo chorando, "que estava muito triste, mas que os R$ 5 mil lhe ajudaria nos estudos". O advogado suspeito também teria ameaçado a cliente que se ela procurasse a delegacia depois, ela e o autor do suposto estupro seriam presos.

Na versão do homem extorquido, o advogado exigiu a ele R$ 20 mil e que, primeiro, ele pagou R$ 5 mil, mas depois notificou a Polícia sobre a extorsão, tendo no momento do pagamento do restante do valor acontecido o flagrante.

O extorquido contou aos investigadores que tinha se relacionado com a jovem, mas de forma consensual, e que passou a ser procurado por José Lourinho dizendo que ele seria preso, a não ser que pagasse o valor acertado entre eles, o que evitaria uma denúncia.

Ainda de acordo com a suposta vítima da extorsão e suposto autor do crime sexual, o advogado chegou a dizer que: "se você não conseguir os valores hoje, não vou poder fazer mais nada" e que "se você for preso, o pedido de habeas corpus é mais caro, R$ 50 mil".

VERSÃO DO SUSPEITO

O advogado José Lourinho teria dito aos policiais que seu primeiro contato com o caso foi quando recebeu ligação de uma provável cliente perguntando se ele trabalhava em casos de crimes sexuais, mas que a conversa foi curta e ele a orientou buscar atendimento no escritório. 

Segundo o advogado, pessoalmente, ele ouviu o relato da jovem acerca do abuso e orientou ela a procurar uma delegacia. Em paralelo, José disse ter ido falar com o suspeito do abuso para dizer que a jovem tinha o procurado "dando a entender que (ela) queria dinheiro para não denunciá-lo". 

Neste momento, segundo o advogado, o suspeito pediu que ele oferecesse à vítima R$ 5 mil para que ela fizesse um tratamento psicológico. 

"Disse que o suspeito do abuso saiu do escritório e entrou e, contato com a vítima sobre os R$ 5 mil ofertados e que ela concordou em receber os valores, mas que não cobrou nada pela intermediação e negou ter exigido algo para si". O advogado disse ainda que também falou aos investigadores que não queria atuar neste caso por ter parente que já sofreu abuso sexual.

Conforme documentos que a reportagem teve acesso, a defesa do suspeito pela extorsão pediu a liberdade dele alegando que ele é pessoa idônea e que atua desde 2017 na advocacia.

O QUE O MP DIZ

O Ministério Público destacou que "como se observa dos relatos da vítima e das testemunhas, o flagranteado exigiu valores de forma contundente e reiterada, pressionando a vítima com ameaças e promessas de evitar sua prisão em troca do pagamento de valores exorbitantes".

Para a promotoria, o próprio depoimento da suposta vítima de crime sexual, assim como as provas nos autos, "mostram que a estratégia do custodiado foi utilizar a suposta vítima do abuso sexual para dar verossimilhança às suas ameaças e extorsões, manipulando a situação de maneira cruel e indecorosa".

"A conduta do custodiado não apenas contraria esses deveres, mas afeta a credibilidade da própria função estatal judiciária, na medida que, no exercício da advocacia, se utiliza de sua posição para extorquir, corromper e manipular situações de forma tão nociva"
MPCE

O MP diz também que "a testemunha, que inicialmente buscava assistência jurídica em razão de uma suposta violência sexual, foi utilizada como parte da estratégia criminosa do acusado" e "que a prisão preventiva do custodiado se faz necessária para a garantia da ordem pública e da instrução criminal, sendo plenamente justificável dada a natureza do crime, reveladora de extrema insensibilidade com a liberdade alheia".

FONTE: DN

sexta-feira, 12 de março de 2021

EM FORTALEZA (CE), ADVOGADO ACUSADO DE INTEGRAR FACÇÃO É PRESO PELA 3ª VEZ; ELE APARECE EM VÍDEOS COM DROGAS E ARMAS

 
A investigação apontou que os bilhetes apreendidos em posse do advogado acusado tinham conteúdo fazendo menção ao tráfico de drogas e outros crimes

Um advogado foi preso nessa quarta-feira (10) por policiais civis, no bairro Damas, em Fortaleza. Conforme a Polícia Civil, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas (Draco) cumpriu mandado de prisão preventiva contra um suspeito de integrar organização criminosa. A reportagem apurou que o advogado detido é Alaor Patrício Júnior.

