Quase três meses após o universitário Vitor Suarez Cunha, de 21 anos, ter sido brutalmente espancado por pitboys ao defender um mendigo que estava sendo chutado pelo bando na Ilha do Governador, o bairro registra mais um caso de agressão por motivo banal. Na última segunda-feira, o comerciante José Ludgero Espírito Santo da Silva, de 50 anos, foi agredido por um suposto lutador de MMA, dentro de uma agência bancária, simplesmente porque estava demorando a usar o caixa eletrônico.
— Eu estava fazendo vários depósitos e pagamentos no caixa. O cara que estava atrás de mim foi reclamar com uma atendente. Depois voltou para a fila e veio reclamar comigo, dizendo que eu estava fazendo pagamentos no caixa de depósitos.
Ludgero respondeu que a máquina servia para os dois serviços, e que continuaria a usar o caixa até terminar tudo.
— Foi quando ele disse: "o que? tá tirando onda com MMA?". Aí, me deu um tapa no peito e um pontapé na costela. A pancada foi tão forte que a minha pasta com dinheiro e documentos voou. O cara era tão forte que foi preciso três seguranças do banco para contê-lo. Pedi para segurarem o agressor até a polícia chegar, mas os seguranças o liberaram, e ele fugiu.
O banco fica próximo à 37ª DP (Ilha). O comerciante foi à delegacia, onde o caso foi registrado como lesão corporal provocada por socos, tapas e pontapés. A polícia já pediu as imagens do circuito de segurança do banco para tentar identificar o agressor, que seria cliente da agência.
Mais um acusado de espancar brutalmente um estudante de 19 anos no Grajaú, em 15 de julho do ano passado, já está atrás das grades. Fellipe Patrício do Nascimento, o Fell, se apresentou no dia 30 de março, na 44ª DP (Inhaúma). Ele estava foragido desde 27 de fevereiro, quando teve a prisão preventiva decretada pela 2ª Vara Criminal.
Além de Fell, tiveram a prisão decretada Vitor Daflon Mira, o Daflon; Moacyr da Cunha Pegado Neto; e Luan da Silva Moreira, o Rato. Todos respondem por tentativa de homicídio qualificado. Vitor permanece foragido. Moacyr se entregou na 20ª DP (Vila Isabel), em 7 de março. Já Luan foi preso em casa, no dia anterior.
Esta não foi a primeira vez que Fell participou de confusões. Considerado pela polícia como líder da "Família Grajaú", Fell possui antecedentes criminais por lesão corporal, e aparece trocando socos num vídeo publicado na internet. Mas ele também já foi vítima de agressão. O episódio ocorreu em janeiro de 2011, numa briga entre duas gangues. Atingido por uma pedrada na cabeça, Fell sofreu traumatismo craniano e afundamento do crânio.
O incidente deixou sequelas no rapaz, que foi submetido a uma delicada cirurgia com cerca de seis horas de duração, no Hospital do Andaraí. Os movimentos da mão esquerda e a fala ficaram comprometidas. Ele chegou a fazer sessões de fisioterapia e fonoaudiologia para reduzir os danos provocados pela lesão.
— Até hoje ele toma remédios controlados e tem dificuldade para usar a mão esquerda — disse a mãe de Fell, Maria Cristiane do Nascimento.
A vítima só escapou da morte graças a dois amigos, que se jogaram sobre ele enquanto sua cabeça era pisoteada pelos quatro agressores, que pertenceriam a uma gangue conhecida como "Família Grajaú" ou apenas "FMG". Colocou três placas de platina no maxilar e ficou dois meses sem poder mastigar, com alimentação pastosas. Teve afundamento na testa e fraturou um osso embaixo do olho.
Memória: agressões por motivos banais
O jovem X., de 19 anos, foi espancado pelos quatro integrantes da gangue "Família Grajaú", que invadiu a festa de um grupo de estudantes, numa casa de festas no Grajaú. Na saída do local, X. foi defender um amigo que estava sendo agredido e se tornou o alvo principal dos pitboys. A 20ª DP enviou o inquérito ao MP em janeiro, que denunciou os quatro à Justiça em janeiro. Em 27 de fevereiro, a Justiça decretou a prisão dos acusados.
Já o caso de Victor Suarez, espancado na Ilha em 2 de fevereiro, teve resposta mais rápida das autoridades: em menos de um mês, os cinco agressores estavam identificados e presos. São eles: Tadeu Assad Farelli Ferreira, William Bonfim Nobre Freitas, Fellipe de Melo Santos, Edson Luis dos Santos Junior e Rafael Zanini Maiolino. A primeira audiência do processo na Justiça será em 16 de maio.
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