O suspeito foi encaminhado até a sede Delegacia de Capturas e Polinter (Decap) e já nesta quinta-feira (11) transferido ao Sistema Penitenciário do Ceará. Mais detalhes não foram divulgados porque o caso tramita em segredo de Justiça. A reportagem teve acesso a vídeos onde Alaor aparece ostentando drogas e armas de fogo. Conforme o Ministério Público do Ceará (MPCE), o advogado é membro de uma facção criminosa de origem carioca.

Por nota, a Ordem dos Advogados do Brasil - Secção Ceará (OACE) disse ter sido informada sobre a expedição do mandado de prisão preventiva e que esteve na última quarta-feira (10) acompanhando o advogado para "garantir a legalidade da prisão no que tange às prerrogativas da advocacia".

A Ordem disse ter solicitado acesso à cópia do procedimento e aguarda para poder analisar e deliberar quanto às possíveis infrações disciplinares por parte do acusado. Sobre os vídeos, a OAB acrescentou que não teve acesso às imagens.

Esta é a terceira vez que Alaor é preso em menos de dois anos. A primeira vez que o advogado foi capturado se tratou de um flagrante na saída de uma unidade prisional na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Em setembro de 2019, o homem foi detido em posse de, aproximadamente, 20 bilhetes contendo mensagens de membros de facções criminosas.

Veja as imagens:

Uma semana após o flagrante, Alaor foi solto por decisão proferida em audiência de custódia. À época, o juiz da 2ª Vara da Comarca de Itaitinga, disse que a prisão contra o advogado não se fazia necessária porque a aplicação de medidas cautelares resguardariam a ordem pública.

Dentre as medidas aplicadas, o magistrado decidiu pelo monitoramento por tornozeleira eletrônica e impedir o advogado de frequentar cadeias ou presídios no Estado do Ceará. Ainda em 2019, no mês de dezembro, aconteceu mais uma detenção.

Na segunda ocasião, conforme a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), Alaor Patrício foi avistado em 'atitude suspeita' por uma equipe policial e, quando abordado, estava em posse de 18 gramas de maconha. Ele foi encaminhado ao 11º Distrito Policial, prestou depoimento, assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e foi liberado.

Monitorado

Em novembro do ano passado, a Justiça decidiu revogar a medida cautelar sobre o monitoramento eletrônico de Alaor Patrício Júnior. A decisão foi motivada porque 14 meses após o flagrante em Itaitinga a denúncia criminal contra ele não havia sido apresentada.

Um colegiado de promotores do Ministério Público do Ceará (MPCE) emitiu parecer a favor da retirada da tornozeleira entendendo que a medida cautelar não podia se estender indefinidamente em fase pré-processual e explicou que a denúncia ainda não foi apresentada porque é esperado que autoridade policial junte aos autos laudos de exame de comparação de grafia.

Denúncia

A denúncia pelo crime que culminou a prisão prisão do advogado foi apresentada há duas semanas, no dia 25 de fevereiro deste ano. Na acusação, o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) destacou Alaor integra facção criminosa e que o teor dos bilhetes apreendidos na saída da unidade prisional revela a prática de crimes.

"As anotações partem de presos com status de liderança da organização criminosa Comando Vermelho – CV, com orientações diversas sobre tráfico de drogas, aquisição de armas, facilitação de fuga, retaliações a criminosos com dívidas com a facção criminosa. Os referidos bilhetes eram direcionados a outros criminosos", conforme trecho da denúncia.

Em sua defesa, o acusado disse nos autos que foi forçado a entregar os bilhetes, mas não poderia informar a identidade de quem o ameaçou. Alaor ainda disse às autoridades que não advoga mais para Alan Marcos Azevedo Rocha e Valdemberg Rodrigues da Silva, dupla também acusada pelo MPCE no caso dos bilhetes.

FONTE: DN

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